Últimos Sonetos: Asas abertas Últimos Sonetos · Capítulo 49 de 96
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Últimos Sonetos: Asas abertas

Asas abertas

As asas da minh'alma estão abertas!

Podes te agasalhar no meu Carinho,

Abrigar-te de frios no meu Ninho

Com as tuas asas trêmulas, incertas.

Tu'alma lembra vastidões desertas

Onde tudo é gelado e é só espinho.

Mas na minh'alma encontrarás o Vinho

e as graças todas do Conforto certas.

Vem! Há em mim o eterno Amor imenso

Que vai tudo florindo e fecundando

E sobe aos céus como sagrado incenso.

Eis a minh'alma, as asas palpitando

Com a saudade de agitado lenço

o segredo dos longes procurando...

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