Perto da Orelha Pela estrada à fora · Capítulo 71 de 119
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Perto da Orelha

O Tiro sai perto da orelha

O vejo ficar olhando em volta como se tivesse procurando algo, acho estranho porque ele era um bruxo seria muito tranquilo me encontrar com aqueles portais estranhos que faziam. Respiro fundo e vejo o local perfeito aparecer que o assustaria e não causaria danos, só se o panaca resolvesse se mexer ai o tiraria um pedaço da orelha. Muitas pessoas conseguiam viver sem uma parte do corpo e um pedaço da orelha nem lhe causaria muitos problemas.

Solto a flecha e ela passa exatamente onde mirei. Como previsto lhe causou um susto. Me escondo novamente e coloco o arco em volta de mim. Era uma arma muito boa para a deixar guardada dentro da bolsa e puxar uma flecha de dentro da bolsa era super fácil.

Um portal aparece na minha frente e Leon sai de dentro dele com os braços cruzados. Olhou-me de cima a baixo e eu fiz o mesmo. Num movimento rápido ele me encurralou na parede trancando a minha saída com um braço de cada lado. Poderia o atingir no meio das pernas ou lhe dar um soco já que havia deixado os meus braços livres. Contudo seu próximo passo foi que me fez retirar todo o ar dos pulmões. Sua mão veio até o meu rosto e me fez carinho. Acabei tremendo o corpo inteiro com aquilo e minha mão por reflexo fechou e o acertou abaixo das costelas o fazendo recuar.

— Está maluco, somos irmãos. O que passa pela sua cabeça? Seu plano era me levar para morar contigo e sua esposa para terem uma empregada de graça? — rosno sentindo o colar em meu pescoço vibrar e ficar um pouco quente. Era a primeira vez que o sentia fazer aquilo.

— O que deu em você Emmeline? O que aconteceu para mudar tanto assim? — respondeu quase dobrado ao meio tentando recuperar o fôlego. — Não era assim tão agressiva.

— Olha se te contasse tudo o que aconteceu comigo nesses dias sua boca cairia até o chão.

— Não tem como. Você não teria que se apresentar em sua guilda depois do café da manhã? — se endireitou.

— Hein? Do que está falando?

— Sabia que era mentira aquela coisa toda de contrato de sangue — apontou um dedo na minha cara rindo.

Engoli em seco. Agora não teria outra desculpa. Teria que voltar para casa com ele. Não haveria escapatória para mim.

— Grande coisa, agora que sei o seu plano cruel vai ser muito difícil eu voltar com você para casa. Nem pensar que vou ser empregada de você e sua esposa dondoca.

Ele olhou para cima e respirou fundo, balançou a cabeça em negativa depois olhou para mim. Aproximou devagar o rosto do meu. Levantei a mão para acertá-lo, contudo ele fez um feitiço que trancou as duas na parede.

— Agora vai me ouvir e parar de dar xilique. Beleza? Eu gosto de você desde que a vi. Claro, era só coisa de implicância no começo, porque não queria ter uma irmã emprestada, porque eu não era filho do seu pai e nem de sua mãe lógico. Então na cabeça de uma criança você era a metida na família. Então fui ficando mais velho e aquele sentimento mudou para algo mais tenro, mais amoroso e hoje em dia eu faço de tudo para que fique bem. Entende? — passou a mão pelo meu rosto novamente e seus olhos estavam muito pertos.

Meu coração disparou no meu peito e nem sabia o motivo. Balancei a cabeça em negativa. Ele podia ter aquele sentimento, mas cresci acreditando que era o meu irmão. Não tinha como mudar um sentimento assim de uma hora pra outra, só porque ele queria.

— Para com isso garoto, se não vou gritar. Você está forçando algo que não quero e isso é errado.

— Estou? Então por que sua respiração e batimentos estão rápidos? Eu sei que sente algo por mim. A sua implicância comigo nunca foi normal, fazia muito mais comigo do que com o Leonidas.

— Claro, porque você revidava e o Leônidas apenas aceitava e ignorava.

— Hum, mas se eu nunca te considerei como irmã, será que as minhas implicâncias não eram outra coisa afinal?

— Poderiam ser Leon, mas eu o tratava como irmão, não tem como eu mudar isso na minha cabeça de uma hora para outra. Entende? — senti minhas mão livres finalmente. Estava pronta para o acertar novamente caso resolvesse fazer algo estranho comigo. Além disso uma luta ou sentimento estranho crescia dentro de mim cada vez que ele falava e afirmava que não éramos irmãos, mas era complicado tirar da cabeça todos os anos que fui maltratada por todos naquela casa por ser a filha do meu pai e ele passava fora e não tinha uma mãe lá dentro para me proteger. Ninguém se erguia para me proteger quando a minha falsa mãe resolvia me castigar mandando fazer alguma coisa para ela.

— Se eu deixar que fique na cidade e não contar para mamãe onde está? — sua fala me arrancou dos meus pensamentos ruins me fazendo parar para pensar pela primeira vez de uma forma diferente.

— Por que faria isso por mim? — o questionei ainda duvidando de suas ações.

— Caramba Emme, porque eu amo você, entende? Quantas vezes eu preciso explicar para você isso?

— Não é nenhum plano seu para me levar para casa?

— Não caramba, prefiro ficar aqui com você do que passar um minuto longe de você.

Agora é sua vez de escolher as consequências. Escolha com cuidado o que vai o interromper.

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