Segue Emme até a ferreira
Segue Emme até a ferreira
— Espera Emme, calma aí, as coisas aqui são um pouco perigosas — Leon dando alguns passos rápidos e parou ao meu lado enquanto olhava as pessoas que passavam por nós.
— Como assim? Eu já passei por aqui e nada me aconteceu. Você está meio estranho, sabia?
— Não estou estranho, apenas cuidadoso com a pessoa que… — tossiu e olhou para o outro lado observando alguns seres mágicos passando por nós e quando me olhavam por mais tempo do que devia, ele meio que fazia algum gesto que eu não conseguia enxergar e eles desviavam os olhares para os outros lados.
Resolvo ignorar tudo aquilo, não estava afim de me incomodar com ele. Estava contente que havia aceitado seguir o caminho comigo, seria muito mais fácil fazer tudo o que precisava fazer com um bruxo ao meu lado, acho que até para conseguir comida seria muito mais fácil.
— Ela fica lá no final.
— Coisa estranha, esse tipo de lugar sempre é perigoso para moças como você.
— Por que? Eu sei me defender muito bem, sabia? Devem ter sentido o quanto sou boa em…
— Cala boca Emme, está falando besteira demais. Por acaso não comeu ainda?
— Não, alguém me impediu no meio do caminho que estava indo fazer meu lanche.
— Agora está explicado porque está com essas ideias tão estranhas na cabeça. É muita besteira para uma hora tão matutina. Por que não come alguma coisa enquanto pegamos… O que vamos pegar mesmo?
— Minha espada de um material estranho que a ferreira fez para mim.
— Como assim? Não sabe nem que material foi feito a espada que vai carregar para todo o lado?
— Eu precisava saber de que é feita? — abro a minha bolsa e puxo uma fruta lá de dentro para comer. Lembro das carnes que ainda estão lá dentro que deixei assadas ontem e que não comi. Puxo um pedaço de uma delas e provo. — Hum, gostoso.
— Emme, você tirou uma carne de dentro de sua bolsa? Por que guardou algo assim aí dentro?
— Porque não tinha onde guardar, ora. Quer um pedaço? — ofereço para Leon o pedaço. Ele olha e torce o nariz.
— Valeu, prefiro algo feito no fogo e servido num prato.
— Ah, para de frescura criatura, isso não está cru. Eu assei ontem e guardei aqui dentro para poder comer em outro momento — mordi um pedaço e sorri para ele.
— A mamãe não te ensinou a comer direito? Por que está agindo assim?
— Eu? Só pra te irritar mesmo — sorrio e passo por ele entrando na forja.
Olho pelo local e não vejo a ciclope.
— Acho que não tem ninguém, devíamos ir… — Leon colocando a mão no meu ombro e puxando para irmos embora.
— Sabia que voltaria. Terminei ela — ciclope aparecendo de trás de um balcão, fazendo Leon dar um salto no lugar e apertar com firmeza o meu ombro.
— Que bom, desculpa pela demora. Cadê ela?
— Aqui — ela puxou do chão a espada que estava enrolada num pano, colocou sobre o balcão e a desenrolou.
A espada era linda, desenhos pela lâmina que desciam em espiral até o cabo e se projetavam em 3D ali. A peguei na mão e não a senti pesada, achei estranho por conta de seu tamanho deveria pesar alguma coisa.
— Espero que o material seja resistente, porque ela não pesa nada — giro a espada na mão para a testar.
— Deixa eu ver isso Emme, você nunca sabe de nada — Leon pegou a espada da minha mão e sua mão pesou, fazendo a ponta bater no chão e forçou para a erguer. — Que estranho, que feitiço é esse? Por que ela estava carregando tranquilo, enquanto para mim está pesada?
— Porque foi feita para ela, apenas ela pode a erguer com tranquilidade, foi feita para a espécie dela.
— Mas humanos são fracos, como poderia ser…
— Deixa de questionar a pobre moça, Leon — pego a espada da mão de Leon, abro a minha bolsa e tento a guardar ali dentro, contudo não consigo. — Mas eu guardei até um arco aqui dentro, por que essa espada não está entrando?
— Porque ela é mágica, vai ter que carregar na cintura.
— Não tenho cinto para a pendurar.
— Tenho esse aqui — ciclope coloca sobre o balcão um cinto simples de couro para pendurar a espada.
— Quanto vai custar? — Leon pergunta.
— Duas moedas de Hiruna — sorriu.
— Leon, olha eu não tenho grana, eu tive que pagar para conseguir sair da…
— Tudo bem, sorte sua que sempre trago algumas — Leon puxando de baixo de seu manto um saco de moedas, abriu, pegou duas moedas e depositou sobre o balcão. — É isso?
— Obrigada pela escolha, senhores — ciclope empurrando o cinto e pegando as duas moedas e indo fazer alguma coisa mais para dentro da forja.
Peguei o cinto, o vesti, depois coloquei a espada no lugar.
— Agora podemos ir para o próximo ponto da missão — digo saindo da forja.
— A cidade dos elfos?
— Isso, a linda Eldamar. Sempre quis a conhecer. Será que o castelo do príncipe é tão vermelho como dizem? E as pedras tiradas da mina por lá são vermelhas que o pó que deixam pelo caminho fazem a neve parecer que está sangrando?
— Você parece uma turista — Leon rindo. — Já fui uma vez e não era nada de mais a cidade.
— Então sabe como chegar lá.
— A vez que fui foi com uma excursão da escola e fomos por um portal, foi nesse passeio que descobri que ser bruxo era algo divertido.
— Então podemos chegar lá de portal. Você consegue fazer, não é?
— Sim, mas apenas bruxos com diploma são habilitados a fazer. Tem ideia que a coisa é fria lá em cima?
— Então como vamos chegar, escalar as montanhas?
— Volte a comer Emme — Leon riu dando um tapinha de leve na minha cabeça. — Temos outras opções, podemos pegar o Estreito Alkonyati, parece que tem uma passagem por lá que liga até Eldamar.
— Maravilha e onde ele fica?
— Do outro lado da floresta escura, que divide ela e o vilarejo de Brisa Azul.
— Nossa é muito longe, como podemos chegar lá?
Agora é a sua vez . Escolha a decisão que a raposinha vai tomar.