Segunda Parte: Sete De Setembro Nebulosas · Capítulo 25 de 44
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Segunda Parte: Sete De Setembro

Salve! dia feliz, data sublime

Que despertas o sacro amor da pátria

Em nossos corações!

Salve! aurora redentora que eternizas

A era em que o Brasil entrara ovante

No fórum das nações!

Além do oceano, entre coreias místicas,

Com a imensa coma abandonada aos ventos

Descansava a dormir,

O filho altivo das cabrálias cismas;

— Calmo como a Sibila que tateia

Mistérios do porvir!

E os ósculos ardentes do pampeiro

Do gigante adormido os lassos membros,

Enchiam de vigor,

E os débeis raios da saudosa lua

A soberba cabeça lhe adornavam

De estremas de fulgor.

Um dia... ai! despertou, vendo cortado

Pela infame cadeia dos cativos

O nobre pulso seu;

Estremecera em ânsias: lava ardente

Rugia incendiada pelas fibras

Do novo Prometeu!...

E os mundos agitaram-se nos eixos;

E o mar convulso arremessou aos ares

Cristais em turbilhões;

E a humanidade inteira ouviu tremendo

O brado heroico que rasgara o peito

Do gênio das soidões!

Após insano esforço, ergueu-se ingente

Calcando aos pés a algema espedaçada

Da luta no estertor,

E o Amazonas foi dizer aos mares,

E os Andes se elevaram murmurando:

"Eis-nos livres, Senhor!"

Tu foste meiga estrela que fulguras,

Apontando o caminho ao pegureiro

Exposto ao vendaval;

Rosa orvalhada de divinas lágrimas,

Que o colo purpurino reclinaste

No sólio de Cabral;

Liberdade gentil, visão dos anjos,

Clícia mimosa balouçada à sombra

Pelo bafo de Deus,

Tu foste, como sempre, a luz da aliança

Que a santa chama na alma aviventaste,

Roubando-a aos escarcéus!...

Mas não se cinge a escravidão à algema:

A terra que sagrar vieste livre

Do futuro no altar,

Rasgado o seio por voraz abutre,

Vê-se agora entregue à escravidão dos erros,

Sem forças, vacilar!

Ah! não te esqueças deste augusto dia!

Ampara o débil povo que se curva

Ante um falso poder!

Desdobra tuas asas refulgentes

Sobre o leito fúnebre em que repousa

O mártir Xavier!

E quando os filhos teus tendo por bússola

A crença livre que na antiga idade

Fundiu tantos grilhões,

Remontarem aos polos do futuro

Enchendo o vazio de um presente inerte

De indústria e aspirações;

Serás tu, liberdade sacrossanta

Que cingida de magos resplendores

Nos ungirás de luz!

Serás tu, que voltada para o pr'o infinito

Nos guiarás na senda fulgurante

Que à vitória conduz!...

Salve! dia feliz, data sublime,

Que despertas o sacro amor da pátria

Em nossos corações!

Salve! aurora redentora que eternizas

A era em que o Brasil entrara ovante

No fórum das nações!...

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