Primeira Parte: Desalento
Adeus, lendas de amor, doirados sonhos
Do meu cérebro enfermo;
Adeus, da fantasia, ó lindas flores,
Rebentadas no ermo.
Um dia, da quimera no regaço,
Adormeci sorrindo;
E os astros, lá do empíreo debruçados,
Verteram brilho infindo...
Como a flux da onda egeia um divo canto
De Homero, o bardo cego,
Resvalei da paixão nas vagas fúlgidas,
De esplendores num pego!...
Mas depois... densa nuvem desenhou-se
Na safira do céu,
E a ledice infantil fugiu tremendo
Ao futuro escarcéu!
. . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . .
Por que deixas, ó Deus, que o gelo queime
Minha alma, planta fria?!...
Cedo descansarei (que importa?) os membros
Na penumbra sombria,
Onde a roxa saudade funerária
Enlaça-se ao cipreste;
Onde a lua, chorosa peregrina,
Derrama a luz celeste!
A vós, lendas de amor, sombras queridas
Dos devaneios meus;
A vós que me embalaste a adolescência,
Meu pranto e eterno adeus!...