“Embora não seja da minha conta o que aconteceu entre vocês dois,” disse Caspian, com sua voz calma e serena, “É importante que você vá conversar com Kenji agora mesmo. A primeira transformação de Kenji em lobisomem será essa noite, e é um momento crucial, e ele precisava estar o mais calmo possível para evitar que qualquer sentimento forte o domine durante o processo. “Sim, eu sei disso, você está certo.” Disse Taishou suspirando. “Eu vou falar com ele”. Sem hesitar, Taishou caminhou até o quarto onde Kenji havia se refugiado. Ao chegar ao quarto, Taishou bateu na porta com cuidado: “Kenji, sou eu, Taishou. Posso entrar?” Kenji, ainda abalado pela briga com ele, hesitou em atender, mas a insistência paciente de Taishou o convenceu a ceder. Ao abrir a porta, Kenji se deparou com o olhar compreensivo e acolhedor de Taishou.
“Cara, eu sei que o que aconteceu entre nós ontem, foi confuso e doloroso para você, mas eu não quero que isso interfira no seu treinamento e na sua primeira transformação essa noite.” Disse Taishou, com a voz firme e serena enquanto olhava Kenji deitado na cama frustrado. Kenji com raiva, respondeu: “Eu não me importo! Se eu me transformar em um monstro, a culpa será toda sua!” Taishou suspirou, e se aproximou de Kenji “Não diga isso, Kenji. Você não é um monstro. Eu sei que você está com raiva, e eu entendo. Mas por favor, me escute. A primeira transformação é um momento crucial, e você precisa estar o mais calmo possível. Seus sentimentos negativos podem te dominar durante o processo e causar problemas.” Taishou coloca a mão no ombro de Kenji e olha em seus olhos com compaixão. “Eu sei que você está confuso e magoado. Mas eu quero que você saiba que eu te amo. E eu sempre vou estar aqui para você, não importa o que aconteça.”
“Ama o caralho!” Disse Kenji revirando os olhos. “Amo sim, cara” Taishou insistiu e abraçou ele. “Apenas se concentre na sua transformação. Depois, podemos conversar sobre tudo isso com calma. Pode fazer isso por mim? Kenji olha para o chão, ele parece frustrado. “Posso…mas…você não vai conseguir fugir da nossa conversa para sempre”. Taishou concordou. “Eu prometo, assim que o ritual acabar, vamos conversar.” Ao retornarem à sala, Caspian sorri para Taishou e Kenji, eles se cumprimentam com um aceno de cabeça e saem juntos para se encontrar com a alcateia.
Sob a luz prateada da lua cheia, em uma clareira serena no meio da floresta gélida, um ritual ancestral se desenrolava. Caspian, o mentor experiente, guiava Kenji, em busca de sua transformação em lobisomem, por um caminho árduo e transformador. O clima era tenso, permeado por uma mistura de expectativa, medo e incerteza. A lua, símbolo de transformação e mudança, pairava no céu, pronta para revelar os segredos que guardava em seu coração prateado. Caspian, com sua sabedoria ancestral e experiência com a licantropia, havia se tornado um mentor para Taishou e Kenji. Ele os guiava pelos caminhos da transformação, ensinando-lhes como controlar seus instintos e lidar com os desafios que a maldição impunha. Apesar da relação tensa entre Taishou e Kenji, ambos se esforçavam para manter a aparência de harmonia na frente da alcateia. A dor da traição de Akane, e o sexo conturbado que ele teve com Kenji, ainda atormentava Taishou, mas a necessidade de união durante o ritual o obrigava a fingir que nada havia acontecido.
Enquanto a lua prateada banhava a neve com sua luz intensa, os três amigos se posicionaram em círculo, seus corações batendo em sincronia com a pulsação da natureza. Caspian entoou cânticos ancestrais, invocando os espíritos da floresta e pedindo proteção para os jovens lobisomens. Caspian, com sua voz grave e serena, guiou Kenji pelas etapas da sua primeira transformação, ensinando-lhe como canalizar a energia da lua e controlar seus instintos animais. Kenji, com os olhos fechados e os músculos tensos, se concentrou na força que emanava do seu interior. A cada palavra de Caspian, ele sentia a energia da lua crescendo dentro de si, pulsando em suas veias como um rio selvagem. O medo e a incerteza que ele carregava em seu coração se misturaram à energia lunar, criando um turbilhão de emoções dentro de si. A manhã daquele dia havia sido marcada por uma briga acalorada entre Kenji e Taishou, deixando Kenji ferido e ressentido. Mas, ciente da importância da calma e da união para o sucesso da transformação, ambos se colocaram à disposição para o ritual, deixando de lado as emoções por ora.
Kenji, com o coração batendo forte e a mente repleta de dúvidas, se entregou ao ritual, fechando os olhos e concentrando-se na respiração profunda. As palavras de Caspian ecoavam em sua mente, enquanto ele buscava controlar os sentimentos negativos que ameaçavam dominá-lo. Com cada respiração, Kenji sentia a energia da lua cheia pulsando em seu interior. As palavras de força e coragem repetidas em conjunto com Caspian se transformavam em um mantra, fortalecendo sua determinação. Ao abrir os olhos e encarar a lua em toda sua plenitude, Kenji sentiu uma força avassaladora percorrendo seu corpo. A transformação havia começado.
