Duas semanas se passaram, e a casa de Taishou havia se transformado em um verdadeiro oásis de alegria. Balões coloridos flutuavam pelo teto, adornados com fitas brilhantes que refletiam a luz cintilante das luzes de Natal. A música vibrante ecoava pelas paredes, contagiando a todos com seu ritmo animado. No centro da festa, uma mesa farta exibia um bolo de aniversário de morango coberto com chantilly, enquanto dezenove velas acesas iluminavam o rosto radiante de Taishou. Ele sorria de orelha a orelha, cercado por amigos que o abraçavam e lhe enviavam felicitações. Akane, Hinata, Sakura, Yuki e Caleb, junto com Kenji, formavam um inseparável grupo de amigos. Cada um trazia sua personalidade única, mas todos compartilhavam um laço palpável de amizade e carinho. Kenji, sempre com seu humor irreverente, não perdeu a oportunidade de provocar o aniversariante: "Essa idade está errada, Taishou! Você parece mais ter dois mil anos do que dezenove!" Sakura, com um sorriso cúmplice, balançou a cabeça em concordância. "É verdade, Kenji. Mas imagina colocar duas mil velas em cima do bolo! Seria um pouco complicado, né?" Akane, com sua espontaneidade característica, afundou o dedo no bolo e, num gesto brincalhão, sujou o nariz de Taishou com chantilly.
Contagiado pela alegria de Akane, Taishou retribuiu com um abraço caloroso. Yuki e Caleb, os pequenos do grupo, se divertiam com jogos e brincadeiras, correndo pela casa e espalhando risadas. Hinata, com sua câmera sempre à mão, registrava cada momento da festa, eternizando a alegria daquele dia especial. Era um aniversário memorável, repleto de risadas, brincadeiras e a união de amigos que se amavam incondicionalmente. A casa de Taishou transbordava felicidade, e a cada sorriso e abraço, sentia-se a força da amizade que os unia. À medida que a festa chegava ao fim, os convidados começaram a se despedir, deixando a casa em um clima tranquilo e aconchegante. Restaram apenas Akane, Taishou e Caleb, que ainda brincavam com os balões espalhados pela sala. Akane, com um sorriso maternal, levou Caleb para o seu quarto e ajudou-o a trocar de roupa, colocando um pijama confortável. "Agora vai dormir, meu pequeno," disse ela, acariciando os cabelos negros do garoto. "Você tem aula amanhã." Com os olhos sonolentos, Caleb olhou para Akane e perguntou: "Mamãe, meus cabelos estão ficando grandes como os do papai?" Akane sentiu seu coração se encher de ternura; era a primeira vez que ele a chamava de "mamãe".
Era o momento que ela tanto esperava, e finalmente havia acontecido. "Sim, meu amor," respondeu, a voz embargada pela emoção. "Seus cabelos estão ficando grandes e bonitos, assim como os do seu pai." Ela perguntou se ele gostaria de cortá-los no dia seguinte, mas Caleb recusou. "Eu gosto deles assim," disse ele, com um sorriso tímido. Akane o aninhou na cama e deu-lhe um beijo de boa noite. Ao fechar a porta do quarto, seus olhos se encheram de lágrimas. Estava tão feliz por Caleb finalmente reconhecê-la como sua mãe. Naquele instante, sentiu que sua família estava completa: Taishou, Caleb e ela, unidos por um amor incondicional. Cansada pelo dia divertido da festa, Akane terminou de arrumar as coisas e lavar as vasilhas. A casa agora estava silenciosa, apenas o som da água correndo na pia quebrava o silêncio. Ao olhar pela janela para a noite escura, ela sorriu.
