Kenji Takahashi entrou na sala de aula como um raio, um sorriso radiante iluminando seu rosto. Seus passos eram saltitantes, como se cada um o aproximasse de uma grande alegria. O gesso que o aprisionava por semanas finalmente se fora, e ele estava livre para mover o braço como antes. Ao entrar na sala, seus olhos percorriam o ambiente em busca de seus amigos. Ao encontrá-los, Kenji ergueu o braço liberto, como se fosse um troféu, e gritou: "Estou livre! Finalmente livre!" Sakura revirou os olhos, um sorriso travesso nos lábios. "Tá bom, príncipe encantado, sossega o facho!" disse, imitando a voz de Kenji com um tom exagerado. Hinata, observando a cena, não pôde conter a risada. A empolgação contagiante de Kenji sempre era motivo de diversão para o grupo. Enquanto Kenji gesticulava e narrava suas aventuras com o gesso, Sakura o interrompia com comentários sarcásticos e brincadeiras, chamando-o de "príncipe encantado" e "super-herói do gesso", rindo da empolgação dele com a recuperação.
Hinata, por sua vez, observava a interação dos amigos com um sorriso no rosto. Ela se divertia com a dinâmica do grupo, com as brincadeiras e a amizade que os unia. Kenji, apesar das provocações de Sakura, não se importava. Ele sabia que ela estava apenas brincando, e sua alegria era genuína. Ele ria junto com ela, feliz por poder compartilhar sua felicidade com os amigos. Akane entrou na sala de aula com passos tímidos, os olhos baixos e um sorriso tímido no rosto. Ela se sentou em sua carteira, evitando contato visual com os demais alunos. Kenji, que já estava na sala, notou sua presença e se aproximou com um sorriso radiante. "Akane! Que bom te ver!" ele disse, erguendo o braço liberto do gesso. "Finalmente tirei essa coisa e agora estou pronto para... Opa!" Sua voz se cortou abruptamente ao notar a figura imponente de Taishou logo atrás de Akane. Taishou fitou Kenji com o mesmo olhar frio de sempre, seus lábios se curvando em um sorriso mínimo. "Fico feliz que esteja melhor," disse ele, a voz gélida ecoando como gelo no ar. Akane, por outro lado, era um raio de sol em meio à frieza de Taishou. Seus olhos se iluminaram com entusiasmo e ela correu até Kenji, abraçando-o com força. "Kenji! Que bom te ver! Estávamos com tanta saudade!" disse, radiante.
Sakura, sempre atenta à dinâmica entre os dois, interveio antes que a tensão entre Taishou e Kenji se intensificasse. "Animem-se, pessoal!" exclamou com um sorriso contagiante. "Hoje é sexta-feira! O que significa que amanhã temos o dia livre! Que tal combinarmos algo em grupo?" Hinata, com a empolgação típica de sua idade, apoiou a ideia de Sakura. "Boa ideia! Ouvi falar que vai ter um festival no sábado à noite! Que tal irmos todos juntos?" Akane hesitou, uma sombra de preocupação cruzando seu rosto. "Não sei... Tenho muito trabalho para fazer..." Taishou a observou de canto de olho, seus olhos penetrantes como lâminas. "Que tipo de trabalho você tem para fazer?" perguntou com a voz baixa e rouca. Akane desviou o olhar, nervosa. "É... é um trabalho pessoal," murmurou, tentando evitar contato visual com Taishou. Sakura, percebendo o desconforto de Akane, interveio novamente. "Ah, vamos lá, Akane!" disse, sorrindo encorajadora. "Não seja chata! O festival vai ser muito divertido!" Akane suspirou, dividida entre o desejo de se divertir com os amigos e a preocupação com a segurança de Taishou. "Tudo bem," disse finalmente, cedendo à insistência de Sakura. "Eu vou."
