“Deixa o Taishou em paz!” Os gritos enfurecidos de Kenji ecoaram pela floresta enquanto ele esvaziava sua magnum, disparando cada bala de prata do tambor. Caspian, com sua agilidade incrível, conseguiu desviar de cada tiro, exceto um que raspou seu braço, causando-lhe uma dor intensa. Um sangramento começou, e ele imediatamente identificou o material. "B-balas de prata?" Caspian arquejou, segurando o braço ferido. "Inteligente, humano." Ele lançou um olhar divertido para Kenji. A lua cheia se aproximava do seu ápice, à meia-noite se aproximando! Os lobos brancos que acompanhavam Caspian uivaram todos juntos para a lua. Caspian olhou para Kenji e para Taishou, uma risada divertida escapando de seus lábios. "Agora, a brincadeira acabou." Enquanto os últimos ecos da risada de Caspian desapareciam na noite, um silêncio estranho tomou conta da clareira. A tensão era palpável, o ar pesado de expectativa. Os lobos, seus olhos brilhando sob o luar, ficaram em posição, prontos para defender seu mestre. Sob o olhar vigilante da lua cheia, uma transformação profunda começou a agitar o próprio ser de Caspian. Sua forma humana, antes um receptáculo de força e agilidade, começou a tremer e se contorcer sob a influência da luz celestial.
Uma onda de energia primal percorreu suas veias, acendendo um fogo em sua alma. Seus ossos começaram a estalar e se romper à medida que se moldavam, transformando-se em uma poderosa estrutura lupina. Músculos ondularam sob a pele, transformando-se em grossas placas de tendões. Suas mãos, antes humanas, alongaram-se e afiaram-se em garras formidáveis, capazes de rasgar carne e osso com facilidade. Suas orelhas alongaram-se, tornando-se pontudas e sensíveis, sintonizadas com os sons mais sutis da noite. Uma espessa pelagem brotou de sua pele, tornando-se mais densa e áspera a cada momento. A cor do pelo era um branco hipnotizante, tão puro que beirava a prata, refletindo o luar como um banco de neve cintilante. Seus olhos, antes humanos e expressivos, passaram por uma transformação dramática. As íris brilharam com uma luz vermelha misteriosa que cortava a escuridão, como brasas ardendo em sua alma. As pupilas alongaram-se, tornando-se fendas verticais como as de um predador na caça. À medida que os últimos vestígios de sua forma humana desapareciam, Caspian ergueu-se diante do mundo como um lobisomem magnífico, uma criatura de força pura e poder indomável. Sua presença exigia respeito, seu olhar infundia medo no coração de quem ousasse cruzar seu caminho.
Com um uivo poderoso que ecoou pela floresta, Caspian iria reivindicar seu lugar como o alfa da noite, um protetor da natureza e uma força a ser temida. O luar banhava-o com seu brilho etéreo, lançando uma aura sobrenatural em torno do lobo transformado. Daquele momento em diante, Caspian não era mais apenas um homem; ele era a personificação do lobo, uma criatura de instinto, poder e beleza primordial. Ele era um protetor da noite, um guardião da natureza e um símbolo do espírito selvagem que habitava o coração de todos os seres vivos. A pureza do pelo branco de Caspian era um testamento de sua profunda conexão com a natureza. Era um símbolo de sua habilidade de coexistir com a vida selvagem sem causar dano, de caminhar em harmonia com o delicado equilíbrio da floresta. Seus olhos vermelhos, ardendo com fogo interior, representavam o poder selvagem que percorria suas veias, um poder que ele empunhava com respeito e responsabilidade. Enquanto Caspian permanecia sob a lua, seu pelo branco brilhando como um farol na noite, ele era um lembrete de que mesmo as criaturas mais poderosas podiam possuir uma alma gentil. Ele era um símbolo de esperança, uma promessa de que mesmo nas noites mais escuras, poderia haver beleza e luz.
Em meio ao caos do campo de batalha, enquanto Caspian se erguia transformado em sua magnífica forma lupina, um farol de pureza em meio à escuridão, surgiu um contraste gritante. Taishou, antes um homem humano, começou a sofrer sua própria transformação, seu corpo se contorcendo e se moldando em um lobisomem. No entanto, ao contrário do pelo branco imaculado de Caspian, a pelagem de Taishou era negra como a noite, um tom sombrio e assombroso que refletia as profundezas de sua alma. Essa transformação representava o forte contraste entre os dois caminhos, um lembrete cruel das escolhas que ele havia feito. Ao testemunhar a transformação de Taishou, uma onda de repulsa tomou conta de Caspian. Sua voz ecoou pelo campo de batalha, cortando o barulho da luta como uma lâmina afiada. "Quantos humanos você devorou para chegar a este estado lamentável, Christian?" ele trovejou, suas palavras cheias de desdém. "Você deveria ter vergonha de si mesmo. Um verdadeiro alfa coexiste com a natureza, não a destroi!"
