Taishou sentiu um calafrio percorrer sua espinha, o medo e o pânico se misturando com a indignação que fervilhava em seu peito. “Como assim, você quer o sangue de Kenji? Você quer que eu mate seu próprio filho? Que tipo de pai você é?” A revolta era evidente em sua voz, mas Demétrio permanecia imperturbável, um sorriso malicioso desenhado em seu rosto. “Como você tem tão pouca ambição, meu amigo Christian. Eu não desejo a morte dele” disse Demétrio, pausando dramaticamente para dar ênfase. “Eu quero que você transforme ele em lobisomem”. As palavras caíram como uma sentença sobre Taishou. “Você quer que eu amaldiçoe seu próprio filho?” Taishou estava incrédulo, mas Demétrio apenas riu. “Nunca considerei a licantropia uma maldição. Muito pelo contrário, ela sempre me deu forças para ser o homem que eu sou." Ele pausa e logo continua: “Ele é meu filho, nada mais justo do que ele assumir meu legado, meus passos.” “E o que eu ganho com isso?” Taishou perguntou em conflito consigo mesmo. Demétrio o encarou seriamente, mas nunca perdendo sua expressão de arrogância. “Se você fizer isso, eu lhe conto onde você pode ir para encontrar o último sobrevivente do nosso antigo grupo. O último lobisomem que sobreviveu ao massacre da cidade de Greifswald, Caspian.” “Caspian?” Taishou arregalou os olhos se lembrando muito bem de Caspian, o antigo líder de sua guilda, um homem forte, determinado e de coração puro. Taishou pensava que Caspian estava morto. A alcateia inteira foi assassinada na noite do massacre. “Ele ainda está vivo?” Ele pergunta, com um misto de nostalgia, surpresa e esperança. Demétrio faz uma pausa, olhando fixamente nos olhos de Taishou. “Sim, mas você não vai ouvir mais nada de mim, até fecharmos um acordo.” “Que tipo de acordo?” Taishou cerrou os punhos. Seu olhar frio e sério retornando aos seus olhos. “Você, seu filho, Kenji, Caspian” Todos juntos, vocês podem reconstruir a nossa alcateia.” Demétrio sorri. um sorriso malicioso que faz o coração de Taishou gelar.
A floresta, antes envolta em um manto de escuridão e silêncio sepulcral, despertava para a vida com a aurora. O sol, nascendo majestosamente no horizonte, lançava seus raios dourados sobre as copas das árvores, banhando o local em uma luz quente e acolhedora. O ar fresco da manhã carregava consigo o doce canto dos pássaros, que saudavam o novo dia com suas melodias vibrantes. Taishou sentou-se em uma pedra musgosa, observando a floresta se transformar ao seu redor. Sua camisa social preta, outrora impecável, agora estava rasgada e empoeirada, marcas silenciosas da batalha feroz que travou na noite anterior. Seus olhos, antes cheios de fúria e ferocidade, agora carregavam um cansaço profundo, mas também um lampejo de paz interior. As correntes de prata em seu pescoço prendiam Demétrio, a besta feroz que habitava dentro de Taishou. O lobo interior, o antigo alfa, antes inquieto e raivoso, agora parecia ter se submetido à liderança de Taishou. Uma respiração profunda e serena escapou dos seus pulmões, levando consigo a tensão e o medo que o atormentava. Em meio à quietude da floresta, Taishou travou uma conversa profunda consigo mesmo e com Demétrio. A besta interior o questionava sobre seu futuro, sobre o que o destino reservava para ele e para a alcateia. A dúvida pairava no ar: Esse seria o seu legado?
"Retornar à alcateia?", Taishou perguntou a Demétrio. A voz, antes carregada de incerteza, agora soava firme e determinada. Demétrio, o lobo interior, rugiu em resposta, transmitindo a Taishou a necessidade de assumir seu lugar de direito como alfa. A sobrevivência da espécie dependia dele. Era sua responsabilidade liderar seus irmãos e protegê-los dos perigos que os cercavam. “Você poderá juntar e liderar todos nós novamente. E assumir seu legado como o novo alfa. A minha única condição é, quero meu filho ao teu lado, ajudando a liderar nosso bando.” Demétrio diz com confiança em seus olhos. “E se eu me recusar?” Taishou perguntou “E seu eu não quiser assumir esse papel?”. Demétrio deu de ombros indiferente. “Então, seu destino será me aguentar atormentando sua mente por toda a eternidade, até que chegue o dia em que eu farei você atacar seus amigos mais próximos, ou até mesmo, sua esposa.” “Não!” O grito de Taishou ecoou pela floresta, um som carregado de desespero e determinação. “Como eu vou fazer isso? Como posso confiar que você não está blefando?” Ele argumentava, buscando algum sinal de lealdade e verdade nas palavras de Demétrio. “Eu lhe dou minha palavra. Traga meu filho para nosso grupo, retorne nossa antiga alcateia, e eu deixarei sua mente em paz, bem como lhe darei a informação que você tanto procura para achar Caspian. Você quer aprender a conviver com seu lado bestial sem perder o controle? Se existe um lobo capaz de ajudar você com isso, esse alguém é Caspian.
