Taverna com anjinhos na porta
Taverna com anjinhos na porta
Entramos na taverna com anjinhos na porta e o cheiro de comida preencheu minhas narinas me fazendo salivar. Só naquele momento me dei conta que fazia algum tempo que não comia. Tento me lembrar de quando foi isso e me surpreendo que foi quando fui na forja buscar a espada com a ciclope. Coloco a mão sobre a bolsa que ainda estava comigo e me lembro das carnes que havia guardado ali dentro.
— Leon, acho que não precisamos comprar nada, eu tinha me esquecido da carne assada que havia guardado dentro da minha bolsa e…
— Nem pensar que vou comer isso Emme, tem ideia quanto tempo ficou ai dentro?
— Bom, saimos de manhã de Hiruna e chegamos aqui no final da tarde, quase escurecendo. Então não foi muito tempo não.
— Fala sério esses caçadores — Leon revirando os olhos, sentando numa mesa e fiz o mesmo. — Quando você for morar comigo vou lhe ensinar como…
— Hein o que reclamou? — perguntei porque havia não escutado direito o que dissera porque estava mastigando um pedaço de carne enquanto observava os seres dentro daquela taverna.
— Esquece, só reclamei pela demora de nos atenderem e sente logo, por favor não pegue outro pedaço de dentro dessa bolsa — revirou os olhos e ergueu o braço.
— Sabe o interessante dessa bolsa? Ontem guardei a carne quente aqui dentro e ela continua da mesma maneira hoje — sentei ao seu lado e limpei a boca na manga da camisa.
— Emmeline! Sério que resolveu se comportar como uma ogra só porque está longe de casa? O que deu em você? — Leon me olhando furioso.
— Eu sempre agi desta maneira, você que nunca notou. Para a mamãe o importante era apenas eu agir como empregada, mas minha educação não se importava nenhum pouco.
— Mas sabe que agir assim é errado, não é?
— Claro que sim, mas sabe quando vira costume para alguém me notar num lugar de mostrar algum carinho por mim, mesmo que fosse chamando a minha atenção pelas minhas péssima maneiras de comer?
— Desculpa pela omissão, eu devia ter feito algo, a evitado de fazer aquilo com você — Leon parecia arrependido com suas palavras.
— Olá, o que desejam comer? — uma garçonete aparecendo na mesa, olhou para nós dois e depois ficou algum tempo olhando para mim.
— O que foi moça, perdeu alguma coisa?
— É que… você não é a filha da Aurora? Seu cabelo e os olhos são idênticos aos dela.
— Não mesmo, a minha mãe é a Elara.
— Não tem como, porque ela era a única com o cabelo dessa cor, é herança de família, todos seus familiares tem a mesma cor.
— De onde conhece a minha mãe?
— Ora de Brisa Azul, nos conhecemos numa competição de transformação, ela era a melhor, conseguia virar diversos animais muito mais rápido que qualquer um por lá.
— Isso é tudo mentira, a minha mãe é uma dona de casa e nunca participaria desse tipo de competição, além disso, ela é uma humana e não uma metamorfa.
— Acho que você não conhece sua mãe direito garota, a Aurora nunca viraria uma dona de casa simples.
— Aham te peguei em sua mentira — fiquei de pé e apontei o dedo na direção dela. — Minha mãe se chama Elara.
A garçonete olhou em volta e sacudiu a cabeça, se afastou e foi atender outra mesa.
— Gente maluca — voltei a sentar novamente e percebo que a garçonete não anotou os nossos pedidos. — Fala sério, agora tem que esperar mais um tempo para ela vir aqui nos atender novamente — bufei e cruzei os braços no peito.
Olho para o lado e Leon estava me olhando estranho, depois desvia o olhar para algum lugar.
— Não começa com essa mania de novo de ficar me encarando e não falar nada. O que foi agora, Leon?
— Nada não, é que não sei se vai gostar de ouvir o que lhe tenho para contar — Leon virou para mim e pegou em minha mão e a segurou firme. Por conta de seu toque meu coração deu uma batida errada. Balancei a cabeça em negativa. Ele era meu irmão, não poderia ter aquele sentimento, apenas de carinho entre irmãos ou era porque pela primeira vez naquela viagem maluca alguém estava sendo atencioso comigo?
— Conte logo Leon, não precisa ficar enrolando comigo, somos irmãos e devíamos ser amigos, não é? — perguntei sorrindo, tentando encontrar um irmão ali que nunca tive em casa.
Ele bufou, remexeu o nariz de uma forma estranha e levantou o olhar na minha direção.
— Ela está certa, você não é filha da Elara e sim da Aurora, só não sabia que sua mãe batalhava nas lutas de rua.
Pisco algumas vezes sem acreditar no que havia escutado e acabou caindo na risada.
— Você só pode estar fazendo isso porque arquitetou algo com ela para ganhar um prato quente se eu caísse nessa brincadeira.
— Não mesmo Emme, entramos juntos na taverna, quando eu conseguiria fazer isso?
— Então prove que ela está certa e você também.
— Não posso usar magia fora da escola Emme.
— Mas você criou aquelas moedas para chegarmos aqui.
— Aquilo eu posso, mas para eu lhe provar a verdade teria que voltar no tempo e te mostrar, esse tipo de magia não posso efetuar.
— É mesmo? E como sabe sobre a verdade da minha vida, então? Meu pai te contou?
— Claro que não, eu descobri sozinho.
— Como fez isso Leon?
— Eu usei um amuleto que me levou para o passado na época e descobri tudo.
— Aham, então usou magia!
— Na verdade… pois é, na época não sabia sobre as regras de não poder usar magia fora da escola e a Inquisição Arcana não veio atrás de mim. Talvez, usar o artefato não fira as leis ou o professor que me deu fez algo que eles não vejam o que eu faço — Leon soltou a minha mão e ficou um tempo pensativo.
— Tanto faz, agora que se lembrou do artefato, pode me levar até a época que descobriu a verdade sobre mim? Está com ele, não é?
— Claro que sim, nunca saio de casa sem ele.Vamos lá para rua para fazer o feitiço — Leon levantando do lugar.
— Mas e a Rosalina e o Gerard, eles vão chegar aqui e não vão nos encontrar — levantei junto.
— Emme querida, vamos viajar no tempo, dá pra voltar a tempo, entendeu?
— Hum, agora sim — acabei rindo e o seguindo para fora da taverna.
— Então vamos ver como sua mãe e seu pai se conheceram, isso?
— Exato.
continua…