A cabana estava oculta no coração da densa floresta de Hinode. Seus troncos enegrecidos e cobertos de musgo pareciam abraçar o pequeno refúgio, como se a própria natureza quisesse protegê-lo. A tensão no ar era palpável, e o silêncio da floresta era apenas interrompido pelo farfalhar das folhas. Do lado de fora da cabana, Hinata e Kenji mantinham uma vigília cautelosa. Kenji segurava sua Magnum .357 com as mãos trêmulas, rezando para que não precisasse usá-la naquela noite. Dentro da cabana, Taishou amarrava Caleb com correntes de ferro. O garoto suspirava, e à medida que a noite avançava, sua agitação só aumentava. Sakura abraçou sua irmã mais nova, Yuki, explicando que ela teria que ser forte para ajudar Caleb naquela noite. Yuki, com os olhos lacrimejando, não compreendia completamente o que estava acontecendo, mas sabia que sua presença era necessária e concordou em ajudar no que fosse preciso.
Taishou apertava as correntes ao redor de Caleb, que rosnava em resposta. Akane se aproximou dele, questionando se aquilo era realmente necessário. Taishou respondeu com um tom gélido, afirmando que nem ele sabia se aquelas correntes seriam suficientes. Akane engoliu em seco e olhou para Caleb, pegando um pequeno pano que estava em seu bolso para limpar o rosto do garoto. “Você está bem, Caleb?” perguntou ela, sua voz trêmula. O garoto lutava contra o impulso de consumir carne humana. “Eu… eu estou com fome”, disse ele, sua voz falhando. O desespero estava estampado em seus olhos, e Akane sentiu o peso da situação. A cabana estava imersa em um silêncio opressivo, enquanto a lua cheia brilhava no céu como um farol sinistro. Kenji observava pacientemente o relógio de pulso, que marcava onze e meia da noite. Ele se lembrava das instruções de Taishou: “A transformação acontece à meia-noite, nas noites de lua cheia. É quando a besta se torna incontrolável.” Akane, Sakura e Yuki permaneciam próximas a Caleb, tentando lhe oferecer algum conforto. O garoto suava, e suas presas e garras começavam a aparecer lentamente. O desespero era visível em seu rosto, e Akane sentiu o peso da situação. Ela segurou a mão de Caleb, buscando acalmá-lo. "Seja forte, Caleb." O garoto apenas rosnou para ela, exausto de toda aquela situação. Sakura continuava a abraçar sua irmã mais nova, explicando que Yuki precisava ser forte para ajudar Caleb. "Yuki, escuta, preciso que você converse com Caleb, tente acalmá-lo." Yuki, com os olhos lacrimejando, sentia medo de se aproximar do amigo naquele momento. A noite estava em seu auge, e a cabana parecia conter a própria respiração. Taishou, do lado de fora, tirou a blusa, seus músculos tensos enquanto respirava lentamente, tentando controlar sua própria transformação. Os cordões de prata adornavam seu peito musculoso, uma proteção contra a besta que ameaçava emergir. Kenji, observando-o com desdém, não escondia sua rivalidade. “Exibido”, murmurou. As presas de Taishou já estavam visíveis, e seus olhos brilhavam com um vermelho intenso. Kenji recuou instintivamente ao perceber a transformação de Taishou. “Não vai ficar com medo agora, Kenji”, disse Taishou, sua voz carregada de urgência. Ele sabia que a transformação era iminente e que todos estavam à beira do desconhecido.
Kenji olhou nos olhos do amigo com confiança. “Não vou mesmo, esquisitão”, respondeu ele. A rivalidade entre os dois era antiga, mas naquela noite, compartilhavam um objetivo comum: proteger aqueles que amavam. A lua cheia brilhava no céu, e o destino de Caleb estava em suas mãos. O relógio marcou meia-noite no pulso de Kenji. Ele respirou fundo enquanto encarava o amigo, cuja respiração se tornava cada vez mais irregular. Kenji lançou um último olhar para o companheiro. Taishou o encarou, os olhos brilhando com um vermelho intenso: “Mais uma coisa, Kenji. Não corra.” Ele advertiu o amigo, que fez um sinal de entendimento. Hinata abraçou Kenji, apavorada, enquanto Taishou assumia uma forma mais animalesca do lado de fora da cabana. No interior da cabana, o terror não era diferente. Caleb gritava e rosnava, mordendo as correntes na tentativa de se libertar. Seus olhos brilhavam como sangue. Yuki agarrou sua irmã, temendo pelo que estava acontecendo. Enquanto Sakura abraçava Yuki de volta, Akane tentava conversar com Caleb, na esperança de que ele não perdesse completamente o controle. Contudo, suas palavras pareciam em vão. Caleb olhava para ela com desejo e fome, avançando como se quisesse devorá-la. A expressão da criança inocente lentamente se transformava em algo mais selvagem: um lobo negro.