Dor e medo o invadiram, mas Kenji se lembrou das palavras de Taishou e Caspian, concentrando-se na respiração e resistindo à tentação de ceder aos sentimentos negativos. Minutos se transformaram em uma eternidade, enquanto o corpo de Kenji se contorcia e se transformava. A dor era intensa, mas sua determinação era ainda maior. De repente, um tremor percorreu o corpo de Kenji. Seus ossos começaram a estalar e seus músculos se contraíram com força sobre-humana. Uma dor aguda o percorreu da cabeça aos pés, enquanto seus sentidos se intensificavam de forma jamais experimentada antes. O mundo ao seu redor se tornou uma explosão de cores e sons, e ele sentia a força da natureza pulsando em cada fibra do seu ser. Em um rugido gutural que ecoou por toda a floresta congelada, Kenji se transformou em lobisomem pela primeira vez. Seu corpo peludo e imponente ergueu-se sob a luz da lua, seus olhos vermelhos brilhando com ferocidade e poder. A dor da transformação havia se transformado em uma força selvagem e indomável, pronta para ser desbravada e controlada. Taishou e Caspian observavam a transformação de Kenji com admiração e apreensão. Eles sabiam que a jornada do jovem lobisomem apenas havia começado, e que ele teria muitos desafios a enfrentar. Mas também tinham esperança de que, com o tempo e a orientação, Kenji aprenderia a controlar sua nova forma e se tornar um membro valioso da alcateia.
Taishou e Caspian, também transformados em lobos brancos imponentes, observavam Kenji com orgulho e admiração. Eles sabiam que o jovem lobisomem havia se tornado oficialmente um membro da alcateia, um irmão de sangue e espírito. Juntos, os três lobos brancos uivaram para a lua, seus sons se unindo em uma sinfonia selvagem que celebrava a vida, a natureza e a força da licantropia. A floresta inteira parecia vibrar com a energia de seus uivos, e os espíritos ancestrais sorriam para a união dos três amigos. Ao uivo majestoso de Kenji, Taishou e Caspian, a floresta inteira respondeu em uníssono. Uma sinfonia selvagem de uivos ecoou pelas árvores centenárias, enquanto lobos brancos de todas as idades e origens se juntavam à celebração. Lobos jovens e velhos, experientes e novatos, erguiam suas cabeças para o céu prateado, seus olhos brilhando com a luz da lua e seus corações pulsando com a energia ancestral da licantropia. Seus uivos, longos e profundos, se entrelaçavam em uma harmonia perfeita, criando uma melodia selvagem que celebrava a vida, a natureza e a força da irmandade. Kenji, Taishou e Caspian, os três lobos brancos que lideravam a sinfonia, sentiam a força da união pulsando em seus corpos. Eles eram parte de algo maior, conectados por um laço ancestral que os unia à floresta, à lua e aos seus irmãos de sangue e espírito. Com um sorriso gentil no rosto, Caspian iniciou seus ensinamentos, guiando Kenji na arte de se alimentar da energia da natureza e da lua. Seus olhos, carregados de sabedoria ancestral, brilhavam com a intensidade da luz prateada, enquanto sua voz calma e serena transmitia paz e segurança ao jovem lobisomem.
Caspian explicou que a energia da natureza permeava tudo ao seu redor, desde as árvores mais altas até as menores flores. Ele ensinou Kenji a sentir essa energia, a se conectar com ela e a absorvê-la para fortalecer seu corpo e sua alma. "A natureza é a nossa fonte de vida, Kenji", disse Caspian. "Ela nos fornece tudo o que precisamos para sobreviver e prosperar. É nosso dever respeitá-la e honrá-la." Kenji ouvia atentamente cada palavra de Caspian, absorvendo seus ensinamentos como uma esponja. Ele sentia uma profunda conexão com a natureza, uma sensação de pertencimento que nunca havia experimentado antes. Taishou, o líder da alcateia, também acompanhava os ensinamentos de Caspian com atenção. Fazia muito tempo que ele não se conectava com a natureza daquela forma, e a voz de Caspian o despertava para antigas memórias e sentimentos que ele havia reprimido por anos. Caspian, o lobo branco mais sábio da alcateia, continuava seus ensinamentos para Kenji. Com uma voz serena e um olhar transbordando sabedoria, Caspian transmitia a Kenji a importância de manter o controle de suas emoções, de cultivar a bondade e a compaixão em seu coração, e de evitar alimentar sentimentos negativos como ódio, rancor, medo e vingança.
"Esses sentimentos, Kenji", explicava Caspian, "são como chamas que podem consumir sua alma e despertar o lobo negro dentro de você. Quando o lobo negro emerge, o caos toma conta, e tudo que resta é a natureza selvagem e o desejo de sangue." Kenji, ainda impactado pela transformação que havia experimentado pela primeira vez naquela noite, absorvia os ensinamentos de Caspian com atenção e respeito. Ele entendia que o poder da licantropia era um dom, mas também uma responsabilidade, e que o controle sobre suas emoções era crucial para evitar que o lobo negro o dominasse. "Mas como posso controlar minhas emoções, Caspian?", perguntou Kenji, com a voz carregada de incerteza. "Elas são tão fortes e às vezes tão difíceis de dominar."
Caspian sorriu para Kenji, seus olhos brilhando com sabedoria ancestral. "A chave para controlar suas emoções, Kenji, está na meditação e na conexão com a natureza. Aprenda a ouvir a voz da sua alma, a sentir a energia da floresta e a se conectar com o espírito da lua. Através da paz interior, você encontrará a força para dominar o lobo negro e usar o poder da licantropia para o bem." Kenji fechou os olhos e respirou fundo, concentrando-se nas palavras de Caspian. Ele sentia a energia da natureza fluindo através de seu corpo, acalmando sua mente e aquecendo seu coração. Uma sensação de paz e serenidade o invadiu, e ele percebeu que Caspian estava certo: a chave para controlar o lobo negro estava dentro dele. Naquela noite, sob a luz da lua cheia e os ensinamentos de Caspian, Kenji aprendeu uma lição valiosa sobre o poder da bondade, da compaixão e do autocontrole. Ele entendeu que a licantropia era mais do que força e poder físico; era também uma jornada de autoconhecimento e de busca pela paz interior.
