A noite dos três lobos brancos, Caspian, Kenji e Taishou, havia sido um sucesso estrondoso. O ritual de passagem de Kenji para a alcateia foi um momento mágico e transformador, repleto de ensinamentos e controle sobre a fera interior. Com o nascer do sol, após uma noite de aprendizado e autodescoberta, Kenji se sentia energizado e livre. Era como se um novo mundo se abrisse diante de seus olhos, cheio de possibilidades e força interior. A briga com Taishou e todo o drama do passado pareciam ter sido apagados da sua memória, substituídos por uma sensação de paz e pertencimento. De volta ao aconchegante chalé de Taishou, Kenji mal podia conter sua empolgação. "Isso foi incrível!", ele exclamou. "Eu me sinto incrivelmente energizado! A sensação de liberdade é maravilhosa!". Taishou, observando o amigo com um sorriso orgulhoso, respondeu: "Você se saiu muito bem, cara. Estou muito orgulhoso de você. Você teve muita sorte de ter Caspian como tutor quando se transformou em lobisomem pela primeira vez. Ao contrário de mim, eu não sentia nada além de terror e medo. Tive que aprender tudo sozinho, na base da porrada e do sofrimento, tudo que Caspian te ensinou essa noite."
Kenji, reconhecendo sua sorte, concordou com Taishou. Os dois amigos, unidos por um laço de amizade e agora também pela irmandade da alcateia, estavam prontos para desfrutar de um merecido descanso. Kenji se encarregou de preparar um chocolate quente reconfortante, enquanto Taishou alimentava a lareira com mais lenha, criando um ambiente aconchegante e convidativo. Nesse momento, Caspian surge no chalé, pronto para partir para a cidade próxima para fazer compras. Antes de ir, ele pergunta aos amigos se precisam de algo. Taishou rapidamente faz uma lista de compras e entrega o dinheiro a Caspian. Finalmente sozinhos, Kenji e Taishou se acomodam no sofá, observando fascinados a dança crepitante das chamas na lareira. A noite anterior havia sido um marco em suas vidas, e agora eles desfrutavam da companhia um do outro, conversando sobre as experiências incríveis que viveram e sobre o futuro promissor que os aguardava. A lareira crepitava, lançando sombras dançantes na sala, enquanto os dois amigos compartilhavam histórias, risadas e sonhos, unidos por um sentimento de irmandade e companheirismo que os acompanharia para sempre.
Kenji animado e com um olhar curioso perguntou: “Por que você não me conta como foi sua primeira transformação? Quem te passou a besta?” Taishou com um olhar triste respondeu “Não é uma história feliz, e envolve Demétrio. Kenji abre a boca de espanto. “Meu padrasto?” Taishou suspira. “Sim.” Ele olha para a lareira como se tivesse tentando absorver coragem para iniciar seu relato. “Bom, foi no ano de 115 d.C.” Ele começou, sua voz carregada de dor. “Eu era um jovem guerreiro na antiga Grécia. E estávamos em vigília durante a madrugada. Era uma noite de lua cheia. Demétrio e eu éramos bons amigos. Na época. Eu não me chamava Taishou, esse nome eu adquiri depois de muitos anos para esconder minha identidade, Meu nome na época era Christian Sastre” Kenji olhava para Taishou com atenção “Então, por isso meu pai e Caspian ficavam chamando você de Christian toda hora, eu nunca entendi essa porra.” Taishou ri, mas logo sua expressão volta a ficar séria. Ele continua: “Eu e Demétrio Rodrigues éramos melhores amigos. Durante a noite de lua cheia, Demétrio perdeu o controle da sua transformação, e atacou todos os nossos companheiros. Ele matou a todos nós, e quando tinha chegado minha vez, ele disse que não iria me matar, e que iria me dar algo incrível. Ele me mordeu naquela noite. Me contaminando com a besta negra.” Kenji escuta tudo com a boca aberta ”Desde a época dos romanos, meu pai era um cuzão, em?” Ele comentou, tentando trazer algum momento cômico para a história trágica. ”O que aconteceu depois?” Ele pergunta, com a cara ansiosa.