Do lado de fora da cabana, Taishou assumia a forma de um lobo branco, circulando em torno de Hinata e Kenji, seus pés poderosos batendo no chão. Kenji abraçou Hinata, que estava apavorada, mantendo sua arma perto de si. “Por incrível que pareça, Taishou, você parece bem menos esquisito nessa forma”, brincou Kenji. A atenção deles foi abruptamente capturada pelo grito de Yuki vindo de dentro da casa. Dentro da cabana, Caleb, agora com a aparência de um lobo negro, mastigava as correntes com suas presas. Akane se afastou dele devagar, enquanto Yuki gritava ao ver seu melhor amigo se transformando em uma criatura assustadora. Taishou, o lobo branco, adentrou a cabana e observou Caleb com atenção. “Caleb,” disse Taishou entre rosnados. O silêncio na cabana era quase palpável, quebrado apenas pelo som das correntes rangendo sob a pressão das mandíbulas de Caleb. Akane recuou ainda mais, seus olhos arregalados de medo. Yuki, com as mãos trêmulas, segurava Sakura com força, enquanto a pequena criança olhava para Caleb com uma mistura de curiosidade e apreensão. Taishou, o lobo branco, avançou lentamente em direção a Caleb, seus olhos vermelhos fixos no lobo negro, como se tentasse encontrar uma centelha de humanidade nele. “Controle-se, Caleb,” repetiu Taishou, sua voz rouca e gutural.
Caleb rosnou, seus olhos vermelhos brilhando com uma fome insaciável. Ele estava à beira do controle, preso entre sua natureza humana e a besta que agora o dominava. Akane, com lágrimas nos olhos, recuou ainda mais, incapaz de desviar o olhar do amigo que se transformava diante de seus olhos. E então, no momento em que todos seguravam a respiração, Caleb se libertou das correntes. O som metálico ecoou na cabana, e ele se lançou em direção a Akane. Mas antes que pudesse alcançá-la, Taishou saltou entre eles, suas presas afiadas encontrando o pescoço de Caleb. Houve um momento de tensão, e então Caleb recuou, uivando de dor. O lobo branco manteve sua posição, protegendo Akane e os outros. O olhar de Caleb oscilou entre raiva e confusão, e por um instante, parecia que sua humanidade lutava para voltar à superfície. Kenji, com as meninas ao seu lado, apontou sua arma em direção a Caleb e Taishou. "Kenji, para!" gritou Akane. Kenji não respondeu, seus olhos fixos nos dois lobos. "Aquele pirralho quase matou você, Akane!" Ele respondeu, gritando de raiva, com as mãos trêmulas apontando a arma para Caleb. Sakura interveio: "Calma, Kenji, estamos aqui para ajudar Caleb."
Kenji continuou a apontar a arma em direção aos dois lobos, sua calma lentamente se dissipando. "Taishou me disse que se tudo saísse do controle, eu poderia atirar nele." "Não!" gritou Akane. O lobo branco encarava o cano da arma com calma, enquanto o lobo negro rosnava, baba caindo de sua boca. “Ah, isso é perda de tempo,” murmurou ele. A tensão no ar era palpável, e todos sabiam que estavam à beira de uma escolha impossível: proteger um amigo ou enfrentar a ameaça que ele havia se tornado? O lobo branco, Taishou, observava a cena com olhos atentos. Seu pelo eriçado, ele estava pronto para agir se Caleb perdesse o controle e atacasse novamente. A lua cheia lançava sua luz implacável sobre todos, como se testemunhasse o desenrolar dessa batalha interna. O lobo negro, Caleb, perdeu o controle novamente e atacou Taishou com uma mordida feroz. Ele se aproximou perigosamente dos jovens, suas presas afiadas prontas para o ataque. Sakura e Akane gritam, enquanto os dedos de Kenji se aproximam do gatilho. Yuki, em desespero, clama em altos brados, implorando que Caleb pare. No entanto, no silêncio tenso, Caleb recua. Seus dentes ainda estão expostos, mas ele hesita. A luta entre homem e besta continua, mas, por ora, a humanidade dentro dele prevalece.