"A raiva é uma emoção poderosa, Kenji", disse Caspian, sua voz calma e serena. "Ela pode ser usada para o bem ou para o mal. É importante aprender a canalizá-la, a transformá-la em algo positivo." Kenji, ainda impactado pela transformação que havia experimentado e pelas emoções que o consumiam, perguntou com preocupação: "Mas e se eu não conseguir me controlar? O que acontecerá?". Caspian suspirou profundamente, seus olhos cheios de sabedoria e compaixão. "Se você não conseguir controlar sua raiva, Kenji", ele disse, "ela o consumirá. Você se tornará cego pelo ódio e pela fúria, e acabará machucando aqueles que você ama." As palavras de Caspian atingiram Kenji como um raio. Ele imaginou a si mesmo, tomado pela raiva, machucando alguém querido. A ideia o aterrorizava. "Não quero isso", ele disse, sua voz carregada de determinação. "Eu preciso aprender a controlar minha raiva."
Caspian sorriu para Kenji, seus olhos brilhando com esperança. "Você pode fazer isso, Kenji", ele disse. "Eu acredito em você. A força está dentro de você." Kenji fechou os olhos e respirou fundo, concentrando-se nas palavras de Caspian. Ele sentia a energia da natureza fluindo através de seu corpo, acalmando sua mente e aquecendo seu coração. Uma sensação de paz e serenidade o invadiu, e ele percebeu que Caspian estava certo: a chave para controlar sua raiva estava dentro dele.
Taishou, o líder da alcateia, observava o treinamento com curiosidade e fascínio. A raiva e o ódio realmente consumiram sua alma em algum momento quando Demétrio assumiu sua mente. O medo e a fúria tomaram conta de Taishou, e ele se transformou no lobo negro, uma criatura selvagem e implacável. Em meio à quietude da noite, sob a luz prateada da lua cheia, Taishou observava Caspian guiando Kenji em sua transformação em lobisomem. Uma onda de gratidão silenciosa tomou conta de seu ser. Naquele momento, Taishou reconhecia a importância fundamental que Caspian havia tido em sua própria vida. Sem a sabedoria, o apoio e a amizade de seu mentor, ele temia ter se perdido nas profundezas de sua própria dor e escuridão.
As lembranças dos momentos difíceis permeavam a mente de Taishou. A perda do controle para Demétrio, a culpa que o consumia, a sensação de estar perdido e sem rumo. Foi nesse cenário de desolação que Caspian surgiu, como um farol em meio à tempestade. Com sua presença firme e compassiva, Caspian guiou Taishou por um caminho de cura e redenção. Ele o ensinou a lidar com a dor, a perdoar a si mesmo e a encontrar novamente a luz dentro de si. Naquele instante, enquanto observava Caspian guiar Kenji com maestria e sabedoria, Taishou sentia seu coração transbordar de gratidão. Ele sabia que, sem a ajuda de seu mentor, jamais teria conseguido superar seus próprios demônios e encontrar a paz interior que tanto buscava. Em um gesto silencioso e carregado de significado, Taishou ergueu os olhos para o céu, expressando sua profunda gratidão à lua cheia, por ter colocado Caspian em seu caminho.
A luz dourada do sol nascente se infiltrava pelas frestas da cortina, anunciando o início de um dia que prometia ser agitado. Akane despertou com um sobressalto, o coração martelando no peito. Era o dia do Festival da Lua, uma data que sempre a deixava com um misto de apreensão e esperança. Ela sabia que essa noite seria crucial, não apenas para a cidade, mas também para sua própria vida. Levantou-se da cama e se dirigiu à janela, observando a movimentação que já tomava conta das ruas. As pessoas se preparavam para o festival, enfeitando suas casas com lanternas coloridas e preparando comidas típicas. No ar, pairava uma mistura de expectativa e alegria, mas Akane não conseguia se livrar de um sentimento de angústia. Seus pensamentos se voltaram para Caleb, seu filho lobisomem. O festival sempre o colocava em perigo, pois a lua cheia amplificava seus instintos animalescos e dificultava o controle sobre sua forma humana. Ela precisava tomar cuidado para que ele não se machucasse ou machucasse os outros.
Caleb, por outro lado, estava ansioso pelo festival. Ele planejava levar sua namorada, Yuki, para aproveitar a festa e curtir a noite juntos. Akane o advertiu sobre os perigos da lua cheia, mas ele a tranquilizou, dizendo que estava conseguindo controlar sua licantropia assim como o pai, Taishou, havia lhe ensinado. No entanto, em meio à conversa, Caleb lançou palavras ácidas para sua mãe. Ele a acusou de ser adúltera por ter se deitado com outro homem e de estar destruindo o casamento com Taishou. Akane ficou magoada com as palavras do filho, mas não se deixou abater. Ela sabia que Caleb estava apenas com raiva e frustrado com a situação familiar. Com um suspiro, Akane se afastou da janela e se dirigiu ao banheiro para se preparar para o dia. Ela sabia que seria uma noite longa e difícil, mas estava determinada a proteger seu filho e a si mesma. O Festival da Lua era um momento de transformação, e ela estava pronta para enfrentar qualquer desafio que viesse pela frente.