Taishou ergueu-se da pedra, seus olhos brilhando com uma nova resolução. Ele sabia o que precisava fazer. Reuniria seus irmãos, guiá-los por um caminho de paz e prosperidade, e juntos, honram o legado de seus ancestrais. A floresta, agora banhada pela luz do sol, era o palco perfeito para o início de um novo capítulo na história. O regresso da alcateia. Taishou ergueu-se da pedra musgosa, os raios dourados do sol nascente iluminando seu rosto cansado. A conversa profunda consigo mesmo e com Demétrio, a besta interior, havia lhe dado a clareza que precisava. Ele sabia o que precisava fazer: reunir seus irmãos e liderá-los em um novo capítulo na história da alcateia. Mas antes de embarcar nessa jornada, ele precisava do apoio de seu melhor amigo, Kenji. Com passos firmes e determinados, Taishou saiu da floresta, seguindo o caminho familiar que o levava à casa de Kenji. A cada passo, ele sentia a floresta se abrir ao seu redor, como se estivesse lhe dando as boas-vindas e o encorajando em sua missão. O ar fresco da manhã carregava consigo o perfume das flores silvestres, um aroma que acalmava seus nervos e lhe dava força. Taishou caminhou em silêncio até o local onde deixou seu carro estacionado. Ao ligar o motor e dirigir pela estrada, o brilho distante das luzes da polícia chamou sua atenção, um prenúncio de problemas. Ele diminuiu a velocidade, e a figura de Izumi Nakamura emergiu, tão imponente quanto a própria lei. A delegada e chefe de polícia geral da cidade de Hinode, com sua postura inabalável e olhar que desvendava segredos, aproximou-se com passos decididos até o carro de Taishou. Seus cabelos negros, presos em um coque tão perfeito quanto seu tailleur, refletiam a ordem que ela impunha ao caos do mundo.
A estrada havia sido palco de um horror na noite anterior, e a proximidade de Taishou com o local do ataque de lobo não passou despercebida por Izumi. Uma memória antiga, sombria, ressurgiu em sua mente, trazendo ecos de um passado que enlouquecera Tanaka, seu amigo de infância. A internação dele em um hospício era um lembrete constante do peso que certas lembranças podiam carregar. “Lobisomens e supostas mortes por lobos selvagens” A lenda que permanecia viva na memória da cidade. Ela o encarou, os olhos negros não apenas vendo Taishou, mas também sondando as profundezas de suas intenções. “O que você faz aqui, Taishou Seiji?” Sua voz, embora calma, carregava o peso de sua autoridade e o comando inerente à sua posição. Era uma pergunta simples, mas carregada de significado, pendurada no ar como o nevoeiro que começava a se formar entre as árvores. Taishou sentiu o peso do olhar de Izumi sobre ele, e uma pontada de medo percorreu sua espinha. Ele precisava ser convincente; qualquer deslize poderia revelar sua verdadeira natureza. “Ah, delegada Nakamura, eu… estava fazendo uma trilha mais cedo e acabei me perdendo,” começou Taishou, tentando manter a calma. “Você sabe como é, a floresta pode ser um labirinto às vezes.”
Izumi observou a camisa social rasgada de Taishou, e sua expressão se tornou mais inquisitiva. “E isso?” perguntou ela, apontando para o tecido danificado. Taishou seguiu o olhar dela e deu um sorriso sem graça. “Ah, isso foi um pequeno acidente. Eu tropecei em um galho e caí. Nada sério, mas a camisa definitivamente já teve dias melhores.” Izumi não pareceu completamente convencida, mas Taishou esperava que sua resposta fosse suficiente para desviar qualquer suspeita. Ele sabia que Izumi era astuta, capaz de conectar pontos com uma eficiência assustadora. Ele precisava sair dali o mais rápido possível, antes que ela pudesse perceber a verdade escondida por trás de suas palavras cuidadosamente escolhidas. “Eu realmente preciso ir agora, delegada. Tenho que trabalhar” disse Taishou, esperando encerrar a conversa. Izumi Nakamura encarou Taishou com uma seriedade que cortava mais fundo que o frio da noite. “Senhor Seiji,” ela começou, sua voz tão firme quanto sua postura, “você precisa se manter longe da floresta de Hinode. Um homem foi brutalmente morto perto das estradas ontem, e tudo indica que lobos são os responsáveis.” Ela pausou, permitindo que a gravidade de suas palavras se assentasse entre eles. “Esta cidade já tem uma história sombria com ataques de lobos. Não podemos ignorar os perigos que espreitam entre essas árvores.” Com um gesto em direção à densa floresta, ela continuou. “O acesso à floresta está proibido até segunda ordem. Ninguém deve entrar lá. Estamos tomando todas as medidas necessárias para garantir a segurança de todos.” Taishou assentiu, por fora, ele tinha um olhar tenso e firme, mas dentro dele, uma batalha se travava. Izumi, percebendo a tensão em seu olhar, reforçou seu aviso. “Por favor, Senhor Seiji, por sua segurança e pela segurança dos outros, obedeça essa ordem. Não queremos mais tragédias.” Com essas palavras finais, Izumi se afastou um pouco do carro, deixando Taishou sozinho com o peso de seu segredo e o eco de seu aviso.