Taishou lhe lançou um olhar triste, suspirou e continuou a contar: “Eu me isolei da minha família e amigos, eu fugi para bem longe pois eu temia matar e machucar as pessoas que eu amava. Eu perdia o controle em toda noite de lua cheia, e acordava semi-nú , com a boca e as mão cobertas de sangue.” Kenji o olha com uma expressão apavorada. “Meu pai nunca te ajudou?” “Não.” Taishou respondeu. “Ele me amaldiçoou, e depois disso, eu só fui encontrar ele muitos anos depois, em Greifswald, na Pomerânia, durante o ano de 1320. Foi onde eu conheci Caspian Taylor, nosso atual mentor. Ele era o Marechal e conselheiro da alcateia de lobisomens de Demétrio, ao qual mais tarde eu faria parte.” Kenji espantado, comentou: “Caralho cara, tu é um dinossauro.” Taishou riu, mas logo fica sério: “Esse período da minha vida não é o mais feliz…” Kenji sem entender, questiona. “Porra, piora?” e Taishou responde. “Piora, muito” Ele respira e continua a contar. “Esse período foi quando… eu conheci minha esposa Catarine Sastre. Kenji com uma expressão surpresa comenta “Ah, você já foi casado! É mesmo.” Taishou continua: “Caterine foi minha companheira durante muito tempo. Tivemos dois filhos. Caleb e Derik. E lutamos juntos nas guerras e conflitos da nossa alcateia.” Kenji dá de ombros e bebe o chocolate quente: “É por isso que você sempre foi um filha da puta inteligente com a matéria de história no ensino médio, e por isso que você trabalha em um museu. Você basicamente viveu a porra toda na pele.” Taishou concorda rindo. Kenji pede para ele continuar. “O que aconteceu com a sua esposa e seu filho Derik? Eu não os conheço. Eles morreram?”
Taishou com uma expressão sombria no rosto respondeu com amargura. “Eles foram assassinados pela igreja católica.” O olhar de tristeza e angústia era evidente em seus olhos. “Catarine foi pega em uma emboscada durante suas transformações em lua cheia, ela foi capturada, e juntamente com meu filho, Derik, que era apenas um bebê na época... foram condenados a fogueira.” Kenji quase engasga com o chocolate quente, com uma cara de espanto ele grita: “Puta merda!” Taishou se esforça para não chorar, e continua a contar. “Foi então, que um período de trevas se levantou para nossa espécie, e a igreja caçou e matou todos do meu clã, um por um. Só eu consegui sobreviver, eu, Caleb, Demétrio... e bom... pelo jeito Caspian.” A revelação de Taishou sobre seu passado sombrio e a história trágica de sua esposa e filho deixaram Kenji em choque e profunda empatia. A dor e o sofrimento que Taishou carregava eram palpáveis, e Kenji mal podia imaginar a imensidão da perda e da tristeza que ele havia enfrentado ao longo dos séculos. O silêncio se instalou na sala por alguns instantes, enquanto Kenji processava as informações e tentava compreender a magnitude da dor que Taishou havia suportado. A lareira crepitava, lançando sombras dançantes na sala, mas o calor do fogo não era suficiente para amenizar a frieza da realidade que se descortinava diante de Kenji. Finalmente, quebrando o silêncio, Kenji murmurou: "Eu não imaginava que seu passado fosse tão... pesado."
Taishou assentiu, com o olhar perdido nas chamas da lareira. "Eu fiquei sozinho por mais de 700 anos, até conhecer você, Akane, e os outros.” Kenji se aproximou de Taishou e colocou a mão em seu ombro em um gesto de apoio. "Você não está mais sozinho, Taishou," ele disse com convicção. "Agora, eu estou com você, e prometo nunca mais deixar você passar por nada horrível assim de novo." Taishou olhou para Kenji, seus olhos marejados de lágrimas. "Obrigado, Kenji," ele disse com a voz embargada pela emoção. "Isso significa muito para mim." Nesse momento, um sentimento de profunda conexão e irmandade se fortaleceu entre os dois amigos. Kenji havia compreendido não apenas o passado de Taishou, mas também a força e a resiliência que ele demonstrava ao seguir em frente, apesar das cicatrizes que carregava. A relação entre Kenji e Taishou se tornou ainda mais profunda e sólida. Eles se apoiavam mutuamente, compartilhando seus segredos e medos, e se fortalecendo juntos na jornada da vida. A dor do passado ainda pairava sobre Taishou, mas ele sabia que não estava mais sozinho. Ele tinha Kenji ao seu lado, um amigo verdadeiro que o compreendia e o aceitava como ele era, com todas as suas falhas e imperfeições.
