Últimos Sonetos: Mudez perversa Últimos Sonetos · Capítulo 30 de 96
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Últimos Sonetos: Mudez perversa

Mudez perversa

Que mudez infernal teus lábios cerra

Que ficas vago, para mim olhando,

Na atitude de pedra, concentrando

No entanto, n'alma, convulsões de guerra!

A mim tal fel essa mudez encerra,

Tais demônios revéis a estão forjando

Que antes te visse morto, desabando

Sobre o teu corpo grossas pás de terra.

Não te quisera nesse atroz e sumo

Mutismo horrível que não gera nada,

Que não diz nada, não tem fundo e rumo.

Mutismo de tal dor desesperada,

Que quando o vou medir com o estranho prumo

Da alma fico com a alma alucinada!

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