Aninhada entre colinas verdejantes e banhada por um rio cristalino, a pacata cidadezinha de Hinode se revela como um verdadeiro oásis de tranquilidade no interior do Japão. Suas ruas estreitas e serenas são ladeadas por casas tradicionais de madeira, adornadas com telhados de telhas de barro que se inclinam suavemente, evocando a estética rústica da cultura local. À noite, lanternas de papel penduradas nos postes iluminam a cidade com um brilho suave, criando uma atmosfera mágica que convida os visitantes a explorar seus encantos. Com uma população de cerca de 5.000 habitantes, a maioria composta por famílias tradicionais e alguns jovens que retornaram após seus estudos nas grandes metrópoles, a vida em Hinode flui em um ritmo mais lento, onde os vizinhos se conhecem e se apoiam, e o tempo parece ter desacelerado.
No coração da cidade, a Praça do Sol Nascente se destaca como um espaço verdejante, adornado por cerejeiras floridas que encantam os visitantes na primavera, quando suas pétalas dançam ao vento. Ao redor da praça, os principais pontos de encontro pulsantes da cidade incluem o Mercado Municipal, onde os aromas e sabores frescos dos produtos locais inundam o ar, e a aconchegante Casa de Chá Haru, um refúgio perfeito para relaxar com uma xícara de chá verde enquanto se observa o movimento sereno da cidade. Hinode também é famosa por seus templos budistas e santuários xintoístas, que se escondem entre as colinas, proporcionando momentos de paz e contemplação aos visitantes. O majestoso Templo Daikoku, com sua imponente estátua de Buda, e o Santuário Fujimi, que oferece uma vista deslumbrante do Monte Fuji, estão entre os locais mais visitados, atraindo aqueles que buscam espiritualidade e beleza natural.
Ao redor da pacata cidade, uma floresta densa e misteriosa se estende por quilômetros, convidando os aventureiros a desbravar seus segredos. Árvores centenárias entrelaçam seus galhos frondosos, criando um dossel verde que bloqueia a luz do sol e lança a floresta em uma penumbra mágica. O ar úmido e fresco é impregnado com o aroma da terra molhada, musgo e folhas em decomposição, conferindo à região uma atmosfera mística e envolvente. Para aqueles que buscam um refúgio da agitação das grandes cidades, Hinode se apresenta como o destino ideal: uma cidadezinha charmosa, onde a tradição se encontra com a natureza, oferecendo uma experiência única de imersão na autêntica cultura japonesa.
Os primeiros raios de sol da manhã espreitam pelas frestas das persianas, projetando longas sombras no quarto de Akane Hiromi. Com um gemido sonolento, ela se vira na cama, lutando para se livrar do emaranhado de lençóis e cobertas. Seus olhos se abrem lentamente, revelando um mundo totalmente singular para uma adolescente de dezesseis anos. As paredes do quarto são adornadas com pôsteres de criaturas misteriosas: o Pé Grande espreitando entre as árvores, o Chupacabras com seus penetrantes olhos vermelhos, e o Monstro de Loch Ness emergindo das profundezas do lago.
Onde normalmente estariam pôsteres de bandas ou celebridades, Akane optou por imagens que alimentam sua fascinação pelo desconhecido. Sobre a escrivaninha, uma pilha caótica de livros aguarda uma exploração mais profunda. Títulos como Criptozoologia para Leigos, Os Mistérios do Mundo Inexplicado e Atlas das Criaturas Lendárias se misturam a obras de ficção científica e fantasia, nutrindo sua mente com histórias de mundos e seres que desafiam a imaginação. Um globo terrestre, diferente de qualquer outro, repousa em uma estante. Alfinetadas coloridas marcam os locais de supostos avistamentos de criaturas enigmáticas: o Triângulo das Bermudas, o Vale da Morte e a Floresta Amazônica.
Akane passa horas explorando esses lugares com a ponta dos dedos, imaginando os segredos que eles guardam. Em um canto do quarto, uma caixa de madeira guarda seus objetos mais preciosos: um mapa antigo manchado de café, um diário surrado repleto de anotações sobre suas pesquisas, e um amuleto de proteção que ela encontrou em um mercado de antiguidades. A caixa também abriga várias fotos de seres macabros que ela ocasionalmente captura com sua polaroid. Cada item possui uma história própria, um fragmento do quebra-cabeça que a jovem está montando sobre o mundo misterioso que a rodeia.
