Seguir Rosalina pela caverna
Seguir Rosalina pela caverna
Todos seguimos Rosalina até um buraco numa parede imensa na montanha. O Estreito dava para entender, porque era um vale entre duas montanhas super altas. Ela entrou e começou a caminhar olho para o meu lado esquerdo está Leon e do outro lado Gerard e ela seguia na frente.
— Rosalina tu conhece de cor o caminho? — Leon
— Claro que sim, sempre que viro humana passo meu tempo lá.
— Por que não vai pra Brisa Azul?
Ela para de caminhar e me olha.
— É uma história um tanto longa.
— Pode contar, tem muito chão para caminharmos — caminho em direção a ela, mas sinto alguém segurar o meu pulso, olho para trás e vejo Leon me impedindo. — O que foi agora?
— Não é seguro, ela pode…
— Se eu me transformar aqui vai dar muito errado ou não se lembra do meu tamanho? — Rosalina sorriu mostrando os dentes triangulares de dragão.
Leon deu um passo para trás e me puxou junto.
— Para com isso garoto, ela já avisou que aqui dentro não teria como virar monstro — rio soltando meu pulso do seu agarro. — Conta aí Rosalina.
— Claro, bom é que existe uma maldição que mulheres que nascem no mesmo número de dia e mês precisam atravessar o mar e entregar uma safira de formato de um ovo com 20 centímetros de altura pesando 16,76 quilos para bruxa do mar, se não conseguissem são transformadas em Alkonyati.
— O ovo precisa ter exatamente 16,76 quilos?
— Sim.
— Quantos quilos o seu tinha?
— 16 apenas.
— Carambola e com quem idade precisa fazer jornada ou tem que fazer quando criança?
— Quando virei mocinha, sabe a transição de criança pra mocinha que as regras chegam e acontece uma festa em casa?
— Não sei mesmo, quando veio minha mãe brigou comigo dizendo que precisava lavar as roupas com sabão de cocô e que só tinha em Hiruna. Foi minha primeira vez viajando sozinha para comprar algo pra ela.
— Gente, que mãe é essa?
Escuto Leon bufar atrás de nós, porque havíamos voltado a caminhar para não perder tempo.
— Sei lá, só estava me ensinando a me virar sozinha — dou de ombros.
— Vontade de ir até sua casa e devorar ela…
— Esquece, já passou, continua a sua história.
— Ah sim, bom aí viajei até às minas dos anões e comecei a minerar. Voltei com o tal ovo, viajei até a bruxa do mar usando um feitiço pra mergulhar até às profundezas do mar e descubro que meu ovo não tinha o peso necessário. Acordei na praia e meus pais me levaram pra casa perguntando como foi a viagem e se consegui. Quando contei eles ficaram apavorados, mas me deram janta porque fazia tempo que não comia e fui dormir. Durante a noite senti algo estranho no corpo quando acordei estava gigante e minha casa completamente destruída. Procurei pelos meus pais e encontrei seus corpos sem vida, esmagados pelo telhado que desabou em cima deles. Os aldeões usaram um feitiço e me levaram até o Estreito e trancaram algemas enormes em minhas patas, impedindo de sair do Estreito mas eu conseguia caminhar até o final nas duas pontas.
— Carambola e quanto tempo dura a maldição ou é pra sempre?
— Ela dura 150 anos e posso virar humana de 7 em 7 anos, porque é a data do meu aniversário. Como fico pequena as algemas caem e posso sair pra explorar. No primeiro ano visitei a Brisa Azul, mas quando me viram os aldeões gritaram e me expulsaram. Então o que me sobrou é ir pra Eldamar ficar passeando por lá, porque os outros vilarejos são distantes demais para visitar em apenas sete dias e voltar para o Estreito.
— Eitcha, que doidera. Por que volta pro Estreito se está sem algemas?
— Porque jogaram um feitiço nelas, que me faz brotar no dia que termina essa “pausa” e elas grudam em minhas pernas e volto a ser o monstro.
— Então poderia visitar outro vilarejo dentro de sete dias e quando acabasse o tempo surgiria de volta no Estreito.
— Sim, mas a distancia é muito grande para qualquer uma das outras, sem contar os perigos pelo meio do caminho que posso encontrar.
— Mas você é uma Alkonyati, pode ficar enorme e esmagar os problemas ou comê-los.
Ela olhou para trás e faço a mesma coisa. Leon estava quieto caminhando com os olhos grudados em nós. Irmãos mais velhos era um saco.
— Vou te contar um segredo, se eu me transformar dentro desse período de sete dias não posso voltar a minha forma humana — sussurrou quando voltou a olhar para frente.
— Mas e quando mudou seu rosto para…
— É o máximo que consigo fazer, pequenas transformações no meu corpo.
— Entendi.
Olho para frente e nos deparamos com três bifurcações e não sabia para qual ir. Olhei para para Rosalina e ela estava com o olhar perdido, perdendo a ponta da unha do dedo indicador.
— O que foi?
— Sempre me perco nesses túneis — sorri. — E ai qual quer tentar primeiro?
Agora é a sua vez . Escolha a decisão que a raposinha vai tomar.