Primeira Parte: Fragmentos
Minh’alma é como a rôla gemedora
Que delira, palpita, arqueja e chora
Na folhagem sombria da mangueira;
Como um cisne gentil de argênteas plumas,
Que falece de amor sobre as espumas,
A soluçar a queixa derradeira!
. . . . . . . . . . . . . . . .
Meu coração é o lótus do Oriente,
Que desmaia aos langores do Ocidente
Implorando do orvalho as lácteas pérolas;
E na penumbra pálida se inclina,
E murmura rolando na campina,
“Ó brisa, me transporta às plagas cérulas!”
. . . . . . . . . . . . . . . .
Ai! Quero nos jardins da adolescência
Esquecer-me das urzes da existência,
Nectarizar o fel de acerbas dores;
Depois... remontarei ao paraíso,
Nos lábios tendo os lírios do sorriso,
Sobre as asas de místicos amores!