À medida que a luz do sol se intensifica, Akane se levanta da cama e se aproxima da janela. Observando o movimento da cidade lá embaixo, ela se pergunta quais segredos se escondem por trás da fachada mundana. Para ela, o mundo é um lugar mágico, repleto de possibilidades e enigmas esperando para serem desvendados. Com sua mente curiosa e espírito aventureiro, Akane está pronta para embarcar em qualquer jornada que a leve a explorar os mistérios do desconhecido. Com apenas dezesseis anos, Akane Hiromi exibe uma beleza natural e delicada. Sua pele clara, salpicada por sardas sutis, forma um mapa de constelações em seu rosto. Seus longos e lisos cabelos castanhos caem em ondas suaves pelas costas, emoldurando seu semblante angelical. Os grandes olhos cor de mel de Akane são expressivos, refletindo a inteligência e a gentileza que habitam seu interior. Com 1,60m de altura, ela possui um corpo esguio e proporcional, e seus movimentos são graciosos e leves, como se estivesse flutuando. Seu sorriso tímido emana um encanto misterioso, capaz de iluminar qualquer ambiente. Akane se veste com simplicidade, preferindo roupas leves e confortáveis que realçam sua beleza natural.
O aroma de café fresco invade seu quarto, despertando seus sentidos. Com os pés descalços tocando o chão frio de madeira, ela se dirige à cozinha para tomar seu café matinal. Depois, veste seu uniforme escolar tradicional e calça um par de tênis brancos. Pegando sua mochila, Akane sai de casa, pronta para enfrentar o dia. No caminho para a escola, ela se depara com suas amigas de infância, Sakura e Hinata. As três se abraçam com alegria, radiantes com o reencontro. Sakura Fujioka, com seus cabelos curtos e castanho escuro, é a mais extrovertida do grupo. Seus olhos castanhos transbordam energia, e sua voz contagiante anima todos ao seu redor. Em contraste, Hinata Terasaki é mais introvertida e tímida. Seus longos cabelos negros emolduram seu rosto delicado, enquanto seus olhos castanhos expressam uma profunda gentileza — ou, pelo menos, um deles, já que o outro é sempre coberto por uma franja densa. Juntas, as três caminham rumo à escola, conversando e rindo. Akane compartilha seus sonhos e planos para o futuro, enquanto Sakura e Hinata a incentivam com palavras de apoio. A amizade entre elas é um porto seguro, um espaço onde cada uma se sente acolhida e amada.
Ao chegarem à escola, as três se dirigem para suas aulas. Akane se sente feliz e confiante, pronta para enfrentar os desafios do dia com o apoio inabalável de suas amigas. O sinal toca, anunciando o início da aula, e ela se acomoda perto da janela, apreciando a vista do pátio. Sakura e Hinata se sentam logo atrás dela, prontas para mais um dia de aprendizado. As amigas conversam animadamente, compartilhando histórias e fofocas sobre a escola. Akane menciona o novo livro de mistérios que está lendo, enquanto Sakura fala sobre o garoto por quem está apaixonada. Hinata escuta com atenção, sorrindo de vez em quando para as amigas. De repente, a porta da sala se abre, e Kenji entra. Ele é a personificação da popularidade: alto e atlético, com cabelos loiros desgrenhados, olhos verdes e um sorriso cínico nos lábios. Sua presença atrai os olhares de todas as garotas da escola, e seu charme misterioso, combinado a uma aura de bad boy, o torna inacessível para a maioria. No entanto, para Akane, ele é um amigo de infância, alguém que ela conhece desde a infância. Atrás da fachada arrogante de Kenji, Akane sabe que existe um coração de ouro.
O sorriso cínico de Kenji Takahashi ilumina o ambiente enquanto ele se senta ao lado de Akane. Seus olhos verdes penetrantes percorrem a sala, capturando a atenção de todas as garotas presentes. Sakura e Hinata, amigas de infância de Kenji, não resistem a comentar sobre sua aparência. “Nossa, Kenji, você está mais bonito do que o normal hoje!” exclama Sakura, seu sorriso radiante refletindo a empolgação. Hinata concorda, seus olhos brilhando de admiração. “Sim, você está realmente muito charmoso.” Kenji agradece os elogios com um aceno de cabeça, mantendo sua pose arrogante. Ele sabe do efeito que causa nas garotas e se diverte com a atenção que recebe. Akane, no entanto, parece alheia à beleza de Kenji, completamente concentrada em seus livros. Ela está imersa em um mundo de palavras e ideias, distante dos comentários animados das amigas e da presença do popular da escola. Sakura e Hinata se entreolham, intrigadas com a indiferença da amiga. Elas sabem que Akane não é como as outras garotas, que frequentemente se derretem por beleza e popularidade.
