Últimos Sonetos: Voz fugitiva Últimos Sonetos · Capítulo 16 de 96
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Últimos Sonetos: Voz fugitiva

Voz fugitiva

Às vezes na tu'alma que adormece

Tanto e tão fundo, alguma voz escuto

De timbre emocional, claro, impoluto

Que uma voz bem amiga me parece.

E fico mudo a ouvi-la como a prece

De um meigo coração que estaá de luto

E livre, já, de todo o mal corruto,

Mesmo as afrontas mais cruéis esquece.

Mas outras vezes, sempre em vão, procuro

Dessa voz singular o timbre puro,

As essências do céu maravilhosas.

Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado,

Mas tudo na tu'alma está calado,

No silêncio fatal das nebulosas.

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