Logo, cada um se sentou em seu devido lugar, pois o sinal estava prestes a tocar. No fundo da sala, Akane e Taishou conversavam em voz baixa, os rostos próximos enquanto seus olhares se cruzavam com uma intensidade quase palpável. "Taishou, você tem certeza de que é seguro sairmos à noite pelas próximas semanas? Com a lua cheia tão próxima..." Akane sussurrou, a preocupação estampada em seu rosto. Taishou, com um sorriso calmo e tranquilizador, segurou sua mão com ternura. "Pode ficar tranquila, Akane. Raramente perco o controle das minhas emoções, e mesmo com a lua cheia, minha forma não será exposta. Não colocarei você ou nossos amigos em perigo." Akane, ainda hesitante, olhou para ele, seus olhos cor de mel cheios de apreensão. "Mas..." Taishou acariciou seus cabelos com carinho, interrompendo-a. "Confie em mim, Akane. Prometo que tudo ficará bem." Na primeira fila da sala, Kenji observava a cena com os dentes cerrados, lançando dardos de ciúme em direção ao casal. Virando-se para Sakura, ele murmurou com raiva: "Quando foi que aqueles dois imbecis ficaram tão próximos?" Sakura, com um olhar sarcástico e divertido, respondeu: "Acorda, Kenji! Aonde você esteve nos últimos meses? Na verdade, não me surpreenderia se eles assumissem um namoro."
Kenji, com um tom de voz assustado e indignado, exclamou: "Namoro? Minha Akane com aquele esquisito? Só por cima do meu cadáver!" Sakura, puxando firmemente a orelha de Kenji, retrucou: "Não seja idiota! Você acabou de se recuperar de um braço quebrado por causa do Taishou. Não vá fazer besteira." Kenji, massageando a orelha dolorida, resmungou: "Mas... ele é tão estranho! E ele sempre me olha com aquele olhar de superioridade... Eu não confio nele." Sakura revirou os olhos com impaciência e interrompeu-o: "Kenji, você precisa superar isso. Akane é livre para escolher quem ela quer amar, e se ela escolheu Taishou, você precisa respeitar isso." Kenji, com um olhar derrotado, baixou a cabeça. "Eu sei... mas é difícil." Com um sorriso compreensivo, Sakura colocou a mão no ombro de Kenji. "Eu sei que é, amigo. É uma droga quando a pessoa que a gente ama não ama a gente de volta." Kenji olhou para ela com um sorriso constrangido, pensando que ela estava falando mais dela mesma do que dele. "E quem sabe, com o tempo, você até poderá aprender a gostar do Taishou." Kenji, com um suspiro de resignação, assentiu em silêncio. No fundo, sabia que Sakura estava certa. Ele precisava superar seus ciúmes e aceitar a escolha de Akane, mesmo que isso fosse difícil. Enquanto isso, Akane e Taishou continuavam conversando baixinho, alheios ao drama que se desenrolava na primeira fila. Hinata, sentada próxima da janela, observava a cena dos seus dois casais favoritos com diversão.
A porta da sala de aula se abriu com um rangido familiar, anunciando a chegada do Professor de História. Uma figura imponente, com seus óculos de aro grosso e barba grisalha, ele carregava consigo a aura de conhecimento e sabedoria acumulada em anos de estudo e dedicação. Em seus passos, ecoava o ritmo da história, um tambor que convidava os alunos a embarcarem em uma jornada pelo tempo, desvendando os mistérios do passado e construindo pontes com o presente. Com um sorriso benevolente, ele observou seus alunos, cada um com sua história individual, suas expectativas e sonhos. Em seus olhos, ardiam a paixão pela história e o desejo de compartilhar a riqueza de conhecimento que o acompanhava.
Em sua voz grave e melodiosa, ele anunciou o tema da aula: "A Revolução Francesa: um marco na história da humanidade." As palavras pairaram no ar, carregadas de significado e promessa de aventura intelectual. Akane sentiu um aperto no estômago; a história era, de longe, sua pior matéria, um emaranhado de datas, nomes e eventos que teimavam em se misturar em sua mente. Hinata e Sakura também não pareciam muito animadas. O professor, com voz monótona, começou a discorrer sobre a Revolução Francesa, enumerando datas e personagens com uma rapidez assustadora. Akane tentava acompanhar, mas as palavras se transformavam em um borrão indistinto diante de seus olhos. Taishou permanecia impassível, como se estivesse em um estado meditativo. Sua postura ereta e expressão serena contrastavam com a agitação nervosa dos demais alunos. Akane apertou os punhos, seus dedos crispados como se estivessem tentando se agarrar a algo sólido em meio à tempestade de nervosismo que a consumia. A lista interminável de datas e eventos históricos a deixava tonta; a pressão para gravar cada detalhe a sufocava.
