Conhecer o passado dos pais
Conhecer o passado dos pais
Não queria saber sobre o que aconteceu com ele, deveria ter sido algo estranho e maluco, poderia me deixar pior. Sorri e apertei sua mão.
— Quero saber como é a minha mãe, pode ser?
— Claro — então fez tudo de novo. As palavras estranhas e o puxão na cintura e aparecemos no mesmo local. — Te lembra da regra, não pode interferir em nada, nem mesmo com coisas, se ver algo estranho acontecer não interfira. Estamos aqui apenas para “espiar” o passado e como tudo aconteceu. Um detalhe diferente pode mudar tudo.
— Certo e para onde vamos agora?
— Até uma taverna. Eles se encontraram lá. Sua mãe trabalhava como garçonete.
— Nossas roupas não vão chamar atenção? Não estamos numa época muito longe da nossa?
— Emme, você tem apenas dezesseis anos, quase nada mudou nesse tempo. Vem — me puxou até sairmos do beco e chegarmos na rua.
Caminhamos por algum tempo até pararmos na frente de uma taverna. Leon olhou para os lados. Respirou fundo. Olhou para mim.
— Vista o seu capuz, não queremos que seu pai se lembre de seu rosto mais tarde nem sua mãe — Leon vestindo o capuz de sua capa e empurrando a porta para entrar
— Claro — fiz o mesmo e o segui.
Ele seguiu até uma mesa e sentou ali. Sentou na sua frente.
— Olhe a sua mãe é aquela ali — apontou com os olhos para a garçonete que estava atendendo uma mesa. Ela era linda, cabelo vermelho como o meu e seus olhos eram iguais os meus e sempre sorrindo enquanto servia os clientes do local. Então escuto a porta abrir e por reflexo viro o rosto para ver quem é e vejo meu pai com seu tamanho enorme de caçador entrando com o olhar cansado e sozinho.
Ele caminho até uma mesa e senta respirando pesado. Parecia mais cansado do que eu estava acostumada a vê-lo quando volta para casa. Então minha mãe chegou sorrindo e perguntou o que queria comer. Ele responde de forma bruta e nem olha para ela. Então entendi aquilo, Leon havia dito que eles se conheceram ali, contudo ele a ignorou, algo estava estranho.
— Leon, eles nem conversaram, como…
— Calma, as coisas ficam interessantes agora.
Foi então que entrou um outro caçador rindo e vai direto até a minha mãe e solta galanteios para ela. Ela apenas o ignora, sorri perguntando se ele queria algo para comer. Caçador continua e a abraça pela cintura. Minha mãe o tenta empurrar, contudo ele não se mexe. Então vejo meu pai atravessar a taverna e bater com força a mão no balcão ao lado dos dois.
— Olha aqui, não está vendo que está atrapalhando o serviço? Ela está trabalhando se quer algo, faça isso depois do serviço — meu pai resmunga olhando firme para o outro caçador.
— Nossa que medo, eu faço o que eu quero, não se meta.
— Moça ele é seu namorado?
— Não, nem o conheço.
— Pois então, senhor, acho melhor a soltar, se não vai levar uma surra.
— É mesmo, duvido — riu o outro caçador.
— Então lá na rua e resolvemos esse problema.
Meu pai sai da taverna pisando firme. O outro caçador solta minha mãe e o segue. Penso em levantar para ver o meu pai lutando, contudo Leon segura na minha mão.
— Te lembra, nada de interagir. Espera um pouco, que vai ver.
Minutos que pareceu horas a porta da taverna abriu e meu pai entrou e estava com o lábio cortado e foi sentar em seu lugar. Todo mundo na taverna ficou olhando para a porta, contudo ninguém mais entrou. Voltaram a fazer o que estava fazendo antes.
Minha mãe foi até ele e lhe entregou o que pediu. Agradeceu pelo que ele havia feito por ela. Meu pai deu de ombros e começou a comer. Olhei para Leon sem acreditar no que estava acontecendo. Meu pai não estava interessado nenhum pouco em minha mãe. Então ela me surpreende e senta na frente dele e começa a conversar, mas não consigo escutar o que conversam. Meu pai solta um sorriso de lado, para de comer e começa a prestar atenção nela.
Não conseguia acreditar, minha mãe resolveu tomar partido. Ela que começou tudo. Olho para Leon e ele estava apertando as mãos firmemente e não entendi aquela sua reação.
— O que foi?
— Ainda tentando processar tudo. Sei que foi armação da minha mãe, mas ele é casado com ela, então…
— Ah sim, entendi. E agora ficamos aqui observando eles conversando?
— Podemos ir embora se quiser. Só dizer o que quer fazer.
— Vamos sumir aqui no meio de todo mundo?
— Bem lembrado. Vem — levantou da cadeira e o segui.
Caminhamos de novo até o beco que aparecemos. Parou e olhou para mim e sorriu.
— Prontinho, agora só você pode dizer para onde devemos ir?
Agora é a sua vez . Escolha a decisão que a raposinha vai tomar.