Taishou, com o coração pesado de arrependimento, tentou explicar sua situação. Ele implorou a Caspian, garantindo-lhe que já foi um lobo branco, puro e gentil como ele. No entanto, ao tentar reativar sua besta adormecida, um erro foi cometido, e ele inadvertidamente consumiu sangue humano. Isso contaminou sua essência, transformando-o na criatura monstruosa que era agora, uma besta movida por fome insaciável e sede de sangue. Caspian, no entanto, permaneceu impassível diante dos apelos de Taishou. Ele se recusou a acreditar em suas palavras, convencido de que sua transformação era apenas o culminar de seus pecados e atrocidades passadas. Para ele, Demétrio, o nome que Taishou carregava como lobo, era apenas mais uma vítima de sua busca incessante por poder e prazer. “Eu vou queimar os seus pecados, Christian!” Caspian disse, rugindo para a lua, seus companheiros imitando seu movimento. Um uivo uníssono invadiu o campo de batalha. Kenji, com o rosto contorcido em uma careta de raiva, recarregou a arma, seus olhos disparando entre Caspian e Taishou. Taishou, sua expressão uma mistura de medo e determinação, olhou para a lua, e depois para Caspian. A luta se iniciou com Caspian atacando Taishou, Kenji disparou em direção ao lobo branco, mas ele desviou.
“Não interfira em nossa batalha, humano, isso é uma luta entre dois seres sobrenaturais opostos, o bem e o mal”. Caspian rugiu. Ignorando Taishou, e avançando em direção a Kenji. Com uma velocidade incrível, ele já estava a poucos centímetros de distância de Kenji, ele deu um golpe certeiro na Magnum 357, e o cano da arma partiu em dois. E na mesma velocidade impressionante, Caspian joga Kenji a vários metros de distância com seu poder ancestral. Kenji voou no ar, e bateu suas costas em um pinheiro solitário. Cuspindo um pouco de sangue no processo. Taishou correu para ajudar Kenji, mas Caspian o segurou com força. "Você não vai a lugar nenhum," ele rosnou. "Chegou a hora de você pagar por seus crimes." A batalha continuou, o choque das presas e os rosnados dos lobos enchiam o ar. Mas em meio ao caos, uma tragédia profunda se desenrolava. Taishou, antes um homem de força e espírito, era agora uma criatura das trevas, eternamente atormentada pelas consequências de suas escolhas. Seus pedidos de compreensão caíram em ouvidos surdos, suas palavras perdidas no rugido ensurdecedor da batalha. Enquanto a lua lançava seu brilho pálido sobre o campo de batalha, Taishou permanecia sozinha, uma figura solitária em meio à carnificina. Sua pele negra brilhava sob o luar, um lembrete cruel de sua descida à escuridão. O peso de seus pecados o pressionava fortemente, um fardo que ele suportaria pelo resto de sua existência. A lua cheia banhava a cena com uma luz prateada, intensificando a aura selvagem que emanava dos dois lobisomens. Caspian, com seu pelo branco como a neve mais pura, rosnava baixo, um som gutural que parecia vir das profundezas da terra. Taishou, igualmente imponente em sua forma lupina, o lobo negro, mantinha-se firme, os olhos brilhando com uma determinação feroz.
Caspian atacou primeiro, lançando-se sobre Taishou com uma velocidade surpreendente. Suas garras cortavam o ar, buscando o pescoço do adversário. Taishou desviou por pouco, sentindo o vento frio das garras passar por sua pele. Ele contra-atacou, suas próprias garras mirando o flanco de Caspian, mas o outro era ágil, esquivando-se com uma graça quase sobrenatural. Kenji, percebendo o perigo que corria, começou a correr, desviando-se dos golpes poderosos que os lobisomens trocavam. A neve ao redor era revolvida, marcada pelas pegadas pesadas dos combatentes. O som de seus passos era abafado pelo uivo dos ventos e pelo estrondo da luta feroz. Caspian e Taishou estavam agora trancados em um impasse, suas mandíbulas cerradas uma contra a outra. A força deles era tal que a neve ao redor começava a derreter, transformando-se em vapor que subia ao encontro da luz da lua. Kenji, ofegante, encontrou abrigo atrás de uma árvore caída, observando a luta com o coração batendo a mil. De repente, Taishou encontrou uma abertura. Com um movimento rápido, ele se libertou da presa de Caspian e atingiu o lado do adversário com suas garras. Caspian recuou, um rosnado de dor escapando de seus lábios. Mas ele não estava derrotado; com um salto ágil, ele voltou à luta, seus olhos ardendo com uma fúria renovada.