Percebendo a angústia estampada em seu rosto, Taishou estendeu a mão, quente e firme, tocando a dela e transmitindo uma força serena que a acalmou instantaneamente. "Akane," ele disse com sua voz suave e melodiosa, "não precisa se preocupar tanto. Sei que é inteligente." Akane ergueu os olhos para ele, seus olhos de mel encontrando os dele em um encontro de almas. A confiança que emanava de Taishou era contagiante, acalmando a tempestade em seu interior e iluminando seu caminho com a certeza de que ela era capaz de superar qualquer obstáculo. "Obrigada, Taishou," disse ela com um sorriso tímido, a gratidão transbordando em seu coração. "Sua presença me tranquiliza e me motiva a seguir em frente." Kenji observava Taishou e Akane com uma mistura de fúria e ciúme que consumia seu interior. Na sala de aula, seus olhares se cruzavam, seus dedos se entrelaçavam, e seus corpos se aproximavam em uma intimidade que o deixava louco de raiva. Ele não aguentava mais ver aquela cena, a felicidade estampada no rosto de Akane enquanto ela se aconchegava ao lado de Taishou como se ele fosse seu porto seguro. Em um impulso de fúria incontrolável, Kenji se ergueu de seu lugar e gritou, sua voz ecoando pelas paredes da sala: "Ei, Seiji!" gritou ele, "acha que é tão esperto que consegue decorar tudo isso sem nem prestar atenção?"
Taishou desviou o olhar de forma calma e inexpressiva para Kenji, respondendo tranquilamente: "Talvez eu não precise decorar. A história já faz parte de mim." O professor, contagiado pelo entusiasmo de Taishou pela história, lançou-lhe uma série de perguntas, cada uma mais complexa que a anterior. Taishou, com sua mente afiada e conhecimento enciclopédico, respondia a todas elas com precisão e eloquência, impressionando a todos na sala. Os garotos, consumidos pela inveja e raiva, lançavam olhares fulminantes em sua direção. As meninas, por outro lado, suspiravam apaixonadas, encantadas pela inteligência e pelo charme misterioso de Taishou. Kenji, incapaz de conter sua frustração, ergueu-se de seu lugar e provocou Taishou novamente: "Seiji, seu idiota! Pare de se exibir para a Akane! Ela não te quer!" Sakura, irritada com a atitude de Kenji, puxou sua orelha com força. "Fica quieto, Kenji!" ela repreendeu. "Você está sempre arrumando briga! Não seja tão imaturo!" Hinata, observando a cena se desenrolar, sentiu a tensão crescendo na sala. O professor, tentando manter a calma, interveio: "Chega, Takahashi! Todos aqui estão para aprender, não para brigar. Seiji está apenas demonstrando seu conhecimento, e isso é algo que todos deveríamos admirar. As provas estão se aproximando, e seria mais proveitoso se todos se concentrassem em seus estudos." Akane, nervosa com a situação, começou a sentir-se tensa. Os olhares desafiadores dos garotos em direção a Taishou a deixavam desconfortável. Ele, por sua vez, permanecia calmo e impassível, como se estivesse acima de toda aquela confusão.
Kenji, consumido pela frustração, ergueu-se abruptamente de seu lugar, lançando uma provocação cruel a Taishou: "É fácil responder perguntas quando você é um monstro que viveu por séculos! Você não tem o direito de competir com a gente!" As palavras de Kenji atingiram Taishou como um raio em um dia claro. Por um breve momento, seus olhos se arregalaram em puro terror, a mente assombrada pela possibilidade de que Kenji tivesse descoberto seu segredo. Sakura, já habituada às explosões de raiva de Kenji, agiu rapidamente, puxando-o com força para fazê-lo calar a boca. "Chega, Kenji!" ela gritou com fúria. "Você está se comportando como um idiota! Pare de atormentar Taishou!" Akane assistia à cena com o coração batendo forte no peito. O medo a dominava enquanto seus olhos se moviam freneticamente entre Kenji e Taishou. A provocação de Kenji havia lançado uma sombra de dúvida sobre Taishou, e ela não sabia como reagir. Kenji, impulsionado pela raiva e pelo ciúme, continuou a lançar farpas venenosas em direção a Taishou: "Dá um tempo, Seiji! Todo mundo sabe que você é um vampiro! Ou coisa parecida! Olha para você, você é esquisito pra caralho!" Sakura, indignada com a atitude de Kenji, não se conteve e gritou com toda a força de seus pulmões: "Chega, Kenji! Você já passou dos limites! Pare de falar essas besteiras!"