“Espera, espera, Kenji!” Akane gritou, abaixando sua arma. Impedindo Caleb de atacar, Taishou investiu novamente. Com um rosnado selvagem, ele avançou contra Caleb, e uma luta feroz se iniciou. As mandíbulas se chocaram, dentes afiados encontrando resistência. A cabana tremeu com a força do embate, e os jovens recuaram, seus olhos arregalados de terror. Taishou encontrou uma abertura. Com um movimento ágil, ele se esquivou do ataque de Caleb e cravou suas presas no pescoço do lobo negro. Caleb uivou de dor, seu corpo tremendo. Mas o lobo branco não lutava apenas contra Caleb; ele lutava para salvar seu filho. A lua cheia brilhava através das frestas da cabana, lançando sombras distorcidas nas paredes. O ar estava impregnado de adrenalina e medo. O destino de todos estava entrelaçado naquele momento. Yuki se soltou dos braços de Sakura e, com lágrimas nos olhos, correu em direção aos lobos. “Caleb, pare! Por favor, tente se acalmar! Sou eu, Yuki!” ela gritou, sua voz ecoando desesperadamente. “Yuki! Pelo amor de Deus, volta aqui!” Sakura exclamou, chamando pela irmã. A pequena Yuki se aproximou de Caleb, estendendo as mãos trêmulas, como se pudesse deter a violência com sua própria vontade. Kenji, com a arma em punho, hesitou por um instante. Ele tinha que tomar uma decisão rápida: proteger os outros ou enfrentar a ameaça que Caleb representava? Seu dedo coçou no gatilho, mas ele não conseguiu atirar. A amizade e a lealdade o seguravam. O suspense atingiu seu ápice enquanto todos os olhos estavam fixos na cena.
“Caleb,” sussurrou Yuki, sua voz embargada. “Lembre-se de quem você é. Lembre-se de nós. Somos seus amigos.” Seus olhos encontraram os olhos vermelhos do lobo negro, e por um instante, algo mudou. Caleb hesitou, como se lutasse contra a escuridão que o consumia. Yuki continuou, sua voz mais firme agora. “Você não é apenas a besta que está dentro de você. Há bondade, amor e amizade. Você é Caleb, você é meu amigo.” “E eu gosto de você!” Ela tocou o focinho de Caleb com dedos trêmulos. “Eu acredito em você.” O lobo negro tremeu, suas presas recuando. Ele olhou para Yuki, e por um breve momento, a humanidade brilhou em seus olhos. A fome ainda estava lá, mas algo mais também estava presente: a lembrança de sua amiga, a conexão que compartilhavam. E então, com um último esforço, Yuki projetou todo o amor e a amizade que sentia por Caleb.
Ela o abraçou, ignorando o pelo áspero e as garras afiadas. “Você não está sozinho, Caleb. Nós estamos aqui com você.” O lobo negro tremeu mais uma vez, e então, incrivelmente, ele recuou. As presas se retraíram, e ele se transformou lentamente de volta em seu estado humano. Caleb estava ajoelhado no chão, ofegante, mas com os olhos agora humanos e cheios de gratidão. Yuki o abraçou com força, ignorando o pelo áspero e as garras afiadas que lentamente se retraíam do corpo de Caleb. “Caleb, você está bem?” perguntou ela, sua voz trêmula. O garoto timidamente respondeu: “Estou.” Seu olhar se desviou em constrangimento, mas havia gratidão em seus olhos. Yuki havia tocado algo dentro dele, algo que a besta não podia dominar completamente. Sakura também se aproximou, envolvendo Yuki em um abraço. “Você foi corajosa,” disse ela, admirando a irmã. “Nunca vi ninguém enfrentar um lobo assim.” Enquanto isso, Akane e Hinata se aproximaram de Caleb, e uma roda de amor e compreensão cercou o garoto. Akane respirava aliviada. “Caleb, você conseguiu,” disse ela, sua voz rouca. “Você resistiu à besta.” Hinata, a mais quieta do grupo, também correu para abraçar Caleb. Seus olhos brilhavam com orgulho. “Você é incrível,” murmurou ela.
