Akane saiu da enfermaria como um barco à deriva em um mar tempestuoso, a briga com Sakura a deixando atordoada. Seus pensamentos giravam em um turbilhão de dúvidas e incertezas, como ondas violentas a arrastando para longe da segurança. O que havia acontecido? Como as coisas haviam chegado a esse ponto? Com o coração apertado, ela perambulou pelos corredores do colégio, buscando por Sakura e Hinata. A necessidade de respostas a consumia, uma chama ardente que não a deixava em paz. Finalmente, encontrou Hinata sentada sozinha no jardim, sua figura solitária envolta em uma aura de tristeza que contrastava com a beleza do lugar. "Akane," disse Hinata, sua voz suave e gentil como um bálsamo para a alma ferida de Akane. "O que aconteceu lá dentro?" Akane suspirou, as lágrimas teimando em cair. "Eu não sei," respondeu, a voz embargada pela tristeza. "Por que Sakura começou a brigar comigo daquele jeito? Onde ela foi?"
Hinata apertou a mão de Akane em um gesto de conforto. "Ela foi embora pra casa," disse, sua voz tensa. "Disse que não quer ver sua cara." As palavras de Hinata atingiram Akane como um raio, a dor e a confusão se misturando em seu peito. "Por que?" ela perguntou, a vulnerabilidade transparecendo em sua voz. Hinata desviou o olhar, seus olhos cheios de tristeza. "Eu avisei que essa brincadeira de fingir amar alguém poderia machucar as pessoas," disse, a voz baixa e carregada de culpa. "Eu não queria que isso acontecesse," Akane respondeu, sua voz embargada pela dor. "Eu só queria que Kenji me protegesse, mas... Eu acabei conhecendo melhor o Taishou e..." Hinata a abraçou, envolvendo-a em um abraço acolhedor que oferecia o conforto que ela tanto precisava. "Eu sei," ela disse, a compaixão refletida em seus olhos. "Mas às vezes, as melhores intenções podem ter consequências inesperadas." Akane se afastou de Hinata, a determinação iluminando seu olhar. "Eu não queria que Kenji se ferisse; ele é meu melhor amigo. Não posso deixá-lo daquele jeito." A firmeza em sua voz ecoava a força que ela sentia brotar dentro de si. "Eu preciso consertar isso."
Hinata sorriu, a confiança reluzindo em seu olhar. "Eu sei que você vai conseguir," disse, a voz cheia de incentivo. "Você só precisa ser sincera com seus sentimentos." Akane assentiu, a esperança florescendo em seu coração. Ela sabia que o caminho seria difícil, mas estava disposta a fazer tudo o que fosse necessário para reparar o erro que cometera. "Eu preciso voltar para a sala agora," disse Hinata, apertando a mão de Akane mais uma vez, a compreensão brilhando em seus olhos. "Mas vou ficar aqui torcendo por você. Acredite em si mesma e faça o que seu coração mandar." Akane assentiu, as lágrimas teimosas ameaçando cair. As palavras de Hinata, carregadas de esperança e força, acalmaram seu coração agitado e lhe deram a coragem necessária para seguir em frente.
"Obrigada por tudo, Hinata," ela disse, a emoção quase transbordando. "Sua amizade significa muito para mim. Eu vou dar um jeito nisso, prometo." Com um último sorriso, Hinata se virou e caminhou de volta para a sala, seus passos firmes e confiantes demonstrando a fé que tinha na capacidade de Akane de superar os obstáculos que se apresentavam. Akane a observou por alguns instantes, absorvendo a força e a positividade que emanava da amiga, sentindo-se um pouco mais forte e determinada a enfrentar a tempestade que se avizinhava. No caminho da enfermaria, Akane se deparou com Taishou, como se o destino tivesse colocado um obstáculo em seu caminho. Ele estava parado no meio do corredor, sua figura imponente e sombria bloqueando sua passagem. Os olhos frios e penetrantes dele a fitavam com uma intensidade que a gelava por dentro. Por um breve momento, o mundo ao redor deles desapareceu, e o silêncio tornou-se ensurdecedor, cortante como uma lâmina. A única coisa que se ouvia era a respiração ofegante de Akane, marcada pelo nervosismo e pela ansiedade.