Taishou, pela primeira vez em muito tempo, baixou a cabeça. As palavras cruéis de Kenji, como flechas envenenadas, perfuraram sua alma e o deixaram vulnerável. Akane, movida pela compaixão, estendeu a mão e tocou a dele com delicadeza, buscando oferecer conforto e apoio. Taishou ergueu os olhos para ela, seus olhos negros nublados pela tristeza e pela dúvida. Com voz baixa e hesitante, ele perguntou: "Você contou alguma coisa pra ele?" Akane, com os olhos cheios de lágrimas, negou veementemente: "Claro que não, Taishou. Eu jamais faria algo assim. Confie em mim." Kenji, observando a cena com um sorriso cruel nos lábios, continuou a provocar Taishou, agora com mais convicção: "Viram só? Ele mesmo se entrega! É um vampiro!" Ele pegou seu celular e tentou tirar uma foto de Taishou. As palavras de Kenji ecoaram pela sala, lançando um manto de medo e incerteza sobre os alunos. Hinata, com a voz carregada de indignação, ergueu-se de seu lugar e gritou para Kenji: "Para com isso, Kenji! Você está sendo cruel e desumano! Deixe Seiji em paz!" O professor, ciente da gravidade da situação, interveio com firmeza. Sua voz, carregada de autoridade, ecoou pela sala, exigindo silêncio e compostura de todos os alunos. "Takahashi, isso é inaceitável. Se não parar imediatamente, terei que tomar medidas disciplinares." Kenji, ignorando a ordem do professor, ergueu seu celular e gritou: "Eu vou tirar uma foto desse esquisito e provar que ele é um vampiro!"
Sakura, agindo rapidamente, tomou o celular de Kenji e o repreendeu com veemência: "Larga de ser idiota, garoto! O professor já mandou parar!" Kenji, furioso, tentou se livrar do aperto de Sakura, gritando: "Me solta, Sakura!" Uma briga começou entre os dois, seus corpos se chocando e seus gritos se misturando ao silêncio atordoado da sala. Taishou, ainda abalado pelas palavras de Kenji, se levantou calmamente. Seus olhos, antes gentis, agora estavam frios e penetrantes. Ele caminhou em direção a Kenji, que o encarava com uma mistura de medo e raiva. Kenji, ousado, apontou a câmera do celular para Taishou, que, com um movimento rápido e preciso, golpeou o aparelho, estilhaçando-o no chão.
Um silêncio profundo tomou conta da sala. Todos os olhares se voltaram para Taishou, que, apesar da raiva, respirava profundamente para se acalmar. Com uma calma tensa, ele fixou seu olhar em Kenji e disse, com uma voz baixa e firme: "Você deveria se preocupar mais com suas próprias fraquezas do que com as dos outros." O clima na sala era palpável, e as tensões estavam longe de se dissipar. Em um sussurro gélido, Taishou afirmou: "Parece que quebrar o braço não foi suficiente para você!". Akane, alarmada, levantou-se para intervir, mas o professor, finalmente perdendo a paciência, explodiu: "Chega! Chega!". Ele bateu com força na mesa, fazendo com que todos os alunos se encolhessem de medo. "Akane Hiromi, Taishou Seiji, Kenji Takahashi e Sakura Fujioka! Vocês estão de castigo! Para a sala do diretor! Agora!". Os quatro, aterrorizados pela fúria do professor, trocaram olhares silenciosos e, sem questionar, obedeceram. A sala, que antes era um espaço de aprendizado, transformou-se em um palco de conflito e punição, a tensão no ar prenunciando eventos ainda mais sombrios.
Sakura, com o rosto vermelho de raiva, virou-se para Kenji: "Muito obrigada, Kenji! Você acaba de arruinar nosso fim de semana! Provavelmente, vamos ficar de detenção!" Kenji, ainda furioso por Taishou ter destruído seu celular, rebateu: "Isso é culpa desse esquisito! Por que ele ficou tão nervosinho na hora de tirar uma foto? O que você tem a esconder, hein, ô nosferatus?" Taishou lançou um olhar irritado, enquanto Kenji continuava: "Se ele não fosse tão estranho, nada disso teria acontecido." Akane, não aguentando mais, explodiu: "Chega, Kenji! Você é muito infantil! Olha tudo que você fez por causa de ciúmes!" Kenji, com o olhar triste, dirigiu-se a Akane: "Akane, eu..." Mas ela o interrompeu: "Não, chega! Se você não parar de atormentar o Taishou, eu vou te odiar para sempre! Entendeu bem?!" As palavras de Akane atingiram Kenji como uma flecha, apertando seu coração. Enquanto isso, Taishou tentava se manter calmo, segurando o pulso com força para evitar que suas mãos tremessem. Sakura, abalada pela situação, lamentava em silêncio. Na sala do diretor, ele os questionou com o cenho franzido: "De novo vocês aqui? Querem ser expulsos da escola?" Desesperadas, Akane e Sakura imploraram por uma segunda chance, prometendo que nunca mais isso aconteceria. O diretor, suspirando cansado, finalmente anunciou: "Tudo bem, vocês vão limpar a Sala de Educação Física inteira! De cima a baixo. Depois, estão liberados. E chega de brigas! Vocês já têm dezessete anos, parem de agir como crianças." Os quatro concordaram em silêncio com a punição e partiram para a sala de educação física, cada um imerso em seus próprios pensamentos e sentimentos.
