Primeira Parte: Agonia
Como vergam as lindas açucenas
As pétalas petlas alvejantes,
Quando voam do Sul as brumas frias;
Quando rola o trovão nas serranias
E os raios coruscantes;
Como a rola das selvas, trespassada
De mortífera seta
Despedida por bárbaro selvagem,
Que a débil fronte inclina e cai à margem
Da lagoa dileta;
Como a estrela gentil de um céu risonho,
Luzindo aos pés de Deus,
Que pouco a pouco triste empalidece,
E cada vez mais pálida falece
Envolta em negros véus;
Como a gota de mel que entorna a aurora
Na trêmula folhagem,
E brilha, e fulge ao prisma de mil cores;
Que depois desaparece desparece aos esplendores
Da dourada voragem;
Assim foram-se as rosas de meu peito
Sem os rócios de outono...
Vejo apenas a palma do martírio
Convidando-me a ir, com a luz do círio,
Dormir o eterno sono.