A luta continuou, cada movimento uma dança mortal de instintos e poder bruto. Kenji sabia que não podia intervir; ele era apenas um humano em meio a uma batalha de titãs. Tudo o que podia fazer era esperar e torcer para que Taishou saísse vitorioso. O cenário ao redor dos personagens é um vasto e desolado campo de neve, estendendo-se até onde a vista alcança. A luz da lua cheia reflete sobre a superfície branca e imaculada, dando-lhe um brilho etéreo. Grandes pinheiros cercam a área, suas agulhas cobertas de neve, formando silhuetas escuras contra o céu noturno. Árvores caídas e troncos pontilham a paisagem, testemunhas silenciosas das batalhas passadas e do poder implacável da natureza. O ar está frio e claro, e cada respiração se transforma em uma nuvem de vapor que se dissipa rapidamente no ar gelado.
Rochas cobertas de musgo e gelo emergem aqui e ali, criando um terreno irregular e perigoso. Em alguns lugares, a neve está manchada de vermelho, um lembrete sombrio do conflito entre os lobisomens. O vento uiva através dos galhos, criando um coro fantasmagórico que parece lamentar a violência desencadeada sob a lua cheia. No centro desse cenário, a batalha entre Caspian e Taishou se desenrola com fúria selvagem, enquanto Kenji busca refúgio, sua presença quase insignificante diante da imensidão da natureza e do embate sobrenatural à sua frente. Caspian e Taishou, ambos transformados em suas formas de lobisomem, exibem as marcas brutais de seu confronto selvagem. Caspian, com seu pelo branco como a neve, tem arranhões profundos ao longo de seu flanco esquerdo, onde as garras de Taishou encontraram sua pele. Um de seus olhos está parcialmente fechado, inchado pelo impacto de um golpe direto. Pequenas gotas de sangue escuro mancham a neve ao seu redor, evidência das feridas que ainda não cicatrizaram.
Taishou, por sua vez, não está sem seus próprios danos. Uma mordida feroz deixou um conjunto de marcas profundas em seu ombro, o pelo ao redor manchado com sangue que brilha sob a luz da lua. Seu rosnar é interrompido por momentos de ofegância, sinalizando uma possível costela fraturada. Apesar da dor evidente, seus olhos permanecem focados e determinados, recusando-se a ceder diante de Caspian. Ambos os combatentes estão ofegantes, o vapor de sua respiração misturando-se com o ar frio da noite, enquanto se preparam para continuar a luta, cada um carregando as cicatrizes do embate como um testemunho de sua ferocidade e vontade de sobreviver. A batalha entre Taishou e Caspian atingiu um ponto crítico. Taishou, embora feroz e determinado, começava a ceder sob o peso dos ataques incessantes de Caspian. Com cada golpe que Caspian desferia, a esperança de vitória de Taishou minguava, e ele sentia a força de seu corpo sendo drenada.
Kenji, escondido atrás do tronco caído, sentia o medo e o pânico se apoderarem dele. Seu coração batia descompassado, e suas mãos tremiam com a terrível possibilidade de perder seu melhor amigo. A Magnum, inútil, quebrada e caída na neve ao lado dele. Ele queria gritar, correr para o campo de batalha, fazer qualquer coisa para salvar Taishou, mas a realidade cruel o mantinha paralisado. Caspian, agora com a vantagem, ergueu Taishou pelo pescoço, preparando-se para o golpe final. Taishou, com os olhos embaçados pela dor e exaustão, viu a morte se aproximando. Mas então, algo extraordinário aconteceu. Uma luz brilhante começou a emanar do corpo de Taishou, uma aura negra que pulsava com uma energia antiga e poderosa. Caspian hesitou, surpreso pela súbita mudança. A luz cresceu mais intensa, e uma figura etérea começou a se formar ao redor de Taishou. Era Demétrio, o alfa verdadeiro, cuja presença dominava a cena com uma majestade silenciosa. A voz de Demétrio soou, profunda e ressonante, enchendo o ar frio da noite. "Caspian," ele disse, "você fez muito bem, mas eu assumo daqui…" A alma de Demétrio olhou para Taishou com desaprovação. "Você testou minha paciência até o limite Christian, você é fraco. Não merece o título de alfa, eu vou tomar seu corpo para mim, e me erguer novamente como o verdadeiro e único alfa!"
