O silêncio da noite foi abruptamente interrompido por passos leves no corredor. Taishou se aproximou do quarto, seu coração batendo descompassado. Algo o atormentava, uma verdade que precisava ser revelada antes que o amanhecer chegasse. Com a mão trêmula, ele girou a maçaneta e entrou. Akane, sua amada esposa, estava deitada na cama, iluminada pela suave luz da luminária de cabeceira. Um livro de química repousava em seu colo, enquanto os fones de ouvido a isolavam do mundo. Ele fechou a porta atrás de si, o som da madeira ecoando no silêncio da noite. Akane não se moveu, absorta em sua leitura. Aproximou-se cautelosamente, fixando os olhos em seu rosto sereno. “Akane,” murmurou, a voz baixa, “precisamos conversar.” Ela ergueu a cabeça, surpresa ao vê-lo ali. Retirou os fones, depositando-os sobre o livro, seus olhos cor de mel se encontrando com os dele. “Oi, Tai,” disse ela, a suavidade da voz contrastando com a tensão no ar. “O que há de errado?” Ele se sentou ao lado dela na cama, evitando seu olhar. “É sobre... nós. Na verdade, é mais sobre mim…”
Akane franziu a testa, preocupação surgindo em seu rosto. “O que você quer dizer? O que tem para me contar?” Ele respirou fundo, reunindo coragem. “Akane, eu não estou feliz.” As palavras saíram como um sussurro, cortando o silêncio do quarto. Ela se sentou ereta, os olhos arregalados. “O que você quer dizer com isso?” Sua voz estava tensa. “Não me sinto feliz há um tempo. Preciso que você me ouça com atenção antes de me julgar ou me odiar. Estou tomando o sangue do Kenji para reativar minha licantropia,” confessou ele, a voz embargada. “Sei que você não vai gostar disso e pode até pensar em me matar agora... Mas, preciso ser honesto: sinto falta da besta. Sinto falta de me transformar nas noites de lua cheia, de caçar e beber sangue.” Um silêncio pesado pairou entre eles. “O que... o que você disse?” A tristeza dominava sua voz. “Você... está bebendo sangue humano?” “Eu sei que você vai me odiar por isso,” ele disse, segurando as mãos dela entre as suas. “Mas sinto falta da besta, então pedi ao Kenji que me ajudasse com seu sangue. Tenho tomado nas últimas semanas, escondido de você. Não se preocupe, ele consentiu com tudo. Não estou machucando ninguém. E tudo ficará bem. Minha besta voltará, e poderei ser eu mesmo novamente. Por favor, quero que você entenda.”
Akane abaixou a cabeça, lágrimas surgindo em seus olhos. “Entender? Não, eu não ENTENDO!” Taishou, tentando se fazer ouvir, continuou: “Por favor… você precisa me ouvir… é importante para mim. Sei que isso é errado, que não deveria beber sangue humano, que isso me torna a pior pessoa para você agora. Mas isso é algo que eu preciso, algo que faz sentido na minha vida.” As palavras dele atingiram Akane como um soco no estômago. Ela o encarou, incrédula. Com amargura, começou a falar. “Eu não entendo! Passamos três anos atrás de todos os ingredientes para te curar! Meu Deus, Taishou, você assassinou seu amigo de infância apenas para ter acesso ao sangue de um lobo alfa! Como, depois de tudo isso, você pode dizer que quer despertar essa maldição novamente? Taishou, você... você ficou LOUCO?” Taishou hesitou, mas respondeu. “Sei que parece isso, mas… sim. Estou tomando essa decisão porque quero sentir a besta de novo. Passei mais de dois mil anos com ela dentro de mim, e agora meu corpo… meu corpo sente necessidade. Preciso disso novamente… Sei que é estranho, mas preciso da minha besta! Não estou fazendo isso por impulso, tenho razões. Mas preciso da sua compreensão!”
