Terceira Parte: Júlia E Augusta
São duas rosas se expandindo rúbidas
No brando caule com suave encanto;
São duas nuvens deslisando túmidas
Do campo aéreo no azulado manto.
São duas ondas marulhosas, flácidas,
Que o tíbio sopro do favônio frisa;
São duas conchas deslumbrantes, nítidas,
Do mar na praia refulgente e lisa.
São duas auras, perfumosas, tépidas,
Beijando as pétalas de uma flor pendida;
São duas rolas resvalando tímidas
No dorso curvo do escarcéu da vida.
Duas auroras ressurgindo límpidas
Por entre as trevas que a tormenta encerra;
Graças libradas sobre o espaço, fúlgidas,
À cuja sombra se conchega a terra!
Uma — os rutilos das pupilas vívidas
Vela nos prantos de gentil ternura;
Na cor mimosa da Moema indígena
Concentra o ardor da tropical natura.
Outra, revela nos olhares lânguidos
Toda a pureza da celeste estância;
À tez formada de açucenas úmidas
Rouba o outono a festival fragrância!
Ambas — cingidas de virgínea auréola
Firmes caminham na escabrosa trilha!
Feliz daquele que sorvesse em ósculos
O afeto imenso que em seus olhos brilha.