Mas, Izumi para no meio do caminho e olha para ele por mais um tempo. Seus olhos analíticos. Taishou manteve seu olhar firme enquanto Izumi Nakamura se afastava, mas por dentro, a tempestade de suas emoções ameaçava transbordar. A delegada, com sua intuição afiada, parecia tocar na verdade que ele tanto lutava para esconder. Ela voltou ao carro, os movimentos calculados e precisos. Removendo os óculos escuros, Izumi fixou seu olhar incisivo em Taishou. “Sabe, senhor Seiji,” ela começou, sua voz baixa, mas carregada de suspeita, “é sempre muito estranho que você esteja, de alguma forma, sempre próximo aos ataques em nossa cidade.” Taishou sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele sabia que qualquer deslize poderia ser fatal. “O detetive Makoto Tanaka tinha suas suspeitas sobre você, Seiji,” ela disse, sua voz calma, mas firme. “Ele acreditava que você era um lobisomem. E mesmo agora, com ele internado e fora de si, não posso simplesmente ignorar as coincidências de você estar sempre por perto quando esses… estranhos ataques de lobos acontecem.” Taishou soltou uma risada, tentando mascarar a tensão com desdém. “Você está ouvindo do que está me acusando, delegada?” ele perguntou, com um sorriso forçado. “Que absurdo.” Izumi manteve o olhar sobre ele, inabalável. “Eu tomaria cuidado se fosse você. A floresta de Hinode não é lugar para estar sozinho à noite, especialmente agora. Há um predador à solta, e não vamos hesitar em tomar todas as medidas necessárias para proteger nossos cidadãos.”
Izumi continuou: “Você é amigo de infância da minha querida afilhada, Hinata Terasaki,” ela continuou, “e eu vou ser muito clara, estou de olho em você. Se há algo mais nesses ataques, eu vou descobrir.” A linha entre caçador e caça estava se tornando cada vez mais tênue, ele teria que ser ainda mais cauteloso se quisesse manter sua verdadeira identidade oculta. Ela deu um passo para trás, ainda observando Taishou, como se tentasse ver através da fachada que ele apresentava. “Mantenha-se longe da floresta de Hinode, Seiji. Por sua segurança e pela segurança dos outros,” ela concluiu, antes de se virar e caminhar de volta para sua viatura, deixando Taishou sozinho com o peso de suas palavras. Taishou respirou aliviado por ter escapado do interrogatório de Izumi. Enquanto dirigia de volta para a cidade, um lembrete silencioso o perturbava. Sua verdadeira identidade estava em risco novamente. Na casa de Akane e Taishou, a tensão era palpável. Caleb, com os punhos cerrados e os olhos ardendo em fúria, socava a parede enquanto sua voz se elevava em protesto. “Como assim, eu não posso mais ver a Yuki?” A dor e o rancor transbordavam de seu olhar. Akane, com um suspiro pesado, tentava trazer alguma calma à tempestade.
“Sakura não quer mais vocês dois juntos,” ela explicou, mas suas palavras pareciam apenas atiçar a ira de Caleb. “Ela não vai me impedir de ver a Yuki! Eu… eu vou encontrá-la em segredo! Fujo de casa se preciso para encontrá-la durante a noite!” Caleb esbravejava, cada palavra acompanhada por um golpe contra a parede, sua frustração deixando marcas físicas em seu punho. Akane, com a voz da experiência e do cuidado materno, tentava alcançar o coração rebelde de seu filho. “Caleb, escute a voz da razão. Você está instável, seu pai matou um homem ontem. Nós não podemos nos arriscar nem nos expor mais!” Ela implorava por compreensão, mas Caleb estava surdo para os apelos da mãe. “Você quer mesmo machucar a Yuki de novo? “Não! Eu não quero! Mas…mas…se eu não vou ver a Yuki mais, não tem porque continuar me socializando com humanos! Eu nunca gostei deles! Yuki foi minha única amiga. Eu não vou na aula hoje, nem nunca mais” Com essas palavras finais, ele se afastou, a porta do quarto batendo com um estrondo atrás dele, a chave girando na fechadura. Akane permanecia sozinha, o silêncio subitamente pesado ao seu redor. Ela olhava para o celular, as horas passando sem misericórdia. Já eram mais de 09hrs, e Taishou ainda não havia retornado da floresta. A preocupação crescia dentro dela como uma vinha selvagem. O que poderia ter acontecido?