“Você não acha o Kenji bonito, Akane?” pergunta Sakura, com um olhar curioso. Akane ergue os olhos dos livros por um momento, franzindo a testa em confusão. “Bonito? Sim, ele é bonito, eu acho. Mas isso não importa muito para mim.” As amigas ficam surpresas com a resposta dela. Estão acostumadas a ver garotas se apaixonando pela aparência de Kenji, e a indiferença de Akane é algo novo e intrigante. “O que importa mais para você, então?” questiona Hinata, com genuína curiosidade. Akane sorri enigmaticamente. “O que importa para mim são as coisas que realmente têm significado. Amizade, família, livros... Coisas que duram mais do que a beleza superficial.” Sakura e Hinata se entreolham novamente, ponderando as palavras de Akane. Elas começam a perceber que sua amiga é diferente das outras garotas, com valores e prioridades singulares. A conversa flui, e Kenji se junta à discussão, intrigado pela visão de mundo da amiga de infância, tão distinta de tudo que ele já viu. Juntas, as amigas debatem sobre diversos assuntos, desde livros e música até filosofia e política.
O dia na escola passou como uma brisa suave, repleto de risadas, discussões e pequenos momentos que Akane guardaria em sua memória. As aulas se sucederam, e ela se perdeu em suas matérias, deixando que os sussurros do conhecimento a envolvessem. Ao longo do dia, Kenji permanecia sempre perto, sua presença era uma constante confortante. Ele a observava, não com a intensidade de um olhar comum, mas com a determinação silenciosa de quem carrega um segredo profundo. Ao final das aulas, as quatro crianças, agora adolescentes, saíram da escola rindo e conversando. Kenji caminhava ao lado de Akane, sua mão quase tocando a dela. Ele hesitava, buscando uma oportunidade que justificasse um toque casual, uma desculpa para sentir sua pele contra a sua. O coração de Kenji pulsava acelerado a cada passo, seu sorriso suave disfarçando a ansiedade que lhe consumia por dentro. "Vamos ao Mercado Municipal antes de irmos para casa?" sugeriu Sakura, com a energia vibrante que sempre a caracterizou. "Preciso comprar alguns doces!" Hinata, um pouco mais reservada, concordou com um aceno tímido, e logo os quatro amigos começaram a andar em direção ao mercado, as conversas flutuando ao redor de temas variados, desde as últimas novidades da escola até os planos para o próximo festival de primavera. Enquanto caminhavam, Kenji tentava disfarçar seu olhar atento em Akane, observando como seus cabelos brilhavam ao sol e como seu riso iluminava o ambiente. Ele lembrava de todos os momentos que passaram juntos desde a infância, de como seu coração sempre acelerava quando ela estava por perto. “Ela é tão especial”, pensou ele, segurando-se ao desejo de dizer a verdade que guardava há tanto tempo.
Chegando ao Mercado Municipal, os cheiros irresistíveis de frutas frescas e doces artesanais os envolviam. Sakura se afastou um pouco para escolher algumas guloseimas, enquanto Hinata e Kenji decidiam que tipo de chá comprar para a casa. Kenji aproveitou a oportunidade para se aproximar de Akane. "Ei, Akane, você quer experimentar esses mochi?" perguntou ele, apontando para uma barraca colorida. Com um sorriso, Akane concordou e os dois caminharam até a barraca, onde Kenji, com um toque delicado, ofereceu um mochi a ela. O simples gesto de suas mãos se tocaram enviou uma onda de calor pelo corpo dele, enquanto Akane mordeu o doce, seus olhos se iluminando de satisfação. "Você é sempre tão generoso, Kenji," disse ela, sem perceber o impacto que suas palavras tinham sobre ele. Após a visita ao mercado, o grupo decidiu retornar para casa. O caminho era tranquilo, ladeado por árvores frondosas que dançavam suavemente com a brisa da tarde. As conversas fluíam de maneira leve, mas Kenji se sentia um pouco distante, perdido em seus próprios pensamentos. Ele queria encontrar o momento certo para abrir seu coração, mas o medo de estragar a amizade o paralisava.
Finalmente, ao chegarem na casa de Akane, o grupo se despediu, cada um seguindo seu caminho. Kenji ficou parado na calçada, observando-a entrar, sentindo uma mistura de alívio e tristeza. Ele sempre desejou estar mais perto dela, mas a barreira invisível que construíra ao longo dos anos o impedia de avançar. Na privacidade de seu quarto, Akane se despediu dos eventos do dia. A luz suave do lampião iluminava as paredes decoradas com suas imagens de criptozoologia, criando um ambiente acolhedor e familiar. Ela tirou o uniforme escolar, trocando-o por um confortável pijama de algodão, enquanto sua mente vagava por tudo o que havia acontecido. Depois de tomar um banho relaxante, Akane se sentou à sua escrivaninha, disposta a anotar algumas ideias para suas pesquisas sobre criaturas míticas. O aroma do chá verde que preparara enchia o ar, enquanto ela refletia sobre seus amigos. “Como é bom ter pessoas como Sakura, Hinata e Kenji na minha vida,” pensou, um sorriso suave se formando em seus lábios. Com o diário aberto diante dela, Akane começou a escrever sobre seu dia, mas sua mente ainda vagava, lembrando-se do jeito que Kenji a olhou, da leveza de seus toques. O pensamento de seu amigo trouxe um calor ao seu coração, uma sensação que ela não conseguia nomear, mas que a deixava intrigada.
