Primeira Parte: Desalento Nebulosas · Capítulo 9 de 44
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Primeira Parte: Desalento

Adeus, lendas de amor, doirados sonhos

Do meu cérebro enfermo;

Adeus, da fantasia, ó lindas flores,

Rebentadas no ermo.

Um dia, da quimera no regaço,

Adormeci sorrindo;

E os astros, lá do empíreo debruçados,

Verteram brilho infindo...

Como a flux da onda egeia um divo canto

De Homero, o bardo cego,

Resvalei da paixão nas vagas fúlgidas,

De esplendores num pego!...

Mas depois... densa nuvem desenhou-se

Na safira do céu,

E a ledice infantil fugiu tremendo

Ao futuro escarcéu!

. . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . .

Por que deixas, ó Deus, que o gelo queime

Minha alma, planta fria?!...

Cedo descansarei (que importa?) os membros

Na penumbra sombria,

Onde a roxa saudade funerária

Enlaça-se ao cipreste;

Onde a lua, chorosa peregrina,

Derrama a luz celeste!

A vós, lendas de amor, sombras queridas

Dos devaneios meus;

A vós que me embalaste a adolescência,

Meu pranto e eterno adeus!...

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