Segunda Parte: Vinte E Cinco De Março Nebulosas · Capítulo 19 de 44
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Segunda Parte: Vinte E Cinco De Março

Na noite sepulcral dos tempos idos

Plácida avulta a merencória esfinge;

Esplêndido ideal que esclarecera

A crente multidão!

Monumento do verbo grandioso

Deste povo titã, débil ainda...

Centelha sideral que fecundara

A seiva da nação!

Lacerado o sendálio tenebroso

Que nos velava os livres horizontes,

Entoa o continente americano

Um hino colossal;

Mais vívida no peito a fé rutila;

Mais nobres se erguem dos heróis os bustos

Cingidos pela chama deslumbrante

Da glória perenal.

Mas tu projetas o negror no espaço

Que sobre nós desata-se em sudário!

Mas teu hálito extingue a luz benéfica

Que acendera o Senhor!

Maldição! Maldição! A liberdade

Vê de lodo seu manto salpicado...

Do vulcão popular a ígnea lava

Desmaia sem calor...

Raiaste como o símbolo nefasto

Do traidor Antiteu, mentindo ao orbe;

E os louros virgens da nação sorveste

Como hidra voraz!

Roubaste ao povo a palma do triunfo,

Recompondo a algema ao pó lançada,

E moldaste no bronze a estátua fria

Da mentira loquaz!

Das espaldas robustas da montanha

A pedra derrocada, abate selvas;

A avalanche vacila lá nos Alpes...

Convulsam terra e mar!

Resvalaste, padrão de cobardia,

Pelos áureos degraus do sólio augusto...

E a santa aspiração, e os sonhos grandes,

Esmagaste ao tombar!...

Após a luz... o caos confuso, intérmino!

Após o hino festivo de um povo...

O lúgubre silêncio do sepulcro

Sem uma queixa ou voz!

Lançaste a pátria em báratros profundos

Ferida pela mão da tirania,

E apenas um lampejo de civismo

Deixaste ao crime atroz!

. . . . . . . . . . . . . . . .

Onde estavam, ó pátria, os teus Andradas

Que sustinham-te aos ombros gigantescos?

Onde o tríplice brado altipotente

Do peito popular?

— Gemem sem luz em cárceres medonhos,

— Seguem do exílio a pavorosa senda,

Rorando com seu pranto piedoso

De teu solo o altar!

Rasgai, rasgai a folha lutulenta,

— Emblema do mesquinho cativeiro;

Não vedes? Choram hoje em suas campas

Os manes dos heróis!...

Salvai a honra dos que em lar estranho

Por ti verteram lágrimas de sangue,

E resgatando a fé despedaçada,

Vingai nossos avós!

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