Depois de um tempo, ela fechou o diário, apagou a luz e se aconchegou sob as cobertas, o cansaço finalmente se instalando em seu corpo. Enquanto os primeiros sonhos começavam a dançar em sua mente, uma única pergunta persistia: "O que mais poderia haver entre ela e Kenji?" E assim, envolta em mistérios e possibilidades, Akane adormeceu, pronta para enfrentar os enigmas do amanhã.
No quarto da adolescente, a luz da lua prateada entrava pela janela aberta, iluminando suavemente seu rosto enquanto ela dormia. Seus longos cabelos castanhos se espalhavam pelo travesseiro branco, e seus lábios se entreabriam em um sussurro silencioso. Do lado de fora, o clima era fresco e silencioso. A lua cheia reinava no céu escuro, banhando a casa em uma luz suave e etérea. O vento soprava suavemente, carregando consigo o som distante de grilos cantando e do farfalhar das folhas. A rua em frente à casa estava vazia, iluminada apenas por alguns postes de luz que lutavam contra a escuridão.
No silêncio da madrugada, apenas o som da respiração suave de Akane podia ser ouvido. A casa parecia estar em um estado de hibernação, serena e tranquila. De repente, o silêncio da noite foi quebrado por um barulho estranho vindo do lado de fora. O som era abafado, mas suficiente para tirá-la do sono profundo. Seus olhos se abriram lentamente, se ajustando à escuridão do quarto. Akane sentou-se na cama, esfregou os olhos para espantar o sono e prestou atenção ao barulho que persistia lá fora. Seu coração batia forte no peito. "O que poderia ser?" Ela se questionou, tentando identificar o som. Era um raspar, como se algo estivesse se movendo na grama do jardim. Ou talvez um sussurro, como se alguém estivesse falando baixinho. Debatia-se entre o medo e a curiosidade; queria saber o que estava acontecendo, mas também temia o que poderia encontrar. Hesitou por alguns instantes, mas a necessidade de descobrir o que estava acontecendo a dominou. Levantando-se da cama com cuidado, Akane se aproximou da janela e puxou a cortina para trás. A luz da lua banhava o jardim, revelando um vulto escuro parado na grama, de frente para a casa. Ela prendeu a respiração, e o medo a tomou. "Quem é?" "O que quer?" Ela não sabia o que fazer, mas sabia que precisava agir. Com um movimento rápido, puxou sua Polaroid e tirou uma foto da criatura, esquecendo completamente que o flash estava ligado. A luz disparou em direção ao vulto, e, ao perceber a súbita claridade, a criatura virou-se, encarando-a.
Instintivamente, Akane fechou a persiana da janela, cobrindo-se com a escuridão. Seu coração disparava. A câmera escorregou de suas mãos, caindo no chão e rolando para debaixo da cama. O que ela deveria fazer? Chamar a polícia? Gritar pelos pais? Mas como poderia justificar isso sem provas de que havia alguém lá fora que representasse um perigo real? E se fosse apenas um animal? Os olhos daquela criatura brilhavam em um vermelho intenso, e a ideia de fazer uma cena desnecessária a fazia hesitar. Com um movimento ágil e silencioso, a criatura escalou a parede da casa, suas garras afiadas arranhando a superfície de tijolos com um som agudo. Em segundos, ela alcançou a altura da janela do quarto de Akane, seus olhos fixos nos dela. Akane estava paralisada de medo, incapaz de se mover ou gritar. A criatura que agora se equilibrava na borda da janela não era humana. Seus olhos reluziam com um vermelho sinistro na escuridão da noite, e sua pele era pálida como a lua, quase translúcida. Presas afiadas projetavam-se de sua boca, e garras longas cresciam em suas mãos. Orelhas pontudas e um focinho longo se destacavam em sua cabeça, parecendo com as de um lobo branco. Seu corpo nu, magro e musculoso, era coberto por uma pelagem lisa de cor prateada que brilhava sob a luz da lua.
Akane sentiu o frio da noite invadir seu quarto, e a tensão pairava no ar. O que aquela criatura queria? E o que ela deveria fazer agora? Akane ficou paralisada de medo, incapaz de se mover ou gritar. A criatura a observava com um olhar sério, frio e calculista — uma mistura macabra de humano e fera. Seus movimentos eram rápidos e precisos, como os de um predador experiente. O homem-fera se aproximou da janela, seus olhos fixos nos dela. Com um gesto lento e deliberado, afastou as persianas e entrou calmamente no quarto. As orelhas pontudas, inclinadas para frente, denunciavam um humor sério e agressivo. A expressão em seu rosto era uma combinação de curiosidade e surpresa ao perceber que Akane ainda não havia corrido ou gritado. Ele não dizia nada, apenas observava. Akane deu alguns passos para trás, seu corpo implorando por um grito que não saía. Ela estava paralisada, tremendo de medo, enquanto a noite escura envolvia o ambiente, tornando difícil ver a criatura em detalhes.