Kenji ajustava seu coturno com uma calma que contrastava com o turbilhão de emoções que as mensagens de Sakura despertavam nele. Sentado confortavelmente no sofá de couro da sala, ele tomava seu café matinal enquanto os olhos percorriam a tela do telefone. As reclamações sobre Akane, Taishou e Caleb se acumulavam, cada uma delas um golpe na serenidade que ele tanto prezava entre os amigos de infância. Com um suspiro resignado, Kenji sentiu o distanciamento crescer, uma decisão da namorada que ele não podia aceitar: separar Caleb de Yuki, e ainda por cima, a exigência de que ele cortasse laços com Taishou e Akane para sempre. “Ficou maluca?” Kenji escreveu de volta. “Taishou e Akane são nossos melhores amigos!” As mensagens de Sakura continuavam, cada uma mais irritada que a anterior, insistindo que Taishou representava um perigo mortal. Mas Kenji, com a paciência que lhe era característica, respondia com confiança inabalável em seu amigo. “Mesmo que ele seja, eles são nossos amigos! Não vou abandonar eles!” Ele respondeu Sakura, mas a resposta dela voltou rapidamente. “Você está cego igual a Akane! Não é possível que só eu estou enxergando a verdade e o perigo dessa merda toda! Vocês não vão ficar felizes até que um de nós esteja morto!”
Sakura digitava freneticamente. Kenji, frustrado, jogou o celular com força em cima da mesinha de centro, as mãos frias e suadas cobrindo o rosto. Ele não queria mais discutir e brigar com Sakura, mas também, não queria abandonar Taishou e Akane por conta de suas condições sobrenaturais. Ele não sabia o que fazer. Suspirou profundamente. Taishou, ao chegar à casa de Kenji, hesitou por um instante. Ele sabia que a conversa que teria com seu amigo não seria fácil, mas, confiava na amizade que os unia e na compreensão de Kenji. Com uma respiração profunda, Taishou bateu à porta. O som ecoou pela casa de madeira, e Taishou podia ouvir os passos de Kenji se aproximando. A porta se abriu alguns segundos depois, revelando o rosto surpreso de Kenji. "Taishou?" Kenji exclamou, seus olhos arregalados de espanto. "O que você está fazendo aqui? E... o que aconteceu com sua camisa?" Taishou sorriu fracamente. "Eu tenho muito a te contar, Kenji", disse ele. "Mas antes, posso entrar?" Sua voz era um sussurro rouco, carregado de histórias não contadas e de um pedido silencioso por refúgio e ajuda.
“Porra, claro que pode” Kenji deu um passo para o lado, abrindo a porta para Taishou entrar. Os dois amigos se sentaram no sofá de couro vermelho. Taishou então narrou tudo o que havia acontecido com ele na noite anterior. O descontrole, as caçadas, o assassinato que ele cometeu, e finalmente, a madastra de Hinata, de volta ao seu encalço. Seu risco de ser descoberto cada vez mais próximo. Ele só ocultou toda a verdade sobre Demétrio dominar sua mente. Ele ainda não estava preparado para revelar essa verdade para Kenji. Kenji o ouviu em silêncio, seus olhos arregalados de horror e descrença. Quando Taishou finalmente terminou sua história, um silêncio pesado pairava no ar. Taishou sabia que Kenji precisava de tempo para processar tudo o que havia escutado. "Sakura estava certa, você está fora de controle!" Kenji disse frustrado. Taishou assentiu, não escondendo sua verdadeira essência destrutiva. "Sim, é verdade, eu estou fora de controle."
Kenji, ainda em choque, olhou para o amigo, tentando encontrar palavras. “Taishou, isso é… é insano. Como você pode viver assim?” A preocupação era evidente em sua voz. Taishou baixou a cabeça, a dor e o conflito claro em seu rosto. Kenji suspirou, passando as mãos pelo cabelo. “E agora? O que você vai fazer? Você não pode continuar… matando.” “Eu sei,” Taishou murmurou, “e é por isso que eu preciso de você." Taishou encarou Kenji, seus olhos fixos nos olhos do amigo. “Kenji,” ele começou, sua voz baixa e carregada de urgência, “há mais sobre minha… condição que você precisa saber.” Kenji inclinou-se para frente, sua expressão de preocupação intensificando-se. “O que é, Taishou?” Taishou olhou para Kenji, os olhos carregados de uma verdade dolorosa. “Eu menti para você naquela noite da transformação. Sim, você ouviu a voz de Demétrio… ele está aqui, dentro de mim.” A confissão saiu como um sussurro, mas carregava o peso de séculos. Kenji ficou imóvel. A revelação o atingiu como um golpe. “Como isso é possível?” A incredulidade era evidente em sua voz. “Quando eu bebi o sangue de Demétrio após sua morte, de alguma forma, isso nos conectou. Eu não entendo completamente, mas sinto a presença dele, misturada com meu lado bestial, atormentando minha mente a cada momento,” explicou Taishou, a angústia clara em seu rosto. Kenji balançou a cabeça, ainda lutando para aceitar a realidade. “Conectado? Com um fantasma? Você está louco, Taishou. A bestialidade está afetando sua sanidade.” Taishou suspirou profundamente, encarando Kenji com uma seriedade que raramente mostrava. “Sua mãe se chamava Aiko Takahashi.” A menção do nome fez Kenji estremecer; era um segredo que ele nunca havia compartilhado. “Qualquer um com acesso aos meus documentos saberia disso,” Kenji tentou racionalizar, mas Taishou continuou.