O clima no chalé se transformou em um instante. A pesada atmosfera de dor e tristeza deu lugar a uma corrente de paixão e desejo entre Kenji e Taishou. Aproximando-se um do outro, suas carícias se intensificaram, criando uma eletricidade palpável no ar. No entanto, o momento mágico foi bruscamente interrompido pelo toque insistente do celular de Kenji. Suspirando de frustração por ter seu momento romântico interrompido, ele pegou o aparelho e olhou para a tela, seus olhos se arregalando ao ver o nome de quem ligava: "Akane". Taishou, observando a mudança na expressão de Kenji, fechou a cara, ainda carregando a mágoa e a tristeza da recente traição de sua esposa. Ele não estava pronto para falar com ela, e a raiva se apoderou dele. Sem dizer uma palavra, ele se afastou de Kenji e virou as costas, encarando a lareira com um olhar distante e melancólico. Kenji, dividido entre a paixão por Taishou e a necessidade de atender a ligação de Akane, hesitou por alguns segundos. Ele sabia que Taishou ainda estava magoado e que a conversa com Akane poderia ser difícil, mas também não podia ignorá-la.
Tomando uma decisão rápida, Kenji atendeu o telefone, respondendo com um tom neutro: "Alô?". A voz de Akane do outro lado da linha era de desespero e angústia, carregada de culpa e arrependimento. “Kenji, graças a Deus você atendeu! Por favor, por favor, passa o telefone para o Taishou!” A revelação de Akane, implorando para falar com Taishou, lançou uma nova onda de tensão no chalé. Kenji, dividido entre a lealdade ao amigo e a necessidade de atender ao pedido desesperado da amiga. “Eu…ele não quer conversar agora, Akane.” Kenji disse com a voz baixa e calma. Mas ela insistiu. “Por favor Kenji, não é sobre eu ou sobre nós, é sobre Caleb!” Kenji, tomado por um turbilhão de emoções, hesitou por alguns instantes. Ele sabia que Taishou ainda estava magoado com Akane, e a ideia de colocá-lo frente a frente com ela o deixava apreensivo. Mas também não podia ignorar o desespero que emanava da voz da mulher.
Tomando uma decisão rápida, ele se aproximou de Taishou, tocando seu ombro com cuidado. "Taishou," ele disse em voz baixa, "a Akane está no telefone. Ela quer falar com você." Taishou se virou para Kenji, seus olhos se estreitando em uma mistura de surpresa e raiva. "Ela quer falar comigo?" ele perguntou com a voz fria e cortante. "O que ela quer?" Kenji engoliu em seco, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. "Ela não me disse," ele respondeu honestamente. "Mas ela parecia... desesperada…é sobre Caleb…" Taishou ficou em silêncio por alguns momentos, ponderando suas opções. A raiva que ele sentia de Akane era grande, mas a curiosidade também o consumia. Ele queria saber o que ela tinha a dizer, o que a motivava a entrar em contato depois de tudo o que aconteceu. Finalmente, ele assentiu com a cabeça, um olhar de determinação tomando conta de seus olhos. "Tudo bem," ele disse com a voz firme. Kenji, aliviado por ter tomado a decisão certa, entregou o telefone para Taishou. O clima no chalé era carregado de expectativa e tensão enquanto Taishou levava o aparelho à orelha e se preparava para confrontar a mulher que havia traído seu amor e sua confiança.
