Quando Sawyer entregou Emmeline para Elara Pela estrada à fora · Capítulo 117 de 119
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Quando Sawyer entregou Emmeline para Elara

Quando Sawyer entregou Emmeline para Elara

Novamente o mesmo processo. Caminhamos até o beco. A corrente em volta de nós. A viagem turbulenta, as náuseas estranhas e surgimos no mesmo beco.

— Se lembre, as mesmas regras de antes.

— Sim, não interferir no passado. Agora viajaremos pelo portal até em casa?

— Exato.

Olhei para fora do beco e vi uma enorme pegada de um monstro bem no local que ficava a fonte e a destruição ainda em volta. Sai do beco soltando a mão de Leon e levei um susto maior ainda. Havia fumaça para todo o lado, pedaço de telhados estavam destruídos e algumas casas chamuscadas e outras completamente destruídas.

— Ele saiu a pouco daqui ou ainda está por aqui? — voltei até Leon e me agarrei em sua cintura escondendo o rosto ali. Sua altura de um metro e oitenta contra a minha de um metro e sessenta ajudou naquele momento para me sentir protegida.

— Com certeza não está mais aqui, os bruxos agiram muito rápido quando ele começou a destruição,a batalha não foi nada fácil. Ele estava furioso e não havia feitiço que o deixasse calmo — informou passando a mão pela minha cabeça, fazendo um leve carinho. Meu corpo foi aos poucos relaxando. Todo mundo conhecia a fúria do Monstro Ghuneiar, mas foram poucos que conseguiram chegar perto dele e sair vivos. — Então podemos atravessar o portal, se não vamos perder a hora — ele mexeu as mãos e recitou o feitiço para conjurar o portal e não me afastou dele.

O circulo brilhante surgiu em nossa frente e parecia que havia água no meio dele. Leon deu alguns passos. O soltei e agarrei firme em sua mão. Vi ele soltar um leve sorriso que sumiu depois que atravessou o portal. Aparecemos perto da floresta na frente de casa onde levava para a estrada.

Uma carruagem passou por nós e Leon por reflexo me puxou para perto dele segurando firme. Sorri por reflexo, por sua proteção de irmão mais velho. Então me dou conta que Elara poderia nos reconhecer e dou um passo para trás.

— O que foi?

— Ela vai nos ver Leon e…

— Ainda estamos no feitiço que bebemos antes, se lembra? O de invisibilidade.

— Desculpa, é que é estranho ainda essa sensação.

— Sem problema. Venha, vamos perder a cena toda — Leon me puxando pela mão e saiu a passos apressados em direção a casa.

No mesmo instante o meu pai desceu da carruagem, esticou a mão para dentro da carruagem e uma criança de três anos desceu segurando sua mão dando pulos pela escada com o cabelo vermelho como o meu. Então vejo seu rosto e me assusto. Era eu mesma. Meu pai tinha me dado uma foto de nossa família, eu devia ser um ano mais velha do que aquilo, mas o rosto não havia mudado.

A porta abre e Elara aparece na porta com um sorriso enorme, até me ver e ele some. Quando meu pai a olha sorri novamente.

— Ola querido, quem é ela?

— A minha filha, espero que a cuide e eduque bem — ele agachou na minha frente e arrumou uma mecha de cabelo meu atrás da orelha. — Eu já vou minha pequena, mas volto logo para brincarmos novamente — passou a mão pelo meu cabelo, vestiu meu colar que eu nunca tirava em mim, meus olhos ficaram um pouco brancos e depois voltaram ao normal. — Ela é a sua mãe — apontou para Elara.

A minha versão pequena olhou para Elara e sorriu.

— Oi mamãe! — correu até ela e abraçou suas pernas.

— SAWYER WHITAKER ! — Elara entre os dentes. — Eu não vou ser mãe dessa bastarda.

— Então vou cortar sua mesada ou ela fica e é bem cuidada ou acabou as suas regalias.

— Mas meu amor, eu…

— Chega Elara, eu só não me separei de você porque a mãe dela… Bom, estamos entendidos?

— E os meninos? Eles são seu filhos.

— Não mesmo, eu senti a magia que carregam e eu não teria como produzir filhos assim, muito menos você — meu pai dando um passo firme e fechando as mãos em punhos.

Então era por isso que ela me odiava, era por isso que ele aguentava ela, tudo por minha causa, eu o estava fazendo ficar daquela maneira que não queria. Escondo o meu rosto no braço de Leon para não mostrar as lágrimas que escorreram.