“Sua mãe teve um caso com Demétrio. E após sua morte, ele te criou como se fosse seu próprio filho. Ele te ensinou a atirar, te levou para caçar… Lembra-se do dia em que você não conseguiu atirar no cervo? Você tinha apenas 6 anos, e o medo era maior do que você. Demétrio te chamou de fraco e te bateu.” Kenji sentiu o chão se mover sob seus pés. Essas eram memórias que ele nunca havia compartilhado, detalhes que Taishou não poderia saber. “Meu pai… Akira está realmente aí com você?” A voz de Kenji era um sussurro trêmulo, a realidade da situação finalmente se assentando em sua mente. “C-como isso é possível?” Kenji gaguejou, ele sentiu perder as forças na perna. Taishou olhou para Kenji, a seriedade marcando cada traço de seu rosto cansado. “Quando Demétrio morreu…” ele começou, sua voz baixa. “Você se lembra que eu bebi seu sangue em seus últimos momentos, não é?”
“Porra, claro que eu lembro, foi nojento e macabro pra caralho!” Kenji esbravejou, ainda trêmulo. Taishou continuou a explicar: “Isso é uma tradição antiga entre nossa espécie para passar conhecimento e poder. Mas algo deu errado… ou talvez tenha sido exatamente o que ele planejou.” “Desde que eu ativei a besta dentro de mim, sinto a presença dele, como uma sombra em minha mente. Não é apenas uma memória; é como se uma parte dele tivesse se fundido comigo, com minha própria essência. E agora, ele usa essa conexão para falar comigo, para me influenciar… para tentar me controlar.” Kenji ouvia, a preocupação crescendo a cada palavra. “E que porra ele quer?” “Demétrio… ele me fez uma proposta que eu não pude aceitar.” Kenji olhou com preocupação para o amigo. “Me conta a porra toda! Você tem que me contar tudo, não esconde mais droga nenhuma de mim!” A voz de Kenji saiu como uma súplica desesperada pela verdade. Com um suspiro, Taishou se deixou cair no conforto do couro, sentado ao lado do amigo. As palavras começam a fluir. “Demétrio quer que eu transforme você em um de nós, que eu o amaldiçoe com a licantropia. Ele acredita que isso irá fortalecer você. Ele quer que você continue o legado dele…”
Kenji encarou Taishou sem piscar, seu rosto não escondia o espanto e a raiva. “Meu pai sempre me achou um fraco…” Taishou suspirou: “Eu me recusei a fazer isso…” Kenji ouvia em silêncio, a gravidade da situação pesando sobre ele. “E o que meu pai disse quando você recusou?” perguntou, temendo a resposta. “Ele ameaçou me atormentar para sempre, disse que faria com que eu atacasse aqueles que amo… até mesmo minha própria esposa.” A angústia era evidente na expressão de Taishou, um homem atormentado pela escolha impossível que lhe foi imposta. Kenji colocou uma mão no ombro de Taishou, um gesto de solidariedade. “Não vamos deixar isso acontecer. Vamos encontrar uma maneira de lidar com meu pai e proteger a Akane. Você não está sozinho nessa.” Taishou balançou a cabeça, um gesto lento e pesado. “Nem mesmo a prata em meu corpo consegue calar ele completamente. É como se estivéssemos entrelaçados em um nível muito profundo. A única coisa que posso fazer é lutar contra a influência dele, manter minha vontade firme e não ceder ... .mas…tem sido difícil…no entanto…” “Existe outro,” Taishou disse, hesitando por um momento antes de continuar. “Um último lobisomem vivo da minha antiga guilda, na época medieval. Seu nome é Caspian, e ele está em algum lugar na Inglaterra.” Kenji arregalou os olhos, surpreso com a revelação. “Na Inglaterra? Mas como você sabe disso?”
