A Mentira de Elara Pela estrada à fora · Capítulo 76 de 119
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A Mentira de Elara

A Mentira de Elara

— Beleza, acho que quero ver a sua mãe aprontando.

— Certo, então poderia segurar a minha mão?

— Por que? Não falei que ainda estou tentando entender essa coisa…

— Sabia que sentia alguma coisa por mim — sorriu de lado.

— Para com isso garoto, eu apenas disse que…— dei um tapa no braço dele.

— Entendi sim, só estava te incomodando. Mas é sério ter que segurar a minha mão, é para não nos perdermos um do outro quando atravessarmos o tempo. Entende? — perguntou esticando a sua mão para mim.

— Hum, olha se for só uma desculpa para poder segurar na minha você vai perder sérios pontos comigo quando a confiança e para uma base firme de um relacionamento, confiança é tudo — segurei sua mão.

— Você realmente está pensando em nós — sorriu e fez um movimento com a mão. Recitou algumas frases estranhas que não compreendi e então senti um puxão na minha cintura.

Olhei para o lado e ele estava sendo sugado da mesma forma. Segurei firme em sua mão e não soltei até que tudo ficou calmo e consegui respirar tranquilamente sem o peso no meu peito.

Olhei em volta e estavamos no mesmo local, entretanto as ruas pareciam mais novas.

Leon saiu caminhando pelo beco e me arrastou atrás dele sem dizer nada. Apenas o segui, porque não sabia para onde estava indo. Como ele falou que estavamos no passado, não queria me perder por lá. Imagina ele resolver me soltar e me deixar naquela época?

— Preste atenção. Minha mãe disse que sairia daquela casa e depois iria para um bar.

— Como tem certeza que é nessa cidade que ela estava?

— Porque era onde ela morava antes de conhecer seu pai e ir morar longe de todo mundo.

— Entendi. Me lembro dela resmungar algo assim, varias vezes ao dia, que meu pai a tirou do barulho para viver no meu da floresta. Se ela estivesse em outra cidade, viajaríamos até lá?

— Eu criaria um portal e depois viajariamos no tempo, porque só viajo sem sair do lugar, é como retroceder no momento. Entende? Não teria como fazer isso indo para outro lugar.

— Entendi, não entendendo.

— Agora vem, precisa ver para crer — me puxou até a frente da janela da tal casa que apontou que sua mãe estava. Então girou sua mão em cima de nós dois e quando olhei para ele não o via mais.

— O que fez? Cadê você? — perguntei apavorada?

— Xii — senti uma mão tapando a minha boca. — Nos deixei invisíveis. Agora fique quieta para escutar a conversa deles dois.

Apontou para dentro da casa. Lá estava Elara com um vestido simples e coque conversando com um homem muito bem arrumado que estava apoiado na lareira enquanto fumava um charuto.

— Eu não vou assumir a paternidade.

— Como assim Edgar? Eu te disse que lhe amava, você também, trocamos juras de amor e disse que casaria comigo e…

Edgar soltou fumaça pela boca e sorriu de lado.

— Rameira idiota, de onde tirou isso? Você foi um divertimento de uma semana apenas para mim, nada mais. Eu pago pela poção para tirar isso de você.

— Como é? — Elara dando um passo para trás e colocando a mão no ventre como se o protegesse.

— Isso mesmo, essa criança vai ser um peso para você, não vai poder mais trabalhar. Então vou lhe ajudar com o problema. Só tomar a poção da bruxa do mar que o problema se resolve.

Elara ficou sem saber o que dizer e ficou o olhando. Até que Edgar puxou do bolso algumas moedas e colocou na mão dela.

— Prontinho. Só tome cuidado para ela não te enganar. Aquela bruxa do mar é muito esperta, mas sei que rameiras como você sabe se virar muito bem com essas coisas.

Elara fechou as moedas na mão com força e saiu da casa. Quando a porta fechou atrás de si desatou a chorar. Olhou em volta e seu consegui perceber que seu olhar estava perdido, pois uma mulher sozinha e grávida era algo complicado para conseguir sobreviver. Sinto Leon puxar a minha mão e me levar para o mesmo beco que viemos e então o enxerguei novamente.

— Então agora acredita quando disse que não éramos irmãos? — Leon com os olhos marejados. Não deveria ser nada fácil ver o próprio pai o negar naquela maneira e tratar sua mãe daquela maneira. Então o abracei e sussurrei em seu ouvido.

— Tudo bem eu acredito, está no passado e aquele bosta nunca vai saber que vai ser o melhor bruxo — o olhei sorrindo.

— Obrigado. Sempre doí todas as vezes. Só que desta vez está aqui comigo — passou a mão pelo meu rosto fazendo carinho.

— Poderia lhe questionar, mas vou ignorar essa parte estranha. Tipo não teria como não estar por aqui, não é? — sorri.

— Sabia que sempre amei esse teu sorriso? Sempre que meu dia estava ruim, quando o via parecia que tudo ficaria bem. É um sol aparecendo no meio das nuvens quando está chovendo — disse e passou o dedão sobre o meu lábio inferior e fiquei sem jeito querendo me enfiar em algum buraco, contudo outra parte de mim queria que ele continuasse e estava estranho para mim.

— Tudo bem, vamos embora? — afastei a sua mão com delicadeza de mim.

— Claro, agora quer ir para onde? Voltar para casa ou conhecer a sua mãe?

Fico na dúvida no que escolher, porque eram duas coisas que queria fazer.

Agora é a sua vez . Escolha a decisão que a raposinha vai tomar.

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