Primeira Parte: Consolação
PARÓDIA À POESIA PRECEDENTE, PELO SR. J. EZEQUIEL FREIRE
Se também vingam lindas açucenas,
Mimosas, alvejantes,
Nas dobras dos valados — ermas, frias,
Dardeje embora o sol nas serranias
Seus raios coruscantes;
Se também a rolinha trespassada
De ervada, negra seta,
Acha às vezes um bálsamo selvagem,
E vai gemer ainda à fresca margem
Da lagoa dileta;
Porque descrês de teu porvir risonho,
Poetisa de Deus?!...
Se o fanal do viver empalidece,
Se às vezes, sem alento, ele falece
Envolto em negros véus;
Bem cedo raia do prazer a aurora
E a trêmula folhagem
Das flores do viver, rebrilha em cores;
E ostenta mil dourados resplendores
Sem medo da voragem!
Avante! Quando as rosas de teu peito
Fenecerem no outono,
Será-te-á um selo — a palma do martírio!
E o sol da glória — o prefulgente círio
Que velará teu sono!...