Usar a bolsa Pela estrada à fora · Capítulo 85 de 119
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Usar a bolsa

Usar a bolsa

Fico pensando no que fazer. Contudo, nunca me entregaria, porque sabia que ele não soltaria Leon. Então teria que encontrar uma forma de o libertar e não me colocar em risco. Olho para a bolsa na minha cintura e tenho uma ideia. Poderia funcionar. O velho disse que dava para guardar tudo lá dentro.

Então retiro as minhas ultimas flechas e seguro numa mão. Iria as usar como isca. Coloco o arco em volta de mim.

— Hei seu idiota, segura isso! — grito atirando as flechas nele que apenas coloca a mão na frente para se defender.

— Sua idiota, achou que umas flechas assim me machucariam?

Contudo enquanto ele reclamava eu havia pulado do telhado na direção dele segurando a bolsa bem aberta, o máximo que consegui e acertei a sua cabeça e como algo sendo sugado ele foi num puxão para dentro dela, antes que sua mão fosse sugada junto com Leon, utilizei a flecha que não atirei e finquei em sua mão com força, como estava caindo sobre ele a força foi grande que o fez urrar e abrir a mão libertando Leon. Entretanto quando caí no chão por conta da altura senti uma dor terrível nos meus dois pés.

— Você está maluca Emme? Viu o que fez? — Leon vindo até mim.

— Não vi outra alternativa — resmunguei de dor e olhei para os meus pés torcidos para posições estranhas, com certeza havia os quebrados.

— Feitiço para curar isso apenas em Helira e não é rápido — Leon se agachando ao meu lado.

— Você é muito ingrato, eu salvei e sua vida e está ai reclamando porque quebrei os meus pés?

Leon olhou para mim e se aproximou rápido , me deu um beijo mais intenso que o outro. Contudo recuei novamente, ainda era estranho beijar o meu irmão, mesmo ele não sendo.

— Tudo bem, tem tempo para fazer você se apaixonar por mim — sorriu e piscou com um olho. Então mexeu a mão e conjurou um portal. — Vamos lá arrumar esses pés — me pegou no colo e atravessou o portal.

Aparecemos dentro de uma enfermaria. Olhei em volta e havia apenas enfermeiras com suas roupas brancas típicas.

— Onde estamos?

— Ora, onde eu disse que te traria para se curar — Leon me deitando devagar numa cama e sentou na beirada da cama e ficou me olhando.

— Ai caramba, o que foi?

— Ainda não acredito que fez aquilo para me salvar e agora tem um troll dentro dessa tua bolsa — rio apontando para a bolsa que ainda segurava numa das mãos.

— Você é meu irmão poxa vida, acho que faria a mesma coisa por mim — cruzei os braços e mostrei a língua para ele.

— Sabe muito bem que faria e já te informei que não é minha irmã — apoiou a mão na minha canela e deu um leve aperto.

— Muito obrigada meu filho por tê-la trazido para mim — uma voz conhecida surgiu de traz de uma cortina.

Tentei fugir daquela cama, porque sabia muito bem quem era. Olhei para Leon furiosa, ele havia me entregado para ela, como eu havia suspeitado desde o início.

— Não acredito que fez isso comigo? Aquela história toda foi uma mentira para me enganar? — mexi a perna, mas a dor no pé me fez parar. Eu queria chutar Leon.

Então ela apareceu. Elara. A mãe que sempre acreditei que era minha, mas me tratava como empregada.

— Mas eu não fiz nada. O que está fazendo aqui mãe? — Leon levantou e caminhou em minha direção como se tivesse me protegendo. Era a primeira vez que fazia isso por mim contra Elara.

— Bom, achou mesmo que o mandaria sozinho atrás dela? Fala sério. Essa tua apaixonite idiota por ela, desde que a viu quando era pequeno. Então usei alguém que sempre me obedeceu. Não é meu filhinho?

Leônidas sai de traz da cortina. Não era uma cortina era um biombo que separava as camas dando privacidade para quem estava ali deitado.

— Desculpa irmão, essa tua paixonite é doentia. Então mamãe mandou lhe seguir e quando vi que vocês dois iriam fugir, a avisei e a trouxe para cá.

— Exato. Agora quando se curar vai voltar para casa e já até marquei com um Lorde que mora em Hiruna que ficou interessado em casar com você sem necessidade de dote. Amou a ideia de uma esposa que sabe fazer todos os afazeres de casa e que nunca reclama.

— Como é? Eu vou sempre reclamar. Ficou maluca? Eu vou fugir sempre quando tiver oportunidade, não me pode vender assim, não sou uma mercadoria — berrei irritada sentindo o meu cordão queimar sobre o meu peito.

— Acho que não vai ter como.

— Eu não vou deixar, mãe. Eu te avisei que vou casar com ela quando ela aceitasse, nem que demorasse anos para que ela sentisse a mesma coisa que eu sinto por ela — Leon bravo. O olhei sem acreditar no que havia dito. Ele iria me respeitar, mesmo que me beijou sem eu deixar. Contudo, já havia planejado antes.

— Sei disso, mas já resolvi tudo. Leônidas — Elara dando um passo para trás.

Leônidas estava com uma bola azul numa mão e uma vermelha na outra. Leon recuou quando as viu, com certeza não era uma boa coisa. Antes que Leon pudesse reagir com algum feitiço as bolas vieram em nossa direção. A bola azul me acertou no peito e a vermelha no de Leon.

Olhei para Leon e ele estava do mesmo jeito que antes. Tentei reclamar ou abrir a boca, contudo nada saiu, estava sem voz. Olhei para Elara e ela estava sorrindo.

— Prontinho resolvido o problema dos pombinhos. Ela muda e você meu filho tão inteligente sem nenhuma memória dela. Leon a pegue, vamos para casa, ela não precisa se recuperar numa escola, pode resolver isso em casa.

— Sim, mamãe — Leon me pegou de qualquer jeito no colo, não da forma delicada que havia me pegado antes e seguiu sua mãe e Leônidas até um portal que havia sido aberto no meio da enfermaria.

Não conseguia acreditar meu mundo havia terminado ali.

FIM

Caso queira mudar o final dessa história, pode voltar no tempo. Escolha outra decisão e tente mudar suas escolhas. A aventura lhe espera!

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