Últimos Sonetos: Demônios Últimos Sonetos · Capítulo 64 de 96
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Últimos Sonetos: Demônios

Demônios

A lingua vil, ignivoma, purpurea

Dos peccados mortaes bava e braveja,

Com os seres impolluidos mercadeja

Mordendo-os fundo, injuria sobre injuria.

5 É um grito infernal de atroz luxuria,

Dôr de damnados, dôr de Cháos que almeja.

A toda alma serena que viceja,

Só furia, furia, furia, furia, furia!

São peccados mortaes feitos hirsutos

10 Demonios mãos que os venenosos fructos

Mordêram com volupias de quem ama...

Vermes da Inveja, a lesma verde e oleosa,

Anões da Dôr torcida e cancerosa,

Abortos de almas a sangrar na lama!

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