Com a casa em silêncio, Akane finalizou a última louça e se dirigiu ao quarto. Encontrou Taishou sentado na janela, observando o movimento noturno com uma expressão concentrada. Em suas mãos, ele segurava o diário de Catarine, com suas páginas amareladas pelo tempo abertas na seção que descrevia o ritual de cura da licantropia. Akane se aproximou e perguntou se estava tudo bem. Taishou esboçou um sorriso, mas ela percebeu uma preocupação em seus olhos que ele tentava esconder. A intuição aguçada de Akane captou a sombra de algo que o perturbava. "O que te preocupa, Taishou?" perguntou ela, com a voz suave. Ele desviou o olhar por um momento, mas logo o fixou nos dela. "É aquele detetive," respondeu em voz baixa. "Ele ainda está por perto, vigiando a casa desde o desaparecimento do padrasto de Kenji." Akane sentiu um aperto no coração. A presença constante do detetive era um lembrete incômodo do passado, um fantasma que os perseguia mesmo quando tentavam seguir em frente. "Acho que deveríamos ligar para a delegacia e reclamar," sugeriu, preocupada. "Isso é invasão de privacidade, Taishou. Não podemos permitir que ele continue nos vigiando." Taishou assentiu, concordando com suas palavras. Contudo, havia algo mais em sua expressão, uma sensação de impotência diante da situação. "Você tem razão, Akane," disse ele. "Mas não sei se há algo que possamos fazer. Afinal, ele está apenas cumprindo seu trabalho."
Levantando-se da janela, Taishou caminhou até Akane e a envolveu em um abraço terno. Seus lábios roçaram os dela em um beijo suave, cheio de amor e compreensão. "Vamos repassar o ritual?" perguntou ele, sua voz suave em seu ouvido. Akane se aninhou em seus braços, sentindo a força e o calor de seu corpo. "Sim," respondeu. "Vamos nos preparar para amanhã." Sentando-se na cama, revisaram juntos cada passo do ritual, certificando-se de que não esqueceram nenhum detalhe. Akane perguntou se fariam o ritual de Caleb na mesma noite, e Taishou, com convicção, respondeu que não havia motivo para esperar. "A cada dia que passa com a besta dentro de nós, é mais um dia de risco para nossa família," afirmou firmemente. Akane concordou, seus olhos cheios de determinação. A cura de Caleb era sua prioridade, e ela estava disposta a fazer o que fosse necessário para protegê-lo.
Taishou a abraçou por trás, acariciando seu pescoço com ternura. "Amanhã é o grande dia," sussurrou em seu ouvido. "Precisamos fazer tudo corretamente." Akane entrelaçou seus dedos com os dele, apreciando aquele momento de rara intimidade. Em meio às preocupações e desafios que enfrentavam, a presença de Taishou era seu porto seguro, sua fonte de força e esperança. "Caleb me chamou de 'mamãe' hoje," disse, um sorriso tímido nos lábios e os olhos brilhando de felicidade. Taishou sorriu de volta, seus olhos transbordando amor e orgulho. "Ele sabe que você é a mãe dele, Akane," afirmou. "E você é a melhor mãe que ele poderia ter." Naquele momento, unidos pelo amor e pela esperança, Akane e Taishou se sentiram prontos para enfrentar qualquer obstáculo que surgisse em seu caminho. A cura de Caleb era a prioridade, e juntos, estavam dispostos a lutar por um futuro livre da besta que os assombrava.
A noite descia em tons de azul escuro, enquanto a lua prateada derramava sua luz suave e melancólica sobre a casa. No quarto, Akane e Taishou se encaravam, os olhares entrelaçados em um oceano de emoções. As palavras de Akane ecoavam na mente de Taishou: "Caleb me chamou de mamãe hoje." Uma frase simples, mas carregada de significado. Era a prova do amor maternal que Akane sentia pelo garoto e a certeza de que ele a via como mãe. Um sorriso despontou nos lábios de Taishou, e seus olhos brilharam com uma ternura que só ele poderia expressar. Aproximou-se dela, deslizando os dedos por seus cabelos e acariciando seu rosto com delicadeza. Akane fechou os olhos, entregando-se ao toque carinhoso, sentindo-se envolta por uma paz aconchegante. Lentamente, inclinou-se para frente, e seus lábios se encontraram em um beijo suave, carregado de amor e desejo.
