Últimos Sonetos: Prodígio! Últimos Sonetos · Capítulo 13 de 96
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Últimos Sonetos: Prodígio!

Prodígio!

Como o Rei Lear não sentes a tormenta

Que te desaba na fatal cabeça!

(Que o céu d'estrelas todo resplandeça.)

A tua alma, na Dor, mais nobre aumenta.

A Desventura mais sanguinolenta

Sobre os teus ombros impiedosa desça,

Seja a treva mais funda e mais espessa,

Todo o teu ser em músicas rebenta.

Em músicas e em flores infinitas

De aromas e de formas esquisitas

E de um mistério singular, nevoento...

Ah! só da Dor o alto farol supremo

Consegue iluminar, de extremo a extremo,

o estranho mar genial do Sentimento!

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