Enquanto se vestia, Akane fez uma prece silenciosa, pedindo força e proteção para si e para sua família. Ela sabia que precisaria de toda a sua fé e resiliência para superar os obstáculos que se apresentavam em seu caminho. O futuro era incerto, mas Akane tinha certeza de uma coisa: ela jamais desistiria de seu filho e de seu marido Taishou, e de lutar pela felicidade deles. O Festival da Lua se aproximava, mais uma vez tecendo sua magia em sua vida. Ela conhecia bem a dança da lua, as histórias que ela contava e as reviravoltas que ela trazia.
A primeira vez que aquele evento anual marcou sua vida, foi quando ela ainda era uma adolescente, durante a madrugada, onde um monstro assustador invadiu seu quarto. Esse monstro, mais tarde, se revelaria ser Taishou, um garoto novato na sua escola, que no início de sua vida era uma confusão rebelde, mas que nos anos seguintes, se transformaria no homem mais importante da sua vida. A segunda vez, foi quando Taishou fez a revelação assustadora que abalou seus alicerces, mas que também acendeu uma chama de amor incondicional. Ele era um lobisomem, e mostrou para ela, se transformando na sua frente, e mostrando a ela a beleza de seu ser selvagem. Essa segunda vez, porém, foi marcada pelo massacre. Manchando suas memórias com a brutalidade do ataque de Caleb, o filho de Taishou. Fazendo até mesmo que esse festival fosse cancelado por dois anos consecutivos.
E na terceira vez, sob a luz do perigeu e do eclipse, a lua se banhou de vermelho. Naquele ano, foi quando Akane acreditou ter encontrado a cura para a licantropia, um ritual macabro que a deixou com cicatrizes físicas e emocionais até os dias de hoje. Mas que, pelo menos, serviram para trazer cinco anos de paz em seu coração. Cada festival da lua marcava um capítulo crucial em sua história.
E agora, Akane sentia um presságio diferente. A lua prometia mais do que um marco, mas talvez o fim de um ciclo. O fim de seu casamento com Taishou, talvez? A ironia de um amor iniciado sob a luz da lua do festival, agora ameaçado pela escuridão que ela também representava. Um calafrio percorreu sua espinha enquanto ela imaginava o que o destino reservava. Será que a lua, a testemunha silenciosa de seus momentos mais intensos, seria também a cúmplice da tragédia que ela temia? Ou talvez, em meio à escuridão, surgisse um novo amanhecer, uma redenção inesperada? Akane fechou os olhos, respirando fundo o ar perfumado da manhã. A lua guiava seus passos, tecendo sua teia de mistério e esperança. Ela estava pronta para enfrentar o que quer que o Festival da Lua trouxesse, com a força do amor que a unia a Taishou e a fé inabalável na luz que sempre renasce, mesmo nas noites mais escuras. Akane aguardava com o coração batendo forte, entre a apreensão e a expectativa, o que o Festival da Lua traria para sua vida.
A noite caía sobre Hinode, e a lua cheia, como um farol prateado, anunciava o início do Festival da Lua. A cidade se enchia de cores, sons e aromas, com lanternas de papel iluminando as ruas, música tradicional ecoando no ar e o cheiro de comidas típicas aguçando o apetite. No meio da multidão festiva, Caleb e Yuki se divertiam como nunca. Caleb, com seus cabelos negros como a noite e olhos que brilhavam com a intensidade da lua, vestia um quimono tradicional que chamava a atenção por sua beleza e singularidade.
O quimono era feito de seda azul-marinho adornada com delicados bordados em prata. As mangas largas e compridas fluíam com cada movimento de Caleb, enquanto a faixa obi, amarrada na cintura com precisão, realçava sua silhueta esguia e atlética. O ponto alto do quimono era o brasão da família Sastre, bordado em fios dourados no lado esquerdo do peito. O brasão representava uma lua cheia entre duas montanhas nevadas, um símbolo da força e da resiliência da família e do antigo clã do seu pai. Caleb se sentia orgulhoso de usar o quimono, uma herança familiar que passava de pai para filho há gerações. A peça não era apenas um objeto de beleza, mas também um símbolo de sua identidade e de sua conexão com o passado.
Ao lado de Caleb, Yuki, com seus cabelos castanhos curtos lisos e um sorriso radiante que iluminava o rosto, vestia um quimono vermelho vivo adornado com flores de cerejeira. O quimono era feito de seda macia e fluida, com um tom de vermelho intenso que simbolizava paixão, amor e vitalidade. A peça era adornada com flores de cerejeira bordadas em fios dourados, que se espalhavam pelo tecido como estrelas cadentes em um céu noturno. As flores, símbolo da beleza efêmera da vida e da primavera japonesa, davam ao quimono um toque de elegância e feminilidade. As mangas largas e compridas do quimono fluíam com cada movimento de Yuki, enquanto a faixa obi, amarrada na cintura com um laço gracioso, realçava sua silhueta esguia e delicada. A faixa, em um tom de vermelho mais escuro que o quimono, contrastava com a delicadeza das flores bordadas, criando um efeito visual harmonioso e elegante.