O beijo era uma promessa silenciosa, um pacto de que enfrentariam qualquer obstáculo juntos. Suas línguas se entrelaçaram em uma dança sensual, explorando-se com paixão, enquanto seus corpos se aproximavam, selando a conexão profunda que partilhavam. As mãos de Taishou percorriam o corpo de Akane com uma combinação de desejo e carinho, escorregando por suas costas, contornando sua cintura e puxando-a para mais perto. Ela, por sua vez, enlaçou os braços em torno do pescoço dele, aprofundando o beijo e murmurando palavras de amor em seu ouvido. A paixão se intensificava a cada toque, a cada segundo que passava.
Seus movimentos estavam em perfeita harmonia, guiados pelo ritmo frenético de seus corações. O quarto aquecia, e o ar se carregava com o desejo que os consumia. No meio desse turbilhão de sensações, Akane e Taishou se perderam um no outro, em uma sinfonia de gemidos e sussurros. A lua crescente, quase cheia, era a única testemunha, abençoando-os com sua luz prateada. Ali, naquele instante, esqueceram-se das preocupações, dos desafios e da maldição que os atormentava. Restavam apenas o amor, a paixão e a certeza de que, juntos, eram invencíveis. Na manhã seguinte, Akane e Taishou acordaram entrelaçados, seus corpos aconchegados um ao outro. O primeiro sol banhava o quarto com uma luz dourada e suave. Akane se ergueu da cama, observando Taishou dormir serenamente ao seu lado, com um sorriso sereno em seus lábios. Era o dia em que libertariam Caleb e Taishou da maldição da licantropia. Com cuidado, ela se levantou e foi para a cozinha, onde preparou o café, escolhendo os melhores grãos e moendo-os na hora. O aroma fresco logo preencheu o ar. Depois, foi até o quarto de Caleb e ajudou-o a se preparar para a escola, escolhendo uma camisa azul celeste e uma calça jeans que combinavam com seus tênis favoritos. Enquanto o vestia, ele sorriu para ela, sonolento, murmurando: "Bom dia, mamãe." Akane sentiu o coração se aquecer e o abraçou forte, com os olhos marejados. "Bom dia, Caleb, meu filho. Hoje é um dia muito importante para nós."
Logo, Caleb estava pronto e alegre para a escola, e Yuki, irmã de Sakura, bateu na porta. As duas se abraçaram, e Akane entregou Caleb a Yuki, com um sorriso e um pedido de cuidado. "Voltem logo para casa, hoje é um dia especial." Yuki sorriu e garantiu que cuidaria bem do garoto. Akane os observou partir, com o coração cheio de esperança. A brisa da manhã parecia levar seus sonhos para longe, enquanto o sol iluminava o caminho para um futuro livre da maldição. Pouco depois, Taishou se juntou a Akane. Discutiram uma última vez sobre os preparativos do ritual. "Eu vou até a Casa de Chá de Haru buscar os frascos de vidro virgem e as plantas necessárias," disse Akane. Taishou assentiu, dizendo que iria ao Templo Daikoku buscar água abençoada. Com um beijo, despediram-se, ambos confiantes de que tudo daria certo. Quando Akane chegou à Casa de Chá de Haru, o aroma de chá verde e incenso acolheu-a, enquanto o perfume das flores de cerejeira anunciava a primavera. Encontrou Hinata, a filha da proprietária, organizando folhas de chá atrás do balcão. Hinata sorriu calorosamente ao vê-la. "Akane! Posso ver que você está com um brilho especial hoje. O que a traz aqui?" Akane explicou sobre o ritual e pediu os frascos de vidro virgem e flores de Acônito. Hinata, surpresa e emocionada, pegou cuidadosamente seis frascos de vidro e as flores no jardim. "Gostaria de poder assistir Caleb e Taishou se libertarem," disse ela com um suspiro. Akane a abraçou, assegurando-a de que sempre faria parte da família e estaria presente em espírito.
Com os frascos e as flores em mãos, Akane partiu em direção à casa, onde Taishou a aguardava. Sentia-se preenchida pela esperança de um futuro livre da maldição da licantropia, certa de que juntos superariam qualquer desafio. Taishou caminhava pelas ruas de Hinode em direção ao templo budista. A manhã de primavera se despedia, dando lugar ao sol radiante do meio-dia. O céu azul-celeste, pontilhado por nuvens brancas, contrastava com a brisa suave que trazia o doce perfume das flores de cerejeira. Ao chegar ao templo, ele se deparou com uma construção majestosa, cujos telhados curvos e ornamentos dourados reluziam sob a luz do sol. A entrada era guardada por imponentes leões de pedra, cujos olhos vigilantes pareciam avaliar cada visitante. Um sentimento de paz e serenidade o envolveu ao cruzar o limiar do templo.
