Segunda Parte: Vem! Nebulosas · Capítulo 27 de 44
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Segunda Parte: Vem!

Lírio mimoso dos jardins cerúleos,

Plácido arcanjo de brilhantes vestes,

Vem, Sono, e com teu cetro fúlgido

Fecha-me os olhos.

Não vês que as sombras se desdobram tétricas?

Que Éolo geme sem já ter um silvo?

Não vês que os gênios do oceano indômito

Lânguidos choram?

Vem, que a fragrância dos junquilhos cândidos

Se casa ao múrmur da fugaz corrente;

Há na folhagem das sombrias árvores

Túrbida queixa.

Se ao leito foges em que rola o cético

Turbando a noite com a blasfêmia ímpia,

Tu vens da virgem deferir a súplica

Tímida e pura!

E quando baixas, belo ser notívago,

Vertendo orvalhos, mitigando dores,

As magnólias que se alteiam pálidas

Curvam-se na haste.

O pobre escravo num langor benéfico

Recobra forças para a luta insana;

Lasso proscrito, todo o horror do exílio

Mísero! — esquece.

A branca pomba, da doçura símbolo,

Oculta a fronte sob as níveas asas;

E o rei das feras nas cavernas líbicas,

Flácido tomba!...

O cafre exausto sobre a areia tórrida

Busca a palmeira no Saara erguida;

E goza ao sopro de teu meigo hálito,

Mágico encanto!

Oh! mais não tardes, vem ungir-me as pálpebras

Meu ser embala num dourado sonho!

Rasga o véu denso que limita o vácuo,

Mostra-me a pátria!...

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