“Demétrio me contou, mas apenas isso. Ele se recusa a me dar mais informações, ao menos que… eu transforme você…” Taishou passou a mão pelos cabelos, um gesto de frustração e determinação. “Eu …preciso da sua ajuda, Kenji. Caspian é o único que pode me ajudar a controlar o que sou… a controlar o monstro dentro de mim.” A batalha interna de Kenji era como um mar tempestuoso, as ondas de dúvida e medo colidindo com a força de uma tempestade. O fantasma de seu pai, uma presença constante, sussurrava palavras de desdém, chamando-o de fraco, desafiando-o a se render à maldição que assolava seu amigo há gerações. “Mas, isso é mesmo possível? É tão fácil assim?” Kenji questionou, seu olhar fixo em Taishou. Ele buscava alguma certeza em meio ao caos. Taishou suspirou, o peso da verdade carregado em cada palavra. “Na realidade, sim. Eu só preciso morder você quando estiver transformado em uma noite de lua cheia. Se você aguentar a dor e não morrer, você herdará a maldição.” Kenji sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A possibilidade de se tornar aquilo que sempre temeu, um lobisomem, era agora uma realidade tangível, oferecida a ele como uma escolha cruel. A voz de seu pai zombava dele em sua mente, desafiando-o a dar o passo final em direção ao abismo.
A decisão pesava sobre Kenji como uma pedra amarrada à sua alma. Aceitar a mordida seria abraçar um destino sombrio, mas recusar… seria realmente uma demonstração de força, ou apenas a confirmação das acusações de seu pai? No silêncio da sala, com o olhar de Taishou sobre ele, Kenji compreendeu que a verdadeira batalha não era contra a maldição, mas contra o legado de medo e dúvida que seu pai havia deixado para ele. E nessa luta, ele precisaria de toda a sua coragem para vencer. “Meu…meu pai pode me ouvir agora?” Perguntou Kenji com a voz trêmula. Taishou acenou com a cabeça em positivo. Kenji finalmente disse. “Manda ele se foder, então! Eu não quero essa porra de destino.” Taishou ficou em silêncio, depois ele olhou para o amigo e disse. “Ele te chamou de fraco…” Kenji se ergueu, a determinação brilhando em seus olhos. “Não, pai,” ele declarou, sua voz firme. “Eu não vou me tornar um monstro como você deseja. Talvez, isso me torne fraco aos seus olhos, mas prefiro ser fraco do que perder minha humanidade.” As palavras ecoaram na sala, desafiando o fantasma que o assombrava. Kenji não cederia à escuridão, não importava o quanto seu pai insistisse. Ele estava disposto a lutar contra a influência de Demétrio, a manter a sanidade do amigo e sua humanidade intactas. Tudo junto. Sem abrir mão de nada.
Kenji olhou para Taishou, seus olhos brilhando com uma mistura de determinação e lealdade. “Vamos pra porra da Inglaterra, Taishou,” ele disse, batendo a mão no ombro do amigo. “A gente revira o país todo se for necessário! Mas eu não vou virar um bicho grotesco, tá entendido?” Taishou assentiu, um sorriso grato surgindo em seu rosto apesar da situação sombria. “Sem a ajuda do meu pai,” Kenji continuou, “nós dois juntos vamos achar o Caspian. Vamos fazer o que for preciso para te ajudar a controlar isso. Você não está sozinho nessa.” Taishou olhou para Kenji com uma expressão cansada, a luta interna claramente visível em seus olhos. “Kenji,” ele disse, sua voz rouca pela tensão, “às vezes, a única coisa que acalma a tempestade aqui,” ele apontou para sua cabeça, “é um pouco de álcool.” Taishou finalmente se virou para Kenji, a gravidade do momento refletida em seus olhos. “Eu preciso beber,” ele disse, a voz rouca pela tensão e pelo cansaço. Kenji assentiu, compreendendo. Sem uma palavra, ele se levantou e foi até o armário de bebidas. Com um movimento familiar, ele pegou uma garrafa de tequila, aquela que guardava para ocasiões especiais ou momentos que exigiam esquecimento. Ele perderia o dia de serviço hoje, mas isso não importava. A amizade e o apoio que poderia oferecer a Taishou eram mais importantes do que qualquer rotina ou obrigação. “Então, vamos beber, seu cuzão” Kenji declarou, “e depois vamos enfrentar a merda toda e o que vier juntos.” Voltando para o sofá, Kenji abriu a garrafa e serviu dois copos. “Não é uma solução, Taishou,” ele disse enquanto entregava um dos copos ao amigo, “mas por hoje, pode ajudar a afastar os demônios.”