Akane enxugou as lágrimas que escorriam pelo rosto. “Compreensão? Sinto que fui uma idiota! Por que gastei anos da minha vida atrás de uma cura para ajudar você e o Caleb? Para vocês terem paz e não viverem como MONSTROS, e agora você decide, pelas minhas costas, que quer voltar a ser??? ” Sua voz estava carregada de irritação. Ele levantou a mão, tentando silenciá-la. “Eu tenho minhas razões! Eu… precisava fazer isso… Você não entende? Minha alma precisa de um lobo! Meu corpo e minha alma precisam desse lobo para encontrar equilíbrio e paz! Por favor, me ouça… Eu posso controlar minha besta, posso continuar caçando animais como antes. E nada mudará.” Akane se levantou da cama, furiosa. “Você quer que eu aceite isso??? Se você quer tomar essa decisão estúpida, faça isso sozinho! Não arraste nem eu nem o Caleb para suas loucuras!” Taishou também se levantou. “Meu corpo precisa disso. Minha pele precisa sentir a força da besta novamente! Minha alma necessita do meu lobo para sobreviver… Por favor, escute seu marido! Sei que minha escolha é errada, mas…” Ele hesitou, mas continuou: “Eu sei que você está com raiva de mim agora… mas já tomei minha decisão.”
Akane se aproximou dele, o rosto contorcido de fúria. “Você é um imbecil, só pensa em si mesmo!” Taishou olhou para sua esposa, os olhos arregalados, o que temia estava se concretizando: uma discussão iminente. Seu coração tremia com a fúria de seu lado humano, a besta dentro de si lutando contra o medo, a raiva e a razão. Ele ficou em silêncio, enquanto as vozes e emoções se misturavam ferozmente dentro dele. A resposta que deu foi impulsionada pela besta que habitava seu interior. “Quer me chamar de imbecil? Tudo bem, chame. Isso não mudará minha decisão.” “Você é um idiota!” Akane gritou. Taishou, dominado pela raiva, gritou de volta: “Sou idiota por amar minha força? Não sou idiota por querer isso de volta! Quero recuperar a força que preciso para sobreviver! Não posso ser eu mesmo sem a força da minha besta, você não entende?” Ela o empurrou, a frustração transbordando. “Faça o que quiser! Não vou interferir na sua vida!” Ele a agarrou pelo braço, a besta tomando o controle de suas emoções. “E não vai mesmo! Continuarei bebendo sangue humano para sentir a força da besta. Farei o que quiser, e se você não calar a boca e parar com esse show, se ficar no meu caminho, você será a próxima! Está me irritando! Não queira me ver irritado!”
Akane sentiu o aperto em seu braço e, encarando os olhos de Taishou, que brilhavam em vermelho, sentiu medo. Mas reuniu toda a coragem. “Eu não quero continuar casada com você!” A expressão de Taishou se suavizou ao ouvir aquelas palavras, o lado animal se dissipando. “O que… você… falou?” Akane gritou, reafirmando: “Você me ouviu! Não quero mais ficar casada com você! Não quero passar por tudo isso de novo! Quero divórcio!” Ele se virou, a tristeza preenchendo seus olhos. "Di… divórcio?” As mãos tremiam e seu aperto afrouxou. “Você está falando sério? Eu… não posso perder você!” O desespero em sua voz era palpável, a respiração acelerada. Ela se soltou com um movimento brusco. “Estou falando sério! Ouvi como você falou comigo, como se eu fosse sua presa! Não me sujeitarei a isso! Não, de novo não!” Akane gritou. A incredulidade tomou conta de Taishou. Ele tremia e tentou acalmá-la: “C-Calma, Akane, eu sei que você sofreu… Mas… por favor… não me deixe… Sinto-me um lixo por você querer me deixar… Nunca quis essa besta dentro de mim; ela simplesmente não quer ir embora!” Akane se dirigiu à cômoda para pegar o celular, cega pela raiva. “E você ainda arrasta o Kenji para isso! Meu Deus, Taishou! Vou ligar para ele agora e acabar com isso!” “NÃO!” Taishou gritou, agarrando o celular de suas mãos. “Por favor, não faça isso! O Kenji não tem nada a ver com isso. Só olhe para mim, me escute, Akane!” “Escutar você??? Devolva meu celular!” Akane tentou puxá-lo de volta, mas ele não cedeu. “Não! NÃO! Não vai ligar para ninguém! Não coloque ninguém no meio da nossa briga! EU TENHO QUE FAZER ISSO! Preciso que você entenda!” O desespero de Taishou era evidente enquanto evitava que ela alcançasse o celular.
