Terceira Parte: Amor De Violeta
Esquiva aos lábios lúbricos
Da louca borboleta,
Na sombra da campina olente, formosíssima
Vivia a violeta.
Mas uma virgem cândida
Um dia ante ela passa,
E vai colher mais longe uma faceira haste alva
Que à loira trança enlaça.
"Ai! geme a flor ignota:
Se pela cor brilhante
Que tinge a linda rosa, a tinta melancólica
Trocasse um só instante;
Como sentira, ébria
De amor, de mando enleio,
Do coração virgíneo as pulsações precípites,
Unida ao casto seio!"
Dardeja a criança pálida
Na relva perfumosa,
E a meiga violeta ao pé mimoso e célere
Esmaga caprichosa.
Curvando a fronte exânime
Soluça a flor singela:
"Ah! como sou feliz! Perfumo a planta ebúrnea
Da minha virgem bela!..."