Enquanto todos se abraçavam e processavam o que havia acontecido, Kenji permanecia chocado. A arma ainda tremia em suas mãos. Ele não conseguia acreditar no que acabara de testemunhar. “A voz da pequena Yuki controlou o lobo,” sussurrou para si mesmo. E Taishou, agora de volta à sua forma humana, observava tudo com uma expressão mista de surpresa e gratidão. Ele havia visto muitas coisas em sua vida, mas a força do amor e da amizade controlando a besta? Aquilo era novidade para ele. Taishou soltou uma risada rouca. “Kenji, já pode abaixar a arma, seu medroso,” disse, com um tom divertido. Kenji, com uma expressão de constrangimento no rosto, abaixou a arma lentamente. “Vocês são dois esquisitões de marca maior,” comentou, olhando para Taishou e, em seguida, para Caleb e Yuki. “Foi por muito pouco mesmo.” O alívio pairava no ar enquanto todos se recuperavam do confronto. A lua cheia ainda brilhava lá fora, como se aprovasse o desfecho daquela noite. E assim, os amigos permaneceram juntos, unidos por laços que transcendiam a escuridão e a besta.
O sol da manhã espreitava pelas frestas das persianas, lançando longas sombras no chão do quarto de Akane. Uma semana havia se passado desde o incidente na cabana, e a lembrança ainda pesava em seu coração. Ela se aconchegou na cama, enrolando-se nos lençóis como se buscasse proteção contra o mundo exterior. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som suave da sua respiração e pelo canto distante dos pássaros. Seus olhos cor de mel estavam fixos no teto, perdidos em pensamentos. A imagem do rosto pálido de Caleb, seus olhos repletos de terror, a assombrava. Akane recordava o frio que percorria seu corpo enquanto observava a cena macabra se desenrolando naquela noite.
O vermelho dos olhos, as enormes presas de Caleb roendo as correntes, o silêncio mortal que se seguiu ao grito de horror de Yuki. Tudo parecia surreal, como se estivesse presa em um pesadelo do qual não conseguia acordar. Um tremor percorreu seu corpo. Ela se abraçou com mais força, tentando afastar as lembranças, mas era impossível. Logo, as memórias daquela noite voltaram à tona. Quando Caleb avançou em sua direção, se Taishou não estivesse ali para protegê-la, ela estaria morta agora. A luta entre pai e filho, as duas bestas, ainda atormentava seus pensamentos. Porém, uma pequena chama de esperança invadiu seu coração. A coragem de Yuki em se aproximar de Caleb, mesmo em um momento tão aterrorizante, lhe trouxe um fio de ânimo. Akane percebeu que precisava buscar alternativas para ajudar Caleb. Se Yuki não estivesse lá naquela noite, talvez tudo tivesse se desenrolado em uma tragédia. Mas o que causou o controle da besta? Seria a força da amizade? Determinada, levantou-se da cama e caminhou até a escrivaninha. Observou o diário de Catarine, que repousava suavemente sobre a mesa. Akane fechou os olhos e respirou fundo, sabendo que não poderia se entregar à tristeza. Precisava ser forte. Precisava encontrar uma solução.
Com um novo senso de determinação, ela agarrou o diário e voltou para a cama. Pegou o notebook e se mergulhou em uma profunda pesquisa. Nervosa, roeu a tampa da caneta enquanto tentava decifrar a caligrafia de Catarine Sastre. Era como um quebra-cabeça, com as palavras em latim desbotadas desafiando-a. Um trabalho árduo: entender a caligrafia, passar para um tradutor automático e torcer para que as palavras fizessem sentido. Finalmente, após horas de frustração, ela desistiu, cansada e decepcionada consigo mesma. O que ela esperava encontrar vasculhando o passado da família Sastre, afinal? Pegou o celular, deslizando os dedos pelas mensagens. "Feliz aniversário" pipocavam em suas redes sociais. Um sorriso se formou em seus lábios ao ler a mensagem privada de Taishou: "Venha na minha casa hoje às 22h, tenho uma surpresa para você." A empolgação a dominou; afinal, hoje era o dia em que completaria dezoito anos.
Quando a noite chegou, Akane se preparou com cuidado. Vestiu um vestido vermelho que realçava seus olhos cor de mel e prendeu os cabelos em um coque elegante. A ansiedade borbulhava em seu estômago enquanto caminhava até a casa de Taishou. Ao chegar, foi recebida com um sorriso caloroso. Taishou a guiou até a sala de estar, onde todos os seus amigos a aguardavam para uma festa surpresa: Hinata, Kenji, Sakura, Yuki, e Caleb, todos reunidos em volta de uma mesa adornada com docinhos. Uma caixa pequena e dourada, envolta em um laço vermelho, chamou sua atenção. "Feliz aniversário, Akane", disse ele, os olhos negros brilhando de felicidade. "Espero que você goste do presente." Com o coração batendo forte, Akane desfez o laço com cuidado. Ao abrir a caixa, seus olhos se arregalaram de surpresa. Dentro, repousava uma aliança de ouro branco com um coração vazado.