“Fazer eu entender? Não há como, Taishou! Você sofreu por causa dessa maldição por centenas de anos! E agora quer ela de volta? Que droga é essa? É síndrome de Estocolmo?” Akane se lança na direção de Taishou, tentando alcançar o celular, mas ele a empurra para longe. “Síndrome de Estocolmo? Não sei… talvez! Isso não importa! Eu preciso reativar a besta que vive dentro de mim. Quero ser eu mesmo novamente! Não aguento essa sensação de ser um humano normal! Não quero sentir essas emoções humanas fracas! Raiva, ódio, angústia e tudo o mais! Eu não me sentia assim antes, quando a besta estava dentro de mim!” “Não, sério! Você era um robô frio, calculista, estoico, sem sentimentos! É isso que você quer voltar a ser?” Akane para de tentar pegar o celular e grita novamente para Taishou. “Sim, exatamente isso! Quero voltar a ser aquele eu de antes! Aquele que era imune às emoções humanas! Aquele que não se preocupava com coisas idiotas! Aquele que não sentia um único pensamento negativo. Aquele que era imune a essa merda chamada ‘amor’!” Akane para, e sua expressão se torna triste. O rosto de Taishou se torna mais sério e frio. “Agora você entende por que quero a besta de volta? Quero me sentir menos humano... Quero me sentir melhor!”
Quase em lágrimas, Akane pergunta: “E onde eu entro nessa história toda?” Taishou mantém a expressão amarga e fria, seus olhos brilhando vermelho novamente. “Quem disse que você entra nessa história? Quem disse que você tem alguma importância para mim? Eu não preciso de você! Você é apenas uma ponte de instabilidade na minha vida, um dos maiores motivos da minha angústia e insegurança!” Ele grita, sua voz ecoando pelo quarto, a besta tomando controle novamente. “Estou cansado de fingir que estamos felizes, quando tudo que sinto é vazio e solidão! Você só me serve para satisfazer minhas necessidades na cama, e nada mais!” Akane se aproxima de Taishou, com os olhos arregalados de espanto e raiva. Ela lhe da um tapa no rosto. “Como você se atreve a falar assim comigo?” Sua voz treme. “Você me respeita, seu idiota!” As lágrimas escorrem pelo rosto de Akane sem parar, incapaz de acreditar que o homem que ama está dizendo aquelas coisas horríveis.
O som do tapa ecoa no quarto, despertando Taishou para a realidade. Seus olhos vermelhos desaparecem, e ele assume uma expressão calma, com olhos negros. Hesitando, ele olha para Akane, que se sente despedaçada. Não consegue imaginar a vida sem Taishou. Ele começa a rir. “Viu, Akane? Você não pode sair da minha vida. Minha besta é forte e perigosa, mas quando você está ao meu lado, ela se torna mansa, como um cãozinho. Eu preciso de você para me ajudar! Apenas você pode me controlar.” Akane o encara com nojo e desdém, esfregando as têmporas e suspirando cansada. Fica em silêncio por vários minutos, até finalmente dizer, exausta da discussão: “O que posso fazer? A decisão é sua. Se você quer isso, não posso impedir. Você já é grandinho o suficiente.” Por alguns segundos, Taishou para de se mover, sua expressão mudando de descrença para incredulidade. Não acredita que sua esposa aceitou tão rapidamente sua decisão. “Você vai me aceitar? Não vai me convencer a mudar de ideia?” Akane desvia o olhar para o chão, envolvendo os braços ao redor do corpo, como se quisesse se proteger de um sentimento amargo. “Não, não vou mais tentar te convencer de nada. Quer fazer isso? Vá em frente. Faça! Não estarei aqui para ver como isso termina. Vou embora.”
A expressão de Taishou se transforma em desilusão e decepção. “Eu… nunca pensei que você desistiria de mim tão facilmente. Não entende o quão importante a besta é para mim? Você não vai mais tentar me impedir? Vai me deixar fazer o que eu quiser?” “Christian Sastre!” Akane grita, fazendo o corpo de Taishou congelar. Um arrepio percorre sua espinha ao ouvir o nome completo. Ela o encara nos olhos e continua: “Que droga você quer de mim? Se eu tento te convencer a não fazer isso, você briga! Se eu aceito sua decisão estúpida, você também briga. Você só quer brigar comigo!” O terror toma conta de Taishou ao ouvir seu nome verdadeiro. As mãos começam a tremer, e sua respiração acelera. Akane continua, com a voz firme: “Só consigo lembrar o quão ingrato você está sendo agora, Christian! O quanto… não, melhor… o quanto Catarine ficaria triste! Ela tentou te salvar dessa merda, assim como eu tentei… E você recusou! Pelo visto, não quer ser salvo!” Taishou sente amargura e tristeza. Lembra de Catarine, vendo-a através dos olhos de Akane, julgando-o como um monstro. Decepcionada com suas decisões estúpidas, suas mãos tremem novamente, seu semblante se transforma em ódio puro, e os olhos brilham vermelho novamente. “Não fale de Catarine! Você não ouse falar seu nome agora! Ela me apoiava mais do que você! Aceitou minha bestialidade e nunca quis tirá-la de mim! Muito pelo contrário, ela… aceitou se transformar e viver ao meu lado!”