Os dois jovens formavam um par perfeito, suas cores vibrantes se destacando em meio à multidão multicolorida. Enquanto caminhavam pelas ruas movimentadas, Caleb e Yuki riam e conversavam animadamente, aproveitando cada segundo daquela noite especial. A música festiva contagiava seus corpos, e eles se moviam ao ritmo da alegria, como se fossem as únicas pessoas no mundo. Caleb, de vez em quando, lançava olhares furtivos para Yuki, admirando sua beleza e se deliciando com sua companhia. Ele a amava com todo o seu coração, e sentia-se imensamente feliz por tê-la ao seu lado naquele momento único. A noite seguia seu curso, e Caleb e Yuki continuavam a se divertir, aproveitando cada instante do Festival da Lua. A lua cheia, testemunha silenciosa de sua felicidade, parecia sorrir para o casal, abençoando-os com sua luz prateada.
Mas, no fundo da mente de Caleb, uma sombra pairava. Ele sabia que a lua cheia também era um momento de perigo, um momento em que sua licantropia se manifestava com mais força. Ele precisava estar atento, controlar seus instintos e proteger Yuki de qualquer mal. Apesar da preocupação, Caleb não deixava que isso atrapalhasse sua felicidade. Ele estava determinado a aproveitar o festival ao máximo, ao lado da mulher que amava. Afinal, a vida era curta demais para se preocupar com o que poderia acontecer no futuro. E assim, Caleb e Yuki continuaram a dançar e celebrar, sob a luz prateada da lua cheia, aproveitando cada segundo daquela noite mágica e inesquecível. A felicidade reinava em seus corações, e o futuro, por enquanto, era apenas um mistério a ser desvendado.
No meio da multidão vibrante do Festival da Lua, Sakura, a irmã mais velha de Yuki, caminhava com passos largos e furiosos. Ainda vestindo seu pijama cirúrgico, sujo com o sangue de um plantão que ela acabara de largar, seus olhos perscrutavam cada rosto em busca da irmã rebelde. A raiva borbulhava dentro dela, como uma lava incandescente prestes a explodir. Fazia meses que Sakura havia proibido Caleb e Yuki de namorarem. A natureza perigosa de Caleb era o motivo. Ela via nele um perigo iminente para sua irmã mais nova, uma ameaça ao seu futuro. Mas Yuki, com seu espírito livre e teimoso, desobedecia as ordens da irmã com frequência. E naquela noite, não foi diferente. Ela havia se esgueirado para fora de casa, decidida a aproveitar o festival com Caleb, mesmo contra a vontade de Sakura.
Após alguns minutos de busca incessante, Sakura finalmente avistou Yuki e Caleb, lado a lado, dançando e rindo como se o mundo fosse apenas deles. A fúria tomou conta de seu corpo, e ela se aproximou dos dois com passos pesados e determinação no olhar. "Yuki!", ela gritou, sua voz cortando a música e atraindo a atenção de todos ao redor. "O que você está fazendo aqui? Eu mandei você ficar em casa!" Yuki se virou para a irmã, surpresa e constrangida. "Sakura", ela disse, tentando manter a calma. "Vim ao festival com Caleb. Não pude resistir." "Resistir o quê?", Sakura retrucou, sua voz carregada de sarcasmo. "As minhas ordens? A minha preocupação com o seu bem-estar? Você está se tornando cada vez mais irresponsável, Yuki!"
A briga entre as irmãs se intensificou, seus gritos ecoando pelo festival como um trovão. Os olhares curiosos da multidão se fixaram nelas, enquanto Caleb observava a cena com uma crescente raiva. "Você não sabe de nada, Sakura!", Yuki gritou, lágrimas brotando em seus olhos. "Caleb me faz feliz! Você só quer me controlar e me manter presa em uma gaiola!" "Eu só quero o seu bem, Yuki!", Sakura retrucou, sua voz embargada pela emoção. "Mas você não me escuta! Você está cega pelo amor e não consegue ver o perigo que está correndo!"
No coração vibrante do Festival da Lua, uma cena chocante se desenrolava, contrastando com a alegria contagiante do evento. Sakura, a irmã mais velha de Yuki, agarrava a irmã pelos cabelos com força e fúria, arrastando-a de volta para casa. A briga entre as irmãs, iniciada em casa, se transformava em um espetáculo público, atraindo olhares curiosos e preocupados da multidão.
Hinata, amiga de infância de Akane e Sakura, que também participava do festival com sua mãe Haru e sua madrasta Izumi, observava a cena com espanto e preocupação. Ao ver a violência com que Sakura tratava Yuki, Hinata não hesitou em correr para tentar acalmar a situação. "Solta ela, Sakura!", ela implorou, agarrando o braço da irmã mais velha. "Você está machucando a Yuki!". Akane, que acompanhava a briga em silêncio a poucos metros de distância, se juntou ao grupo de discussão quando viu a amiga de infância se envolvendo na briga. "O que está acontecendo aqui?", ela perguntou, confusa e com o rosto contorcido em preocupação. "Hinata? Sakura? Meu Deus, Sakura, deixe a Yuki em paz!". Sakura, tomada pela raiva e frustração, ignorou os apelos de Hinata e Akane. "Deixar ela em paz?", ela retrucou, com a voz carregada de rancor. "Com o monstro do seu filho? Ele é perigoso, Akane! Ele vai machucar a minha irmã e destruir a minha família!".
Caleb, que até então observava a cena em silêncio, ergueu a cabeça e encarou Sakura com os olhos cheios de fúria. "Cala a boca, Sakura!", ele gritou, sua voz profunda ecoando pelo festival. "Solta a Yuki antes que eu acabe com você!". Seus olhos, antes calmos e serenos, agora brilhavam com uma luz vermelha intensa, um sinal inconfundível de sua transformação em lobisomem. A multidão ao redor se afastou em pânico, aterrorizada pelo poder selvagem que emanava de Caleb. Akane, horrorizada com a cena, correu para Caleb e o abraçou com força, tentando acalmá-lo. "Ai meu Deus, Caleb, se acalme!", ela implorou, suas lágrimas escorrendo pelo rosto. "Não faça isso, por favor!".