O anel, com um pequeno diamante incrustado que brilhava sob a luz da sala, a deixou sem palavras. "Meu Deus!", Akane sussurrou, emocionada. "Taishou, isso é...?" Taishou se ajoelhou ao lado dela, segurando sua mão. "Akane, você quer casar comigo?", ele perguntou suavemente. "Desde que você chegou à minha vida, tudo mudou. Você me ensinou a ser feliz novamente. E este anel é um símbolo do meu amor e gratidão." Akane se inclinou e o abraçou com força. "Sim", ela disse, lágrimas de felicidade brotando em seus olhos. "Este é o melhor presente de aniversário que eu poderia receber." Hinata arregalou os olhos de admiração, logo se enchendo de lágrimas. Ela se conteve para não chorar, emocionada com a beleza do presente e a felicidade de Akane. Kenji, com um sorriso torto, deu um tapinha nas costas de Akane. "Taishou é um tremendo exibido, hein? Mas que anel, hein?", comentou, com um tom de inveja na voz. Sakura, impressionada, examinou o anel no dedo de Akane com cuidado. "É realmente lindo, Akane. Combina perfeitamente com você", disse, com um sorriso sincero. Caleb, com os olhos fixos na joia, admirava sua beleza. Ele não conseguia evitar pensar na possibilidade de ter Akane como ‘madrasta’, uma ideia que o deixava confuso e animado ao mesmo tempo. Por fim, a pequena Yuki, ao ver a agitação causada por um simples anel, se animou. "Uau, parece que Taishou realmente se esforçou! Isso é muito legal, Akane", ela disse, batendo palmas. Naquela noite, sob a luz das estrelas, Akane e Taishou se uniram em um beijo apaixonado. O presente de Taishou não era apenas um anel, mas uma promessa de amor eterno. E Akane sabia que, a partir daquele dia, sua vida seria marcada por essa noite mágica.
Akane mal podia conter a felicidade que transbordava em seu coração. Taishou a pedira em casamento! Ela precisava compartilhar a notícia com seus pais, Haruko e Ryo. Ao chegar em casa, correu para o quarto deles, ansiosa para revelar a surpresa. Encontrou-os sentados no sofá, lendo livros lado a lado. A cena a fez sorrir, um reflexo da paz e do amor que sempre reinaram em seu lar. "Mãe, pai, tenho algo importante para contar!", exclamou, com um brilho nos olhos que não podia ser ignorado. Haruko e Ryo se entreolharam, intrigados. "Diga-nos, querida", disse Haruko, com um sorriso gentil. Akane respirou fundo e, com a voz carregada de emoção, contou-lhes tudo. Desde o momento em que Taishou se ajoelhou diante dela até o anel de ouro adornado com uma tímida pedra de diamante que agora brilhava em seu dedo. A felicidade de Akane era contagiante. Seus pais ouviram-na atentamente enquanto ela narrava a proposta de Taishou, mostrando o anel de noivado, com os olhos radiantes. Enquanto Haruko se emocionava com a história, Ryo demonstrava uma reação um pouco descontente. Uma ruga se formou em sua testa e ele franziu as sobrancelhas. "Akane, você ainda é muito jovem para se casar", disse, com a voz grave. "Você acabou de completar dezoito anos. Tem certeza disso?" Akane, surpresa com a reação do pai, esforçou-se para manter a compostura. "Sim, pai, tenho certeza", respondeu, com a voz firme. "Eu amo o Taishou e ele me ama. Queremos construir uma vida juntos." Haruko interveio, colocando a mão sobre o ombro de Ryo. "Ryo, querido, deixe-a ser feliz", disse, com um sorriso gentil. "Se Akane encontrou o amor verdadeiro, ela deve agarrá-lo com força. A felicidade dela é o que mais importa." Ryo ponderou por alguns instantes, observando a expressão radiante de sua filha. "Tudo bem", disse finalmente, suspirando. "Se você está realmente certa disso, darei minha benção. Mas quero que você saiba que esta é uma decisão muito importante e que você precisa estar preparada para as responsabilidades que o casamento trará." Akane sorriu, emocionada com a aprovação do pai. "Eu sei, pai", respondeu, abraçando-o. "E eu prometo que vou ser feliz." Naquele momento, Ryo finalmente aceitou a decisão de Akane. Ele sabia que, se ela estava feliz, ele também deveria estar. E, no fundo, sentia-se contente por sua filha ter encontrado o amor.
