Terceira Parte: Júlia E Augusta Nebulosas · Capítulo 40 de 44
Obra Menu

Terceira Parte: Júlia E Augusta

São duas rosas se expandindo rúbidas

No brando caule com suave encanto;

São duas nuvens deslisando túmidas

Do campo aéreo no azulado manto.

São duas ondas marulhosas, flácidas,

Que o tíbio sopro do favônio frisa;

São duas conchas deslumbrantes, nítidas,

Do mar na praia refulgente e lisa.

São duas auras, perfumosas, tépidas,

Beijando as pétalas de uma flor pendida;

São duas rolas resvalando tímidas

No dorso curvo do escarcéu da vida.

Duas auroras ressurgindo límpidas

Por entre as trevas que a tormenta encerra;

Graças libradas sobre o espaço, fúlgidas,

À cuja sombra se conchega a terra!

Uma — os rutilos das pupilas vívidas

Vela nos prantos de gentil ternura;

Na cor mimosa da Moema indígena

Concentra o ardor da tropical natura.

Outra, revela nos olhares lânguidos

Toda a pureza da celeste estância;

À tez formada de açucenas úmidas

Rouba o outono a festival fragrância!

Ambas — cingidas de virgínea auréola

Firmes caminham na escabrosa trilha!

Feliz daquele que sorvesse em ósculos

O afeto imenso que em seus olhos brilha.

1/1
Menu

Fazer anotação