À medida que a fera se inclinava à sua frente, sua figura se tornava mais clara sob a luz da lua. A lua cheia banhava o quarto com um brilho prateado, enquanto o vento sussurrava entre as folhas das árvores lá fora. Um som baixo e gutural escapou de sua boca, assemelhando-se a um rosnado, ecoando na escuridão. Seus olhos vermelhos brilhavam com uma luz sinistra, e seus dentes afiados eram como adagas, prontos para dilacerar qualquer presa. A criatura parecia se tornar mais animalesca e menos humana à medida que a luz da lua iluminava seu corpo. Conforme se aproximava lentamente de Akane, seus pés poderosos batiam no chão com força, enquanto seus dedos longos e flexíveis caminhavam com sutileza em direção a ela. Seu rosto mantinha uma expressão fria e imperturbável. A garota não conseguia ver seu corpo claramente, apenas a cabeça e os ombros, que estavam mergulhados na escuridão do quarto. Sua pelagem branca e macia cobria-o por inteiro, quase refletindo a luz da lua como um espectro. "Quem é você?" Akane conseguiu perguntar, sua voz trêmula traindo seu medo. A criatura não respondeu, apenas se inclinou ainda mais, seus olhos brilhantes fixados nos dela, imperturbáveis e calmos. Ele avançou um passo, e então outro, até que estava tão perto que Akane pôde ver cada detalhe do brilho maligno em seus olhos. Ela engoliu seco, a saliva presa na garganta, e pensou em gritar, mas, num movimento rápido, ele tampou sua boca com uma das mãos grandes, fazendo-a sentir a textura fria de sua pele.
Os dedos da criatura eram longos e musculosos, e Akane pôde ver em detalhes o tamanho de suas garras, que pareciam prontas para perfurar a carne. Ele mantinha os olhos trancados nos dela, um olhar calmo que contrastava com o pavor que a invadia. O que era aquela coisa? Um lobisomem? A ideia parecia absurda, mas à medida que o medo a envolvia, a possibilidade se tornava cada vez mais real. O silêncio na sala era ensurdecedor, e a tensão estava palpável. Akane sentia o coração pulsar em seu peito, lutando contra a paralisia que a dominava. O que ele queria? Qual era o propósito daquela visita aterrorizante? As perguntas se acumulavam em sua mente, mas as respostas pareciam tão distantes quanto as estrelas no céu escuro.
A criatura se aproximou, seu rosto tão perto de Akane que ela pôde sentir a respiração gelada dele. Ele começou a farejar seu corpo como um cachorro, encostando seu focinho gelado nos peitos dela. Akane o encarou, confusa e assustada, sem entender o que estava acontecendo. Ele pressionou ainda mais seu corpo contra a parede, e o coração dela disparou, pulsando forte como se estivesse prestes a saltar da garganta. Uma única pergunta ecoava em sua mente: “Eu vou morrer?” “Vou soltar sua boca lentamente. Não grite,” disse a criatura com uma voz calma, mas autoritária. A jovem acenou lentamente com a cabeça, os olhos fixos nos dele, sentindo a intensidade do olhar penetrante que a analisava. Ele usava aquele momento para estudar cada detalhe do seu corpo, a expressão fria no rosto contrastando com a curiosidade que emanava de sua presença. “Por favor, não me machuque,” ela implorou, a voz um sussurro trêmulo. Ele se afastou um pouco, como se quisesse dar a impressão de que não tinha intenção de feri-la. Seus olhos permaneciam fixos nos dela, refletindo um mix de consideração e curiosidade. Então, seu tom tornou-se ligeiramente mais suave, embora ainda frio. “Por que você acha que eu machucaria você, garotinha?” ele perguntou, segurando o queixo dela com uma delicadeza inesperada.
“Eu... eu não sei. Porque você não é humano... e entrou no meu quarto durante a madrugada?” A sinceridade de Akane transpareceu, sua respiração pesada sussurrando as palavras. “Vocês... humanos... têm muita facilidade em julgar pela aparência,” ele respondeu, uma frustração evidente em sua voz, mas esforçando-se para manter um tom suave. “Seu cheiro... seu cheiro me trouxe até aqui... ele é... familiar para mim.” “Um cheiro... familiar?” Ela repetiu, a confusão clara em seus olhos. “Sim.” A frustração crescia em seu olhar penetrante. “Você tem um cheiro bom. É como se me lembrasse de alguém. E sua aparência... é idêntica a essa pessoa.” “Mas, do que você está falando? Quem é você?” Akane perguntou, os olhos arregalados de medo, seu corpo magro tremendo enquanto a criatura a pressionava contra a parede.
