Primeira Parte: Cisma Nebulosas · Capítulo 14 de 44
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Primeira Parte: Cisma

Ó aura merencória do crepúsculo,

Mais terna que o carpir de Siloé;

És tu que embalas minha funda angústia,

És tu que acendes no meu peito a fé.

És tu que trazes-me a virgínia endecha

Que os anjos gemem na celeste estância;

O sussurro dos plátanos do Líbano,

O frescor dos rosais de minha infância!

Estranha languidez gela-me o seio;

Abre-se além a campa glacial;

Minha fronte que ao chão lívida pende,

Levanta com teu beijo divinal!

Eu tenho n’alma uma saudade infinda,

Mais profunda que o abismo dos espaços;

— Choro meu berço que deixei criança;

— Choro o sol que aclarou meus débeis passos.

Recorda-me as dolentes melodias

Que na lagoa canta o pescador;

E as tristonhas cantigas dos escravos

Quando o céu se desata em luz de amor!

E os campos de esmeraldas que se enlaçam

À opala radiante do infinito...

E a pluma extensa dos bambus da mata,

Onde ecoava da araponga o grito...

Ai, não me fujas, viração sentida!

Fala-me ainda da estação feliz!

Desfolha sobre a tumba de meus sonhos

A grinalda dos risos infantis!

Este ligeiro hálito da pátria

Como desperta sensação tão pura!

Como esta essência dos folguedos idos,

Infunde n’alma tão sutil ternura!

Ó aura do crepúsculo, mais suave

Que o perfume das rosas de Istambul;

Leva ao meu ninho meu gemer de Alcíone!

Traz de meu ninho a primavera azul!

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