“E foi queimada na fogueira por causa disso! Conheço bem essa história. É a história do meu antepassado. Sou a reencarnação de Catarine, sei de cada detalhe dessa história!” Akane responde com confiança. Taishou cerra os dentes e fecha os punhos com força, se segurando para não socar Akane. “Você acha que é a reencarnação de Catarine? Você não é nem uma fração dela! Não é nem metade da mulher forte e corajosa que ela foi!” “Não sou. Porque ela e eu somos duas pessoas diferentes. Sou a reencarnação dela, não sou ela! Apenas compartilhamos a mesma alma.” Akane explica calmamente. Taishou parece ainda mais irritado, sua expressão tensa e seu olhar cheio de fúria. “Duas pessoas diferentes com a mesma alma?” Ele ri de deboche, elevando a voz. “Como pode ser tão diferente dela se compartilham a mesma alma? Você não sabe de nada, não sabe de PORRA NENHUMA! Não conhece a metade da vida dela antes de aceitar ser uma besta. Eu a conheço muito mais do que você, então CALA A BOCA!” “Eu não estava lá há 700 anos!” Akane responde com amargura. “Ah, é? Então, não abra a boca para falar que é igual a ela! Você não sabe de nada! E ainda mais, quando aceita que eu me transforme na cara dura, como se não ligasse para nada do que acontece na minha vida! Você não se compara a Catarine! Não é nem um décimo da mulher que ela foi para mim! Então pare com essa conversa de reencarnação! Porque você não é nem de longe parecida com ela!” Taishou desabafa furioso.
Akane parece não se importar mais. Está cansada dessa discussão sem sentido. “Certo, Taishou. Não sou metade do que Catarine foi para você. Não apoio suas decisões estúpidas, não ligo se você morrer. Sou uma péssima esposa que só serve para te dar prazer físico. Quer acrescentar mais alguma ofensa à lista, ou isso é tudo por hoje?” Taishou para de falar, também cansado e irritado com a discussão inútil. Sua expressão é de decepção e tristeza. Sente-se um completo idiota. Ambos ficam em silêncio, absorvendo as palavras amargas que destilaram um para o outro. Finalmente, Taishou solta uma última frase: “Só queria que você ficasse ao meu lado…” Akane também dá seu argumento final: “Estou ao seu lado. Mas isso não significa que gosto ou concordo.” Dirige-se para a cama; já são pelo menos 02:00 da manhã. Deita-se e vira de costas para Taishou. “Preciso dormir, já chega.” Taishou fica parado alguns segundos, sem palavras. Caminha até a cama e se deita na outra ponta, também virado de costas. Silêncio. Finalmente, ele fala novamente: “Posso te perguntar uma coisa?” Sua voz é fraca. “O que você quer agora?” Akane responde de forma seca. Taishou hesita, procurando a melhor maneira de perguntar isso sem soar tolo. Não há como. Suspira e pergunta: “Você ainda me ama?”
A resposta de Akane vem quase imediatamente: “Se eu não te amasse, já teria ido embora.” Mas ele não se sente satisfeito. “Se eu me transformar em lobisomem de novo, você ficará ao meu lado?” “Sim.” Akane responde novamente. Taishou permanece em silêncio por alguns minutos, uma sensação de alívio o invade. Seu coração bate tão forte que parece querer sair do peito. Hesitante, faz uma última pergunta: se ela ainda o amaria em todas as suas formas. E ela disse que sim. Que conheceu Taishou como lobisomem e que continuaria a amá-lo assim. Taishou sentiu os olhos dela se encherem de lágrimas, e ele se virou de frente para ela, desprezando qualquer briga ou golpe que pudesse vir. Ele não suportava a ideia de dormir longe dela. Agarrando-a pelas costas com força, chorou suavemente em seu ombro, pedindo perdão por ter sido um idiota e por ter dito coisas horríveis.