Ele não respondeu, deixando uma pesada tensão no ar. Frustrado e pensativo, ele se afastou lentamente dela, dando uma última olhada antes de se retirar. Com um salto ágil, ele desapareceu pela janela, a noite engolindo sua figura sombria. O silêncio retornou ao quarto, quebrado apenas pelo som dos pulmões de Akane, que trabalhavam em respirações pesadas de pânico. O coração ainda pulsava acelerado, cada batimento ecoando em sua mente. “Isso foi um sonho?” ela se questionou, a dúvida se infiltrando em seu pensamento enquanto a escuridão da noite envolvia seu ser, tornando o interior da jovem tão quieto e sombrio quanto o mundo exterior. O silêncio se instalou novamente no quarto de Akane, e a jovem se permitiu respirar profundamente, tentando recuperar a calma. A luz da lua, antes tranquilizadora, agora parecia um lembrete da estranha e aterrorizante presença que acabara de invadir seu espaço. O eco da experiência ainda reverberava em sua mente, uma mistura de medo e confusão que a mantinha alerta.
Akane se sentou na beirada da cama, olhando fixamente para a janela pela qual a criatura havia desaparecido. As sombras dançavam no quarto, e a noite parecia ter se alongado. Ela se perguntou se estava sonhando, se tudo aquilo não passava de um delírio causado pelo cansaço ou pela imaginação fértil de uma garota fascinada por criptozoologia. Mas a sensação das garras frias em sua pele e os olhos vermelhos que a estudaram a fizeram perceber que não era um sonho; era uma realidade surreal e desconcertante. A jovem decidiu que precisava se distrair. Levantou-se e começou a procurar pela câmera que deixara cair. Enfiou a mão debaixo da cama e encontrou a Polaroid, o coração acelerando com a expectativa de descobrir se havia capturado a figura enigmática. O clique da câmera pareceu ecoar na solidão do quarto. Com as mãos trêmulas, Akane examinou a foto, mas o que encontrou a deixou ainda mais intrigada. A imagem capturava apenas uma sombra indistinta, uma mancha escura onde antes estava a criatura. Era como se o próprio ato de fotografá-la tivesse permitido que ela desaparecesse, se misturando com a escuridão da noite.
“Por que eu não consegui vê-lo claramente?” Akane murmurou para si mesma, frustrada. Aquela figura misteriosa tinha algo de familiar, algo que a perturbava. O que o ser dissera sobre seu cheiro e a comparação com alguém que ele conhecia apenas aumentava seu desassossego. E quem poderia ser essa pessoa que a criatura mencionou? Aquela revelação pairava no ar, pesada e cheia de perguntas sem resposta. Com o coração ainda acelerado e a mente agitada, Akane decidiu que precisava de um pouco de conforto. Vestiu um roupão de lã e saiu do quarto, descendo as escadas em silêncio. A casa estava tão tranquila quanto antes, e ela se dirigiu à cozinha para preparar uma xícara de chá. O calor da água fervente e o aroma do chá de camomila ajudaram a acalmar seus nervos, e ela se sentou à mesa, refletindo sobre tudo o que havia acontecido.
Enquanto o vapor subia da caneca, Akane lembrou-se de seus amigos — Kenji, Hinata e Sakura — e da segurança que sempre sentiu na companhia deles. Kenji, com seu jeito protetor, sempre estava lá para apoiá-la; Hinata, com sua presença calma e confiante, a fazia sentir que tudo ficaria bem; e Sakura, com sua energia vibrante, iluminava até os dias mais sombrios. Agora, mais do que nunca, Akane queria estar com eles. Depois de tomar seu chá, ela decidiu que, pela manhã, contaria a Kenji sobre a criatura. Ele sempre a ouvia com atenção, e tinha uma habilidade única de acalmá-la. Akane sentia que precisava compartilhar sua experiência, não apenas para aliviar seu próprio medo, mas também para ver como seus amigos reagiriam a uma situação tão surreal. Era uma questão de segurança, mas também de buscar respostas. De volta ao quarto, Akane se acomodou sob as cobertas novamente, mas a ansiedade ainda a mantinha acordada. Ela olhou para a janela, onde a lua cheia continuava a brilhar, como uma guardiã silenciosa de segredos e mistérios. O sussurro do vento parecia chamar por ela, e a ideia de que havia algo mais no mundo, algo além do que seus olhos podiam ver, a deixou intrigada. Com a mente cheia de pensamentos e possibilidades, Akane finalmente se deixou levar pelo sono, determinada a descobrir a verdade sobre a criatura que a visitara. O dia seguinte prometia respostas, e ela estava pronta para enfrentá-las, com seus amigos ao seu lado. A lua cheia iluminava seu caminho, e na escuridão da noite, uma nova jornada estava prestes a começar.
