Terceira Parte: Noturno Nebulosas · Capítulo 41 de 44
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Terceira Parte: Noturno

Languesce a calma ardente:

Nos ares, levemente,

Desdobra-se tremente

Da noite a coma escura;

Do zéfiro o adejo

Envolve em longo beijo

O símbolo do pejo,

— A rosa da espessura.

A linfa marulhosa

Dolente, langorosa,

Estende-se chorosa

Num leito de luar;

Além um canto soa,

Por sobre a espuma voa

Ligeira, uma canoa

Cortando o azul do mar.

Do espaço eis a princesa:

Na gélida beleza

Que doce morbidez,

Que angústia calma e funda!

E cada flor nevada

Que dobra-se queimada

Na haste recurvada,

Com a branca luz inunda!

Planetas fulgurantes

Se velam, por instantes,

Nas rendas flutuantes

Das nuvens de algodão;

Sacode a noite o manto,

Na terra chove pranto...

Que vaporoso encanto

Embala a criação!...

O Elísio tem fulgores,

A terra orvalho, flores,

E místicos amores

Que velam descuidados;

Mas, ah! quanto lamento

Não sobe tardo, lento,

Na voz do sofrimento,

No — ai — dos desgraçados?

Ao mísero infeliz

Envia, ó Deus piedoso,

Um raio esperançoso

Que abrande a intensa dor!

Na vaga que delira,

No euro que suspira,

Na casta e santa pira

Lhe infunde teu amor!

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