Terceira Parte: Fantasia Nebulosas · Capítulo 39 de 44
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Terceira Parte: Fantasia

É bela a cecém do vale

Quando desponta mimosa,

Sobre o caule, melindrosa,

Ao rutilar do arrebol;

Quando a gota etérea e pura

Que chora o céu sobre a terra,

O lindo seio descerra

Aos frouxos raios do sol.

É bela a meiga criança

Sorrindo à luz da existência,

Com a alma — toda inocência,

E a face — todo rubor!

Os róseos lábios ungidos

Por mil acentos — suaves

Como o gorjeio das aves,

Como um suspiro de amor!...

Des’brocha o lírio, mais alvo

Que o tênue floco de neve;

A viração fresca e leve

Lhe oscula as pétalas — f’liz;

Ternos carmes lhe murmura

A namorada corrente,

Que se deriva indolente

Por sobre o flóreo tapiz.

Assim a virgem formosa

Torna-se mais sedutora,

Quando a poesia enflora

Sua beldade ideal!

Quando no brilho fulgente

Dos olhos vividos, belos,

Sua alma ardente de anelos

Mostra candor divinal!

Então, se a fita a miséria

Sente no seio a esperança;

A um seu sorriso a criança

Ligeira tenta sorrir;

Aos lábios — casto delírio

Implora a audaz borboleta;

O mesmo altivo poeta

Pede-lhe um raio de amor!

E tudo, tudo o que a cerca

De medrosos juramentos,

Vê, nos vagos pensamentos

A candidez que seduz!

E tudo, tudo o que sofre

Vê que, à imagem de Maria,

A virgem — flor de poesia —

Deus fez repleta de luz!

Que o Senhor a ti, ó virgem,

— Símbolo de amor e candura —

Poupe a taça da amargura

Que a meu lábio não poupou!

Que se desdobre nitente

A fita de tua vida,

De tantos sonhos tecida

Quantos o céu me negou!

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