A sala de educação física era um gigante de concreto e metal, um espaço cavernoso vibrante com a energia de seus frequentadores. No centro, uma enorme piscina dominava a cena, suas águas azuis cristalinas convidando a um mergulho refrescante. Ao redor, diversos equipamentos de academia se alinhavam em perfeita ordem, prontos para aqueles que buscavam fortalecer seus corpos. Cordas grossas pendiam do teto, desafiando os mais aventureiros a escalá-las. Bolas de todos os tipos e tamanhos se espalhavam pelo chão, prontas para serem chutadas, arremessadas ou dribladas. Em um canto da sala, quadras de basquete se erguiam majestosas, suas cestas esperando por jogadores excepcionais. Do outro lado, quadras de futsal ostentavam grama artificial impecável, uma arquibancada gigante para os alunos vibrarem pelos seus times. A sala de educação física era, sem dúvida, colossal. Sakura, com seu humor irreverente, soltou uma risada: "Sabem, acho que seria mais fácil se o diretor tivesse nos mandado contar os tijolos da escola do que limpar essa bagunça toda!" Akane, suspirando, concordou: "Você tem razão, Sakura. Esse lugar é enorme! Vamos levar a tarde toda para limpar tudo." Elas se entreolharam e sorriram, cúmplices na situação inusitada, antes de seus olhares se voltarem para Kenji e Taishou, que se encaravam com certa nervosidade. Sakura, com um tom brincalhão, comentou: "E ainda temos esses dois 'cão e gato' brigando o tempo todo. Isso vai deixar o trabalho ainda mais difícil!" Akane, rindo, completou: "Parece que estamos em um episódio de Tom e Jerry!"
O sol se despedia em tons de laranja e púrpura, banhando a quadra de esportes em uma luz melancólica. Sakura, Kenji, Akane e Taishou, exaustos, ainda se esforçavam para concluir a árdua tarefa de limpeza. As horas se arrastavam como um rio lento, cada minuto marcado pelo suor e pelo cansaço. Sakura, com movimentos graciosos, varria o piso com precisão, enquanto Kenji, com passos pesados, empurrava o esfregão, deixando um rastro de água limpa em seu caminho. Akane, empoleirada em uma escada, limpava as janelas com fervor, seus olhos brilhando com a determinação de terminar a tarefa. Taishou, o mais silencioso do grupo, organizava os equipamentos em pilhas ordenadas, cada bola, corda e bambolê encontrando seu lugar de descanso. Lá fora, a lua crescente, majestosa e prateada, ascendia no céu noturno, testemunhando a batalha silenciosa dos quatro amigos. As sombras se alongavam, criando formas fantásticas nas paredes da quadra, enquanto o ar se enchia com o som ritmado das vassouras e dos esfregões. Um a um, os equipamentos foram guardados, as janelas brilharam sob o luar e o piso ficou impecável. A exaustão pesava sobre seus ombros, mas uma sensação de orgulho e dever cumprido preenchia o ar. Juntos, Sakura, Kenji, Akane e Taishou transformaram a quadra de esportes em um espaço limpo e convidativo, pronto para novas aventuras e sonhos.
