Viagem até Hiruna no passado
Viagem até Hiruna no passado
Quando saímos do portal, aparecemos no centro de Hiruna e era bem diferente do que tinha visto alguns dias atrás. As casas tinham a aparência mais nova, como também o chão e havia uma fonte que funcionava bem no meio. Entretanto não tinha visto ela antes.
— Leon, a fonte, ela não estava ali alguns dias atrás.
— Ah, porque ela foi destruída pelo Monstro Ghuneiar. Agora preste atenção, esqueci de falar antes. Como estamos no passado não podemos alterar e nem falar com ninguém, entende? Qualquer mudança que fizermos pode causar sérios problemas no nosso futuro e até mesmo fazer nós nunca existirmos, entendeu?
— Sim, mas se vou conhecer os meus pais, eles não vão achar estranho o meu rosto?
— Bem lembrado — Leon mexeu no bolso interno de sua capa e parecia que havia mais de um, porque ficou procurando, até encontrar algo e puxar para fora um frasquinho com algo brilhante dentro.
Acabei dando um passo para trás por reflexo. Sem saber o motivo, algo naquele líquido me causou um péssimo pressentimento.
— O que foi? É uma opção para ficarmos invisíveis e não perturbar a ordem por aqui.
— Não sei, foi um pressentimento estranho mesmo.
— Vou tomar primeiro e depois tu toma.
— Mas como vou saber onde está sua mão para pegar o frasco?
— Vou o largar no chão, porque quando desencostamos de algo ela volta a ficar visível — sorriu e tomou o frasco. Seu corpo começou a ficar transparente até sumir completamente e aquilo me deixou apavorada.
— Leon! — o chamei, quando senti uma mão pegando meu pulso.
— Estou aqui Emme, o frasco está ali no chão.
Olhei para baixou e enxerguei o tal frasco. O peguei e o fiquei encarando, calafrio de novo subindo pela minha coluna. Senti a mão de Leon no meu pulso e respirei fundo. Virei o contéudo na boca. Era amargo. Senti meu corpo inteiro pinicar e então vi ele começar a ficar transparente e sumir. Foi que enxerguei Leon na minha frente.
— Mas como estou te enxergando agora?
— Coisas do feitiço. Venha se não vamos perder a hora — me puxou em direção a uma taverna e entramos.
Ficamos de pé no corredor. Leon apontou para um canto, para uma garçonete que estava servindo as mesas.
— Olhe a sua mãe é aquela ali.
Ela era linda, cabelo vermelho como o meu e seus olhos eram iguais os meus e sempre sorrindo enquanto servia os clientes do local. Então escuto a porta abrir e por reflexo viro o rosto para ver quem é e vejo meu pai com seu tamanho enorme de caçador entrando com o olhar cansado e sozinho.
Ele caminhou até uma mesa e sentou respirando pesado. Parecia mais cansado do que eu estava acostumada a vê-lo quando voltava para casa. Então minha mãe chegou sorrindo e perguntou o que ele queria comer. Ele responde de forma bruta e nem olha para ela. Então não entendi aquilo, Leon havia dito que eles se conheceram ali, contudo ele a ignorou, algo estava estranho.
— Leon, eles nem conversaram, como…
— Calma, as coisas ficam interessantes agora.
Foi então que entrou um outro caçador rindo e vai direto até a minha mãe e solta galanteios para ela. Ela apenas o ignora, sorri perguntando se ele queria algo para comer. Caçador continua e a abraça pela cintura. Minha mãe o tenta empurrar, contudo ele não se mexe. Então vejo meu pai atravessar a taverna e bater com força a mão no balcão ao lado dos dois.
— Olha aqui, não está vendo que está atrapalhando o serviço? Ela está trabalhando se quer algo, faça isso depois do serviço — meu pai resmungou olhando firme para o outro caçador.
— Nossa que medo, eu faço o que eu quero, não se meta.
— Moça ele é seu namorado? — meu pai perguntou.
— Não, nem o conheço.
— Pois então, senhor, acho melhor soltá-la, se não vai levar uma surra.
— É mesmo, duvido — riu o outro caçador.
— Então lá na rua e resolvemos esse problema.
Meu pai sai da taverna pisando firme. O outro caçador solta minha mãe e o segue. Penso em segui-los para ver o meu pai lutando, contudo Leon segura na minha mão.
— Te lembra, nada de interagir. Espera um pouco, que vai ver.
Minutos que pareceu horas a porta da taverna abriu e meu pai entrou e estava com o lábio cortado e foi sentar em seu lugar. Todo mundo na taverna ficou olhando para a porta, contudo ninguém mais entrou. Voltaram a fazer o que estavam fazendo antes.
Minha mãe foi até ele e lhe entregou o que pediu. Agradeceu pelo que ele havia feito por ela. Meu pai deu de ombros e começou a comer. Olhei para Leon sem acreditar no que estava acontecendo. Meu pai não estava interessado nenhum pouco em minha mãe. Então ela me surpreende e senta na frente dele e começa a conversar, mas não consigo escutar o que conversam. Meu pai solta um sorriso de lado, para de comer e começa a prestar atenção nela.
Não conseguia acreditar, minha mãe resolveu tomar partido. Ela que começou tudo. Olho para Leon e ele estava apertando as mãos firmemente e não entendi aquela sua reação.
— O que foi?
— Ainda tentando processar tudo. Sei que foi armação da minha mãe, mas ele é casado com ela, então…
— Ah sim, entendi. E agora ficamos aqui observando eles conversando?
— Podemos ir embora se quiser e descobrir o dia que foi entregue para Elara?
Pensei em questionar sobre o que ele havia dito antes sobre Elara ter armado contra nosso pai, mas achei melhor o questionar depois que tivesse a prova que ela não era a minha mãe, assim qualquer verdade não seria tão cruel.
— Claro, vamos para onde agora?
— Viajar mais um pouco no tempo, na semana que o Monstro surgiu e depois viajar para casa.
— Beleza — segurei a mão dele e Leon arregalou os olhos se surpreendendo com o meu movimento. — O que foi? Não havia dito que era melhor assim para viajar, para não nos perder?
— Sim, desculpa. Vamos sair daqui e voltar para o beco para fazer a viagem — me puxou pela mão para fora da taverna.
continua…