O sol da manhã mal havia tocado o horizonte quando Akane, com os olhos cansados e a expressão carregada de preocupação, entrou na biblioteca da escola. O silêncio do local era apenas quebrado pelo leve roçar de suas roupas e pelo farfalhar das páginas dos livros que ela folheava freneticamente. Seus dedos, pálidos e marcados pelas noites mal dormidas, percorriam as lombadas empoeiradas dos volumes em busca de respostas. A cada título que lia — "Criaturas Mitológicas do Japão", "Lendas e Monstros do Mundo", "O Bestiário Medieval" — a frustração crescia em seu peito. Nenhum deles parecia conter o que ela tanto procurava.
Akane finalmente se deixou cair em uma mesa ao canto da biblioteca, a pilha de livros rejeitados crescendo ao seu lado como uma representação física de sua desilusão. A imagem do homem-fera, com seus olhos vermelhos penetrantes e suas garras afiadas, assombrava sua mente. “O que era aquela criatura que invadiu meu quarto à noite? Como posso me proteger se ela voltar?” Essas perguntas giravam como um redemoinho em sua cabeça, intensificando o medo que a consumia. De repente, a porta da biblioteca se abriu com um rangido suave, e Sakura e Hinata entraram, seus rostos animados pela manhã ensolarada contrastando com a atmosfera sombria que emanava de Akane. As duas amigas haviam procurado por ela a manhã inteira, e a preocupação crescia a cada minuto que passava. Ao avistá-la sentada sozinha em uma mesa, cercada por uma pilha de livros sobre criaturas místicas, os corações delas afundaram. “Akane!” Sakura exclamou, tentando quebrar a tensão. “Você está levando esse lance de ler sobre monstros a sério, hein? Cuidado para não virar uma caçadora de mistérios!” Apesar da tentativa de humor, sua voz tinha um tom de preocupação subjacente. Hinata, mais perspicaz, observou o olhar frio e distante da amiga. Ela sabia que algo sério havia acontecido. Com um gesto gentil, sentou-se ao lado de Akane e colocou a mão sobre seu ombro, oferecendo um conforto silencioso. “Akane, o que foi? Você está com uma cara péssima. Aconteceu alguma coisa?”
Akane hesitou, a mente fervilhando com os detalhes da noite anterior, como se cada palavra fosse um fardo. Ela estava à beira de um colapso emocional, a tensão crescendo em seu peito. Finalmente, as palavras começaram a fluir. “Eu… eu não consigo parar de pensar na criatura. Ela entrou no meu quarto, e seus olhos… eram vermelhos, e suas garras… pareciam prontas para me atacar. Eu pensei que ia morrer.” Sakura franziu a testa, sua expressão mudando de brincadeira para seriedade instantaneamente. “Uma criatura? Do que você está falando, Akane?” “Era como um lobisomem,” Akane explicou, a voz trêmula. O horror da história de Akane se espalhou como tinta em aquarela sobre um papel branco, tingindo os rostos de Sakura e Hinata com nuances de medo e preocupação. Os olhos de Sakura, geralmente radiantes como o sol nascente, se arregalaram com espanto, enquanto Hinata, com sua natureza serena, ofereceu um porto seguro de conforto e apoio em meio à tempestade de emoções que assolava o trio. Um manto de silêncio cobriu a mesa da biblioteca, enquanto cada uma mergulhava em seus próprios pensamentos, absorvendo a gravidade do que havia sido revelado. “Eu nunca vi nada assim. Eu pesquisei a noite toda, mas não encontrei nada que se comparasse a isso. Eu só… eu só preciso entender o que foi e como me proteger.” Hinata, agora mais preocupada, apertou o ombro de Akane com suavidade. “Você não está sozinha nisso. Nós vamos descobrir o que aconteceu. Não precisa enfrentar isso sozinha.” Sakura, embora apreensiva, ofereceu um sorriso encorajador. “Sim! Vamos juntas! Temos um monte de recursos e amigos que podem ajudar. Não é preciso entrar em pânico.” Akane olhou para suas amigas, sentindo um pequeno fio de esperança se formando em seu coração. “Obrigada, meninas. Não sei o que faria sem vocês.”
A mente de Akane girava em torno da criatura, tentando encaixá-la em algum bestiário, em algum conto de fadas macabro. "Você acha que era um lobisomem?" perguntou Hinata, sua voz um sussurro quase imperceptível, como se temesse que qualquer som mais alto pudesse quebrar a fragilidade da situação. Akane negou com a cabeça, ainda abalada pelo terrível encontro. "Eu não sei," ela respondeu, a voz carregada de incerteza e medo. "Eu não consegui ver ele claramente, mas uma coisa eu sei: não era humano." Um novo silêncio se instalou, pesado e opressor, enquanto a pergunta de Hinata pairava no ar como um fantasma: o que fazer agora? A incredulidade que cercava a história de Akane era uma névoa que obscurecia a verdade e dificultava a busca por soluções. O peso da realidade a envolvia, e cada uma das amigas se sentia impotente diante da situação. De repente, um raio de esperança cortou a escuridão que as cercava. Akane se lembrou da foto que tirara da criatura, uma lembrança pálida e embaçada capturada em meio ao terror. "Eu tirei uma foto dele!" exclamou, as palavras saindo com um misto de alívio e urgência. Ela começou a vasculhar freneticamente o bolso em busca do pequeno retângulo de papel.