Finalmente, Taishou quebrou o silêncio, sua voz calma e controlada contrastando com a tempestade que se desenrolava em seu interior. "Eu vim ver como o idiota esquentadinho estava," ele disse, referindo-se a Kenji com um tom de desprezo que fez o sangue de Akane ferver. "Mas parece que a ambulância já o levou para o hospital. Que pena, não pude dar o meu recado." Um aperto no coração atravessou Akane, e a culpa a consumia por dentro. Como ela poderia ter deixado tudo chegar a esse ponto? Seus pensamentos se voltaram para Kenji, imaginando a dor que ele devia estar sentindo. "O que aconteceu lá, Taishou?" ela perguntou, a voz tensa e embargada pela emoção. "Parece que ele se machucou durante a briga." A resposta de Taishou foi carregada de sarcasmo, como se suas palavras fossem lâminas afiadas. "Mas não se preocupe, ele vai ficar bem. Provavelmente terá algumas cicatrizes para lembrar de você." Akane sentiu um desgosto profundo. As palavras de Taishou a enojavam; ela não sabia o que dizer, uma mistura de raiva e impotência a dominava. Queria gritar, chorar, se despedaçar em mil pedaços, mas algo dentro dela se rebelou. Ela não era mais a mesma garota frágil e submissa.
"Não brinque comigo," disse, sua voz firme e desafiadora, uma faísca de coragem acendendo dentro dela. "Você nem encostou direito nele. O que você fez com ele, Taishou?" Ele a olhou com uma expressão de surpresa, os olhos se estreitando em fendas. "O que está insinuando?" A tensão no ar aumentou, e Akane sentiu a adrenalina bombear em suas veias. "Eu acho que você não é aquilo que diz ser," respondeu, a determinação transparecendo em sua voz. "Você esconde algo, Taishou, e eu vou descobrir o que é." Com essas palavras, ela se virou e se afastou, deixando Taishou sozinho no corredor, uma tempestade de raiva e medo consumindo seu interior.
O sol da manhã banhava o parque em uma luz dourada, criando um cenário de perfeita tranquilidade. As folhas das árvores sussurravam ao vento, enquanto os pássaros cantavam melodias alegres. No meio desse paraíso verdejante, Hinata e Akane caminhavam lado a lado, suas cestas de compras transbordando de frutas e legumes frescos. "A cirurgia foi um sucesso," disse Hinata com um sorriso, sua voz suave e tranquilizadora. "Ele está se sentindo melhor a cada dia." Akane assentiu, mas a preocupação ainda brilhava em seus olhos. "Eu fico feliz em saber," ela disse, sua voz hesitante. "Mas... eu ainda não me sinto pronta para visitá-lo." Hinata a observou com atenção, a compreensão transparecendo em seu olhar. "Eu entendo," respondeu, colocando a mão no ombro de Akane. "É normal se sentir insegura depois de tudo que aconteceu." Um silêncio momentâneo se instalou entre elas, enquanto ambas se perdiam em pensamentos. Finalmente, Hinata quebrou o silêncio, sua voz gentil e questionadora. "Você já conversou com Sakura depois da briga?"
Akane negou com a cabeça, os olhos se desviando do olhar de Hinata. "Não," ela disse, a tristeza tingindo sua voz. "Eu não tive coragem." Hinata apertou a mão de Akane em um gesto de conforto. "É importante conversar com ela," afirmou, os olhos cheios de sabedoria. "Vocês precisam se entender e perdoar uma a outra. Guardar ressentimentos só vai fazer mal a ambas." Akane suspirou, lágrimas ameaçando escorregar por suas bochechas. "Eu sei," admitiu, a emoção quase transbordando. "Mas eu não sei como fazer isso." Hinata sorriu, um sorriso radiante e cheio de esperança. "Eu vou te ajudar," disse, abraçando Akane em um gesto de amizade e apoio. "Juntas, vamos encontrar uma maneira de resolver essa situação." As duas amigas continuaram caminhando pelo parque, seus passos leves e em sintonia com o ritmo da natureza. O sol brilhava forte no céu azul, e as flores exibiam suas cores vibrantes. Apesar das dificuldades que enfrentavam, Akane e Hinata sentiram a paz e a tranquilidade do parque inundando seus corações, dando-lhes a esperança de que, mesmo nas tempestades da vida, sempre haveria um caminho para a luz.