— Hei, olha pelo lado bom, ganhou dois irmãos — Leon afastou meu rosto devagar dele e me fez olha-lo.

— Que me odiaram desde o momento que me viram — bufo irritada.

— Não mesmo, olhe — Leon girou meu rosto devagar para a cena que rolava.

Ele e Leônidas pequenos apareceram na porta e estavam sorrindo para mim. Olharam para o meu pai.

— Quem é esse anjo pai? — Leon pequeno perguntou. Olhei naquele instante para Leon grande que estava com as bochechas levemente vermelhas que me observava.

— Crianças falam apenas o que percebem — deu de ombros.

— Ela é sua nova irmã, Leon. Vai cuidar dela como um bom irmão mais velho?

— Com certeza papai, vou a proteger de todo o mal e quando ficar maior vou ser um grande bruxo para invocar os melhores feitiços para ela.

— Não incentive isso Sawyer, eles são irmãos. Leon passa para dentro, isso é conversa entre adultos — ralhou Elara com o Leon menor.

— Sim mamãe — soltou um leve sorriso para a Emme menor e sumiu para dentro de casa.

— Já falei que eles não são meus filhos — meu pai quase rosnando, fazendo Elara dar um passo para trás.

— Mas…

— Chega de conversa, tenho que trabalhar. Espero que quando eu volte ela continue sendo bem tratada por você, não esqueça que é a mãe dela agora.

— Acho que deu, não aguento mais ver. Vamos embora? — Leon me soltou e caminhou em direção à floresta.

— Leon! — segui correndo atrás dele. — Espere, eu não…

— Tudo bem, não foi fácil para mim na primeira vez, cresci achando que ele era meu pai, o respeitava, o idolatrava, queria ser grande e forte como ele, até que descobri sobre tudo e… — Leon parando de caminhar e respirava com dificuldade, fechou as mãos com tanta força que dava para ver que começavam a ficar brancos os nós.

— Desculpa por ter estragado a sua vida, eu não tinha ideia que… por isso que sentia tanta raiva de mim e nunca quis ser um irmão e nem amigo. Por que tive essa ideia idiota que querer saber a verdade? — chuto a grama com um pé e cruzo os braços no peito. Precisava pensar em algo, porque eu havia destruído uma família, eu era culpada de tudo. Eu não devia ter nascido.

— Emme, não. Você foi a única coisa boa naquela casa, a única coisa verdadeira dentro daquele mar de mentiras. Sabe o que eu acho ainda de você? — perguntou chegando perto de mim e segurou em meu queixo devagar para fazer olhá-lo. — Você ainda é aquele anjo, pra mim.

Pisco os olhos tentando processar aquela informação. Era estranho alguém da minha familia ter algum sentimento por mim e ainda por cima aquele tipo que ele estava demonstrando. Não tinha lógica alguma. Como aquele todo interesse do nada por mim? Eu sempre fui tratada na casa como a empregada e sempre tendo que sorrir quando meu pai voltava sobre ameaça da minha mãe que se dissesse algo para ele ficaria sem uma casa.

— Desculpa eu não… — balancei a cabeça tentando me afastar dele.

— Sem problema, fico no aguardo. Vamos voltar agora para casa?

— Quero sim, tenho que focar na missão de matar o Monstro Ghuneiar, mesmo tendo muito medo dele.

— Claro, só passarmos novamente pelo portal em direção de Eldamar e depois voltamos no tempo — esticou a mão para mim. A fiquei olhando por algum tempo, agora que sabia o que ele sentia por mim, era estranho segurar em sua mão.

— Tudo bem — respirei fundo e a segurei.

Leon gerou novamente o portal atravessamos e chegamos em Eldamar. Caminhamos até um beco para viajarmos no tempo e assim ninguém achar estranho quando aparecessemos no presente. Ele virou para mim e me puxou pela cintura para perto de si e me deu um beijo que me deixou com as pernas bambas.

— Desculpa é que não sei o que irá acontecer quando voltarmos no tempo, então precisava fazer isso — sorriu sem jeito e se afastou um pouco. Puxou a corrente e passou pelo meu pescoço, girou a ampulheta algumas vezes e tudo começou a girar em torno de nós. Só que desta vez ao invés de ficar cuidando o que acontecia ao meu redor, fiquei observando seu rosto, como se tivesse o vendo pela primeira vez.

continua…

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