Primeira Parte: Saudades Nebulosas · Capítulo 3 de 44
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Primeira Parte: Saudades

Tenho saudades dos formosos lares

Onde passei minha feliz infância;

Dos vales de dulcíssima fragrância;

Da fresca sombra dos gentis palmares.

Minha plaga querida! Inda me lembro

Quando através das névoas do ocidente

O sol nos acenava adeus languente

Nas balsâmicas tardes de setembro;

Lançava-me correndo na avenida

Que a laranjeira enchia de perfumes!

Como escutava trêmula os queixumes

Das auras na lagoa adormecida!

Eu era de meu pai, pobre poeta,

O astro que o porvir lhe iluminava;

De minha mãe, que louca me adorava,

Era na vida a rosa predileta!...

Mas... ... tudo se acabou. A trilha olente

Não mais percorrerei desses caminhos...

Não mais verei os míseros anjinhos

Que aqueciam na minha a mão algente!

Correi, ó minhas lágrimas sentidas,

Do passado no rútilo sudário;

Bem longe está o cimo do Calvário

E já as plantas sinto tão feridas!...

Ai ! que seria do mortal aflito

Que tomba exangue à provação cruenta,

Se no marco da estrada poeirenta

Não divisasse os gozos do Infinito?!...

Abrem-me n’alma as dores da saudade

Um sulco de profundas agonias...

Morreram-me pra sempre as alegrias...

Só me resta um consolo... a eternidade!

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