De repente, Hinata parou de andar e olhou para Akane, um brilho de determinação nos olhos. "Tenho uma ideia," ela disse, a voz vibrante de animação. "Por que não vamos até a casa da Sakura?" O coração de Akane disparou com a sugestão, um frio na barriga tomando conta dela. "A casa da Sakura?" perguntou, a hesitação evidente em sua voz. "Eu não sei... Eu tenho receio de como ela vai reagir."
Hinata colocou a mão no ombro de Akane, oferecendo apoio. "Eu sei que é difícil," disse, a compreensão estampada em seu rosto. "Mas vocês precisam conversar. É a única maneira de se reconciliar." Akane ponderou, os pensamentos em conflito. Por um momento, o medo e a insegurança quase a dominaram, mas então ela respirou fundo. "Ok," finalmente disse, a voz baixa. "Eu vou com você." Um sorriso se formou nos rostos das amigas, e juntas, elas começaram a caminhar em direção à casa de Sakura, alimentadas pela esperança de que a amizade e o perdão poderiam superar qualquer obstáculo.
No entanto, à medida que se aproximavam, o sol da manhã, antes radiante, começou a se esconder atrás de nuvens escuras, criando uma atmosfera sombria que refletia o pressentimento que pesava em seus corações. As sacolas de legumes balançavam em seus punhos enquanto suas hesitações se intensificavam. De repente, um som de vozes elevadas ecoou por um beco próximo, como um chamado irresistível para a curiosidade. As amigas trocaram um olhar, a incerteza brilhando em seus olhos. "Devemos investigar?" sugeriu Hinata, a voz baixa e hesitante. Akane hesitou, a lembrança de Taishou ainda a atormentando, mas a necessidade de saber o que se passava venceu a hesitação. Juntas, elas se aproximaram do beco, passos cautelosos e corações acelerados. À medida que se aproximavam, a escuridão do beco se intensificava, engolindo-as em uma atmosfera de suspense. Ao chegarem à entrada, a cena que se desenrolava diante delas fez seus corações pararem. Taishou, cercado por pelo menos seis garotos da turma, estava encurralado. Os olhos dele, antes cheios de confiança, agora refletiam uma mistura de medo e desafio, enquanto os garotos o cercavam, rostos contorcidos de raiva.
"Você vai pagar pelo que fez com Kenji," um dos garotos gritou, avançando em direção a Taishou, o ódio evidente em sua voz. O ar no beco estava denso, carregado com a expectativa de violência. Taishou, cercado por seis agressores, permanecia impassível. Seus olhos escuros, como poços sem fundo, não demonstravam o menor sinal de medo. Os garotos, armados com porretes e pedaços de pau, avançavam lentamente, rostos retorcidos em uma mistura de fúria e adrenalina. "Você é uma aberração!" um deles gritou, a voz carregada de desprezo. "Nem parece humano!" Taishou não se moveu. Seus olhos fixos nos agressores transmitiam uma mensagem clara: ele não se intimidava com suas palavras vazias. "É melhor vocês me deixarem em paz," disse finalmente, a voz calma e controlada, como um trovão distante prestes a eclodir. "Eu não quero machucar vocês."
As palavras de Taishou, em vez de acalmá-los, apenas inflamaram ainda mais a fúria dos garotos. "Você acha que pode nos assustar?" gritou outro, avançando com o porrete erguido. "Você não é nada!" Mas Taishou estava preparado. Com um movimento rápido e preciso, ele desviou do golpe. O porrete passou raspando por seu rosto, quebrando a madeira em pedaços. No mesmo instante, Taishou desferiu um único golpe com sua mão direita. O impacto foi devastador. O garoto que o atacava voou pelo ar, caindo no chão com um gemido de dor. O silêncio mortal que se seguiu era palpável. Os outros garotos, chocados com a força e a rapidez de Taishou, pararam de avançar, olhos arregalados em descrença.