A briga entre as irmãs havia se transformado em um caos, com a raiva de Sakura, a fúria de Caleb e a preocupação de Hinata e Akane criando um clima de tensão e medo no festival. A lua cheia, testemunha silenciosa da cena, parecia iluminar a escuridão dos corações humanos, revelando a fragilidade das relações familiares e a força destrutiva da raiva e do ódio. No meio da confusão que se formou no festival, Caleb e Sakura se confrontaram em uma discussão acalorada. Caleb, com os olhos cheios de raiva e fúria, dizia para Sakura que era inútil tentar separar Yuki dele. "Se você tentar", ele gritou, "eu mato você!". Disse Caleb agarrando o punho de Yuki, puxando para perto de si.
As mães de Hinata, Haru e Izumi, que acompanhavam a cena à distância, se aproximaram da discussão com cautela. Izumi, a delegada da cidade, ficou imediatamente apreensiva ao ver os olhos de Caleb brilhando em um vermelho intenso. Ela se lembrou de todos os acontecimentos estranhos que haviam ocorrido em Hinode nos últimos tempos: os ataques de lobos selvagens, o massacre que aconteceu anos atrás... tudo apontava para uma verdade terrível.
Com o coração batendo forte no peito, Izumi se aproximou da discussão, encarando Caleb com uma expressão séria e determinada. "Então, você é mesmo um lobisomem?", ela perguntou, sua voz firme e carregada de autoridade. "Você... e seu pai Taishou! Parece que meu amigo Makoto Tanaka não estava tão louco, afinal". Ela se virou para Akane, seus olhos cheios de raiva. "Vocês acharam que iam conseguir esconder isso durante quanto tempo?". Sem hesitar, Izumi sacou sua arma e a apontou para Caleb. "Solta a garota, agora!", ela ordenou, sua voz ecoando pelo festival. Hinata, horrorizada com a cena, correu para a frente de sua madrasta, implorando: "Não, calma mãe, não machuque o Caleb!". Akane, com o rosto contorcido em preocupação e medo, se posicionou na frente de seu filho, protegendo-o da arma da delegada. "Não!", ela gritou, sua voz carregada de emoção. "Você não vai machucar meu filho!". Yuki, com lágrimas nos olhos, se soltou das amarras da irmã, e juntou-se a Akane e a Hinata, formando um escudo humano para proteger Caleb da fúria da delegada. "Pare!", ela implorou. "Não machuque o Caleb!". Gritou Yuki.
Sakura, ainda tomada pela raiva e pelo medo, gritou para Izumi: "Não adianta, delegada, estão todos cegos! Eu já disse, Caleb é um perigo! Ele destruiu, e matou todos do festival a anos atrás!". Izumi, ignorando os gritos de Sakura, repetiu sua ordem com firmeza: "Eu não vou avisar de novo. Afastem-se do garoto.". A tensão no ar era quase palpável. A arma da delegada apontada para Caleb, as lágrimas de Yuki e Akane, o medo nos olhos de Hinata, a fúria de Sakura... tudo se misturava em um clima de incerteza e desespero. A luz prateada da lua cheia banhava a cena com um brilho etéreo, intensificando as sombras e as emoções que fervilhavam no festival. Caleb, sentindo o peso do olhar acusador de Sakura e a pressão da arma apontada por Izumi, sentiu uma onda de fúria crescer dentro de si. Sua voz, antes contida, agora ressoava com uma profundidade que parecia emergir das profundezas da terra. “Vocês querem que eu seja o vilão?” Caleb rosnou, suas palavras cortando o ar como lâminas afiadas. “Então eu serei o vilão!”
Com cada palavra proferida, a transformação se iniciava. Seus músculos se expandiam, rasgando as roupas que já não podiam contê-lo. Seu rosto se alongava, dando lugar a uma mandíbula poderosa repleta de presas afiadas. Os olhos, antes humanos, agora brilhavam com uma luz vermelha intensa, refletindo a selvageria de sua nova forma. A multidão recuou ainda mais, um misto de medo e fascínio em seus olhos. Akane, com lágrimas de desespero, ainda tentava alcançar o filho, mas a fera que emergia diante dela era muito mais do que o menino que ela criara. Hinata e Yuki, unidas em sua determinação, formavam uma barreira de coragem e amor, implorando por calma e compreensão.
Mas Caleb, agora mais um lobo negro do que um jovem, estava além da razão. Com um uivo que parecia carregar consigo a dor e a raiva de séculos, ele se ergueu sobre duas patas, um gigante entre os homens, um lobisomem em toda a sua glória e terror. A delegada Izumi, enfrentando o dilema entre o dever e a compaixão, mantinha a arma erguida, mas sua mão tremia, revelando a batalha interna que travava. Sakura, ainda imersa em sua própria convicção, não via nada além do perigo que Caleb representava. Sakura, com um misto de medo e determinação, agarrou Yuki pelo braço, pronta para arrastá-la para longe do caos que se formava. “Eu sabia, eu sabia que esse moleque ia virar um problema, mais cedo ou mais tarde!” ela exclamou, sua voz trêmula, mas firme. Yuki, lutando contra o aperto da irmã, tentava se libertar. “Me larga, mana! Me larga!” ela gritava, a angústia evidente em cada palavra. Caleb, agora uma criatura de pura fúria e instinto, fixou seu olhar ardente em Sakura. “Solte a Yuki,” ele rosnou, a voz grave e ameaçadora vibrando no ar. “Eu vou rasgar você no meio, Sakura!” O rugido que se seguiu foi primal e aterrorizante, ecoando pelo festival e silenciando os murmúrios da multidão.