A voz de Akane irrompeu no chalé como um trovão, carregada de desespero e angústia. "Taishou!" ela implorou, "graças a Deus você me atendeu!". Taishou, ainda absorto em seus pensamentos sombrios, ergueu o telefone com um sobressalto. "O que você quer?" ele perguntou com frieza, sua voz cortando o ar como uma lâmina. "Por favor, não desliga!" Akane suplicou, sua voz embargada por lágrimas. "Não é sobre mim, ou você, é sobre nosso filho, Caleb!". O nome de Caleb ecoou no chalé como um fantasma, despertando em Taishou um turbilhão de emoções reprimidas. Uma onda de medo e pânico o inundou, e seus olhos se arregalaram com horror. "Caleb?" ele perguntou, sua voz tremendo de angústia. "O que tem ele?". "Ele está preso!" Akane soluçou suas palavras dilacerando o coração de Taishou. "Ele perdeu o controle durante o festival da lua, se transformou em lobisomem, e atacou algumas pessoas... ele quase matou a Sakura!".
As palavras de Akane atingiram Taishou como um raio, trazendo à tona as memórias horríveis da morte de seu outro filho, Derik. A dor e a culpa o consumiram, e ele se viu preso em um vórtice de desespero. A mesma história se repetindo. Um membro de sua família perdendo o controle e em perigo. Um grito abafado de angústia escapou de seus lábios, enquanto ele se encolhia em agonia. A imagem de Caleb, preso e acusado de um crime terrível, assombrava sua mente. O chalé, antes um refúgio de paz e tranquilidade, se transformou em um palco de tragédia. A lareira, que antes crepitava aconchegantemente, agora parecia lançar sombras ameaçadoras nas paredes.
Taishou quase rosnando, disse: “Eu quero detalhes, agora!” Exigiu, com um olhar de desespero no rosto. Akane do outro lado da linha, só sabia chorar “Sakura proibiu Yuki de namorar Caleb, os dois discutiram, Sakura foi horrível com ele, chamando ele de monstro. Caleb não conseguiu segurar sua ira, e simplesmente perdeu o controle. Ele quase matou a Sakura, foi por muito pouco. Ele só não a matou, porque a madrasta da Hinata, Izumi Nakamura, começou a atirar nele no meio do festival!” A história de Akane deixava Taishou cada vez mais nervoso, suas mãos tremiam em pânico. “Caleb... está bem? Ele… está muito ferido?” Perguntou, com a voz arrastada de medo. Akane respondeu imediatamente, sua voz carregada de angústia. “Ele está bem, Tai... tem alguns ferimentos, mas está bem! O problema, é que a Izumi levou ele para a delegacia, e prendeu ele. Ele… está sendo acusado de homicídio!” A revelação de Akane sobre o estado de Caleb e a grave acusação de homicídio que pairava sobre ele lançou Taishou em um abismo ainda mais profundo de desespero. Seus olhos se arregalaram em puro terror, e suas mãos tremiam incontrolavelmente. "Homicídio?" ele murmurou, sua voz quase inaudível. "Mas... ele não matou ninguém, Akane! Ele só perdeu o controle." "Eu sei, Tai," Akane respondeu entre soluços, "mas a Izumi Nakamura é implacável.
Ela o viu atacar a Sakura e, no calor do momento, o acusou de assassinato. A polícia o prendeu e o levou para a delegacia. Estão querendo imputar as mortes do massacre do último festival nele!" Taishou se levantou bruscamente, derrubando a caneca de chocolate com um estrondo no chão. Kenji o olhou assustado. Ele escutava a conversa, mas não compreendia direito o que estava acontecendo. Seus pensamentos eram uma tempestade de fúria, medo e impotência. "Preciso voltar, preciso encontrar vocês" Taishou disse, sua voz carregada de determinação. "Preciso ver meu filho, Akane. Preciso saber se ele está bem." "Não, você não pode!" Akane implorou, tentando acalmá-lo, "você não pode ir até a delegacia agora. A polícia está te procurando também. Eles já sabem que você e Caleb são lobisomens! Eles podem matar vocês dois! Taishou ignorou os avisos de Akane. "Não me importo com a polícia," ele rosnou. "Só me importo com meu filho. Ele precisa de mim agora, Akane. Eu não vou abandoná-lo." Ele disse. Desligando o telefone e se levantando em direção a porta.