Akane e Hinata, escondidas nas sombras, observavam a cena em choque. O medo e a adrenalina se misturavam dentro delas. A imagem de Taishou, implacável e poderoso, era aterrorizante, e a compreensão do que estava em jogo a deixou paralisada. Ele não era apenas o valentão; ele também era uma vítima. E agora, a luta pela sobrevivência estava prestes a se desenrolar diante de seus olhos. Os cinco garotos restantes, movidos pelo medo e pela fúria, atacaram Taishou em uníssono. Uma tempestade de golpes desceu sobre ele, cada soco e chuta como relâmpagos rasgando o ar. Mas Taishou era um rochedo imponente, inabalável pelas ondas de violência que o cercavam. Seus movimentos eram rápidos e precisos, desviando dos ataques com uma graça quase sobrenatural. Um dos garotos, com o rosto vermelho de raiva, brandiu seu porrete com força, mirando na cabeça de Taishou. Mas Taishou se inclinou para o lado, esquivando-se do golpe por um fio. O porrete passou raspando por sua orelha, cortando o ar com um assobio sinistro. Outro garoto, tentando pegá-lo desprevenido, chutou suas pernas com força. Mas Taishou deu um salto acrobático, desviando do golpe e aterrissando de pé, leve como uma pena.
Os garotos, frustrados e cada vez mais enfurecidos, continuavam atacando, mas seus golpes eram inúteis. Taishou era como um fantasma, intangível e inalcançável. De repente, ele contra-atacou. Com um movimento rápido e preciso, desferiu um golpe certeiro no estômago de um dos agressores. O garoto dobrou-se de dor, vomitando no chão em uma mistura de pânico e sofrimento. Outro garoto, determinado a vingar seu amigo, avançou com um pedaço de madeira erguido. Mas Taishou bloqueou o golpe com facilidade. Com um movimento rápido, segurou o pulso do garoto, quebrando-o com um estalo seco. O grito do garoto ecoou no beco, enquanto ele caía de joelhos, o desespero estampado no rosto. Os três garotos restantes, apavorados com a força e a brutalidade de Taishou, hesitaram. Sabiam que não eram páreo para ele. Com os olhos frios e penetrantes, Taishou os fitou por um instante, a aura de poder emanando de sua presença. "É melhor vocês irem embora," disse, sua voz calma e cortante. "E não voltem a mexer comigo."
Os garotos, sem pensar duas vezes, se viraram e correram, deixando Taishou sozinho no beco. Akane e Hinata, escondidas nas sombras, estavam pasmas com a cena que acabaram de presenciar. A força e a ferocidade de Taishou eram assustadoras, e elas se entreolharam, os rostos pálidos como a lua. Sabiam que haviam testemunhado algo que jamais esqueceriam. Taishou, com seus olhos penetrantes, as fitou por um instante. "O que vocês estão olhando?" ele perguntou, a voz calma e cortante como uma lâmina. Akane e Hinata, paralisadas pelo medo, não conseguiram responder. Seus olhos estavam arregalados, e as expressões em seus rostos refletiam surpresa e apreensão. Ele deu um passo em direção a elas, sua figura maciça bloqueando a luz do sol. Hinata se encolheu de medo, enquanto Akane, instintivamente, se colocou à frente, pronta para enfrentar o desconhecido. Mas, para a surpresa de ambas, Taishou simplesmente passou por elas, desconsiderando a presença das garotas. "Vocês não deviam andar por esses becos; é perigoso."
O clima carregado de tensão começou a dissipar, mas a confusão ainda pairava no ar. Akane sentiu o coração acelerar, um misto de preocupação e determinação dominando seu ser."Você… você não machucou eles, machucou?" Akane perguntou, sua voz trêmula, ainda atordoada com a cena que havia testemunhado.Taishou olhou para ela, seus olhos agora mais penetrantes do que nunca, como se estivesse avaliando cada palavra que ela dissera. "Não," respondeu ele, a voz calma e controlada, mas a intensidade ainda vibrava em suas palavras. "Eles se afastaram antes que eu pudesse ir mais longe."Hinata, ainda assustada, finalmente encontrou sua voz. "Por que você deixou eles te atacarem assim? Você poderia ter se machucado!""Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto," Taishou disse, seu tom mais sério agora. "Mas eles não entendem. Eles só vêem a superfície, a ideia de quem eu sou. Não conseguem enxergar além disso."Akane sentiu um aperto no peito ao ouvir suas palavras. O que ele dizia ressoava profundamente dentro dela. "E quem você realmente é, Taishou?" perguntou, a vulnerabilidade em sua voz revelando a batalha interna que vivia.
