Primeira Parte: Resignação Nebulosas · Capítulo 15 de 44
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Primeira Parte: Resignação

No silêncio das noites perfumosas,

Quando a vaga chorando beija a praia,

Aos trêmulos rutilos das estrelas,

Inclino a triste fronte que desmaia.

Eu vejo perpassar as sombras castas

Dos delírios da leda mocidade;

Comprimo o coração despedaçado,

Pela garra cruenta da saudade.

Como é doce a lembrança desse tempo

Em que o chão da existência era de flores,

Quando entoava, ao murmúrio das esferas,

A cópia tentadora dos amores!

E voava feliz nos ínvios serros

Em pós das borboletas matizadas...

Era tão pura a abóbada do elísio

Pendida sobre as veigas rociadas...

Hoje escalda-me os lábios riso insano,

É febre o brilho ardente de meus olhos:

Minha voz só retumba em ai plangente,

Só juncam minha senda agros abrolhos.

Mas que importa esta dor que me acabrunha,

Que separa-me "afasta-me" dos cânticos ruidosos,

Se nas asas gentis da poesia

Elevo-me a outros mundos mais formosos?!

Do céu azul, da flor, da névoa errante,

De fantásticos seres, de perfumes,

Criou-me regiões cheias de encanto,

Que a lua doura de suaves lumes!

No silêncio das noites perfumosas,

Quando a vaga chorando beija a praia,

Ela ensina-me a orar tímida e crente,

Aquece-me a esperança que desmaia.

Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,

Que separa-me "afasta-me" dos cânticos ruidosos,

De longe vejo as turbas que deliram,

E perdem-se em desvios tortuosos!...

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