Entrar na Taverna Pela estrada à fora · Capítulo 58 de 119
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Entrar na Taverna

Entrar na Taverna

Caminho em direção da taverna. Procuro na bolsa as minhas ultimas moedas e as seguro com força na mão. Entro na taverna confiante, entretanto quando estava entrando um homem bêbado me empurra, dou um passo para o lado e ele cai de cara no chão. Olho para dentro da taverna e havia seres de todos os tipos, ainda bem que trolls não entravam na cidade. Olho em volta. Bruxos com suas capas e conversas sendo sussurradas, elfos de armadura e achei estranho, porque eles ficavam sempre naquela cidade lá em cima das montanhas geladas. Havia um grupo de anões conversando enquanto bebiam e comiam um peru e meu estômago roncou. Apertei com firmeza as moedas nas minhas mãos e respirei fundo. Precisava tentar, se não desse, procuraria outro estabelecimento que aceitasse a minha proposta.

Fui até o balcão e sentei numa cadeira. Uma senhora apareceu limpando as mãos no avental que estava super sujo e parou na minha frente com as mãos na cintura.

— Vai querer o que?

— O que consigo comer com isso? — perguntei largado as moedas sobre a mesa devagar.

Ela as olhou, soltou uma risada anasalada, as juntou e sumiu por uma porta, possivelmente era a cozinha. Então voltou com uma cumbuca e colocou na minha frente. O cheiro era terrível, quase passei mal. Alguma coisa podre devia estar ali dentro.

— O que seria?

— Sopinha Mágica — sorriu e vi que faltava alguns dentes na parte da frente.

Engoli em seco, aquilo me mataria e não minha fome. Olhei para os anões comendo felizes o peru suculento que já dava para ver os ossos do peito.

— E quanto custa uma coxa de peru?

— Muito mais do que meu deu e não vendo ele em partes, apenas inteiro.

— Teria alguma forma de eu conseguir dinheiro para comer um inteiro ou algum prato que tenha alguma carne?

— Trabalhando menina, só sair pela cidade procurar emprego que consegue algo.

— Mas eu não sei fazer nada. Eu vivi sempre em casa ajudando minha mãe nos afazeres e… a senhoria não teria algo aqui para mim? Sei lavar, limpar e posso trocar por comida?

— Hum, faça um teste, estou precisando mesmo de alguém que me ajude limpando o salão — disse a senhora e olhou na direção dos anões. — Tem alguns clientes por aqui que são muito porcos, acham que o chão é lixeira.

— Pois é.

— Então vai até o canto ali e pegue uma vassoura, vá varrer, depois que fizer isso passe um pano que molhado nas mesas que vai estar lá dentro da cozinha e quando terminar te mostrar como vai fazer pra lavar a louça.

Apenas concordei e fui fazer o que ela falou. Aquele não era um serviço muito dificil de fazer, porque em casa sempre ajudava a minha mãe nos afazeres, quer dizer, eu fazia tudo e ela apenas mandava.

Quando termino a limpeza, a senhora mostra como seria a lavagem da louça e ali descubro que a tal sopinha mágica era feita com os restos das comidas dos outros clientes. Então precisava raspar cada prato pra dentro de uma enorme panela com água e depois lavar os pratos. O tempo passou e ela não me mandou embora do lugar. No fim do dia quando estava quase me virando do avesso de fome recebi um frango assado que o devorei com vontade. Quando terminei parei na porta e fiquei sem saber para onde ir.

— Eu tenho um canto onde pode ficar. Eu conheço um olhar de quem não tem pra onde ir. Amanhã começa cedo o serviço, na mesma coisa que fez hoje — a voz da senhora veio das minhas costas.

— Sim senhora — sorri virando para ela.

— Não precisa tanto. Agora venha, vou te mostrar o teu canto.

O local era pequeno, entrava apenas uma cama e uma cômoda, mas para mim era o suficiente, era muito melhor que dormir na rua. Deitei na cama sorrindo. Amanha terminaria o que comecei. O plano que me levou até ali.

Quando acordei a rotina começou. Na hora do almoço ela me deu comida e comi na cozinha mesmo, ela não queria ouvir estômago roncando pelos cantos. Na tarde o movimento ficou mais pesado muitos clientes e pela noite fechamos, voltei a dormir. As semanas foram passando e eu ficava com uma sensação estranha sempre quando deitava que precisava terminar algo, mas depois que tomava café a sensação sumia e focava no serviço.

— Mas eu sei que precisava terminar alguma coisa — parei no meio do caminho quando se passou um mês e meu café da manhã me esperava.

A senhora estava lá no canto dela comendo e conversando com o cozinheiro.

— Falou alguma coisa menina?

— Sim, eu precisava terminar alguma coisa.

— Claro, quando terminar seu café da manhã tem o salão para limpar e…

— Não é disto que estou falando — olhei para a minha bolsa e então me lembrei. — Eu preciso ir embora…é muito obrigada pela estadia, mas preciso fazer…

— Gylbino a segure — a senhora sem nem me olhar.

O cozinheiro num movimento rápido que não percebi, saiu da ponta da mesa que estava e apareceu atrás de mim segurando os meus dois braços para trás.

— Achou mesmo que iria embora tão facilmente? Não deveria ter aceitado minha oferta de serviço que ser aceitaria ficar aqui? — riu levantou do lugar. — Tem ideia que Taverna é essa?

— Não.

— Suspeitei. Aqui quem prova da minha comida nunca vai embora.

— Mas todos os dias aparece cliente diferente?

— Claro, tu acha que tem quantos por ai que enfeiticei? Eles tem ciclos, então fazem o que precisam fazer e depois retornam para cá novamente, quando o ciclo zera. Como seu ciclo é pequeno, toda manhã que acorda começa tudo de novo. Mas sabe o que me intriga…— caminhou em minha direção. — Como uma simples humana conseguiu fugir do feitiço? Eu o aplico todos os dias em sua comida e mesmo assim conseguiu se lembrar. Como? — parou na minha frente e me encarou e então percebi seus olhos roxos, aquela velha era na verdade uma bruxa do mar. — Mas sem problema, agora que sei que quando acorda o efeito passa, vou aumentar a dose e assim será minha escrava para sempre.

FIM

Caso queira mudar o final dessa história, pode voltar no tempo. Escolha outra decisão e tente mudar suas escolhas. A aventura lhe espera!

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