A expressão de Taishou mudou levemente, como se ele estivesse ponderando sobre a pergunta. "Eu sou... complicado," ele finalmente disse, a sinceridade transparecendo em seus olhos escuros. "As pessoas têm medo do que não compreendem. Elas só veem a minha força, mas não enxergam as lutas que enfrento."
Sem pronunciar mais nenhuma palavra, ele seguiu seu caminho, desaparecendo na penumbra do beco. As amigas se entreolharam, ainda em estado de choque com o que acabara de acontecer. O que pensar de Taishou Seiji? Era um monstro? Um protetor? Uma coisa era certa: ele era um enigma que elas estavam apenas começando a desvendar. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante de Akane e Hinata. A imagem de Taishou, implacável e poderoso, ainda estava fresca em suas mentes. Finalmente, Hinata, com a voz baixa e hesitante, quebrou o silêncio. “Esses golpes... Eram tão rápidos,” ela disse, os olhos arregalados de espanto. “Eu nunca vi nada parecido.” Akane assentiu, seus pensamentos em conflito. “Sim,” ela respondeu, a tensão em sua voz palpável. “Ele era como um fantasma, se movendo tão rapidamente que era impossível de acertar.” Um calafrio percorreu a espinha de Akane. Uma lembrança voltou à sua mente, uma conversa que ouvira acidentalmente entre alguns alunos mais velhos. “Eles diziam que Taishou não era humano,” sussurrou. “Que ele era algo... Diferente.”
Hinata a olhou, os olhos arregalados de surpresa. “Você acha que isso é verdade?” Akane hesitou, as imagens da luta no beco ainda vívidas em sua mente. A força e a velocidade de Taishou eram sobrenaturais. “Eu não sei,” ela disse, sua voz incerta. “Mas algo me diz que ele não é como nós.” As amigas continuaram caminhando em silêncio, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. A sombra de Taishou pairava sobre elas, um mistério que precisava ser desvendado. Quando chegaram à casa de Sakura, encontraram um oásis de paz em meio ao caos da cidade. A casinha aconchegante exibia um jardim florido e uma varanda convidativa. A porta de madeira rústica estava entreaberta, como um convite silencioso. Akane e Hinata se entreolharam, um sorriso tímido nos lábios. Hinata deu um passo à frente e bateu na porta. Um momento depois, a porta se abriu e Sakura surgiu, a surpresa estampada em seu rosto ao ver as amigas. “Akane? Hinata?” ela disse, a voz hesitante. “O que vocês estão fazendo aqui?” Akane sentiu um peso de culpa em seu coração; sabia que a última vez que se viram não fora das melhores. “Viemos te ver,” respondeu, a voz baixa e sincera. “Sentimos sua falta.” Sakura hesitou, encarando-as por um longo momento. Seus olhos, antes brilhantes e alegres, agora estavam opacos e tristes. Hinata, percebendo a hesitação de Sakura, interveio. “Fizemos compras,” disse, com um sorriso gentil. “E eu queria preparar um almoço especial para você.” Sakura ponderou por alguns instantes, seus olhos ainda cheios de dúvidas. Finalmente, suspirou e deu um passo para trás, abrindo a porta para as amigas. “Ok,” disse, sua voz baixa. “Podem entrar.”
Ao entrar na casa, Akane e Hinata sentiram que pisavam em um mundo à parte, um refúgio da vida agitada do lado de fora. A decoração era simples, mas aconchegante, com móveis antigos e objetos que transmitiam paz e serenidade. No centro da sala de estar, uma fotografia emoldurada chamou a atenção. Era uma imagem de um casal sorridente, com uma menina pequena no colo. Akane e Hinata reconheceram os pais de Sakura, seus rostos radiantes de felicidade. Ao lado da foto, uma menina de cabelos castanhos escuros e olhos castanhos, tão parecida com Sakura que era impossível não reconhecê-la como sua irmã mais nova. A menina, com um sorriso tímido no rosto, se aproximou de Akane e Hinata, os olhos cheios de curiosidade. “Oi,” ela disse, a voz suave e gentil. “Meu nome é Yuki Fujioka.” Akane e Hinata se ajoelharam para ficar na altura da menina e a abraçaram com carinho. “É um prazer te conhecer, Yuki-chan,” Hinata disse, um sorriso no rosto. “Sua irmã nos falou muito sobre você.” Sakura observava a cena com um brilho nos olhos. A presença das amigas e a alegria de sua irmã a confortavam, aquecendo seu coração com uma sensação há muito esquecida. “Obrigada por virem,” disse, sua voz emocionada. “Eu realmente precisava disso.” As amigas sorriram, felizes por poderem estar ali com Sakura e Yuki.
