Oferece as peles da caça
Oferece as peles da caça
Quando chega a minha vez me lembro das coisas que possuo dentro da bolsa, poderia barganhar com eles para conseguir comprar a minha soltura.
— Por acaso não estariam interessados em peles de animais? — pergunto puxando de dentro da bolsa as peles e mostrando para eles.
Um dos guardas ignora e continua a conversar com um outro, enquanto um guarda olha em direção das peles com um olhar interessado.
— Hum, mas mesmo que aceite, você tem três acusações e essas peles vão cobrir o que … — olhou para o lado para um guarda que estava sentado num canto enquanto afiava um pedaço de maDeira com um canivete.
— Apenas um, teria que ter mais peles ai dentro dessa tua bolsa. Teria? — questionou sem levantar os olhos do que estava fazendo.
— Bom tenho só essas duas moedas — retirou da bolsa as moedas que haviam lhe sobrado. Ela tinha alguma ideia que cada vilarejo usava moedas diferentes, entretanto não tinha ideia quanto cada uma custava realmente. Em Helira foi tranquilo porque cada valor que cobravam era referente a quantia, contudo em Hiruna as coisas poderiam ser diferente, aquela quantidade poderia valer mais ou menos. Estava torcendo para que valesse mais.
O guarda que estava conversando comigo olhou para as moedas em minhas mãos e arregalou os olhos. Então eu sabia que valiam muito mais. Ele olhou para o guarda sentado, pegou algo de cima da cima e atirou nele. O outro levantou a cabeça bravo e o guarda apontou para a minha mão. O guarda sentado quase caiu da cadeira e caminhou até nós. Olhou para trás vendo que os outros guardas ainda estavam conversando, perdidos num assunto muito interessante.
— São moedas de ouro de Helira, tem ideia de quanto valem por aqui garota? — o guarda que antes estava sentado que tinha cabelo loiro sussurrou.
— Pela forma que vocês estão agindo com certeza um valor bem interessante. Então, uma moeda resolveria o meu pequeno problema?
Eles se entre olharam e voltaram sorrindo.
— Olha, acho que isso não resolveria, porque…
— Mas eu disse uma moeda, isso quer dizer, uma moeda para cada. Estão negando isso?
Então vi os olhos dos dois brilharem.
— Agora sim, está falando a nossa lingua. Então passe aqui, as moedas e as peles — o guarda que não era loiro esticando a mão para mim e entreguei as minhas coisas para ele e respirei aliviada. Finalmente sairia daquele lugar.
Então entreguei o que tinha para eles e me conduziram para a porta de saida do local, quando estava quase saindo me deram um empurram para fora que me desequilibrei e cai de joelhos no chão. Bufei. Levantei limpando a roupa. Pelo menos estava livre daquele lugar.
Caminho pelo local procurando um canto para fazer meu café da manhã, quando avistei um banco escondido, mas que dava para ficar de olho nas pessoas e criaturas que passavam por ali me lembrei que meu cantil estava quase vazio de água. Peguei o mapa e o abri e encontrei perto do local que vi para sentar para comer com tranquilidade uma fonte de água. Caminhei até lá.
— Finalmente te encontrei — senti uma mão pesada sobre o meu ombro e acabei soltando um grito e puxei o canivete por reflexo e virei para quem estivesse atrás de mim.
Então quando me viro encontro Leon ali parado me encarando com as sobrancelhas tão juntas que nem sei se um dia iriam separar novamente.
— O que está fazendo aqui criatura?
— Eu que lhe faço essa pergunta, imagina o susto que levo quando chego em casa e encontro a mamãe lavando a louça, reclamando de dor nas costas por ter varrido a casa inteira, arrumado os quartos e lavado a roupa.
— Bom fez apenas o serviço dela — reviro os olhos. Só naquele momento estava me dando conta que a pessoa que chamava de mãe era muito estranha comigo, me obrigando a trabalhar enquanto ela ficava o dia todo só mimando meus irmãos ou sentada no sofá. Com certeza não era algo que uma mãe faria com uma filha a colocando para trabalhar com a desculpa que eu precisava aprender a fazer o serviço, na época aceitava, entretanto com tanta coisa que venho passando até o momento e distante daquela rotina consigo perceber que era muito errado.
— Emmeline, não devia falar assim sobre a nossa mãe. O que andou aprendendo por aqui?
— Nem te conto irmão, nem te conto. Então, por que está aqui? Não deveria estar na escola de bruxos ou fazendo a sua prova?
— A prova já terminei e …
— Oh, meu pêsames que não conseguiu passar.
— Emmeline! Eu passei com notas muito boas, só que quando voltei para casa descobri que estava fora de casa fazia quase uma semana.
— Nossa, fazia tanto tempo assim que sai de casa? — fico um pouco pensativa e o encaro e aponto um dedo. — Então você também estava longe de casa esse tempo inteiro.
— Como? Claro que sim criatura, estava fazendo as provas no campus e depois o conhecendo, preparando minha instalação porque vou começar a estudar semana que vem.
— Hum. Então por que esta aqui, ainda não respondeu.
— Eu vim atrás da minha irmã cabeça dura que resolveu sair de casa e não avisar a ninguém. Agora vamos, temos que voltar para casa.
Voltar para casa não voltaria. Agora estava numa missão e precisava cumpri-la. Precisava dar uma desculpa suficiente para fazê-lo ir embora ou contar a verdade. O que faço agora?
Agora é sua vez . Escolha a decisão que a raposinha vai tomar.