Com a sala de educação física finalmente limpa, restava apenas uma tarefa: juntar as bolas de basquete espalhadas pela quadra. Kenji, com um sorriso travesso, viu nessa oportunidade a chance perfeita para provocar Taishou. Enquanto Taishou, diligentemente, recolhia as bolas, Kenji se aproximou dele, fingindo um tom sério: "Seiji, você sabia que sua altura é perfeita para pegar as bolas mais altas presas na rede?" Um brilho malicioso dançava em seus olhos. Taishou, mantendo a compostura, respondeu com um sorriso irônico: "Sim, Takahashi, minha altura é uma grande vantagem. Mas a sua também é útil para pegar as bolas que estão embaixo da arquibancada." Kenji fingiu estar ofendido: "Tá me chamando de baixinho?" Taishou riu. "Eu não perderia meu tempo ofendendo você." Enquanto continuavam a trocar farpas, a provocação de Kenji era apenas uma forma de aliviar a tensão da limpeza, e Taishou sabia disso. No entanto, as provocações logo tomaram um rumo diferente.
Um sorriso arrogante se desenhava no rosto de Kenji enquanto ele apanhava algumas bolas do chão e as lançava em direção a Taishou. A tensão se tornava palpável, e Taishou, nervoso e cansado, não conseguiu desviar das bolas que o atingiram na cabeça, ricocheteando para longe. "Parece que o vampiro não é tão inatingível assim, hein?" provocou Kenji. "Chega, Kenji!", interveio Sakura, juntando algumas bolas espalhadas pelo chão. Taishou, impassível como sempre, mantinha a calma, mas seus olhos escuros brilhavam com uma intensidade incomum. "Talvez eu tenha subestimado a força da sua estupidez, Takahashi," ele retrucou. "Não me irrite, você não vai querer me ver irritado." Kenji, ignorando o aviso, continuou: "Por quê? Você vai sugar meu sangue, oh nosferatus?" E lançou mais uma bola na cabeça de Taishou.
"Chega, Kenji!", gritou Sakura, exasperada, enquanto agarrava Kenji e o arrastava para longe do casal. Kenji começou a rir. Taishou, sentindo a raiva crescendo, cerrou os punhos com força. Seus olhos, negros como a noite, se fixaram em Kenji com uma fúria que ele nunca havia demonstrado antes. Akane, percebendo o perigo que se aproximava, correu para ficar perto de Taishou. "Taishou, por favor, se acalme," implorou, segurando seus braços com firmeza. "Não vale a pena perder a calma por causa desse idiota. Estamos quase terminando aqui." O olhar triste de Akane a fez parecer ainda mais vulnerável. Kenji escutou tudo e se soltou das mãos de Sakura. "Idiota? Você me chamou de idiota, Akane? Eu sou seu melhor amigo!" "Não é mais!", Akane gritou para Kenji, assustando os três alunos presentes na quadra.
Kenji estava atormentado pelo remorso. Arrependia-se profundamente de ter provocado Taishou e de ter colocado Akane em uma situação tão difícil. Em um momento de vulnerabilidade, Kenji se aproximou de Akane e, com a voz baixa, pediu desculpas: "Akane, me desculpe por tudo. Eu fui um idiota e agi por impulso. Nunca quis te magoar." Akane, ainda ressentida, o encarou com frieza: "Desculpas não resolvem nada, Kenji. Você precisa aprender a controlar suas emoções e a pensar antes de agir. Por sua causa, perdemos o dia todo limpando a sala de educação física!" Kenji, cabisbaixo, reconheceu seu erro: "Você tem razão. Eu preciso mudar. Vou me esforçar para ser uma pessoa melhor." Akane retrucou: "Não, Kenji. Eu simplesmente não quero mais que você tenha esses ataques de raiva quando eu estiver com o Taishou." "Simplesmente, para?" "Está me entendendo?" "Eu não amo você!" "E nunca vou amar! Aceite isso de uma vez!" "E para de provocar o Taishou!" Kenji ficou paralisado com a confissão de Akane. Sakura escutava tudo, cobrindo a boca assustada. Taishou segurava seus punhos, tremendo de raiva. Kenji, com um olhar de escárnio, dirigiu-se a Akane: "Ah, então é isso? Virou a defensora do vampiro?" Sarcástico, ele completou: "Deve ser porque agora você é a namoradinha dele, não é?"
"Vocês garotas gozam litros, ficam todas excitadinhas quando veem esse esquisito passar." A provocação de Kenji ecoou pela quadra, mas Akane, tomada pela fúria, rebateu com veemência. "Namoradinha? Eu não sou namoradinha de ninguém!" A raiva transbordava em sua voz, e ela apontou para Kenji. "E você, Kenji, é um idiota arrogante e insuportável!" "Eu te odeio!" Akane gritou, sua voz carregando um peso de emoção. Kenji deu um passo para trás, fingindo estar ofendido. "Nossa, calma aí, criptózoologa," ele disse com deboche. "Vocês dois são tão esquisitos que até se combinam! O vampiro e a garota que gosta de criaturas mágicas que não existem! Um casal perfeito de esquizofrênicos! Aonde vai ser a lua de mel? No Hospício!?"