Na cozinha, o aroma de legumes frescos e temperos invadia o ar, permeando cada canto com um convite irresistível. Hinata, com um sorriso no rosto, se dedicava à preparação do almoço especial. Na sala de estar, Akane e Yuki conversavam animadamente. Yuki, com seus olhos brilhantes e uma voz contagiante, narrava suas brincadeiras favoritas, gestos exagerados e empolgação contagiando a amiga.
Akane a escutava com atenção, rindo de suas histórias e se divertindo com sua inocência. Yuki, com apenas sete anos, era um raio de sol em miniatura. Seus cabelos negros brilhantes, presos em maria chiquinha, emolduravam um rosto angelical, com bochechas rosadas e olhos castanhos grandes e expressivos. Um sorriso radiante iluminava seu rosto, revelando uma alegria contagiante. Vestida com um macacão rosa de plush com estampas de gatinhos, ela transmitia uma sensação de aconchego e ternura, complementada por meias brancas com babados e sapatilhas cor-de-rosa com detalhes em glitter. Em seus pulsos, pulseiras coloridas de miçangas brilhavam, e em seus cabelos, um laço rosa combinava com o restante da sua roupa. Yuki era a personificação da fofura, uma menina que encantava a todos com sua simplicidade e alegria contagiante.
Sakura, observando a cena com um sorriso triste, se aproximou das amigas. “Yuki,” ela disse, sua voz suave e gentil, “por que você não vai brincar no seu quarto? Eu preciso conversar com as minhas amigas.” Yuki, embora com um leve tom de decepção, assentiu compreensivamente. “Ok, mamãe,” respondeu, dando um abraço em Sakura antes de se dirigir ao quarto. Assim que Yuki se foi, Sakura se sentou no sofá, seus olhos cheios de tristeza. Akane se esforçava para disfarçar a surpresa que percorria seu corpo como uma onda. A descoberta da irmã mais nova de Sakura, Yuki, era como um segredo revelado, uma parte desconhecida da vida da amiga que se abria diante de seus olhos. Ao observar Yuki brincar e conversar com tanta naturalidade, chamando Sakura de "mamãe", Akane sentiu uma mistura de emoções. Por um lado, a surpresa por Sakura ter assumido a responsabilidade de cuidar de uma criança tão nova. Por outro, a admiração pela força e maturidade que a amiga demonstrava ao lidar com essa situação delicada.
Hinata, na cozinha, percebeu a tensão no ar. O silêncio era eloquente, carregado de perguntas e reflexões. Com sua sensibilidade aguçada, decidiu não interferir na conversa entre as amigas, permitindo que elas explorassem seus sentimentos livremente. Enquanto o aroma da comida se espalhava pela casa, Akane e Sakura conversavam em um tom baixo, suas vozes carregadas de emoção. Sakura narrava em detalhes a rotina com a irmã, as brincadeiras, os desafios e as alegrias de ser "mãe" tão jovem. Akane escutava atentamente, os olhos cheios de admiração e compreensão. A cada palavra, a admiração de Akane por Sakura crescia. A amiga, que sempre parecia tão forte e independente, agora revelava uma força interior ainda mais profunda, uma capacidade de amar e cuidar que era verdadeiramente inspiradora.