O aroma de incenso se misturava ao som suave de orações, criando uma atmosfera de profunda devoção. O interior do templo era ricamente adornado com estátuas de Buda que emanavam uma aura de sabedoria e compaixão. Dirigindo-se ao altar principal, onde um majestoso Buda dourado estava posicionado, Taishou ajoelhou-se diante dele, fechou os olhos e se concentrou. Uma prece silenciosa brotou de seu coração, implorando aos Budas por proteção e orientação durante o ritual de cura que se aproximava. Após minutos de profunda meditação, ele se levantou e seguiu para a sala de purificação. Ali, encontrou um grande tanque de água cristalina, abençoada pelos Budas. Mergulhou as mãos na água purificada e, com um gesto reverente, as ergueu para o céu. As gotas de água brilhavam à luz do sol, como se fossem pequenas bênçãos caindo sobre ele. Uma onda de energia renovadora percorreu seu corpo, limpando-o de impurezas e preparando-o para o ritual iminente. Com um frasco de vidro, coletou um pouco daquela água sagrada e começou a caminhada de volta para casa.
À medida que o sol da tarde lançava longas sombras sobre as ruas de Hinode, Taishou sentia a mente serena após a purificação no templo. A sensação de paz e esperança o acompanhava, alimentando a convicção de que o ritual de cura seria bem-sucedido. De repente, o som estridente de uma sirene rompeu a tranquilidade da tarde. Um carro de polícia parou bruscamente ao seu lado, interrompendo seus pensamentos. Ele estreitou os olhos, reconhecendo o rosto familiar do detetive Makoto Tanaka no banco do motorista. O vidro do carro abaixou, revelando a expressão tensa de Tanaka. "Boa tarde, senhor Seiji," disse ele com uma voz oficial. "Está passeando?" Taishou ignorou a pergunta, optando por manter o silêncio e continuar sua caminhada. Contudo, o detetive não desistiu. Desceu do carro, erguendo os óculos escuros com uma mão enquanto gesticulava para que Taishou parasse com a outra. "Pare aí mesmo, Taishou," ordenou com firmeza. "Você precisa vir comigo."
Taishou se virou para ele, um sorriso irônico se formando em seus lábios. "Vamos passar por isso de novo, detetive?" indagou com sarcasmo. Tanaka, no entanto, não se intimidou. "Sim, vamos," respondeu com um sorriso confiante. "Tenho algumas perguntas para você." Sem outra opção, Taishou se rendeu à situação e entrou no carro de polícia, cercado por outros policiais que o observavam com atenção. A familiaridade da sala de interrogatório na delegacia o aguardava, como se fosse uma velha amiga que ele conhecia bem. Assim que se sentaram, Tanaka ergueu o frasco de água benta que Taishou carregava, segurando-o como se fosse uma arma. "O que é isso, senhor Seiji?" questionou, com um tom inquisitivo. "Água do templo budista," respondeu Taishou com frieza. "E por que você está andando com isso por aí?" Tanaka insistiu, seus olhos fixos em Taishou. Com um sorriso sarcástico, Taishou retrucou: "É crime agora ser um homem religioso, detetive?" O clima de tensão era palpável, ambos se encarando com desconfiança. Taishou sabia que precisava ser cauteloso, pois qualquer deslize poderia ser usado contra ele. Tanaka, por sua vez, estava determinado a descobrir algo incriminador, ansioso para desvendar os segredos que Taishou guardava com tanto zelo. A frustração pairava na sala de interrogatório. Tanaka, com o cenho franzido e a voz tensa, pousou o frasco de água benta sobre a mesa, fazendo-o vibrar. "Chega de enrolação, Seiji," disse, seus olhos fixos em Taishou. "Quero saber sobre o desaparecimento de Akira Takahashi." Taishou manteve sua postura calma e serena, seus olhos escuros se encontrando com os do detetive sem vacilar. "Já disse tudo o que sei, detetive," respondeu suavemente. "Akira era padrasto do meu amigo, e seu desaparecimento me abalou profundamente."
