Indo para a outra taverna Pela estrada à fora · Capítulo 118 de 119
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Indo para a outra taverna

Indo para a outra taverna

Quando tudo voltou ao normal ainda o observava. Leon guardou a corrente dentro da roupa e caminhou em direção até a entrada do beco olhando para os dois lados, mas em nenhum momento olhou para mim e achei estranho. Depois de tudo o que havia dito para mim e me beijado daquela maneira, achei que iria agir de outra forma.

— Venha, está livre, podemos voltar para a taverna e esperar os outros.

— Leon, por que está agindo assim agora comigo?

— Agindo como? — olhou em minha direção arqueando uma sobrancelha.

— Nada, esquece. Será que o Gerard já voltou? Ele tem dinheiro, iria pedir para ele comprar comida para mim.

— Sempre esse Gerard — bufou saindo do beco e me deixando sozinha ali.

— Hei — corri atrás dele e consegui o alcançá-lo segurando sua mão, não o deixando entrar na taverna. — Qual seu problema com ele? Ele me roubou, então acho justo que pague pela comida.

— É que… esquece. Vamos entrar e esperar ele lá dentro?

— Não quero mais comer ai, vai ter aquela garçonete que conheceu a minha mãe e não sei como vou encará-la agora que sei sobre a verdade. Poderíamos ir para outra taverna, pode ser.

— Tudo bem e avisou o Gerard que iríamos encontrá-lo em qual delas?

— Nesta aqui, por que?

— Maravilha, agora ficou interessante entrar na outra.

Leon senta numa mesa e senta ao lado dele. Ele parecia nervoso olhando de um lado para o outro e sua perna sacudindo de leve. Coloquei a mão sobre a sua perna que o fez dar um leve salto na cadeira.

— O que foi?

— Nada é que depois de tudo o que fizemos estou com medo que apareça alguém da inquisição e nos leve presos.

— Mas disse que não aconteceria nada, porque agiu no passado e já havia feito isso antes.

— Eu sei, mas sempre fico preocupado.

Como não havíamos usado as moedas na outra taverna chamei pela garçonete, solicitei o menu e os valores. Conseguimos pedir um prato com legumes e carne. Muito melhor que ensopado que era a única coisa que conseguiriamos tomar na outra taverna.

Os pratos foram servidos e fiquei observando Leon enquanto ele comia. Não sei porque havia esquecido que ele nunca brigou comigo ou fez algo de errado contra mim, diferente de Leonidas que sempre seguia o que sua mãe mandava. Acabo encostando os dedos nos meus lábios tentando me lembrar da pressão dos seus ali. Nunca havia sido beijada e justo a primeira pessoa que beijei fora o meu irmão, que agora sabia que não era, pois confiava nas palavras do meu pai. Realmente tudo fazia sentido, porque se eles fossem meus irmãos não seriam bruxos, porque apenas o pai que transmitia aquele genê.

Só que agora havia um problema. Eu sentia a mesma coisa que ele? Eu sempre o tratei como o meu irmão e do nada descobrir que tudo era mentira complicava as coisas para mim. Quando olhei para sua boca a vontade de sentir os seus lábios nos meus surgiu dentro de mim. Não precisava ter vergonha, eu o conhecia muito bem, então era só chegar e o beijar. Sabia o que ele sentia por mim, logo não havia perigo de me rejeitar.

Respirei fundo criando coragem para o que faria.

— Leon, eu queria pedir uma coisa para você — digo segurando de leve em sua mão.

Ele olhou para mim e depois para onde estava a minha mão arqueando uma sobrancelha.

— O que seria Emme?

— Eu queria que…

Uma briga no fundo do bar começou. Mesas começaram a voar para todos os lados. Leon se atirou para cima de mim quando uma delas veio em nossa direção me derrubando no chão.

— Foi por pouco — sorri para ele enquanto estava com seu corpo sob o meu.

— Sim, essa gente é doida.

— Leon, eu… — comecei novamente, contudo não consegui continuar quando seus olhos se fixaram nos meus e acabei sentindo vergonha pelo que pediria.

— Por que está vermelha Emme? Está com calor? A comida lhe fez mal?

— Não, é que eu…

Então algo o arranca de cima de mim o atirando contra a parede. Olha na direção do seu agressor e bufo irritada, um troll idiota. Já vinham me incomodando naquela viagem já algum tempo. Agora que sabia que era uma metamorfa queria tanto virar num animal terrível, o atacar e fazer picadinho dele. Olho para Leon e ele estava se levantando do chão, com o rosto furioso, entretanto acaba caindo para trás gemendo de dor e colocando a mão na canela.

Bufo irritada. Uma coisa era me machucar, outra coisa era o Leon, que não fez nada para ninguém. Quer dizer, nenhum de nós havia feito nada.

— Você não devia ter feito isso seu idiota — levanto do chão irritada e sinto a fúria tomar conta do meu corpo todo, meu corpo começar a se modificar. Quando percebo estava em forma de um urso polar. Solto um rugido e corro na direção do troll para o atacar.

Entramos numa luta bem interessante, pois minhas unhas eram afiadas assim como cada mordida que dava nele lhe furava o corpo. O troll tentou diversas vezes se livrar de mim me dando socos, contudo não sentia nada. Devia ser a quantidade de pelos que tinha ou meu corpo que era musculoso que aguentava a pancadaria.

Um choque elétrico atinge o meu corpo me derrubando no chão. Olho na direção do troll e ele estava da mesma maneira. Olho na direção de Leon e ele estava ainda no canto agora recitando algo enquanto apontava sua mão para a perna machucada.

— Leon, não. Você vai ser preso por estar usando magia — resmungo, bufo, levanto e sacudo o corpo.

— Preciso te ajudar, eles vão te levar presa e…

— Acho bom ficar bem calminha metamorfa, sua alteza real solicita a sua presença imediatamente — um guarda real elfo com uma lança que soltava faísca apontando para mim.

— Quem disse que vou ver ele?

— Não precisa, ele solicitou e deve ser acatado — a lança atirou um feixe de luz na minha direção e sinto novamente o choque correr pelo meu corpo inteiro, mas desta vez não aguento a intensidade e antes de apagar escuto a voz de Leon ao fundo.

— Eu vou atrás de você Emme, eu prometo.

Agora sim é o fim dessa jornada. Agora a história começa no próximo livro, mas ainda pode jogar novamente e testar outros caminhos que não percorreu enquanto espera pelo próximo livro.

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