A batalha entre Taishou e Caspian havia cessado abruptamente com a aparição da alma de Demétrio. Agora, uma luta interna consumia Taishou, enquanto ele enfrentava o espírito de Demétrio que buscava dominá-lo. Demétrio, cuja presença agora habitava dentro de Taishou, clamava pelo retorno da alcateia à sua antiga glória. Ele via em Kenji, seu filho, a chave para esse renascimento. Com uma força de vontade que transcendia o reino dos vivos, Demétrio impelia Taishou a esquecer Caspian e a se voltar contra Kenji, exigindo que o jovem se unisse à alcateia. Taishou, no entanto, resistia com todas as fibras de seu ser. *Não!", ele rugia internamente, "Não posso permitir que você faça isso, Demétrio. Kenji é meu amigo, meu irmão. Não vou traí-lo e não vou amaldiçoá-lo!". A batalha mental era tão feroz quanto a física, com Taishou lutando para manter sua própria vontade contra a imposição do alfa caído. Caspian, observando a cena, estava imerso em confusão. A postura de Taishou havia mudado; seu corpo estava tenso, mas não mais em posição de ataque contra ele. Em vez disso, Taishou parecia angustiado, dividido entre dois mundos. "Será que Demétrio está controlando Christian?", Caspian se perguntava, a dúvida começando a se infiltrar em sua mente. "Será que ele está quebrando o maior juramento da nossa alcateia?" A revelação de que Demétrio poderia estar forçando o recrutamento de Kenji, algo proibido pelos princípios ancestrais da alcateia, fez Caspian reconsiderar as ações de Taishou. Talvez, afinal, Taishou estivesse certo ao confrontar Demétrio. Talvez ele realmente estivesse protegendo a alcateia de um destino pior.
"Christian...", Caspian começou, sua voz incerta pela primeira vez, "Se Demétrio está tentando forçar um humano a se juntar a nós, então ele está errado. Nossa alcateia nunca foi construída sobre a coerção. Você... você pode ter razão." A luta interna de Taishou continuava, mas agora ele sabia que não estava sozinho. Caspian, o lobisomem que ele pensava ser seu inimigo, poderia se tornar seu aliado inesperado na luta contra a tirania de Demétrio. Dentro da mente de Taishou, uma batalha feroz se desenrolava, uma luta pela alma e pela liberdade. Demétrio, o alfa caído, buscava impor sua vontade, tentando forçar Taishou a submeter Kenji à alcateia contra sua vontade. Taishou estava cercado pela escuridão, um vazio que pulsava com a presença opressora de Demétrio. "Você não pode me controlar!", Taishou rugia, sua voz ecoando no abismo de sua consciência. "Eu não vou me tornar uma marionete!" Demétrio, por sua vez, era uma tempestade de energia, uma força que buscava dominar e consumir. "Kenji pertence à alcateia," ele insistia, sua voz como trovão. "Ele deve aceitar seu destino!" “e você, Christian,” Demétrio rosnou. “Deveria sentir vergonha de tentar tocar meu filho intimamente!” A atmosfera estava carregada de tensão, o ar pesado com o peso das palavras não ditas e dos sentimentos reprimidos. Demétrio, com os olhos flamejantes de raiva e desgosto, encarava Taishou, cuja postura impassível escondia uma tempestade de emoções.
“Eu tenho nojo de seres como vocês!” Demétrio cuspiu as palavras como se fossem veneno, sua voz um rosnado baixo que reverberava pelas planícies de gelo. “Vocês são uma mancha na pureza da nossa linhagem!” Taishou, por outro lado, manteve a calma, embora cada palavra de Demétrio fosse como uma lâmina afiada tentando cortar a ligação entre ele e seu filho. “Demétrio,” ele começou, sua voz firme, mas não sem calor, “você está sendo cruel. Kenji é seu filho. O amor de um pai não deveria ter condições.” “Cale-se, Christian, como você ousa confundir a cabeça do meu filho com essas, nojeiras?” Os dois lobisomens estavam frente a frente, a tensão entre eles era tão palpável que parecia uma terceira presença no campo de batalha. Era uma batalha de vontades, uma luta interna onde o amor e o ódio colidem com a força de dois titãs. E no centro de tudo, Kenji, o filho adotivo de Demétrio, que apenas desejava ser aceito por quem ele era, observava, esperando que o amor prevalecesse sobre o preconceito.
