Entrar na Taverna
Entrar na Taverna
Caminho em direção da taverna. Procuro na bolsa as minhas ultimas moedas e as seguro com força na mão. Entro na taverna confiante, entretanto quando estava entrando um homem bêbado me empurra, dou um passo para o lado e ele cai de cara no chão. Olho para dentro da taverna e havia seres de todos os tipos, ainda bem que trolls não entravam na cidade. Olho em volta. Bruxos com suas capas e conversas sendo sussurradas, elfos de armadura e achei estranho, porque eles ficavam sempre naquela cidade lá em cima das montanhas geladas. Havia um grupo de anões conversando enquanto bebiam e comiam um peru e meu estômago roncou. Apertei com firmeza as moedas nas minhas mãos e respirei fundo. Precisava tentar, se não desse, procuraria outro estabelecimento que aceitasse a minha proposta.
Fui até o balcão e sentei numa cadeira. Uma senhora apareceu limpando as mãos no avental que estava super sujo e parou na minha frente com as mãos na cintura.
— Vai querer o que?
— O que consigo comer com isso? — perguntei largado as moedas sobre a mesa devagar.
Ela as olhou, soltou uma risada anasalada, as juntou e sumiu por uma porta, possivelmente era a cozinha. Então voltou com uma cumbuca e colocou na minha frente. O cheiro era terrível, quase passei mal. Alguma coisa podre devia estar ali dentro.
— O que seria?
— Sopinha Mágica — sorriu e vi que faltava alguns dentes na parte da frente.
Engoli em seco, aquilo me mataria e não minha fome. Olhei para os anões comendo felizes o peru suculento que já dava para ver os ossos do peito.
— E quanto custa uma coxa de peru?
— Muito mais do que meu deu e não vendo ele em partes, apenas inteiro.
— Teria alguma forma de eu conseguir dinheiro para comer um inteiro ou algum prato que tenha alguma carne?
— Trabalhando menina, só sair pela cidade procurar emprego que consegue algo.
— Mas eu não sei fazer nada. Eu vivi sempre em casa ajudando minha mãe nos afazeres e… a senhoria não teria algo aqui para mim? Sei lavar, limpar e posso trocar por comida?
— Hum, faça um teste, estou precisando mesmo de alguém que me ajude limpando o salão — disse a senhora e olhou na direção dos anões. — Tem alguns clientes por aqui que são muito porcos, acham que o chão é lixeira.
— Pois é.
— Então vai até o canto ali e pegue uma vassoura, vá varrer, depois que fizer isso passe um pano que molhado nas mesas que vai estar lá dentro da cozinha e quando terminar te mostrar como vai fazer pra lavar a louça.
Apenas concordei e fui fazer o que ela falou. Aquele não era um serviço muito dificil de fazer, porque em casa sempre ajudava a minha mãe nos afazeres, quer dizer, eu fazia tudo e ela apenas mandava.
Quando termino a limpeza, a senhora mostra como seria a lavagem da louça e ali descubro que a tal sopinha mágica era feita com os restos das comidas dos outros clientes. Então precisava raspar cada prato pra dentro de uma enorme panela com água e depois lavar os pratos. O tempo passou e ela não me mandou embora do lugar. No fim do dia quando estava quase me virando do avesso de fome recebi um frango assado que o devorei com vontade. Quando terminei parei na porta e fiquei sem saber para onde ir.
— Eu tenho um canto onde pode ficar. Eu conheço um olhar de quem não tem pra onde ir. Amanhã começa cedo o serviço, na mesma coisa que fez hoje — a voz da senhora veio das minhas costas.
— Sim senhora — sorri virando para ela.
— Não precisa tanto. Agora venha, vou te mostrar o teu canto.
O local era pequeno, entrava apenas uma cama e uma cômoda, mas para mim era o suficiente, era muito melhor que dormir na rua. Deitei na cama sorrindo. Amanha terminaria o que comecei. O plano que me levou até ali.
Quando acordei a rotina começou. Na hora do almoço ela me deu comida e comi na cozinha mesmo, ela não queria ouvir estômago roncando pelos cantos. Na tarde o movimento ficou mais pesado muitos clientes e pela noite fechamos, voltei a dormir. As semanas foram passando e eu ficava com uma sensação estranha sempre quando deitava que precisava terminar algo, mas depois que tomava café a sensação sumia e focava no serviço.
— Mas eu sei que precisava terminar alguma coisa — parei no meio do caminho quando se passou um mês e meu café da manhã me esperava.
A senhora estava lá no canto dela comendo e conversando com o cozinheiro.
— Falou alguma coisa menina?
— Sim, eu precisava terminar alguma coisa.
— Claro, quando terminar seu café da manhã tem o salão para limpar e…
— Não é disto que estou falando — olhei para a minha bolsa e então me lembrei. — Eu preciso ir embora…é muito obrigada pela estadia, mas preciso fazer…
— Gylbino a segure — a senhora sem nem me olhar.
O cozinheiro num movimento rápido que não percebi, saiu da ponta da mesa que estava e apareceu atrás de mim segurando os meus dois braços para trás.
— Achou mesmo que iria embora tão facilmente? Não deveria ter aceitado minha oferta de serviço que ser aceitaria ficar aqui? — riu levantou do lugar. — Tem ideia que Taverna é essa?
— Não.
— Suspeitei. Aqui quem prova da minha comida nunca vai embora.
— Mas todos os dias aparece cliente diferente?
— Claro, tu acha que tem quantos por ai que enfeiticei? Eles tem ciclos, então fazem o que precisam fazer e depois retornam para cá novamente, quando o ciclo zera. Como seu ciclo é pequeno, toda manhã que acorda começa tudo de novo. Mas sabe o que me intriga…— caminhou em minha direção. — Como uma simples humana conseguiu fugir do feitiço? Eu o aplico todos os dias em sua comida e mesmo assim conseguiu se lembrar. Como? — parou na minha frente e me encarou e então percebi seus olhos roxos, aquela velha era na verdade uma bruxa do mar. — Mas sem problema, agora que sei que quando acorda o efeito passa, vou aumentar a dose e assim será minha escrava para sempre.
FIM
Caso queira mudar o final dessa história, pode voltar no tempo. Escolha outra decisão e tente mudar suas escolhas. A aventura lhe espera!