Tanaka bateu na mesa com a palma da mão, fazendo o frasco de água benta estremecer. "Não brinque comigo, Seiji!" gritou, sua voz ecoando na sala. "Você foi visto caminhando com Kenji Takahashi na noite em que o pai dele desapareceu. Pode me explicar isso?" Taishou suspirou, massageando as têmporas com os dedos. "Somos amigos há quase cinco anos, detetive," disse com calma. "É natural que sejamos vistos juntos de vez em quando." "Naturalmente," Tanaka retrucou com sarcasmo. "Mas me diga, o que conversaram durante essa caminhada? Falou algo sobre Akira?" Taishou negou com a cabeça, desviando o olhar por um breve momento. "Não, detetive," respondeu em voz baixa. "Não conversamos sobre Akira." Tanaka se inclinou para frente, seus olhos penetrantes fixos em Taishou. "Então, por que você estava com Kenji naquela noite?" insistiu. "O que estavam fazendo?" Taishou se conteve, lutando contra a vontade de se irritar com a postura agressiva do detetive. "Conversamos sobre a vida, detetive," disse com desdém. "Sobre nossas famílias, nossos sonhos. Minha noiva. Nada que seja relevante para a investigação." Tanaka se recostou na cadeira, um sorriso sinistro se formando em seus lábios. "Ah, Taishou," disse com ironia. "Você realmente acha que me engana com essa história? Sei que você está escondendo algo, e vou descobrir o que é."
Taishou se levantou, seus olhos ardendo com raiva. "Pode continuar investigando, detetive," disse com firmeza. "Mas garanto que não encontrará nada." O sol se despedia do horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e púrpuras, enquanto Taishou permanecia na sala de interrogatório, preso em um jogo de gato e rato com o detetive Tanaka. A tensão no ar era densa e sufocante. De repente, Tanaka se ergueu, seus olhos fixos na janela. "Um evento especial está acontecendo esta noite," disse com voz grave. "Um eclipse lunar com uma superlua. O festival da lua será realizado sob a benção de uma lua vermelha. Seria uma pena se você o perdesse." Taishou sentiu um aperto no coração. Dentre todos os dias, aquele era o mais importante de suas vidas. O ritual de cura de Caleb dependia da energia lunar, e ele não poderia ficar preso na delegacia a noite toda. "Não pode me manter aqui a noite toda," retrucou, a voz tensa e rouca. "Tenho compromissos importantes." Tanaka se aproximou, seus rostos a poucos centímetros de distância. "Quer apostar?" sussurrou com um sorriso sinistro. "Tenho certeza de que posso encontrar motivos para mantê-lo aqui por muito mais tempo." "Hoje, senhor Seiji, faz um ano desde o massacre do festival da lua milenar. Exatamente hoje, o mesmo festival irá acontecer, e eu não preciso lembrá-lo de que você é um forte suspeito até hoje."
Taishou engoliu em seco, seus olhos ardendo com fúria. A impotência o consumia, enquanto a lua, majestosa e imponente, ascendia no céu noturno, testemunha silenciosa da batalha de vontades que se desenrolava na sala de interrogatório. O destino do ritual, a liberdade de sua família e seu futuro estavam em jogo. Ele precisava encontrar uma maneira de escapar da delegacia, driblar a astúcia do detetive e alcançar o local do ritual antes que fosse tarde demais. A noite prometia ser longa, árdua e decisiva. A lua, em sua plenitude, iluminaria o caminho para a redenção ou para a tragédia. A escolha era de Taishou, e ele precisava agir com inteligência e rapidez para garantir sua vitória. Na casa de Taishou, o aroma da mistura de pétalas de acônito pairava no ar, carregando a esperança de cura e redenção. Akane, com mãos precisas e olhar determinado, preparava a poção em um frasco virgem, enquanto Yuki e Caleb a observavam com atenção, seus corações transbordando de expectativa. De repente, o ritmo calmo da preparação foi abruptamente interrompido por batidas frenéticas na porta. O coração de Akane disparou enquanto ela se dirigia à entrada e, ao abri-la, encontrou Sakura, o rosto pálido e a voz embargada pela aflição.