Enquanto isso, no mundo físico, Kenji lutava contra o destino que Demétrio queria impor. Ele corria pela neve, cada passo um esforço para se afastar da sombra de um legado que não desejava. O medo o impulsionava, mas também uma determinação férrea. "Eu não sou uma peça em seu jogo," ele sussurrava para si mesmo, “Eu escolho meu próprio caminho." “Eu escolho quem eu vou ser, e quem eu vou amar!” Kenji dizia enquanto desviava e corria dos golpes certeiros do lobo negro, a voz de Demétrio rugia como trovão. “Fique quieto, seu moleque fraco. Eu estou querendo o que é melhor para você!” Quem sabe com meu ser maligno dentro de ti, você não pare com essas viadagens?” Caspian observava, a confusão dando lugar a uma compreensão relutante. Ele via a luta de Taishou, não apenas contra ele, mas contra o próprio Demétrio. E ele percebia que a verdadeira força de um alfa não vinha da dominação, mas da capacidade de escolher o que era certo. "Christian," Caspian finalmente falou, sua voz firme e clara. "Eu estou com você. Vamos acabar com isso juntos." Ele se aproximou de Taishou, colocando uma pata sobre o ombro do amigo. A conexão entre eles era palpável, e juntos, eles enfrentam a tempestade que era Demétrio. Na mente de Taishou, a presença de Caspian era como um farol, guiando-o de volta à realidade. Caspian se aproximou de Taishou, que estava claramente atormentado pela batalha em sua mente. Ele colocou sua pata sobre o ombro de Taishou, um gesto de solidariedade e apoio. "Christian," ele disse, sua voz um sussurro poderoso que só Taishou poderia ouvir, "você não está sozinho nessa luta. Eu estou aqui com você."
A presença de Caspian ao seu lado serviu como um lembrete para Taishou do que estava em jogo - a liberdade e a integridade da alcateia. A vida da sua família e amigos, e principalmente, o destino de Kenji. Caspian continuou, "Lembre-se de quem você é, Christian. Você é o alfa agora, não por ambição, mas por necessidade. Você protegeu a alcateia da tirania, e agora deve protegê-la da perda de sua própria alma." As palavras de Caspian penetraram na escuridão que cercava Taishou, trazendo consigo uma luz de esperança e força. Taishou começou a se concentrar naquela luz, usando-a como um farol para afastar a tempestade que era Demétrio. "Demétrio," Taishou rosnou com uma nova resolução, "sua época como alfa acabou. Eu honrarei meu legado, destruindo o seu. Ninguém mais será seu fantoche. A alcateia precisa ser livre e ter um líder, não um tirano." Com cada palavra, Taishou sentia a influência de Demétrio diminuir, como se a própria verdade das palavras fosse um antídoto para o veneno que Demétrio tentava injetar em sua mente. Caspian, ao seu lado, reforçava essa verdade, não apenas com palavras, mas com a força de sua presença. Abraçando o lobo negro.
Finalmente, com um rugido que parecia vir do fundo de sua alma, Taishou quebrou as últimas correntes que Demétrio havia tentado colocar sobre ele. A luz da consciência e da liberdade brilhou em seus olhos, e ele se levantou, livre da sombra de Demétrio. E dessa vez, para sempre. Caspian e Taishou ficaram lado a lado ao centro da clareira onde a luz da lua era mais forte. Eles ergueram suas cabeças para o céu, e um uivo poderoso e harmonioso começou a se elevar, um uivo que falava de perda e de triunfo, de dor e de esperança. Todos os outros lobos da alcateia uivaram em uníssono. Taishou venceu a luta. Kenji, embora humano, sentia a energia da lua cheia fluindo através dele. Ele não uivava, mas seu coração batia em uníssono com o ritmo da alcateia, e ele sabia que, de alguma forma, ele também pertencia àquele momento mágico. Kenji fechou os olhos, respirando fundo o ar gélido da floresta. A lua cheia banhava todo o campo de batalha, e uma luz prateada foi tocando sua pele com um calor que parecia acender algo dentro dele. Ele podia sentir a força espiritual de seu pai, aquela energia dominadora que sempre o havia definido e restringido, mas agora algo estava diferente. Era como se as correntes invisíveis que o prendiam começassem a se desfazer, uma a uma, cada elo de expectativa e tradição se rompendo sob o peso de sua própria determinação. Kenji sentiu o poder de sua própria vontade crescendo, uma força que vinha de dentro, pura e indomável.