Akane, com a voz hesitante e o coração apertado, olhou para Sakura. “Você é realmente incrível,” disse, os olhos brilhando de admiração. “Cuidar da Yuki sozinha, sendo tão nova... Eu não sei como você consegue.” Sakura sorriu, ainda triste, e agradeceu. “Não é fácil,” admitiu. “Mas a Yuki me dá força. Ela é a minha razão de viver.” Um silêncio desconfortável se instalou na sala. Akane, com a respiração acelerada, decidiu tocar em um assunto que ainda doía em seu coração. “Sakura,” começou, a voz baixa e carregada de culpa, “eu preciso me desculpar pelo outro dia. Eu... Eu não deveria ter ficado do lado do Taishou. Eu deveria ter te apoiado, e ao Kenji.” Sakura, com os olhos cheios de tristeza, fitou Akane em silêncio. As lembranças da briga com Kenji ainda eram vívidas em sua mente, e a dor da traição de Akane a machucava.
“Eu sei que você estava com raiva,” continuou Akane, a emoção embargando sua voz. “E eu não te culpo por isso. Só quero que você saiba que me arrependo do que fiz.”
Sakura suspirou profundamente e finalmente se pronunciou. “Eu te perdoo, Akane,” disse, a voz suave e triste. “Eu sei que você não fez por mal.” Um aperto no peito de Akane diminuiu um pouco. “Obrigada,” disse, com um sorriso tímido. Sakura hesitou, os olhos fixos na mesa, antes de continuar. “Akane,” falou, a voz baixa e hesitante, “eu preciso te confessar algo.” Akane, com o coração batendo forte, aguardou ansiosamente pela continuação. “Eu... Eu amo o Kenji,” Sakura revelou, as palavras saindo de sua boca com dificuldade. “Eu o amo em segredo há muito tempo.” Akane empalideceu, os olhos arregalados em choque. A confissão de Sakura a atingiu como um raio, um golpe devastador que a deixou sem ar. Uma mistura de surpresa, tristeza e ciúmes tomou conta de seu coração, como uma tempestade furiosa que a deixava atordoada e confusa. Com a voz vacilante, lutando contra as lágrimas que teimavam em cair, Akane questionou: “Mas... E o Kenji? Ele sabe?”
Sakura assentiu, um sorriso triste pairando em seus lábios. “Sim,” ela respondeu, a voz fraca e carregada de emoção. “Mas ele me disse que me ama como amiga. Na verdade, ele ama você.” As palavras de Sakura ecoaram na mente de Akane como um mantra cruel, cada sílaba um espinho cravado em seu coração. Ela sentiu como se o chão tivesse se aberto sob seus pés, a náusea subindo em sua garganta enquanto a realidade a golpeava com toda a sua força. Incapaz de conter as lágrimas que brotavam em seus olhos, Akane se aconchegou no abraço de Sakura. O calor e o conforto da amiga a envolveram como um cobertor, oferecendo alento em meio à sua dor. “E eu sei que você não ama o Kenji... Não é? Você na verdade... está interessada no Taishou.” A confusão e a desorientação tomaram conta de Akane, um turbilhão de pensamentos e sentimentos girando em sua mente. A amizade que ela tanto prezava, alicerçada em anos de cumplicidade e afeto, agora parecia ameaçada por amores não correspondidos.
Hinata, observando a cena com o coração apertado, se aproximou das amigas e colocou a mão sobre os ombros de Akane e Sakura. “Nós estamos crescendo; as coisas estão ficando um pouco confusas entre nós,” disse ela, com um sorriso triste, mas transmitindo força e compreensão. Naquele abraço apertado, as três amigas se uniram em meio à dor, buscando conforto e força uma na outra. Perceberam que a amizade que as unia seria testada, mas o amor que as nutria era forte o suficiente para superar qualquer obstáculo. Akane suspirou, os olhos fixos no chão. “Eu gosto do Taishou,” confessou, a voz baixa e hesitante. “Mas... algo sobre ele me deixa com medo.” Sakura franziu a testa, preocupação evidente em seu rosto. “Medo? Como assim?” Akane mordeu o lábio, lutando para encontrar as palavras. “Eu não sei,” disse, finalmente. “É só... uma sensação que eu tenho. Ele é tão forte, tão intenso. É como se ele pudesse explodir a qualquer momento.”
