Terceira Parte: A Rosa Nebulosas · Capítulo 42 de 44
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Terceira Parte: A Rosa

Um dia em que perdida nas trevas da existência

Sem risos festivais, sem crenças de futuro,

Tentava do passado entrar no templo escuro,

Fitando a torva aurora de minha adolescência.

Volvi meu passo incerto à solidão do campo,

Lá onde não penetra o estrepitar do mundo;

Lá onde doira a luz o báratro profundo,

E a pálida lanterna acende o pirilampo.

E vi airosa erguer-se, por sobre a mole alfombra,

De uma roseira agreste a mais brilhante filha!

De púrpura e perfumes - a ignota maravilha,

Sentindo-se formosa, fugia à meiga sombra!

Ai, louca! Procurando o sol que abrasa tudo

Grácil se desatava à beira do caminho;

E o sol, ébrio de amor, no férvido carinho

Crestava-lhe o matiz do colo de veludo!

A flor dizia exausta à viração perdida:

"Ah! minha doce amiga abranda o ardor do raio!

Não vês? Jovem e bela eu sinto que desmaio

E em breve rolarei no solo já sem vida!

"Ao casto peito uni a abelha em mil delírios

Sedenta de esplendor, vaidosa de meu brilho;

E agora em vão invejo o viço do junquilho,

E agora em vão imploro a candidez dos lírios!

"Só me resta morrer! Ditosa a borboleta

Que agita as áureas asas e paira sobre a fonte;

Na onda perfumosa embebe a linda fronte

E goza almo frescor na balsa predileta!"

E a viração passou. E a flor abandonada

Ao sol tentou velar a face amortecida;

Mas do cálice gentil a pétala ressequida

Sobre a espiral de odores rolou no pó da estrada!

Assim da juventude se rasga o flóreo véu

E do talento a estátua no pedestal vacila;

Assim da mente esvai-se a ideia que cintila

E apenas resta ao crente — extremo asilo — o céu!

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