Com cada respiração, ele se libertava mais e mais das amarras sociais que o haviam mantido cativo. As palavras duras de seu pai, que antes o feriam, agora pareciam distantes, ecos de um passado do qual ele estava se despedindo. Quando finalmente abriu os olhos, Kenji sabia que estava livre. Livre para ser quem ele era, livre para amar quem ele escolhesse, livre para trilhar seu próprio caminho. A força espiritual de seu pai não o definia mais; ele era seu próprio ser, forte, confiante e completamente livre. A noite marcada por um duelo sem sentido, agora dava espaço para a redenção dos pecados. Taishou, o lobisomem de pelagem tão negra quanto as sombras que se esgueiravam entre as árvores, sentia uma mudança profunda se aproximando. Sua forma escura tremia, não de frio, mas de uma transformação iminente. A alma negra que o habitava, aquela essência sombria que o acompanhara por meses, começava a se desfazer. Era como se cada fibra de escuridão se desprendesse, deixando seu corpo em um exalar de energia. E então, começou a metamorfose. A pelagem negra de Taishou se iluminava, cada pelo escuro cedendo lugar a um branco puro e luminoso. A transformação era um espetáculo de luz e sombra, onde o negro da noite dava lugar ao branco da lua cheia. A alma negra do lobisomem, que por tanto tempo o definira, agora se dissipava no ar, liberando-o de suas amarras. No lugar da escuridão, emergia a sua verdadeira natureza, a de um lobo gentil e sábio, cuja pelagem branca refletia sua alma pacífica.
Taishou ergueu a cabeça para a lua, e um uivo profundo e melódico escapou de sua garganta, anunciando ao mundo sua renovação. A velha pelagem branca, símbolo de sua essência mais pura e bondosa, estava de volta, e com ela, a promessa de um novo começo. Taishou, o lobo gentil que sempre fora, estava finalmente livre para viver sua verdade sem sombras do passado. Quando o uivo cessou, um silêncio reverente se instalou. Os dois se moviam agora, não com a tensão de antes, mas com uma graça tranquila, cada um sentindo o poder da lua cheia e o peso da responsabilidade que compartilhavam. Era o início de uma nova era, uma era onde o legado de Demétrio seria derrubado, e a linhagem de lobisomens negros, nunca mais poderia voltar a existir. Taishou iria governar não pela força, mas pelo amor e pela sabedoria. A alcateia iria se unir como nunca antes, e sob o brilho da lua cheia, eles juraram proteger uns aos outros e viver de acordo com os ideais de sua ancestralidade. Caspian recuou, um aceno de cabeça respeitoso concedido a Taishou. "Você é o alfa que a alcateia merece," ele disse, e com essas palavras, a aliança entre eles foi selada, e um novo capítulo para a alcateia começou.
Kenji não conseguia conter a emoção que transbordava de seu coração. Seus pés mal tocavam o chão enquanto ele corria pela neve, impulsionado por um sentimento de alegria e alívio tão intensos que pareciam guiá-lo através da escuridão. Os ramos e as folhas sussurravam ao seu redor, como se a própria natureza compartilhasse de sua euforia. Seus olhos verdes brilhavam, refletindo a luz da lua, enquanto ele avistava a figura majestosa de Taishou. O lobo branco, puro e resplandecente, era um vislumbre de esperança e beleza inalterada. “Tai… você voltou… a ser você!” Kenji exclamou, sua voz embargada pela emoção e os olhos marejados de lágrimas que brilhavam como orvalho sob a luz lunar. Taishou, o lobo branco, olhou para Kenji com uma expressão de gentileza e compreensão que transcendeu as palavras. “Você quer fazer parte da minha alcateia?” ele perguntou, sua voz um sussurro que carregava a promessa de aceitação e pertencimento. Era mais do que uma pergunta; era um convite para um novo começo, uma oferta de amor incondicional e apoio. Kenji sabia que, independentemente de sua resposta, aquele momento marcaria o início de uma nova jornada, não apenas para ele, mas para toda a alcateia, que agora se reuniria sob a liderança gentil e sábia de Taishou, o lobo branco. Com o coração pulsando de esperança e os olhos ainda brilhando com lágrimas de alegria, Kenji não hesitou. “Sim,” ele disse, sua voz firme e cheia de emoção. “Eu aceito.” A resposta de Kenji foi mais do que um simples sim; era um reconhecimento de sua identidade, um compromisso com o futuro e um abraço à família que ele escolheu. Taishou, o lobo branco, acenou com a cabeça, um gesto de respeito e aceitação. A lua cheia iluminava a clareira onde Taishou e Kenji se encontravam, banhando tudo com uma luz etérea. O silêncio da noite era quase tangível, quebrado apenas pelo som suave das folhas balançando ao vento. Taishou, o lobo branco, movia-se com uma graça silenciosa, seus passos quase imperceptíveis sobre a neve macia.
