Terceira Parte: O Africano E O Poeta Nebulosas · Capítulo 36 de 44
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Terceira Parte: O Africano E O Poeta

No canto tristonho

De pobre cativo

Que elevo furtivo,

Da lua ao clarão;

Na lágrima ardente

Que escalda-me o rosto,

De imenso desgosto

Silente expressão;

Quem pensa?—O poeta

Que os carmes sentidos

Concerta aos gemidos

De seu coração.

— Deixei menino

Meu pátrio valado,

Meu ninho embalado

Da Líbia no ardor;

Mas esta saudade

Que em túmido anseio

Lacera-me o seio

Sulcado de dor,

Quem sente?—O poeta

Que o Elísio descerra;

Que vive na terra

De místico amor!

— Roubaram-me feros

Aos férvidos braços:

Em rígidos laços

Sulquei vasto mar;

Mas este queixume

Do triste mendigo,

Sem pai, sem abrigo,

Quem quer escutar?...

— Quem quer? O poeta

Que os térreos mistérios

Aos pássaros sérios

Deseja elevar.

— Mais tarde entre as brenhas

Lutei mil searas

Com as bagas amargas

Do pranto cruel;

Das matas caíram

Cem troncos, mil galhos;

Mas esses trabalhos

Do braço novel,

Quem vê? — O poeta

Que expira em harpejos

Aos lúgubres beijos

Da fome cruel!

— Depois, o castigo

Cruento, maldito,

Caiu no proscrito

Que o simum queimou;

Coberto de chagas,

Sem lar, sem amigos,

Só tendo inimigos...

Quem há como eu sou?!...

— Quem há?... O poeta

Que a chama divina

Que o orbe ilumina

Na fronte encerrou!...

— Meu Deus! ao precito

Sem crenças na vida,

Sem pátria querida,

Só resta tombar!

Mas... quem uma prece

Na campa do escravo

Que outrora foi bravo

Triste há de rezar?!...

— Quem há de?... O poeta

Que a lousa obscura,

Com lágrima pura

Vai sempre orvalhar!?

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