Últimos Sonetos: Aspiração suprema Últimos Sonetos · Capítulo 78 de 96
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Últimos Sonetos: Aspiração suprema

Aspiração suprema

Como os cegos e os nus pede um abrigo

A alma que vive a tiritar de frio.

Lembra um arbusto frágil e sombrio

Que necessita do bom sol amigo.

Tem ais de dor de trêmulo mendigo

Oscilante, sonâmbulo, erradio.

É como um tênue, cristalino fio

D'estrelas, como etéreo e louro trigo.

E a alma aspira o celestial orvalho,

Aspira o céu, o límpido agasalho,

sonha, deseja e anseia a luz do Oriente...

Tudo ela inflama de um estranho beijo.

E este Anseio, este Sonho, este Desejo

Enche as Esferas soluçantemente.

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