Primeira Parte: Saudades
Tenho saudades dos formosos lares
Onde passei minha feliz infância;
Dos vales de dulcíssima fragrância;
Da fresca sombra dos gentis palmares.
Minha plaga querida! Inda me lembro
Quando através das névoas do ocidente
O sol nos acenava adeus languente
Nas balsâmicas tardes de setembro;
Lançava-me correndo na avenida
Que a laranjeira enchia de perfumes!
Como escutava trêmula os queixumes
Das auras na lagoa adormecida!
Eu era de meu pai, pobre poeta,
O astro que o porvir lhe iluminava;
De minha mãe, que louca me adorava,
Era na vida a rosa predileta!...
Mas... ... tudo se acabou. A trilha olente
Não mais percorrerei desses caminhos...
Não mais verei os míseros anjinhos
Que aqueciam na minha a mão algente!
Correi, ó minhas lágrimas sentidas,
Do passado no rútilo sudário;
Bem longe está o cimo do Calvário
E já as plantas sinto tão feridas!...
Ai ! que seria do mortal aflito
Que tomba exangue à provação cruenta,
Se no marco da estrada poeirenta
Não divisasse os gozos do Infinito?!...
Abrem-me n’alma as dores da saudade
Um sulco de profundas agonias...
Morreram-me pra sempre as alegrias...
Só me resta um consolo... a eternidade!