"Akane, você precisa saber!" exclamou Sakura, suas palavras jorrando em um turbilhão. "Kenji e Taishou estão presos na delegacia! O detetive Tanaka os pegou hoje à tarde e está tentando acusá-los de algo terrível!" O mundo de Akane desmoronou ao seu redor. A angústia e o medo invadiram seu ser, enquanto pensamentos sombrios a assaltavam. Taishou, detido na delegacia, impossibilitado de participar do ritual que libertaria Caleb e a si mesmo da maldição da licantropia. O tempo, implacável, corria contra eles. Mas Akane, uma mulher de força e determinação inabaláveis, não se permitiu ser paralisada pelo desespero. Em seus olhos, uma chama de esperança se acendeu, impulsionando-a a agir. "Sakura, acalme-se," disse ela, sua voz firme e confiante. "Vamos preparar tudo para o ritual. Eu mesma levarei os frascos para a delegacia." Sakura, ainda abalada, mas inspirada pela força de Akane, assentiu com a cabeça. Juntas, com a ajuda de Yuki e Caleb, trabalharam freneticamente, reunindo os ingredientes e finalizando a poção. O tempo era curto, mas a urgência da situação as impulsionava.
Um silêncio tenso pairava no ar, carregado de expectativa e apreensão. O próximo ingrediente, o sangue do amor verdadeiro, era crucial para o ritual de cura. Com o coração acelerado, Akane respirou fundo e tomou a iniciativa. Com um gesto resoluto, picou seu dedo indicador, permitindo que uma gota de sangue vermelho-vivo pingasse sobre as pétalas das flores dentro do frasco. Uma onda de emoção a invadiu enquanto observava seu sangue se misturar com a poção, simbolizando o amor que nutria por sua família e a força de sua fé. Virando-se para Yuki, Akane estendeu a mão com um sorriso gentil. "Agora é sua vez, querida," disse com uma voz suave. "Precisamos do seu sangue também." Yuki, com os olhos castanhos arregalados de medo, agarrou-se às mãos de Sakura, buscando conforto. A menina, ainda pequena e inocente, não compreendia completamente a gravidade da situação, mas sentia a importância do ritual e a necessidade de contribuir.
Sakura, com a ternura de uma irmã mais velha, abraçou Yuki e sussurrou palavras de encorajamento em seu ouvido. "Não tenha medo, querida," disse com voz calma. "É por Caleb. Vamos fazer isso juntas." Caleb, observando a cena com gentileza, se aproximou de Yuki e a envolveu em um abraço caloroso. "Você pode me abraçar enquanto Akane faz o furo no seu dedo," murmurou, transmitindo segurança. Tocado pela união das três, Akane ajoelhou-se ao lado de Yuki e, com um toque delicado, picou seu dedo mindinho. Uma única gota de sangue, pura e cristalina, foi suficiente para completar o ritual. Yuki, com o coração ainda acelerado, mas um sorriso tímido nos lábios, observou a poção se misturar com seu sangue, simbolizando a união e o amor que a ligava a Caleb. Na delegacia, a frustração consumia Kenji. Seus punhos cerrados batiam contra a parede de concreto da sala à prova de som, ecoando com raiva e impotência. A cada minuto que passava, sua angústia aumentava, alimentada pela incerteza do que acontecia com Taishou. Ignorando as câmeras de segurança que o observavam, Kenji vociferava palavras de fúria e desespero. "Deixem-me sair daqui!", gritou, sua voz reverberando pelas paredes frias. Alheio ao sofrimento de Kenji, Taishou estava na sala de interrogatório ao lado, suportando a pressão implacável do detetive Tanaka. As perguntas eram como flechas afiadas, lançadas com precisão para provocar contradições e desvendar a verdade.
