Gorro como bandeira
Gorro como bandeira
Olho em volta procurando o que poderiamos usar para chamar atenção do gnomo para o seu gorro e assim o fazer encolher para o seu tamanho normal. Dobro uma esquina e então vejo um homem em cima do telhado limpando a chaminé e aquilo me dá uma ideia. Não sei se daria certo, mas era a ideia que me surgiu naquele momento.
— Leon e se ficarmos em cima do telhado e sacudir o gorro na frente da fuça dele?
— Mas ele está caminhando descontrolado pela cidade teriamos que ter alguma isca para chamar a sua atenção até onde estivesse o gorro ou fazer ele pelo menos olhar para o lado.
— Hum, eles não gostam de doce?
— Sim, amam balas de caramelo. Só que como faríamos uma bala de caramelo gigante? Ou comprar milhares para chamar atenção dele?
— Hum, você é um bruxo deve conhecer algum feitiço de replica ou que aumente as coisas de tamanho, não conhece? — pergunto escutando um estrondo atrás de nós. Eu parei de correr e fui até a esquina e espiei na direção que veio o barulho e vejo o gnomo gigante chutando uma casa. — Deve conhecer também algum feitiço de retorno ou que reconstrói as coisas, não é?
Leon para de correr quando percebe que parei de correr e respira fundo, tentando recuperar o fôlego.
— Como está tranquila, nem parece que correu um monte?
— Porque faço exercícios todos os dias para sua mãe, esqueceu?
— Certo, suas ideias não foram tão ruins. Contudo, algumas coisas não consigo fazer porque não tenho o meu diploma, mas depois que o tiver…
— Como assim? Nós estamos lidando com um monstro na cidade que se não for parado vai destruir tudo em volta e está se contendo porque não tem um diploma. Sério isso Leon?
— Por sua culpa, não se esqueça disso. Acho que eles podem abrir uma exceção no dia de hoje, porque se eu conseguir parar aquela coisa vão me dar uma nota muito boa em diversas matérias…— Leon colocou a mão no queixo e ficou pensando.
— Sério isso criatura? Anda logo. Vamos subir no telhado dessa casa, tu vai gerar os caramelos gigantes e atirar na direção dele e vai ficar segurando um caramelo, quando ele chegar perto vou sacudir o gorro na frente da fuça dele.
— Espero que dê certo.
— Vai sim.
Executamos o plano que expliquei para ele. Eu escalo por fora a casa, usando as sacadas e pedras para me apoiar, enquanto Leon criou um portal e apareceu no telhado da casa.
— Não acredito nisso e me fez escalar tudo isso?
— Era um portal individual, para passar duas pessoas preciso de permissão.
— Hum, mas criar os caramelos gigantes pensou nas notas altas, agora criar portal para que eu usasse junto, nem cogitou. Fala sério criatura.
Leon deu de ombros e conjurou alguns caramelos grandes e os fazia flutuar até perto do gnomo que os juntava do chão e enfiava na boca, dava algumas mordidas os quebrando totalmente e partia para o próximo. Leon gerou um caramelo maior que os outros e ficou segurando. O gnomo o viu e veio correndo em nossa direção. Sacudi o gorro na mão, pulei e o balancei de todas as maneiras. Contudo o gnomo não deu atenção para mim, queria apenas o enorme caramelo com Leon.
Então tive uma ideia idiota. Corri até Leon e coloquei o gorro no caramelo e quando o gnomo chegou perto atirei na direção dele. O gnomo pegou o caramelo e o enfiou todo na boca com gorro e tudo. Mastigou algumas vezes e engoliu.
Eu e Leon nos olhamos não acreditando. Era a nossa única chance e o monstro idiota havia a engolido por conta de seu vicio por aquele doce de caramelo idiota.
O gnomo soltou um arroto alto. Coçou a cabeça, olhou para nós e sorriu. Seu tamanho encolheu um pouco. Soltou outro arroto e mais uma vez encolheu. A cada arroto que soltava encolhia mais até que voltou ao seu estado normal. No ultimo arroto seu gorro foi cuspido. O pegou do chão, limpou em sua roupa, vestiu na cabeça, nos olhou soltou um pequeno rosnado e saiu caminhando tranquilamente pela rua como se nada tivesse acontecido.
Sentei no telhado relaxando, sem acreditar que havia dado certo o plano, mesmo não seguindo a linha que havíamos traçado. Leon sentou ao meu lado e deu um tapa no meu ombro de leve.
— Não é que seus planos funcionam? — sorriu e deu um tapa de leve no meu pescoço. — Mas da próxima vez presta atenção nas coisas. Como não sabia que não se pode tirar o gorro de um gnomo?
— Bom, a SUA mãe só me deixava ficar fazendo as coisas de casa, então só quando o papai aparecia que conseguia aprender algo, mas sempre era algo sobre caça e sobrevivência na floresta.
Um portal abriu do nosso lado e três homens vestindo roupas de bruxo sairam dele. Leon os viu e levantou num pulo arrumando a sua roupa.
— Quem são? — perguntei levantando com ele e parando ao seu lado.
— O conselho dos bruxos que verificam as leis mágicas — Leon sussurrou.
— Senhor Leon Rivers pelo decreto mágico por não possuir um diploma para invocar os feitiços que conjurou está preso — um senhor de barba branca e de óculos.
— Mas eu salvei uma cidade que estava sendo atacada por um gnomo gigante. O certo era deixar que a cidade fosse destruída por ele?
— Gnomos demoram um pouco para passar a raiva, mas depois de algum tempo voltaria para o seu tamanho normal.
— Mas ele não teve culpa, eu…— comecei a protestar.
— Sabemos disso, senhorita Emmeline, contudo ele era o bruxo responsável no momento e além disso a senhorita está presa também.
Arregalei os olhos sem acreditar em tudo aquilo.
— Não pergunte o porquê Emme, você sabe o motivo. Você irritou um gnomo — Leon falou entre os dentes.
— Na verdade, senhor Rivers, ela está presa porque participou de seu ataque, humanos não podem compartilhar feitiços com bruxos, vocês meio que arquitetaram um plano juntos, logo ela está envolvida. Agora vamos. Um vai para a prisão dos bruxos e o outro para a fazenda Arco-íris — o velho barbudo dando passagem para mim e para o Leon para que passassemos pelo portal.
FIM
Caso queira mudar o final dessa história, pode voltar no tempo. Escolha outra decisão e tente mudar suas escolhas. A aventura lhe espera!