Ele pegou seu casaco com movimentos frenéticos e se preparou para sair, a raiva e o desespero em seus olhos. "Fique aqui, Kenji, preciso voltar para Hinode." ele disse para o amigo, que o observava com preocupação. "Eu vou resolver isso. Eu vou tirar Caleb dessa confusão." A fúria e o desespero de Taishou o impulsionavam para fora do chalé, mas Kenji não permitiria que ele partisse em uma missão precipitada que poderia colocar sua vida e a de Caleb em ainda mais perigo. Com um salto rápido e preciso, Kenji se colocou na frente de Taishou, bloqueando seu caminho.
"Taishou," ele disse com firmeza, "você não pode ir assim. A polícia está te procurando, e se você for para a delegacia, será preso também. Precisamos pensar com calma e encontrar uma solução que não coloque ninguém em risco." Taishou, tomado pela angústia, olhou para Kenji com os olhos cheios de lágrimas. "Mas Caleb... ele está em perigo, Kenji! Ele está sendo acusado de homicídio, e eu não posso ficar aqui parado enquanto meu filho sofre!" Kenji colocou uma mão no ombro de Taishou, tentando acalmá-lo. "Eu sei que você está desesperado, Taishou," ele disse com compaixão, "mas você precisa se controlar. Se você agir por impulso, tudo pode piorar. Precisamos pensar em um plano, uma maneira de ajudar Caleb sem colocar em risco a segurança de ninguém."
Taishou respirou fundo, tentando controlar a raiva que o consumia. Ele sabia que Kenji tinha razão, mas a ideia de seu filho preso e acusado de um crime, os policiais o torturando por ele ser um lobisomem o deixavam em pânico. "Tudo bem," ele disse finalmente, sua voz ainda tremendo, "mas você precisa me ajudar, Kenji. Eu não sei o que fazer." Kenji assentiu com a cabeça. "Eu vou te ajudar, Taishou," ele prometeu. "Mas primeiro, você precisa me contar tudo o que sabe sobre o que aconteceu com Caleb."
Taishou se sentou no sofá novamente, ainda abalado pela notícia, e narrou tudo o que Akane lhe havia dito. Ele contou sobre a briga entre Caleb e Sakura, a perda de controle de seu filho e a acusação de homicídio feita por Izumi Nakamura. Enquanto Taishou falava, Kenji o observava com atenção, absorvendo cada detalhe da história. Quando ele terminou, Kenji respirou fundo e disse: "Taishou, você precisa entender que você não pode voltar para Hinode. Se você for para lá, a polícia vai te prender, e a cidade inteira vai te julgar. Eles já te temem por causa da sua natureza, e se souberem que você é pai de um lobisomem, a situação vai ficar ainda pior." Taishou se levantou bruscamente, seus olhos cheios de horror. "Mas eu não posso abandonar meu filho, Kenji! Ele precisa de mim!"
"Eu sei que você quer ajudar Caleb," Kenji disse com calma, "mas ir para Hinode agora só vai colocar vocês dois em perigo. Precisamos encontrar uma maneira de ajudá-lo de longe, sem nos expor." As palavras de Kenji ecoaram na mente de Taishou como um soco no estômago. A ideia de voltar para Hinode era aterrorizante, mas a possibilidade de ficar longe de Caleb era ainda pior. Ele se sentou novamente, cabisbaixo e derrotado, a mente atormentada pela dúvida e pelo medo. A ideia de perder outro filho era insuportável para ele. "Mas o que podemos fazer, Kenji?" ele perguntou com a voz fraca, carregada de desespero. "Como podemos ajudar Caleb se não podemos estar ao lado dele?" Kenji ponderou por alguns instantes, buscando uma solução que não colocasse em risco a segurança de nenhum dos dois. Ele sabia que Taishou estava desesperado, mas também sabia que agir por impulso só os levaria a um caminho ainda mais sombrio. "Existem outras opções, Taishou," ele disse com calma, tentando transmitir um tom de esperança. "Podemos tentar encontrar um advogado, alguém que possa defender Caleb e provar sua inocência."