Sakura gritou com Kenji, mandando-o sair de perto de Taishou e Akane. "Keh! Que seja!" ele respondeu, mas ao notar Akane chorando de frustração e Taishou segurando suas mãos trêmulas, algo dentro dele vacilou. Ele se virou e se afastou, murmurando: "Que bando de esquisitos insuportáveis." Sakura o empurrou, gritando: "Você passou dos limites! Kenji!" Ele respondeu com raiva: "Eu não aguento ficar perto daqueles dois, Sakura! Vão se resolver num motel, seus doentes esquisitões!" Gritou Kenji, novamente, em direção a Akane e Taishou. "Cala a boca, Kenji!" gritou Sakura, exasperada. Akane, com o coração batendo acelerado, olhou para Taishou, percebendo a fúria crescente em seus olhos. Eles brilhavam ora negros como a noite, ora vermelhos como sangue. Com passos hesitantes, ela se aproximou dele e chamou baixinho: "T-Taishou?" O coração de Akane batia descompassado enquanto observava Taishou se transformar. Seus olhos piscavam entre a escuridão e a vermelhidão da fúria. Seus cabelos negros se mesclavam com pelagem prateada, e as presas cresciam enquanto ele rosnava para Kenji, que continuava a discutir com Sakura, alheio ao perigo que se aproximava. Akane encarou a lua crescente no céu, que estava quase completamente exposta, quase cheia, e uma preocupação a tomou.
"Taishou! Se acalme!" disse Akane, agarrando seu braço. "Você está deixando sua verdadeira forma transparecer!" Mas Taishou parecia inaudível, a raiva o consumindo. As garras afiadas se projetavam de seus dedos, e seus olhos brilhavam com uma intensidade animalesca. Kenji, sem perceber a transformação de Taishou, continuava a gritar do outro lado da quadra. "Ei, seus idiotas, aonde vocês estão? Se vocês pensam que eu vou juntar tudo aqui sozinho, estão completamente enganados!" Com um movimento predatório, Taishou andou lentamente em direção a Kenji, pronto para dilacerá-lo. Mas, em um ato rápido e desesperado, Akane agarrou Taishou pelo braço e o empurrou para dentro do armário de materiais, tampando sua boca com a mão e fazendo sinal de silêncio com o dedo indicador. Taishou, confuso e desorientado, se debatia dentro do armário.
"Kenji está voltando," sussurrou Akane, com a voz abafada. "Se ele te ver assim, vai ser um desastre! Por favor, Taishou, tente se acalmar e fique quieto." Aos poucos, a fúria que consumia Taishou deu lugar a uma sensação de impotência e frustração. Ele se encolheu no canto do armário, lutando para controlar sua transformação. Do lado de fora, Kenji continuava a gritar, chamando por Taishou e Akane. "Ei! Eu tô falando sério! Akane? Seiji?" Ele não entendia onde eles haviam ido. "Onde aqueles dois imbecis foram?" Kenji perguntou a Sakura, que deu de ombros enquanto terminava de juntar as bolas espalhadas no chão. O ar dentro do armário era rarefeito, quente e úmido, carregado com o cheiro de suor e medo. Akane e Taishou estavam espremidos um contra o outro, seus corpos se tocando em todos os pontos. A proximidade era desconfortável, mas também inebriante. Akane podia sentir o calor do corpo de Taishou contra o seu, o ritmo acelerado de sua respiração em seu ouvido. Seus olhos se encontraram, e por um momento, o tempo pareceu parar. Taishou, ainda abalado pela transformação, estava confuso e assustado. A situação era pior do que ele imaginava: preso em um armário apertado com uma garota humana, seus corpos se tocando intimamente, enquanto Kenji continuava a gritar do lado de fora. Akane estava nervosa, mas também curiosa. Nunca estivera tão perto de Taishou antes. Podia sentir a força e o poder que emanava dele, uma atração inexplicável.
