Últimos Sonetos: Eternidade retrospectiva Últimos Sonetos · Capítulo 51 de 96
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Últimos Sonetos: Eternidade retrospectiva

Eternidade retrospectiva

Eu me recordo de já ter vivido,

Mudo e só, por olímpicas Esferas,

onde era tudo velhas primaveras

E tudo um vago aroma indefinido.

Fundas regiões do Pranto e do Gemido

Onde as almas mais graves, mais austeras

Erravam como trêmulas quimeras

Num sentimento estranho e comovido.

As estrelas, longínquas e veladas,

Recordavam violáceas madrugadas,

Um clarão muito leve de saudade.

Eu me recordo d'imaginativos

Luares liriais, contemplativos

Por onde eu já vivi na Eternidade!

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