Últimos Sonetos: Ódio sagrado Últimos Sonetos · Capítulo 65 de 96
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Últimos Sonetos: Ódio sagrado

Ódio sagrado

Ó meu ódio, meu ódio majestoso,

Meu ódio santo e puro e benfazejo,

Unge-me a fronte com teu grande beijo,

Torna-me humilde e torna-me orgulhoso.

Humilde, com os humildes generoso,

Orgulhoso com os seres sem Desejo,

Sem Bondade, sem Fé e sem lampejo

De sol fecundador e carinhoso.

Ó meu ódio, meu lábaro bendito,

Da minh'alma agitado no infinito,

Através de outros lábaros sagrados.

Ódio são, ódio bom! sê meu escudo

Contra os vilões do Amor, que infamam tudo,

Das sete torres dos mortais Pecados!

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