Os gritos de Kenji e Sakura ressoavam lá fora, mas Akane se concentrava em Taishou. Ela tampava a boca dele com a mão direita e a dela com a esquerda, respirando devagar para não fazer barulho. O armário era escuro, e os olhos de Taishou brilhavam avermelhados na penumbra, revelando a luta interna que ele enfrentava. De repente, o som da voz de Kenji do outro lado do armário começou a ficar mais alto e nítido. Ele reclamava para Sakura que Akane e Taishou haviam desaparecido, deixando toda a bagunça das bolas de propósito para que eles arrumassem sozinhos. "E você pode culpá-los? Você agiu igual a um idiota o dia todo!" respondeu Sakura, sem paciência. "Cheio de ataques de ciúmes bobos por causa da Akane! Você conseguiu tirar a Akane do sério! Tem ideia do quanto isso é difícil?" "Eu quero que esses dois esquisitos se fodam!" Kenji gritou irritado, socando o armário onde Taishou e Akane estavam escondidos. Taishou cerrou os olhos, rosnando baixinho. O coração de Akane batia forte, e ela apertou a mão em torno da boca de Taishou, fazendo sinal de silêncio com o dedo indicador. Kenji finalmente terminou de juntar as bolas de basquete e se aproximou lentamente do armário para guardá-las. Akane sentiu um frio na barriga, temendo que ele fosse abrir a porta e descobrir tudo.
A maçaneta girou lentamente. Mas então, Sakura chamou Kenji. "Kenji, anda logo com isso! Eu quero ir embora!" Ela gritou do outro lado da quadra, e a tensão no ar parecia palpável. "Tá bom!" Kenji gritou de volta, olhando para as bolas jogadas no chão. "Quer saber? Que se foda aqueles dois." Ele jogou as bolas no chão, e o barulho delas rolando ecoou, como música para os ouvidos de Akane. Ela escutou os passos pesados de Kenji se afastando. Um suspiro de alívio escapuliu dos lábios de Akane. Havia sido por pouco. Ela olhou para Taishou, seus olhos se encontraram novamente. Lentamente, ela soltou sua boca, e a respiração pesada de ambos inundou o pequeno armário. Nesse momento, Taishou, tomado pela adrenalina e pela proximidade de Akane, falou baixinho, sua voz rouca e grave: "Akane, por que você fez isso?" A pergunta a pegou de surpresa. Ela hesitou, gaguejando: "Eu... eu não sei. Eu acho que... eu não queria que ninguém descobrisse sobre você." Ele se aproximou ainda mais, seus rostos a apenas alguns centímetros de distância. "Akane..." Ele sussurrou, fazendo o coração dela disparar. Akane prendeu a respiração, esperando ansiosamente pelo que ele faria a seguir. Os corpos de Akane e Taishou se pressionavam um contra o outro, seus corações batendo em uníssono. A proximidade era desconfortável, mas também inebriante. Taishou, tomado pela intensidade do momento, inclinou-se lentamente, seus olhos fixos nos dela. Ela não se moveu, paralisada pela expectativa.
Os lábios deles se tocaram de forma suave e hesitante. A princípio, o beijo foi tímido, quase inocente, mas logo a paixão tomou conta. Seus lábios se pressionaram com mais força, explorando cada canto da boca um do outro. As línguas se entrelaçaram em uma dança sensual, enquanto suas mãos se agarravam desesperadamente às roupas um do outro. A escuridão do armário intensificava a sensação de intimidade, e o calor dos seus corpos criava uma atmosfera úmida e eletrizante. Akane podia sentir o desejo de Taishou pulsando em cada toque, em cada mordida suave em seus lábios. Ela se entregava ao momento, deixando-se levar pela paixão que consumia os dois. Taishou, por sua vez, estava completamente dominado por seus sentimentos. A fúria que o havia consumido antes agora se transformava em uma paixão ardente, um desejo avassalador que o impulsionava a explorar cada centímetro do corpo de Akane. A tensão e o medo que ambos sentiam apenas intensificavam o beijo, tornando-o ainda mais urgente e selvagem. Era como se estivessem se agarrando àquele momento, como se soubessem que algo importante estava acontecendo, algo que mudaria suas vidas para sempre. O beijo durou uma eternidade, ou pelo menos foi assim que pareceu para Akane e Taishou. Quando finalmente se separaram, seus rostos estavam corados, e seus olhos brilhavam com uma intensidade que nunca antes haviam visto, ambos ofegantes. Eles se olharam por um longo tempo, sem palavras, absorvendo o que havia acontecido. No fundo, ambos sabiam que nada seria mais como antes. Aquele beijo no armário havia sido apenas o começo de uma história que prometia ser intensa, apaixonante e, acima de tudo, inesquecível.