Terceira Parte: O Sacerdote Nebulosas · Capítulo 34 de 44
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Terceira Parte: O Sacerdote

Ente sagrado que sereno calcas

Os bravos cardos do terreno horto,

Erguendo os fracos que chorando prostram-se,

Entre a miséria a derramar conforto;

Dizei, que arcanjo te sustenta, oculto,

Do mundo falso sobre as cruéis paixões?

Quem deu-te a crença que a sorrir espalhas

Às multidões?

Quem deu-te aos olhos a celeste chama

Que alenta a vida e purifica a alma,

E o lábio ungiu-te do melífluo verbo

Que tanta ardência, tanta sede acalma?...

Símbolo do Cristo, tu entornas bálsamos

Do peito aflito sobre o chão revel;

Quanta nobreza não disfarça avaro

Negro burel!

Teu doce império se revela exímio

Onde do déspota o poder falece,

Ao céu teu ser em sacrifício sobe

Nas brancas asas da singela prece.

Banha-se o crente, a teu suave acento,

Nas ondas loiras da caudal da fé;

Caem por terra mil errôneas seitas

Ontem de pé!

O braço inerme protetor estendes

Da virgem pura à candidez sublime,

Enquanto ao seio piedoso apertas

O réu, remido do negror do crime!

Após teus passos vão seguindo as bênçãos

Do pobre enfermo que estendeu-te a mão;

Ao ímpio mesmo que blasfema, atiras

Doce perdão!

E quando exausto, para o vil patíbulo,

Caminha um homem que a justiça esmaga,

Sustendo a fronte que o terror desvaira

Ainda lhe mostras a sideral plaga:

Contrito escuta o condenado a lenda

Das longas dores que sofreu Jesus,

E quando pende-lhe a cabeça, expira

Beijando a Cruz!

Prossegue sempre nessa trilha augusta;

Para onde adeja a funeral desgraça!

Mas não te afastes dos festivos grupos,

Quebra-se em breve do prazer a taça!

Se o frio cético ao rolar no abismo

Fitar sombrios os tristes olhos teus,

Verá rasgar-se do sepulcro as sombras,

Julgar-te-á Deus!...

Tais são, ó mártir de uma ideia, as luzes

Que opões à treva tumular do mundo;

Ai! nunca invejes o bulício inglório

Das loucas turbas no labor profundo!

Embora o gênio da desdita envolva

Nosso destino em funerário véu,

Por entre os prantos te veremos sempre

Próximo ao céu!...

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