Primeira Parte: Consolação Nebulosas · Capítulo 11 de 44
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Primeira Parte: Consolação

PARÓDIA À POESIA PRECEDENTE, PELO SR. J. EZEQUIEL FREIRE

Se também vingam lindas açucenas,

Mimosas, alvejantes,

Nas dobras dos valados — ermas, frias,

Dardeje embora o sol nas serranias

Seus raios coruscantes;

Se também a rolinha trespassada

De ervada, negra seta,

Acha às vezes um bálsamo selvagem,

E vai gemer ainda à fresca margem

Da lagoa dileta;

Porque descrês de teu porvir risonho,

Poetisa de Deus?!...

Se o fanal do viver empalidece,

Se às vezes, sem alento, ele falece

Envolto em negros véus;

Bem cedo raia do prazer a aurora

E a trêmula folhagem

Das flores do viver, rebrilha em cores;

E ostenta mil dourados resplendores

Sem medo da voragem!

Avante! Quando as rosas de teu peito

Fenecerem no outono,

Será-te-á um selo — a palma do martírio!

E o sol da glória — o prefulgente círio

Que velará teu sono!...

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