Taishou o olhou com um misto de ceticismo e esperança. "Advogado, Kenji? Que tipo de advogado defenderia um lobisomem? Humanos são todos covardes e hipócritas, só querem se livrar de nós." Kenji suspirou, compreendendo a frustração e a raiva de Taishou. "Tem razão, foi uma ideia bosta..” Enquanto Kenji falava, uma ideia ousada começou a tomar forma em sua mente. Ele se inclinou para Taishou e sussurrou: "E se... e se houvesse outra maneira de ajudar Caleb? Uma maneira mais... direta?"
Taishou o observou com atenção, seus olhos se estreitando em curiosidade. "O que você quer dizer, Kenji?" Kenji respirou fundo, sabendo que a proposta que estava prestes a fazer era arriscada, mas também acreditando que era a única chance de salvar Caleb. "Suborno," ele disse finalmente. "Você é rico, Taishou. Poderia subornar a delegacia inteira, se quisesse." Taishou ficou em silêncio por alguns segundos, ponderando a proposta de Kenji. A ideia de usar seu dinheiro para influenciar a justiça o enchia de repulsa, mas também o tentava com a possibilidade de tirar Caleb da prisão. "Você acha que isso funcionaria?" ele perguntou com voz hesitante. Kenji assentiu com a cabeça. "É uma chance, Taishou. Uma chance de tirar Caleb da prisão e dar a ele um julgamento justo." Taishou se levantou bruscamente, seus olhos cheios de determinação. "Então vamos fazer isso, Kenji!" ele disse com firmeza. "Vamos subornar a delegacia e tirar meu filho dessa bagunça!" Pegando o telefone de Kenji, ele discou o número da delegacia de Hinode, pronto para dar início a um plano arriscado e controverso que poderia mudar o destino de Caleb para sempre.
Uma voz tranquila e calma ecoou do outro lado da linha. “Delegacia de Hinode, como posso te ajudar?” Taishou com a voz rouca pelo nervosismo responde “Eu quero falar com a delegada Izumi Nakamura. É urgente.” A voz monótona e artificial respondeu “Certo, senhor. Aguarde um momento.” A voz do outro lado da linha coloca Taishou em on hold, e uma música de espera é tocada. Kenji e Taishou se entreolham nervosamente. “Obrigado por sua paciência. A delegada Izumi Nakamura ainda está ocupada com outro caso. Sua espera estimada é de aproximadamente cinco minutos. Em caso de emergência, disque 190.” Kenji e Taishou suspiram novamente. Eles aguardam mais alguns minutos na linha. Até que uma voz impotente atende. “delegada Izumi Nakamura falando. Quem é?”
Taishou quase sentiu suas forças saindo do corpo ao ouvir a voz da delegada, mas ele precisava ser firme naquele momento. "Sou eu, Taishou Seiji." A delegada Izumi faz um silêncio, antes de responder. "Ah, senhor Seiji, amigo de infância da minha enteada, Hinata! Ora, ora, por que está ligando diretamente para a polícia de Hinode? Você vai se entregar também? Agora que já sabemos sobre você e seu filho!". Taishou respondeu: “Delegada, eu não estou ligando para me entregar. Eu estou ligando para proteger meu filho. Eu quero um acordo.” Houve uma pausa do outro lado da linha. “Acordo, senhor Seiji?” Izumi perguntou, sua voz fria e calculista. Taishou respirou fundo antes de responder. “Quanto você quer? Dinheiro não é problema para mim, mas, em troca, eu quero que você garanta a segurança do meu filho.” A linha ficou em silêncio por um momento antes de Izumi finalmente responder. “Está me subornando, senhor Seiji?” “Não, Delegada, não é um suborno,” Taishou respondeu, sua voz firme. “É uma garantia. Uma garantia de que meu filho estará seguro. Você quer mesmo manter um lobisomem preso? Você acha que vai conseguir segurar ele na próxima noite de lua cheia? Izumi respondeu: “Você tem muita coragem em oferecer pagar por algo tão grave. Vou falar isso como sendo uma oficial da lei. Não é algo tão fácil comprar minha justiça. Seu filho tentou matar alguém e escandalizou a todos, fora os inúmeros homicídios que ele fez no último massacre do festival. E você acha que só porque tem grana, ele pode ser liberado da cadeia na canetada, hein?” A delegada fica em silêncio por um instante “Eu quero que ele pague pelas suas ações. Por isso, ele terá que cumprir dois anos preso em uma instituição socioeducativa específica para menores infratores.“
Taishou seguiu firme:” Todos temos um preço, delegada. Eu só quero saber o seu. Eu só desejo meu filho ao meu lado. É melhor você aceitar meu dinheiro do que ficar com ele aí. Ele pode se tornar instável e perigoso. E nenhuma das suas armas será eficaz para parar ele. É um bom acordo. Deixe meu filho ir, e você nunca mais terá qualquer notícia minha, nem dele.