Naquela noite, Akane se dedicou com fervor à caligrafia de Catarine Sastre. Desde que concluiu seus estudos, tinha mais tempo livre e se dedicava a desvendar os segredos do diário de sua ancestral. Seu foco era um capítulo específico: os últimos dias de Catarine, onde ela descrevia sua busca pela cura da licantropia. O coração de Akane batia forte enquanto traduzia as palavras, uma a uma. Uma mistura de esperança e medo a envolvia. Após horas de trabalho, finalmente decifrou o que parecia ser uma solução mágica para seus problemas. Transbordando de emoção, pegou o telefone e ligou para Taishou, seu noivo. A ligação tocou por um tempo, até que ele atendeu, sua voz rouca de sono. “Akane, meu amor, já viu as horas?” ele perguntou, ainda sonolento. “Taishou, preciso te mostrar algo que não pode esperar até amanhã,” disse ela, com urgência na voz. Um silêncio pairou na linha até que Taishou respondeu: “Certo, estou indo até aí.” Akane desligou e mal podia conter a ansiedade. O que havia descoberto poderia mudar sua vida para sempre. A possibilidade de se livrar da maldição da licantropia se tornava real, e ela estava prestes a compartilhar essa notícia com o homem que amava.
Em poucos minutos, Taishou chegou. A noite era escura, adornada apenas pelo brilho das estrelas e pelo luar que banhava a varanda em tons prateados. O silêncio era quase palpável, quebrado apenas pelo canto dos grilos e o farfalhar das folhas das árvores no jardim. Taishou, vestindo uma camiseta preta desbotada e uma calça de moletom cinza, observava o céu noturno com um sorriso sereno no rosto. Akane, ao seu lado, usava um pijama azul marinho de seda que caía folgado sobre seu corpo e um roupão branco que cobria suas pernas. “O que é tão importante que não pode esperar amanhecer?” ele bocejou. Um silêncio confortável se instalou entre eles, interrompido apenas pelo sussurro da brisa noturna. Akane se aconchegou no ombro de Taishou, apreciando a tranquilidade do momento e a paz que emanava dele. Com o diário de Catarine em mãos, revelou o segredo que havia descoberto naquela noite. As palavras de Akane ecoaram na mente de Taishou, como um trovão em uma noite tempestuosa.
A revelação de que Catarine havia escrito um capítulo em busca da cura para a licantropia o pegou desprevenido. Uma mistura de surpresa, culpa e tristeza tomou conta de seu ser. Surpresa, porque nunca imaginara que sua ex-mulher desejasse se livrar da maldição que os unia. Culpa, por não ter percebido o desgosto que ela carregava em vida e por não ter conseguido aliviar sua dor. Tristeza, por ter perdido alguém que tanto amava sem saber a verdadeira extensão de seus sofrimentos. Com um gosto amargo na boca, Taishou pegou a tradução feita por Akane, seus olhos percorrendo as palavras com atenção meticulosa. Um sorriso irônico se formou em seus lábios. Catarine nunca mencionou a cura a ele por um bom motivo: era uma busca fútil, uma quimera inalcançável. Ele se lembrava das noites que passaram juntos, conversando sobre a maldição e as dificuldades e alegrias de ser um lobisomem. Catarine, com sua força e resiliência, sempre encarou a licantropia como uma parte de si, algo que a tornava única e especial. Em seus olhos, Taishou nunca viu o desejo de se livrar da maldição, mas sim a vontade de viver a vida ao máximo ao seu lado, aproveitando cada momento que a natureza lhe concedia.