Kenji permanecia imóvel, sua respiração calma e medida, enquanto Taishou se aproximava. Havia uma solenidade no ar, uma compreensão tácita de que o momento que se aproximava era um rito de passagem antigo, um elo que uniria suas almas de uma maneira que palavras jamais poderiam expressar. Com um olhar que transmitia uma profunda emoção, Taishou chegou perto o suficiente para que Kenji pudesse sentir o calor de sua respiração. Então, com uma delicadeza que contrastava com a força bruta normalmente associada à sua espécie, Taishou mordeu levemente o pescoço de Kenji. Era uma mordida suave, mas carregada de significado. Com esse gesto, Taishou estava transferindo para Kenji a besta interior, não como um fardo, mas como um presente, uma partilha de poder e liberdade. Era uma aceitação de Kenji como parte da alcateia, mas também um reconhecimento de sua força e direito de escolher seu próprio caminho. A energia fluía entre eles, uma corrente silenciosa de força vital e entendimento mútuo. Kenji sentiu a presença da besta dentro de si, não como algo a temer, mas como uma fonte de poder que ele aprenderia a controlar e respeitar. Quando Taishou recuou, os olhos de Kenji brilharam com uma nova luz, refletindo não apenas a lua, mas também a sabedoria e a confiança que agora compartilhavam. Eles estavam ligados, líder e membro, mestre e aprendiz, unidos pela antiga tradição dos lobisomens e pelo laço inquebrável da alcateia.
A noite estendia seu véu estrelado sobre a floresta, e a lua cheia ascendia no céu como uma joia cintilante. Era uma noite especial, uma noite de união e celebração para os lobos brancos da alcateia de Taishou. Um por um, os lobos emergiam das sombras da floresta, suas pelagens brancas brilhando sob o luar. Eles se reuniam na clareira, um santuário natural onde a luz da lua tocava cada canto, cada folha, cada gota de orvalho. Então, como se respondendo a um chamado ancestral, os lobos brancos erguiam suas cabeças em direção ao céu noturno. O primeiro uivo, o de Taishou, cortou o silêncio, puro e claro, uma nota de música selvagem que vibrava com a essência da vida selvagem. Logo, outros uivos se juntavam, harmonizando-se com o primeiro, tecendo uma tapeçaria de som que se espalhava pela floresta e além. Cada lobo branco uivava com uma única voz, mas juntos, eles falavam a mesma língua, a língua do luar, da liberdade, da força da alcateia. Os uivos cresciam, alcançando o ápice em um coro triunfante que celebrava a transformação de Taishou, a aceitação de Kenji, e a união indissolúvel de seus espíritos. Era um hino à noite, um tributo à lua que os observava, uma mãe orgulhosa de seus filhos selvagens e livres.
E enquanto os uivos dos lobos brancos se elevavam para a lua, o mundo parava para ouvir, e por um breve momento, tudo estava conectado — a terra, o céu, os lobos e a lua — em uma perfeita harmonia. Juntos, eles voltaram para a matilha, que observava com olhares curiosos e expectantes. A aceitação de Kenji simbolizava uma nova era para todos eles, uma era de inclusão e compreensão. Sob a luz prateada da lua, a alcateia se reunia, unida não apenas pelo sangue, mas pelo espírito de comunidade e amor. E assim, com o lobo branco à frente, Kenji ao seu lado, a matilha avançava para um futuro onde cada lobisomem poderia ser verdadeiramente livre. À medida que a noite cedia lugar ao amanhecer, os primeiros raios de sol começavam a tocar o horizonte gélido. A luz do dia se espalhava lentamente, banhando a paisagem coberta de neve com tons dourados e rosados. O frio ainda persistia, mas a promessa de um novo começo aquecia o coração dos dois lobisomens. Taishou e Caspian, agora em suas formas humanas, enfrentavam o nascer do sol juntos. Eles se aproximaram um do outro, o cansaço e a dor de uma noite de conflitos marcados em seus rostos. Com um aceno silencioso, eles compartilharam um abraço, um gesto de reconciliação e de um futuro compartilhado. Era o fim de Demétrio, não apenas como alfa, mas como uma sombra sobre a alcateia.