A voz de Izumi se endureceu. "Senhor Seiji, eu compreendo seu desespero como pai, mas não posso me corromper. Meu dever é defender a lei e proteger a população. Seu filho cometeu crimes graves, e a justiça precisa ser feita. Oferece-me dinheiro é um insulto à minha posição e uma tentativa de subverter o sistema. Se você realmente acredita que pode comprar sua saída dessa situação, está enganado. Taishou, desesperado para proteger seu filho, apela à delegada Izumi com uma oferta irrecusável: "Quanto você quer, Izumi? Qualquer valor. Eu pago o que for preciso." Sua voz, carregada de angústia e urgência, ecoa pelo telefone, transmitindo a gravidade da situação. Ele está disposto a abrir mão de qualquer quantia de dinheiro, sem limites, para garantir a segurança de seu filho, mesmo que isso signifique subornar uma oficial da lei. A proposta de Taishou é audaciosa e arriscada. Ele sabe que está pisando em terreno perigoso, mas a possibilidade de perder seu filho o leva ao limite. Ele se agarra à esperança de que Izumi, movida pela quantia exorbitante oferecida, aceite sua proposta e libere seu filho da cadeia.
“A delegada Izumi fica em silêncio novamente “Se é dinheiro que você quer pagar para comprar minha justiça.... Tudo bem. Aceito suas notas.” Taishou pergunta: “Quanto você quer?” A delegada responde: Quero cinquenta bilhões de yenes. A exigência de Izumi por cinquenta bilhões de yenes cai como uma bomba sobre Taishou. Ele fica chocado e indignado com a quantia exorbitante. A ideia de pagar uma quantia tão alta parece absurda e irracional. Taishou, engole seco, a realidade o atingindo “Então... você quer cinquenta bilhões de yenes para liberar meu filho?” Izumi responde “Sim, senhor Seiji. É uma quantia justa, considerando a gravidade dos crimes de seu filho e o impacto que causaram na comunidade.” Taishou começa a rir sem humor “Justa? Cinquenta bilhões de yenes é uma fortuna!” Izumi mantém a voz calma e impassível “Quanto vale seu sossego, sua paz? Quanto vale eu não revelar ao mundo a existência da sua espécie? Eu estou sendo até racional e boazinha. A decisão é sua, senhor Seiji. Se você deseja a liberdade de seu filho, este é meu preço.”
Taishou sente raiva e frustração crescendo dentro de si, mas aceita. “Seu preço realmente não é barato , mas eu não me importo. Eu pago. Eu quero que você solte meu filho e coloque ele no avião mais próximo para a Inglaterra. Quero que todos os meus registros, e os registros dele sejam destruídos. E quero que a cidade Hinode esqueça da existência dele, e da minha para sempre. Você nunca mais vai procurar por nós. Temos um trato?” Izumi sorri com satisfação “Excelente decisão, senhor Seiji. Você fez a escolha certa.” Taishou torce a cara e com ódio diz “Quando você vai liberá-lo?” Izumi, Com um tom arrogante responde “Assim que o dinheiro estiver em minha conta. E não se preocupe, senhor Seiji. Eu seguirei nossa parte do acordo. Seu filho estará no próximo voo para a Inglaterra, e ninguém mais ouvirá falar dele ou de você em Hinode.”