A busca por uma cura, para ela, era apenas uma forma de aliviar o sofrimento de outros que carregavam o mesmo fardo, não de negar sua própria identidade. Com um aperto no coração, Taishou devolveu a tradução a Akane. “É admirável a sua esperança, meu amor,” disse ele, com a voz embargada pela emoção. “Mas a cura que Catarine buscava... é mais complexa do que parece.” Akane, com os olhos brilhando de esperança, não se intimidou com as palavras de Taishou. “Eu sei que não será fácil,” disse ela, com firmeza na voz. “Mas se Catarine dedicou tempo a essa busca, então significa que existe uma chance, por menor que seja.” Taishou a observou por um longo tempo, admirando a força e a determinação que emanavam dela. Ele sabia que, independentemente do resultado, Akane jamais desistiria de sua busca pela cura. E, no fundo, também nutria a esperança de que, um dia, de alguma forma, a maldição que os assolava fosse finalmente quebrada. Taishou franziu a testa enquanto seus olhos percorriam a lista de ingredientes para a “poção de cura.” Seus pensamentos se turvaram ao chegar ao primeiro item: sangue do lobo alfa. Uma onda de desânimo o envolveu. “Sangue do lobo alfa?” ela questionou, a dúvida impregnando sua voz. “Onde vamos encontrar algo assim?” “Demétrio...” Taishou murmurou, perdido em pensamentos. “Há muito tempo não o vejo. Será que ele ainda está vivo? E mesmo que esteja, como vamos convencê-lo a nos ajudar?” Akane, percebendo a hesitação de Taishou, colocou a mão sobre a dele. “Não desista ainda,” disse ela, firme. “Demétrio era seu melhor amigo, não era? Ele te poupou no passado, e eu acredito que ele nos ajudará novamente.” Taishou se lembrou de Demétrio. Havia mais de 700 anos que seus caminhos se separaram.
As lembranças de seu amigo eram nebulosas, mas ele se recordava da força e bravura do lobo alfa. “Poupar é uma palavra forte, Akane; ele me amaldiçoou.” Taishou continuou a ler a lista de ingredientes para a poção, preocupado. “Água benta, pétalas de flor de Acônito e um pouco de sangue do amor verdadeiro,” murmurou, ponderando sobre cada item. “Junte todos os ingredientes e beba em uma noite de lua sangrenta.” Akane, com a esperança ainda viva nos olhos, perguntou: “Lua sangrenta? O que significa isso?” Taishou, com um tom de conhecimento, respondeu: “Acredito que se refere a uma superlua, um evento em que a lua parece maior e mais brilhante do que o normal. Além disso, precisa ser durante um eclipse lunar total, quando a lua fica completamente coberta pela sombra da Terra.” Akane, com um sorriso hesitante, disse: “Um eclipse lunar total só acontece uma vez por ano. Isso significa que temos tempo para encontrar os ingredientes e preparar a poção.” Taishou, com um olhar de reprovação, respondeu: “Akane, isso é o menor dos nossos problemas.
O maior desafio será encontrar Demétrio e convencê-lo a nos dar seu sangue.” Akane, com a determinação estampada no rosto, afirmou: “Eu sei que será difícil, mas não podemos desistir. Demétrio era seu melhor amigo, e acredito que ele nos ajudará. Vamos encontrar um jeito de achá-lo e convencê-lo.” Taishou suspirou, franzindo a testa enquanto examinava a lista de ingredientes. “Falar é mais fácil do que fazer,” murmurou. “Como vamos encontrar um lobisomem que não vejo há mais de 700 anos?” Akane, com um olhar decidido, respondeu: “Eu não sei, amor, mas essa é a nossa única esperança. Precisamos agarrá-la com força.” Taishou se sentou ao lado dela, a tristeza pesando em seu coração. A jornada que se desenhava diante deles era árdua e perigosa. Teriam que enfrentar desafios inimagináveis e correr riscos enormes. “E Caleb?” Taishou perguntou, hesitante. “Levá-lo conosco?” Akane ponderou por um momento. “Eu acho que seria melhor ele ficar,” disse ela suavemente. “Poderíamos matriculá-lo na escola primária.” Taishou engasgou com a sugestão, seus olhos se arregalando em surpresa. “Na escola?” exclamou, indignado. “Uma escola cheia de crianças, potenciais presas para ele?” Akane franziu a testa, discordando de Taishou. “Caleb se deu bem com Yuki,” argumentou. “Acredito que seja hora de apresentá-lo a mais crianças.” Taishou balançou a cabeça, recusando-se a aceitar a ideia. “É diferente,” disse, convicto. “Aqueles dois se amam. Existe um vínculo entre eles que não pode ser quebrado.” Akane sentiu seu rosto corar levemente com as palavras de Taishou. “Taishou!” ela exclamou, repreendendo-o. “Eles são apenas crianças!”