Taishou aceitou o copo, o líquido dourado refletindo a luz suave da sala. “Por hoje,” ele concordou, e os dois brindaram a pequenas vitórias e a amizades que resistem às trevas. Eles beberam em silêncio, cada gole um pequeno alívio contra o caos que ameaçava engolir Taishou. Por um momento, apenas por um momento, ele podia fingir ser apenas um homem, não uma criatura da noite. As garrafas se esvaziavam uma após a outra, e a sala girava ao redor dos dois amigos. Taishou, com a língua solta pela bebida, revelou a Kenji um segredo sombrio. “Ontem, na noite de lua cheia, eu estava conseguindo me controlar bem, me mantive longe da cidade e estava apenas me alimentando de animais selvagens. Mas a porra do lenhador, um senhor de meia-idade, foi parar nas encostas da estrada, próximo de onde eu estava…e… Demétrio… ele me fez perder a razão. E…quando eu me dei por mim novamente, eu estava provando do seu sangue… eu…me senti tão bem…” A angústia era palpável em sua voz, um peso que ele carregava no peito, sufocante e frio. “Que merda, em?” Kenji ri. Ele está tão tonto que não consegue sentir empatia pelo falecido. Quem mandou aquela porra de velho andar na porra da floresta de Hinode durante a porra da noite? Essa porra de cidade já deveria saber, desde o massacre do festival da lua, que aquela porra de floresta nunca foi segura. Kenji dá outro gole na tequila. A sala está girando cada vez mais. Taishou ri. “Tem muita “porra” na sua frase. Kenji, com os olhos turvos pelo álcool, fixou o olhar em Taishou. “E o que você ganharia do meu pai, se me transformasse em lobisomem?” A pergunta era direta, mas a resposta de Taishou foi um sopro de esperança em meio à desolação. “Além da informação precisa da localização de Caspian? Ele me ofereceu paz, um caminho para viver em harmonia com essa maldição. Sem perturbar minha cabeça com desejos crueis. E ele também deseja que eu volte a liderar nosso antigo grupo. Ele quer que eu regresse à alcateia ” Taishou fez uma pausa, a frustração evidente em seu rosto. “Mas Demétrio… ele se recusa a me dar mais informações. Ele quer um trato. Quer que eu te arraste para esse inferno em troca dessas respostas.”
Kenji riu, um som amargo que ressoou pelas paredes. “É a cara do meu pai fazer isso…” A ironia da situação não escapava a ele, mesmo em meio à névoa da bebedeira. Eles estavam presos em um jogo perigoso, peões em um tabuleiro governado por forças além de sua compreensão. “Ele sempre quis que eu fosse forte, que eu fosse um “homem de verdade”, como ele dizia…” “A arrogância de Demétrio está fundida até em seus ossos…” Taishou completou. Em seguida, riu, os efeitos do álcool tornando sua risada mais solta e genuína. “Eu deveria ficar tonto mais vezes,” ele brincou, “parece que a voz de Demétrio finalmente se calou de vez.” Kenji, com um sorriso travesso, respondeu: “Meu pai amava encher a cara toda noite. Ele deve estar curtindo a brisa dentro de você.” Os dois amigos caíram na gargalhada, o peso das preocupações momentaneamente esquecido em meio à camaradagem e à cumplicidade. "Por que ele tinha essa necessidade tão urgente de que você fosse homem?" Perguntou Taishou curioso. "Que desejo de merda é esse que ele tinha para forçar você a seguir carreira militar, aprender a atirar, a matar animais inocentes e essas porras ai?" Taishou bebeu mais um gole da tequila. Kenji ri, ele está prestes a revelar algo sobre si que nunca contou a ninguém antes. O álcool lhe dá mais coragem. "Meu pai achava que eu era gay, uma vez, ele me pegou beijando um garoto." Taishou, ainda com um sorriso de incredulidade, balançou a cabeça. “E a solução dele foi mandar você para um quartel cheio de homens suados?” A ironia da situação era inegável, e os dois amigos não puderam conter o riso.
A risada de Taishou diminuiu enquanto ele tentava manter uma expressão séria. “Mas você é de fato gay? Você não está com a Sakura só de fachada, está?” A pergunta pairava no ar, carregada de anos de amizade e confiança. Kenji olhou para Taishou, um brilho de sinceridade em seus olhos. “Eu sou bi,” ele disse simplesmente. A verdade estava lá, simples e sem adornos, um fato de sua vida que ele compartilhava com um amigo que sabia que o aceitaria como ele era. Taishou riu, uma risada que vinha de algum lugar profundo, onde o álcool e a camaradagem se misturavam. Ele se acomodou no sofá, ao lado de Kenji, sentindo a proximidade confortável do amigo. A atmosfera na sala tornou-se mais leve, quase tangível com a sinceridade e a aceitação que flutuava entre os dois amigos. Taishou olhou para Kenji, um sorriso genuíno se formando em seus lábios. “Kenji,” Taishou disse, o riso ainda dançando em sua voz, “você é incrível, cara. Não importa com quem você escolha estar, você é meu irmão. E Sakura é uma mulher de sorte por ter alguém tão autêntico ao lado dela.” Kenji sorriu, o alívio e a gratidão brilhando em seus olhos. “Obrigado, Taishou. Significa muito ouvir isso de você,” ele respondeu, levantando seu copo em um brinde silencioso à amizade que resistia a todas as tempestades. Eles beberam mais um gole, deixando que o calor do álcool e a força de sua ligação os envolvesse. Não havia lobisomens nem segredos sombrios, apenas dois amigos compartilhando verdades e aceitando um ao outro exatamente como eram.