Tanaka, experiente e paciente, utilizava a tática do gato e do rato, observando cada reação, cada mudança de expressão, em busca de qualquer sinal de fraqueza que o levasse à verdade. A mente do detetive era um labirinto de estratégias, cada pergunta cuidadosamente elaborada para encurralar seus interrogados. Taishou, por sua vez, mantinha uma postura firme e serena, respondendo com calma e precisão às investidas de Tanaka. Sua mente era um escudo impenetrável, guardando os segredos do ritual e a verdade sobre o desaparecimento de Akira. A batalha de inteligência e vontades se desenrolava em silêncio, pontuada apenas pelos batimentos frenéticos de Kenji na sala ao lado. A tensão pairava no ar, densa e sufocante, enquanto os destinos de Taishou, Kenji e Akane se entrelaçavam naquela noite crucial. Do lado de fora, a lua cheia testemunhava a luta que se desenrolava dentro da delegacia. Seus raios prateados iluminavam o rosto de Taishou, um semblante marcado pela determinação e pela esperança de que o amor verdadeiro poderia superar qualquer obstáculo. Ele respirava fundo, tentando controlar ao máximo sua transformação. O tempo era curto, as chances eram poucas, mas a fé de Taishou permanecia inabalável. Ele sabia que, no final, a justiça e o amor prevaleceriam, libertando-o da maldição da licantropia e reunindo sua família em um futuro livre da sombra da tragédia.
Tanaka, com a astúcia de um predador experiente, alternava entre as salas de Kenji e Taishou, tecendo uma teia de mentiras e meias verdades. Seus olhos, penetrantes como lâminas, analisavam cada reação, cada tremor de medo, buscando desvendar a verdade oculta nas palavras dos dois homens. Antes de deixar a sala de Taishou, ele fixou o olhar na lua cheia que brilhava no céu noturno, banhando a cidade em uma luz prateada, lentamente coberta por uma sombra vermelha. "Então, Taishou," disse com uma ironia carregada, "você acredita em lobisomens?" Taishou, com o coração acelerado, lutou para manter a calma. A fúria e o medo ardiam dentro de si como uma chama incontrolável, mas sabia que precisava manter a compostura. "Você é louco, detetive," respondeu com frieza, os olhos fixos no rosto de Tanaka. "Lobisomem? Isso é coisa de criança." Tanaka, com um sorriso sinistro nos lábios, se aproximou de Taishou. "Veremos se você ainda pensa assim quando a lua estiver no seu ponto mais alto," sussurrou, sua voz carregada de ameaça. Com passos lentos e deliberados, Tanaka abandonou a sala, deixando Taishou sozinho com seus pensamentos. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante de Taishou e pelo rangido da cadeira de madeira em que ele estava sentado. As paredes da sala pareciam se fechar ao seu redor, sufocando-o.
A besta que habitava dentro de Taishou rugia, clamando por liberdade, mas ele sabia que precisava controlá-la. Com os punhos cerrados, as unhas cravando-se nas palmas das mãos, ele buscava desesperadamente uma forma de escapar daquela prisão opressora. As câmeras de segurança, como olhos implacáveis, registravam cada um de seus movimentos, transmitindo sua angústia para a sala de controle da delegacia.
Na sala ao lado, Kenji lutava contra a frustração que o consumia. As palavras de Tanaka, como veneno, corroíam sua mente, semeando a dúvida e o medo. Será que Taishou realmente havia confessado? Será que ele não conseguiu ficar calado sobre a morte de Akira? Kenji sacudiu a cabeça, negando veementemente essa possibilidade. "Vai se danar, cara!" ele gritou para Tanaka, sua voz pulsando com raiva. "Eu não fiz nada! Você é louco se pensa que eu faria algo contra meu pai!" As palavras de Kenji ecoaram nas paredes da sala, mas não alcançaram o coração impenetrável de Tanaka. O detetive, com um sorriso cruel nos lábios, sabia que havia semeado a discórdia entre os dois amigos. Agora, era apenas uma questão de tempo até que um deles cedessem à pressão e confessassem a verdade. A noite avançava, e a lua, em sua plenitude, dominava o céu. A batalha entre a verdade e a mentira, entre a justiça e a injustiça, desenrolava-se nas sombras da delegacia, enquanto o destino de Taishou, Kenji e Akane pendia por um fio.