Taishou soltou uma risada, um sorriso malicioso dançando em seus lábios. "Diga isso para Yuki", ele provocou, seu tom brincalhão ecoando no ar. "Convencer ela de que ele é apenas uma criança pode ser um desafio. Caleb tem a mente de um ser de 700 anos." Akane ergueu a mão e deu um leve soco no ombro de Taishou. "Pare de ser pervertido!", ela exclamou, rindo. "Você nunca muda." Ele se aproximou dela, envolvendo-a em um abraço apertado. "Mesmo assim, você me ama", disse ele, um sorriso brincando em seu rosto. Akane se aconchegou em seus braços, um sentimento de paz e segurança preenchendo seu coração. Apesar dos desafios que os aguardavam, ela sabia que, juntos, poderiam superar qualquer obstáculo. Uma tarde ensolarada banhava a casa de Sakura em tons quentes e aconchegantes. Na cozinha, sentados à mesa, Sakura, Akane, Taishou e Caleb conversavam animadamente, enquanto a pequena Yuki se distraía com desenhos animados na televisão. Com os olhos arregalados de surpresa, Sakura exclamou: "Ensino fundamental? Essa é a ideia mais absurda que você já teve, Akane!" Taishou, concordando com ela, balançou a cabeça em reprovação. "É pura burrice", disse ele, seu tom grave refletindo a seriedade da situação. Ignorando o pessimismo de Taishou e Sakura, Akane se voltou para Caleb, um sorriso radiante iluminando seu rosto. "Meu bem", ela perguntou suavemente, "você gostaria de estudar em uma escola e conhecer novas crianças?"
Caleb, hesitante, desviou o olhar para Yuki, que se encontrava deitada no chão, completamente absorta nos desenhos animados. Seus pés descalços balançavam alegremente no ar. Com um leve rubor nas bochechas, ele perguntou: "A escola pode ser a mesma da Yuki?" Sakura e Akane não conseguiram conter o sorriso ao presenciar a fofura do garoto. "Claro que sim, meu bem!", Akane respondeu, cheia de entusiasmo. "Podemos te matricular na mesma escola que a Yuki!" Com um sorriso radiante, Caleb pulou da cadeira e se juntou à amiga na maratona de desenhos animados. Observando os dois deitados lado a lado, Sakura não resistiu em questionar: "E quanto aos detalhes burocráticos? Como vocês pretendem criar uma identidade para Caleb?" Akane, com um sorriso sincero, respondeu: "Taishou sabe bem como fazer isso, não é mesmo, amor? Ele tem feito isso a vida inteira. Falsificar alguns documentos de identidade, histórico escolar, carteira de vacinas e certidão de nascimento deve ser moleza para ele." Taishou assentiu em silêncio, concordando com Akane, que ficou surpresa com sua disposição em apoiar a ideia.
Sakura, ponderando sobre a situação, sugeriu: "E se Caleb fosse registrado como irmão mais novo de Taishou?" Akane concordou: "Faz sentido pela nossa idade. Nos registros, Taishou tem a nossa idade: dezoito anos." Com a questão da identidade resolvida e o plano de matricular Caleb na escola tomando forma, Akane sentiu que poderia confiar no garoto sob os olhares cuidadosos dos adultos. "Temos um favor a pedir a você, Sakura." Com um olhar suplicante, Akane pediu que cuidasse de Caleb enquanto ela e Taishou embarcavam em uma missão arriscada: criar a poção da cura para a licantropia. Sakura, intrigada, questionou o plano, e Akane revelou os segredos do diário de Catarine, mencionando a busca por um velho lobisomem de quase dois mil anos. Embora cética, Sakura considerou a busca insensata, mas Akane relatou ter encontrado pistas na web, mapeando locais para iniciar a investigação. Tudo que faltava era a aprovação de Sakura para cuidar de Caleb durante a jornada. Taishou, com sua voz gélida, interveio, oferecendo um pagamento pelos serviços de Sakura. Agradecida, Sakura não recusou o dinheiro, já que trabalhava duro para sustentar a casa e Yuki. A oferta de Taishou era bem-vinda, mas uma dúvida a atormentava: como lidariam com Caleb em suas noites de lua cheia? Akane a tranquilizou, dizendo que a transformação ocorria apenas uma vez por mês e que a última havia sido mais controlada. Taishou complementou, explicando que os cordões de prata, usados por ele e Caleb, facilitavam o controle. "E também... Caleb se motiva a não deixar a besta dominar seu corpo quando está ao lado de Yuki." Seus olhos se fixaram na menina, evidenciando o papel dela em aliviar o fardo da licantropia de Caleb. Finalmente, Sakura concordou em cuidar de Caleb enquanto Taishou e Akane partiam em busca da cura.