Taishou apertou os punhos, contendo a fúria “Você me garante que ele estará seguro? Izumi ergue uma sobrancelha, com ironia “Claro que sim, senhor Seiji. Eu sou uma mulher de palavra.” Taishou ainda não acreditando, respondeu com desconfiança. “Eu espero que você esteja dizendo a verdade, delegada, eu não me importaria em retornar para Hinode, apenas para mata-la!” Izumi riu “Não se preocupe, senhor Seiji. Eu não costumo mentir para meus clientes.” Taishou, com o rosto vermelho de raiva, encerra a ligação e joga o telefone na mesa. “Essa puta quer cinquenta bilhões de Yenes para soltar o Caleb.” Ele esbraveja. Kenji, que estava sentado ao lado do amigo no sofá, arregala os olhos em surpresa. Ele engole em seco antes de responder: “cinquenta bilhões de yenes? Isso é loucura! A audácia dessa delegada… Que preço absurdo. Ela acha que está num leilão de presos?!” Ele balança a cabeça em descrença, claramente chocado com a situação. Kenji solta uma risada e passa a mão pelos cabelos. “Não se preocupe, Taishou. Eu tenho uma boa quantia guardada no banco. E você, quanto tem no banco?” Taishou responde: “Eu tenho esse dinheiro. Mas é praticamente quase todo meu patrimônio ”
Kenji, surpreso, exclama: “Você está brincando, certo? Você vai ficar sem um centavo na sua conta bancária?” Taishou, com um olhar sério, responde: “É meu filho, droga. Não posso deixar que o machuquem.” Kenji, admirado, diz: “Eu não te julgo, na verdade, eu fico até impressionado com a sua dedicação. Você sacrificaria todo o seu patrimônio para salvar o seu filho, é um nível de devoção que poucas pessoas têm para com a família hoje em dia.” Taishou suspira profundamente e diz: “Eu não preciso de dinheiro vivendo aqui na alcateia.” Kenji, com um sorriso malicioso, diz: “É verdade. Aqui na alcateia, você tem tudo o que precisa. Não precisa pagar conta alguma, ninguém depende do seu dinheiro… a não ser que queira comprar alguma coisa para mim, é claro.” Taishou ri e dá um soquinho leve no amigo, dizendo: “Vai à merda, Kenji.” A amizade entre eles é evidente, mesmo em meio à tensão da situação. Kenji ri e faz uma proposta a Taishou: “Que tal se eu pagar essa dívida pelos próximos seis meses, enquanto você paga os últimos seis? Eu posso pagar vinte e cinco bilhões de yenes.” Mas Taishou, com um olhar sério, recusa a oferta. “Cara, você já fez tanto por mim, não vou deixar você assumir uma dívida absurda dessas.” A lealdade de Taishou é evidente, assim como a generosidade de Kenji.
Kenji, com uma expressão séria, diz: “Eu já te disse inúmeras vezes: eu faço tudo por você. Mesmo que isso signifique ter que gastar uma boa quantia de dinheiro.” Taishou se aproxima de Kenji, olhando-o profundamente nos olhos. Há uma intensidade em seu olhar que faz Kenji parar de falar por um momento. Então, Kenji continua, com uma determinação inabalável em sua voz: “Você sabe que eu até venderia meu pulmão para te salvar, Taishou.” A profundidade de sua amizade é evidente em cada palavra. Taishou, com um sorriso suave, acaricia o rosto de Kenji. “Muito obrigado, cara,” ele diz, a gratidão evidente em sua voz. Kenji, por sua vez, envolve a cintura de Taishou e o abraça. Em seguida, ele deixa um beijo demorado nos lábios de Taishou. “De nada,” ele responde, olhando nos olhos de Taishou. “Eu faço tudo por você, meu alfa.” A profundidade de sua lealdade é clara em cada palavra. Kenji, com um olhar sério, diz: “Mas você tem que me prometer uma coisa…” Taishou, curioso, pergunta: “O que?” Kenji, com um sorriso suave, responde: “Que nunca mais vai embora, e que vai ficar sempre comigo.” Ele abraça Taishou com carinho, encostando a testa no peito dele. Taishou, com um olhar determinado, responde: “Eu prometo.” A promessa, embora simples, carrega o peso de um compromisso profundo e duradouro entre eles.