Caleb, impulsionado pela fúria e pelo poder da noite, lançou-se em direção a Sakura com uma velocidade que desafiava os olhos humanos. Seus movimentos eram um borrão, ele agarrou Sakura com força, a separando de Yuki. Ele suspendeu Sakura no ar segurando em seu pescoço, e ergueu suas garras para dar o golpe, prontas para atingir o alvo. Yuki gritou para ele parar, mas ele estava cego. E no último instante, um estampido cortou o silêncio da noite. Izumi, com a determinação de quem carrega o peso da lei, disparou sua arma. O projétil acertou o braço de Caleb, mas o impacto foi menor do que se esperaria contra uma criatura tão poderosa. Akane e Hinata, tomadas pelo terror, soltaram gritos agudos que se misturaram ao caos que se formava. O festival, que havia sido cenário de diversão e celebração momentos atrás, agora se transformou em um campo de batalha. A luz da lua, testemunha da cena que se desenrolava, parecia refletir a dualidade da situação: a beleza etérea da noite contrastada com a brutalidade das ações. No calor do momento, Sakura, ainda presa pelos braços de Caleb, conseguiu se libertar após o tiro de Izumi, correndo freneticamente em direção a Yuki, para longe da luta. A decisão de Izumi de disparar contra Caleb salvou a vida de Sakura.
Mas Caleb, não queria deixá-la fugir, ela, que tentava separar ele de sua namorada, que ficava chamando ele de monstro, ele iria mostrar para ela o monstro. Enquanto a perseguia rumo à floresta de Hinode, rosnava ferozmente. Suas mandíbulas estavam abertas, mostrando suas presas prontas para atacar. Sakura corria em desespero segurando as mãos de Yuki, enquanto Izumi, mantinha-se firme, correndo atrás de Caleb e disparando contra suas costas, na tentativa de fazê-lo parar. Akane e Hinata corriam atrás de Izumi. Uma frenética cena na tentativa de se evitar o pior. A confusão e o caos tinham se instaurado no festival, as pessoas corriam em todas as direções, tentando desesperadamente se afastar do lobisomem descontrolado em seu caminho de destruição. Caleb, mesmo ferido estava enfurecido, ele não recuava, mesmo Izumi descarregando um pente inteiro nas suas costas. “Pare, Caleb! Por favor!” Gritava Akane e Hinata desesperadas. Quando Izumi começou a atirar em seus pés, a fera soltou um grito de agonia. Virou-se para a delegada, seus olhos prometendo uma vingança igualmente cruel. A batalha que se seguiu foi selvagem e sem misericórdia, um duelo sob a lua que seria lembrado em sussurros de medo e admiração. Ele parou por um momento, olhando para o próprio sangue que pingava do seu corpo, e então fixou seus olhos ardentes em Izumi. “Pare e nome da lei, Caleb!” Izumi gritou. Mas tudo que teve em resposta foi um rosnado baixo. Ele começou a avançar em direção à delegada, cada passo ressoando com a promessa de um poder indomável. Ele a mataria com certeza.
Sakura, movida pelo medo e pela convicção de que Caleb é uma ameaça, tenta levar Yuki para longe do perigo. Ela agarra Yuki com força, determinada a protegê-la, mas Yuki resiste. Ela não quer deixar Caleb, apesar do perigo que ele representa em sua forma de lobisomem. Yuki, com lágrimas nos olhos e o coração dividido entre o amor pelo namorado e o medo do que ele se tornou, luta para se libertar do aperto de Sakura. “Me solta irmã! Mais que droga! Me solta! Caleb precisa de mim!" Ela implora, sua voz abafada pelo barulho da multidão em pânico. Enquanto isso, Sakura, com a adrenalina correndo em suas veias, olha ao redor, buscando uma rota de fuga. Ela sabe que a situação está fora de controle e que a segurança de sua irmã está em suas mãos. ‘Caramba Yuki, eu to tentando te salvar, porra!” No entanto, a determinação de Yuki em ficar e proteger Caleb, mesmo em sua forma mais selvagem, faz com que Yuki tome uma ação. Ela está dividida entre a razão e o vínculo familiar, entre a sobrevivência e a lealdade. Yuki morde as mãos da irmã, a fazendo soltá-la imediatamente com a dor. E corre em direção a Caleb.
Izumi, com a arma ainda em mãos, tentou manter a compostura diante da besta que se aproximava. Ela sabia que as balas comuns poderiam não ser suficientes para deter um lobisomem, mas estava determinada a proteger os inocentes, custe o que custasse. Caleb não hesitou. Com um rugido que parecia vir das profundezas da noite, ele saltou, suas garras estendidas em direção à delegada. Izumi disparou mais uma vez, mas as balas apenas o retardaram, incapazes de impedir o ímpeto de sua investida.
