Segunda Parte: À Lua Nebulosas · Capítulo 24 de 44
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Segunda Parte: À Lua

Contemplas-me, virgem pálida?

Mandas-me um riso? Não creio!

Não vejo a espuma fulgente

Da luz, num beijo fervente,

Tingir-te a neve do seio!

Por que de brandas carícias

Circundas a poetisa?

Não tens, acaso, nas flores

Mais feiticeiros amores?

Não tens o arpejo da brisa?

Quando no leito sidéreo

Repousas a face linda,

Pareces alva criança

Que, descuidosa, descansa

No berço alvejante ainda.

E se passas entre páramos

Nos braços de mil anjinhos;

Se vais banhar-te nos lagos

Do lírio aos langues afagos,

Saúdam-te os passarinhos!

Ah! quebra a mudez intérmina,

Meiga irmã dos pirilampos!

Não vives de poesia?

Por que percorres sombria

Do céu os lúcidos campos?

Estendo-te os braços trêmulos,

Vem desvendar-me o mistério;

Contar-me as latentes dores,

A causa dos teus palores,

Rainha do reino aéreo.

Depois... ao clarão esplêndido,

Seguindo-te os lentos passos,

Contar-te-ei meus pesares

Em frente à extensão dos mares,

Presa em teus débeis laços.

Mas não tentes, em silêncio,

Sondar a chaga dorida!

É tarde, virgem, é tarde,

No meu seio apenas arde

Uma centelha de vida!

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