Três trolls surgem na rua
Três trolls surgem na rua
Aquela frase mexeu demais comigo. Era a primeira vez que ouvia alguém dizer que preferia ficar o tempo todo comigo. Mesmo depois de tantos anos querendo que alguém gostasse de mim naquela família, tirando meu pai, mas ele o via muitas poucas vezes no ano, não dava nem para compensar. Agora isso, ao invés de atenção, são declarações de amor para mim. Entretanto, como ele pode me dizer que me ama se quando nos momentos que estava sofrendo por conta da mãe dele ficava apenas quieto no canto, deixando Leônidas ficar rindo de mim e piorando a limpeza.
Então como se uma fruta tivesse caído na minha cabeça ou um feitiço tivesse passado o efeito, consegui me lembrar que ele sempre que eu sofria sumia de perto, se enfiava no quarto ou pedia para fazer alguma tarefa na rua que quase sempre era ignorada por sua mãe, porque sempre o mandava estudar, porque o queria pronto para as provas de bruxos.
— Leon, isso tudo é verdade mesmo? Não está me enganando para me levar para casa para sua mãe?
— Por que faria isso se já lhe disse que pode ficar na cidade mesmo que me doa ter ficar sem saber como estará?
— É que já sofri tanto com pessoas me enganando que esse pequeno brilho que está me mostrando não está conseguindo fazer a escuridão toda ir embora.
— Talvez isso ajude — num movimento inesperado. Avançou para frente e me beijou.
O mundo inteiro em volta de mim ficou em silêncio e consegui prestar atenção apenas em nós, meu coração aumentou a batida e quando seu corpo chegou perto do meu, nossos batimentos se alinharam. Ele não me soltou por nenhum momento. Pelo contrário, enlaçou a minha cintura com seus dois braços. eu fiquei sem saber o que fazer com os braços porque era a primeira vez que era beijada. Leon beijava bem, quer dizer, como era o meu primeiro, poderia beijar mal e eu achar que beijava bem.
Então a realidade caiu sobre mim como uma bomba. Era o meu irmão que estava me beijando. Acabei o afastando no mesmo momento. Percebi que seus lábios estavam um pouco mais avermelhados do que de costume. Acabei mordendo devagar os meus os sentindo um tanto inchados. Balancei a cabeça em negativa para afastar a sensação de mim. Éramos irmãos. Ele falou que não era filho do meu pai, contudo fomos criados juntos, então éramos irmãos de criação.
— O que houve Emme? Achei que estivesse gostando — deu um passo na minha direção.
— Somos irmãos caramba, fomos criados juntos. Podemos não ser de sangue, mas somos de criação. Sua mente é deturpada, sabia?
— Só que eu nunca a tratei como irmã, então não tenho esse sentimento.
— Mas eu tenho, poxa vida. Isso não conta?
— Mas com o tempo vai mudar.
— Olha só rapazes. Eu disse que daqui estava vindo um cheirinho bom — um troll azul aparecendo no final do corredor que estavamos.
— É mesmo. Cheirinho maravilhoso — apareceu outro, mas de pele cinza.
— Ah, mas é apenas uma.
— Saem daqui, se não vou queima-los — Leon ficando em posição de luta e uma bola de fogo apareceu em sua mão quando fez uns gestos com a mesma. — Emme, fique atrás de mim.
— Sério bruxinho? Quer tentar com nós três?
— Olha, ele nem tem um colar de bruxo — o de pele cinza.
— É mesmo, nem é um bruxo de verdade — o de pele azul deu uma gargalhada alta.
— Posso ainda não ser graduado, mas já estudei muito e sei como lutar contra trolls idiotas como vocês.
Dei um tapa na testa vendo a besteira que Leon falou. Ele não sabia que a pior coisa para fazer contra um troll era o chamar de idiota, parece que aquela palavra os irritava muito.
— Saia da frente sua fagulha. Queremos a garota — sorriu o de pele azul vindo correndo na nossa direção.
Leon olhou para trás e bufou.
— Ainda está aqui. Fuja vamos. Depois nos encontramos de novo. Pode ter certeza que te encontro.
Olhei o troll vindo em minha direção correndo. Assim como os outros dois e tratei de correr para longe. Dei uma olhada para trás no ultimo segundo e vi diversos flashes vermelhos. Leon devia estar os queimando. Então paro de correr quando me lembro que trolls eram resistentes a fogo. Olho em volta precisava o ajudar.
— Preciso ajudar o meu irmão — acabo rindo quando percebo que aquela palavra na minha boca soou estranha.
Olho para trás novamente vendo os flashes vermelhos e fico pensando se vou lá ajuda-lo ou volto a correr para fugir daqueles trolls malucos.
Agora é sua vez . Escolha a decisão que a raposinha vai tomar.