Hinata assentiu, lembrando-se do que havia ocorrido mais cedo, quando ela e Akane testemunharam Taishou brigar e derrubar seis garotos sem o menor esforço. Sakura arregalou os olhos, horror tomando conta de seu rosto enquanto Hinata narrava os detalhes da briga. “Ele fez o mesmo com Kenji,” afirmou, a voz quase um sussurro, recordando o incidente da semana anterior. “Taishou quebrou o braço dele,” disse, sua voz baixa e tensa. “Sem o menor esforço.”Akane ficou em silêncio por um longo momento, absorvendo as palavras de Sakura e Hinata. A imagem de Taishou, tão gentil e atencioso com ela, chocava-se com a descrição de sua brutalidade. “Eu não entendo,” disse finalmente, a voz confusa e abalada. “Como ele pode ser tão gentil comigo e tão cruel com os outros?” Hinata colocou a mão sobre o ombro de Akane, oferecendo conforto. “Eu não sei,” respondeu, sincera. “Mas uma coisa é certa: Taishou é um homem complexo. E acho que devemos ter cuidado com ele.”
As três amigas permaneceram em silêncio por um longo tempo, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. A confissão de Akane havia lançado uma sombra sobre a tarde ensolarada, e um sentimento de dúvidas pairava no ar. Enquanto a luz do sol entrava pela janela, iluminando a sala, a incerteza sobre o que estava por vir deixava um gosto amargo em seus corações. Yuki, com seus passos leves e curiosos, desceu as escadas da casa, guiada pelo aroma delicioso que emanava da cozinha. Ao chegar na sala, seus olhos se depararam com uma cena intrigante: Sakura, Hinata e Akane estavam abraçadas, seus rostos próximos, sussurrando palavras que ela não conseguia entender. Um silêncio repentino se instalou na sala quando as três amigas perceberam a presença da pequena Yuki. Seus olhares se desviaram para ela, cada um carregado de uma emoção diferente: Sakura exibia um sorriso gentil, Hinata tinha um olhar acolhedor, e Akane estava com as bochechas levemente ruborizadas. “Yuki,” disse Sakura, sua voz suave e serena. “Está tudo bem, querida. Só estávamos conversando um pouco.” Yuki, ainda hesitante, se aproximou das amigas com a inocência de quem não compreende totalmente a profundidade do que estava acontecendo. “Posso saber do que estavam falando?” perguntou, seus olhos grandes e cheios de curiosidade.
As amigas se entreolharam, compartilhando um momento silencioso de cumplicidade. “Estávamos falando sobre como somos sortudas por termos umas às outras em nossas vidas,” respondeu Sakura, abrindo os braços para um abraço acolhedor. Sem hesitar, Yuki se aninhou no abraço de Sakura, sentindo o calor e o conforto que emanavam delas. Hinata e Akane logo se juntaram ao abraço, formando um círculo de afeto e amizade. Naquele momento mágico, as preocupações e os sentimentos conflitantes que as afligiam foram momentaneamente esquecidos. O que importava era a união e o amor que as unia, um laço inquebrável que transcendia os desafios que enfrentavam. Juntas, as quatro amigas se dirigiram para a mesa, onde Hinata havia preparado um delicioso almoço. A tarde se desenrolou entre risadas, brincadeiras e conversas descontraídas. Yuki se divertia com as histórias das amigas, seus olhos brilhando de alegria, completamente alheia aos sentimentos e conflitos amorosos que permeavam a vida das mais velhas. Sakura contava sobre suas experiências, enquanto Hinata acrescentava detalhes engraçados, fazendo Yuki rir com seu jeito inocente e divertido. Akane, embora ainda lutando com suas próprias emoções, não pôde deixar de se sentir envolvida pela felicidade contagiante de Yuki.
À medida que o dia avançava, as quatro amigas se sentiram mais próximas do que nunca. O riso e a alegria preenchiam a sala, criando uma atmosfera acolhedora que fazia com que os problemas parecessem distantes. Ao final do dia, enquanto a luz do sol começava a se pôr, as quatro se despediram, cada uma seguindo seu caminho. Mas a lembrança daquela tarde aconchegante permaneceria em seus corações, um símbolo da amizade que as unia e da força que encontravam umas nas outras. Em meio às incertezas e aos desafios da vida, aquele momento se tornaria uma fonte de inspiração e conforto, lembrando a cada uma delas que, juntas, podiam enfrentar qualquer tempestade.