Kenji e Taishou se aproximam um do outro, seus corações batendo em sincronia. Em um abraço caloroso e acolhedor, seus corpos se unem, transmitindo um sentimento de profunda gratidão e afeto. Taishou, com os olhos marejados, expressa sua sincera gratidão a Kenji por sua inestimável ajuda. "Kenji," Taishou sussurra, sua voz carregada de emoção, "eu não tenho palavras para agradecer o que você fez por mim. Graças a você, eu consegui recuperar a minha essência de lobo puro. Eu estava perdido, sem rumo, e você me guiou de volta para o meu verdadeiro eu." Kenji sorri calorosamente, seus olhos brilhando com compaixão. "Taishou," ele responde, sua voz suave e reconfortante, "não foi nada. Eu apenas fiz o que qualquer amigo faria. Você é importante para mim, e eu nunca poderia te ver sofrer." Em um gesto de profunda amizade, Taishou aperta o abraço, transmitindo sua total confiança e apoio a Kenji. "Lembre-se," ele continua, "você não está sozinho nesta jornada. Eu estarei sempre aqui ao seu lado, para te guiar e te ajudar a superar qualquer obstáculo que você possa enfrentar." Kenji, profundamente tocado pelas palavras de Taishou, se aconchega ainda mais em seu abraço. Ele sabe que encontrou um amigo verdadeiro, alguém em quem pode confiar cegamente. A partir daquele momento, um vínculo inabalável se forma entre os dois lobos, unidos por uma amizade pura e gentil.
Observando a cena comovente do abraço entre Kenji e Taishou, Caspian se aproxima com um sorriso genuíno que ilumina seu rosto. A interação dos dois lobos, carregada de emoção e gratidão, desperta em Caspian um sentimento de profunda alegria e admiração. "Que belo momento," Caspian comenta, sua voz suave e acolhedora ecoando pelo ambiente. "É inspirador ver a amizade tão forte que une vocês." Kenji e Taishou se separam do abraço, seus rostos ainda marcados pela emoção do momento. Ao notar a presença de Caspian, um sorriso caloroso surge em seus lábios. "Caspian," Kenji responde, sua voz carregada de entusiasmo, "Vamos começar de novo, me chamo Kenji Takahashi, Sou filho adotivo de Akira Takahashi, vulgo, imbecil homofóbico, Demétrio Rodrigues. " Caspian e Taishou não deixam de rir da piada de Kenji. Taishou se inclina levemente em sinal de respeito. "Agradecemos a sua hospitalidade," ele diz, sua voz firme e serena. "Estamos ansiosos para conhecer melhor a sua alcateia e fazer parte desta comunidade." Caspian abre os braços em um gesto acolhedor. "Sejam bem-vindos!" ele exclama, sua voz cheia de alegria. "A nossa alcateia está feliz por ter dois novos membros tão especiais como vocês. Tenho certeza de que vocês se sentirão em casa aqui."
Com um sorriso contagiante, Caspian os guia para dentro da alcateia, onde outros lobos se reúnem em volta de uma fogueira crepitante. O aroma de comida deliciosa paira no ar, e o som de conversas animadas preenche o ambiente. Kenji e Taishou se sentem instantaneamente acolhidos pelo calor e pela amizade da comunidade. Nos dias que se seguiram, a alcateia experimentou uma era de paz e prosperidade sob a liderança de Taishou. Caspian ajudou Taishou com o que ele mais precisava: o controle de sua besta interior. Através de meditação, disciplina e compreensão dos ciclos naturais, Taishou aprendeu a harmonizar o humano e o lobisomem dentro de si. Ele se tornou um líder que não apenas comandava, mas também inspirava e protegia. O verdadeiro significado e papel em ser um líder foi revelado a Taishou através de suas próprias ações e decisões. Ele aprendeu que ser um alfa não era sobre poder ou dominação, mas sobre guiar com compaixão, proteger com bravura e liderar com integridade. Kenji, com o coração transbordando de gratidão e o espírito fortalecido pela amizade de Taishou, assume com bravura o papel de lobo beta na alcateia. Ao lado de seu melhor amigo, ele se dedica a servir e proteger a comunidade, guiando-os com sabedoria e compaixão.