Akane olhava para o celular com uma expressão de preocupação crescente. As chamadas não atendidas para Taishou se acumulavam, cada uma delas um lembrete do silêncio que se estendia desde a manhã. Já era quase fim da tarde, e o sol começava a se inclinar para o horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados. Com um suspiro pesado, ela tomou uma decisão. Seu marido não dava sinal de vida, e a ansiedade que borbulhava dentro dela ameaçava transbordar. Ela discou o número de Kenji, esperando que ele pudesse oferecer alguma pista, algum sinal de Taishou. O som agudo do telefone tocando reverbera pela sala, um lembrete insistente da realidade que aguardava fora da bolha de embriaguez de Kenji e Taishou. A tela trincada do celular de Kenji, resultado de um acesso de fúria durante uma conversa com Sakura, piscava com a chamada de Akane. Os toques incessantes finalmente romperam o véu do álcool, despertando os dois amigos de seu torpor. Com os olhos pesados e a mente ainda turva, eles se entreolharam, percebendo que o mundo lá fora não havia parado enquanto eles se perdiam na bebedeira e nas revelações.
Kenji, com um esforço, esticou o braço em direção ao aparelho danificado, a sensação de urgência cortando a névoa da ressaca. “É Akane,” ele murmurou, a voz rouca. Taishou se sentou, a preocupação começando a clarear sua mente. Kenji com um movimento de dedos desliga a chamada e silencia o celular. “Você precisa ir para casa conversar com sua esposa, Taishou.” Kenji disse com um tom divertido. A luz do entardecer banhava a sala com um brilho suave, contrastando com a tensão que se formava entre os dois amigos. Taishou, agora plenamente consciente da preocupação de Akane, sabia que não podia mais adiar o inevitável confronto com a realidade de sua vida dupla.
“Você tem razão, Kenji,” Taishou disse, levantando-se com um suspiro resignado. “Não posso deixar Akane nessa angústia. Ela merece saber o que está acontecendo… ” Kenji olhou para o amigo, um sorriso compreensivo nos lábios. “Vai lá, cara. E lembre-se, estamos nisso juntos. Qualquer coisa que precisar, estou aqui.” Com um aceno de cabeça, Taishou pegou as chaves do carro e saiu pela porta, a determinação em seus passos refletindo a decisão em seu coração. Ele dirigiu pelas ruas tranquilas, cada quilômetro percorrido trazendo-o mais perto do lar e da mulher que o esperava com uma mistura de amor e preocupação. Ao chegar em casa, Taishou encontrou Akane à porta, o celular ainda na mão, os olhos buscando respostas. “Akane,” ele começou, a sinceridade em sua voz, “precisamos conversar.” Taishou e Akane enfrentaram um momento de revelações profundas. Taishou compartilhou com Akane a verdade sobre sua natureza de lobisomem, confessando as transformações e a perda de controle na floresta. Ele expressou o perigo iminente de ser descoberto, especialmente pela madastra de Hinata, a delegada Izumi. Taishou também revelou o pedido sinistro do pai de Kenji, Demétrio, que desejava que Kenji fosse transformado em lobisomem. Ele falou sobre a necessidade de retornar à alcateia e assumir seu papel como alfa. Por fim, Taishou contou sobre Caspian, o último lobisomem vivo, que residia na Inglaterra, e sua decisão de viajar para encontrá-lo, com Kenji disposto a acompanhá-lo. Após Taishou revelar todo seu plano de natureza e os perigos que enfrentaria, Akane ficou inicialmente chocada e incrédula. Mas à medida que a realidade se assentava, sua preocupação se transformou em determinação. Ela queria apoiar Taishou nessa jornada.
“Eu vou com você” Ela disse. Taishou, com uma expressão carregada de preocupação e amor, segurou as mãos de Akane. “Akane, eu não posso permitir que você venha comigo nesta viagem,” ele disse suavemente. “Os perigos são muitos e eu não suportaria se algo acontecesse a você.” Akane, com os olhos marejados de emoção, queria protestar, mas a seriedade no rosto de Taishou a fez hesitar. “Por favor, entenda que isso é para protegê-la,” continuou Taishou. “Eu e Kenji enfrentaremos o que for necessário para encontrar Caspian e resolver isso. Mas eu preciso que você fique aqui, segura.” Akane assentiu, a compreensão e o amor por Taishou fortalecendo sua resolução. “Eu vou esperar por você, Taishou. Confio em você e em Kenji. Voltem para casa em segurança.”