Sakura e Hinata se aglomeraram em torno dela, seus olhos brilhando com expectativa, como se aquele pequeno pedaço de papel pudesse conter as respostas que tanto buscavam. Finalmente, Akane ergueu a foto, revelando a silhueta indistinta da criatura, com seus olhos vermelhos como brasas brilhando na escuridão. "Isso é uma prova!" disse Hinata, um sorriso tímido esboçando em seus lábios, um feixe de luz em meio à incerteza. Sakura, ainda cética, examinou a imagem com atenção, sua expressão tornando-se crítica. "Uma prova? Sei não, Hinata, isso parece mais um borrão," disse ela, a incredulidade tingindo sua voz, mas mesmo assim, um toque de preocupação começou a se instalar em seu olhar. Com lágrimas nos olhos, Akane abraçou as amigas, a emoção transbordando. "Eu estou com medo, meninas," confessou ela, sua voz fraca e vacilante, como se cada palavra estivesse carregando o peso de suas noites de insônia e angústia. O abraço das amigas foi um bálsamo, um momento de conforto que a ajudou a enfrentar a tempestade dentro de si. Sakura, com a bravura que lhe era característica, apertou o abraço, sentindo a vulnerabilidade de Akane. "Não se preocupe, Akane. Enquanto estivermos juntas, nada de ruim vai acontecer com você." A determinação na voz de Sakura ecoou como um juramento, um laço inquebrantável entre as três. Unidas, as três amigas enfrentavam o desconhecido, guiadas pela força da amizade e pela esperança de encontrar a verdade por trás da criatura da noite. Com cada passo que davam, a luz da manhã parecia brilhar um pouco mais forte, como se a própria natureza estivesse apoiando sua busca por respostas.
A semana se passou, mas o peso da experiência que Akane teve ainda pairava sobre seus ombros como uma sombra persistente. Naquela manhã ensolarada, ela e suas amigas caminhavam em direção à sala de aula, o som dos passos ecoando pelo corredor quase vazio. Os raios de sol filtravam-se pelas janelas, iluminando o ambiente de forma suave, mas a luz não conseguia dissipar completamente as nuvens que se formavam em sua mente. Akane caminhava um passo atrás de Sakura e Hinata, tentando absorver a conversa leve e divertida das duas. A alegria que emanava delas era um bálsamo, mas não conseguia afastar a lembrança da criatura. A imagem dos olhos vermelhos e garras afiadas ainda assombrava seus sonhos, tornando suas noites longas e atormentadas. “Oi, Akane! Está tudo bem?” Kenji perguntou, ao vê-la entrar na sala de aula. Ele estava sentado em sua mesa, a expressão amigável, mas Akane percebeu uma leve preocupação em seus olhos verdes. “Sim, claro,” ela respondeu, forçando um sorriso. “Só um pouco cansada, sabe como é.” A verdade era que a lembrança da criatura não a deixava em paz, mas ela não queria preocupar seus amigos com isso.
Sakura, percebendo a hesitação de Akane, decidiu mudar de assunto. “Ei, pessoal! Ouvi que vai ter um festival da lua no ano que vem. Deveríamos ir! O que acham?” Ela disse isso com entusiasmo, seus olhos brilhando com a ideia. “Isso parece divertido!” Hinata concordou, seu rosto se iluminando. “Podemos dançar e nos divertir um pouco. Você deve vir também, Akane!” “Claro, por que não?” Akane respondeu, tentando manter a animação na voz. No fundo, uma parte dela queria se envolver e esquecer, mesmo que por um momento, o que a assombrava. Enquanto a conversa fluía, Akane tentava se concentrar na animação de suas amigas e nas promessas de diversão que o festival traria. Contudo, mesmo entre risadas e planos, a lembrança da criatura ainda a assombrava. “E se ela voltar?” a pergunta silenciosa reverberava em sua mente, mas ela decidiu guardar essa preocupação para si mesma, pelo menos por enquanto. O professor entrou na sala e chamou a atenção de todos, mas, por um breve momento, Akane sentiu-se grata por ter a companhia de seus amigos. Em meio ao caos de seus pensamentos, a amizade delas era uma âncora que a mantinha firme, e, enquanto a aula começava, ela fez uma promessa silenciosa: iria se esforçar para aproveitar cada momento com elas, mesmo que a escuridão da noite anterior ainda estivesse à espreita.