No último momento, Akane e Yuki intervieram. “Caleb, não!” gritaram em uníssono, suas vozes carregadas de desespero. Elas se lançaram entre Caleb e Izumi, arriscando suas próprias vidas para evitar um desfecho trágico. A intervenção foi o suficiente para trazer um vislumbre de humanidade aos olhos de Caleb. Por um breve momento, a fúria deu lugar à confusão, e ele hesitou, seu coração selvagem batendo em um ritmo frenético. No momento em que Akane e Yuki se colocam entre Caleb e Izumi, uma pausa tensa se instala. O ímpeto selvagem de Caleb é interrompido pela presença das duas mulheres que ele mais ama. Akane, com os olhos cheios de lágrimas, olha fixamente para o filho, implorando sem palavras para que ele recobre a razão. Yuki, embora tremendo, mantém-se firme, sua determinação formando uma barreira invisível de proteção. Caleb, o lobisomem, hesita. A fera dentro dele luta contra a memória do amor materno e romantico. Seus olhos, ainda brilhando com a luz vermelha da transformação, começam a vacilar. A humanidade que ele pensava ter perdido começa a ressurgir, trazida à tona pelo ato corajoso de Akane e Yuki. Izumi, percebendo a mudança em Caleb, abaixa lentamente a arma. A delegada, conhecida por sua firmeza, agora é tomada por uma compaixão inesperada. Ela entende que, apesar da aparência monstruosa, Caleb ainda é, em algum lugar, o jovem que ela conheceu.
A multidão, que havia se dispersado em pânico, observa à distância, segurando a respiração coletivamente. O festival de Hinode, que deveria ser uma celebração da comunidade, tornou-se um palco para um drama de proporções míticas. No fim, o amor e a humanidade prevalecem. Caleb, sentindo o calor dos abraços de Akane e Yuki, permite que a calma o envolva. Sua forma começa a mudar novamente, lentamente voltando à de um jovem assustado. As garras se retraem, os pelos recuam, e os olhos perdem o brilho vermelho, revelando novamente o olhar humano de Caleb. Akane e Yuki, aliviadas, mas ainda abaladas, mantêm-se ao lado de Caleb, prontas para apoiá-lo. Izumi, com a arma agora segura em seu coldre, aproxima-se com cautela, sua expressão uma mistura de alívio e preocupação.
Após a intensa onda de emoções e a dolorosa transformação, Caleb se encontra novamente em sua forma humana. Ele está exausto, tanto física quanto emocionalmente. O choque da violência que quase cometeu e a realidade do que poderia ter acontecido pesam sobre ele. Com os joelhos fracos, ele cai ao chão, ofegante, tentando compreender a enormidade de seus atos. Caleb olha ao redor, vendo o medo e a preocupação nos olhos de todos que ele ama e daqueles que temiam o que ele poderia fazer. Ele sente uma mistura de vergonha e alívio; vergonha pelo terror que causou e alívio por não ter ferido ninguém gravemente. “Eu… sinto muito,” ele murmura, sua voz quase inaudível. “Eu não queria… eu não queria perder o controle.” As palavras são um sussurro, uma confissão de sua luta interna e do medo que sente de si mesmo. Akane se aproxima, com lágrimas nos olhos, mas com um amor inabalável. “Está tudo bem, meu filho. Estamos aqui com você,” ela diz, oferecendo-lhe um abraço que fala mais do que palavras poderiam expressar. Yuki se junta a eles, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. Izumi, ainda em estado de alerta, mas agora mais compreensiva, guarda a arma e observa a cena com uma nova perspectiva. Ela percebe que Caleb, apesar de sua natureza sobrenatural, ainda é humano, e que ele precisa de ajuda, não de perseguição.
Sakura, que até então estava consumida pela raiva e pelo medo, observa a transformação de Caleb de volta à sua forma humana com uma complexidade de emoções. A surpresa e o alívio se misturam com uma relutância em baixar a guarda. Ela vê o jovem vulnerável e abalado diante dela, tão diferente da criatura feroz de momentos atrás. “Eu… eu não sei o que dizer,” Sakura murmura, sua voz refletindo a confusão interna. “Você… você realmente voltou.” Sakura sente a tensão em seus próprios músculos diminuir, mas o ceticismo e a desconfiança permanecem. Ela olha para Izumi, buscando alguma direção, mas a delegada parece estar reconsiderando a situação. “Isso não muda o que aconteceu,” ela diz, finalmente. “Não muda o que Caleb é capaz de fazer.” Sakura diz, sua voz carregada de ódio e medo. Com a situação sob controle e Caleb de volta à sua forma humana, Izumi se vê diante de uma multidão agitada e assustada. Ela ergue as mãos, pedindo silêncio, e sua voz firme e autoritária ressoa pelo espaço. “Por favor, mantenham a calma,” Izumi começa, olhando nos olhos de cada um dos presentes. “A situação está sob controle. Não há mais perigo.” As pessoas, ainda nervosas, começam a se acalmar, influenciadas pela presença confiante da delegada. Izumi continua, explicando a situação sem revelar detalhes que pudessem incitar mais medo ou pânico. “Vamos manter a ordem e a segurança de todos,” ela diz. “A polícia está aqui para protegê-los.”
Nesse momento, o som de sirenes se aproxima, e várias viaturas da polícia chegam ao local, cercando a área do festival. Os oficiais descem dos veículos com rapidez e eficiência, mas sem demonstrar agressividade, seguindo as instruções de Izumi para manter a paz. A população observa, aliviada, enquanto os policiais se posicionam ao redor do festival, garantindo que não haja mais ameaças. Izumi, com um aceno de cabeça, assegura a todos que eles estão seguros e que a noite de terror chegou ao fim. A comunidade de Hinode, embora abalada pelos eventos da noite, começa a encontrar conforto na presença das autoridades e na promessa de proteção. A lua cheia, testemunha de tantas emoções e conflitos, agora observa um final pacífico para o festival que quase se transformou em tragédia.