Akane parecia relutante em aceitar uma rendição tão fácil. Com amargura, ela respondeu: “Não se arrependa de nada do que você disse hoje. Tudo é verdade, Taishou. Eu não sou Catarine, e não tenho planos de substituí-la.” A tristeza na voz de Taishou era palpável. “Eu sei que você não é a Catarine! Não precisa se esforçar para ser ela; você já tem a aparência, a voz, o cheiro.” Akane insistiu, firme em sua afirmação: “Mas eu não sou ela. Eu sou a Akane, não a Catarine!” Ele a apertou ainda mais, a tristeza transparecendo em sua voz. “Eu sei que você não é ela. Mas, por que você acha que eu comecei a namorar você? Por que você acha que eu me casei com você?”
Akane cerrou os dentes, sua voz cortante: “Não venha com essa… Você vai me dizer que está comigo só por eu me parecer com a Catarine?” Silêncio. Taishou hesitou, a expressão no rosto ficando ainda mais triste, mas a verdade precisava ser dita. “Não é que eu só esteja com você por essas razões, mas parte do motivo foi, sim, por causa disso.” A voz de Akane falhou, mas ela conseguiu responder. “Eu sei disso. Você acha que eu não sei? Mas por que você está falando isso agora? Quer me machucar?” “Não, eu não quero te machucar. Eu sei que você sabe. Mas eu achei que… era algo que precisava ser dito.” Ele fez uma pausa, sua voz se tornando mais emotiva. “Eu quero que você saiba que, mesmo que o motivo tenha sido esse, mesmo que tenhamos começado a namorar e nos casado por isso, eu me apaixonei por você. Eu me apaixonei pela Akane!” Akane ficou em silêncio. Após um longo suspiro, Taishou comentou: “Acho que falei demais, mas tudo que foi dito hoje deveria ter sido dito há muito tempo.”
Ela quebrou o silêncio: “Eu só queria que você parasse de me comparar com ela em todas as nossas brigas.” “Eu vou tentar… Eu também não gosto quando discutimos e a Catarine entra na conversa. Vou tentar parar se você também tentar. Tudo bem?” Taishou a agarrou mais forte. “Faça isso,” ela respondeu. Taishou fechou os olhos e respirou fundo. “Precisamos parar com essas brigas idiotas. Eu vou fazer minha parte para que isso nunca mais aconteça.” Então, em um tom mais suave, ele perguntou: “Agora vamos dormir, certo?” “Sim, estou cansada. E você e eu temos trabalho amanhã,” Akane respondeu quase resmungando. “É… verdade, trabalho amanhã. Mas, antes de dormir, posso te pedir uma última coisa, se você não se importar?” Taishou sussurrou em seu ouvido. Ela murmurou em resposta. “Por favor, me dê um beijo de boa noite antes de dormir… Por favor…” Ele falou mais baixo, a vergonha e a carência transparecendo. “Eu sei que você pode me mandar ir a merda, mas preciso pedir assim mesmo.”
Akane abriu os olhos e se virou, encarando Taishou. Sua expressão era uma mistura de raiva e tristeza ao observar os olhos marejados do marido, mas logo se suavizou. “Vem cá,” ela disse, se aproximando e selando os lábios dele com um beijo. Ele ficou parado por um instante, surpreso, como se demorasse a processar o gesto. Apesar de toda a discussão, o amor ainda os unia. Taishou não pôde deixar de sorrir e murmurar um “obrigado” para ela. Os dois se abraçaram, com a cabeça de Akane repousando no peito de Taishou. Sua expressão relaxou, e ele se sentiu calmo em seus braços. Ela começou a acariciar seus longos cabelos negros, e o toque de suas mãos trouxe paz e tranquilidade ao seu corpo. Depois de alguns minutos, ele quebrou o silêncio, perguntando: “Você me ama, né?” Akane respondeu com um “lógico”. Então, ele se atreveu a perguntar: “Então… se isso for verdade… Me deixe pedir mais uma coisa. Faz amor comigo?” O rosto de Akane corou, e ela se sentiu confusa. “Hoje, agora?”
“Não vamos demorar muito… e eu preciso muito te sentir depois dessa discussão,” Taishou respondeu. Akane, incrédula com sua audácia, disse: “Depois de uma briga você ainda tem clima para me pedir isso?” Mas Taishou, confiante, respondeu: “Sim, tenho. Você também deveria ter. É melhor ficarmos assim e esquecermos a discussão. O melhor agora é esquecer… Por favor…” Akane sorriu. “Você tem muita sorte de eu te amar muito.” Taishou retribuiu o sorriso. “Eu sei,” disse, emocionado. “Agora, fica quieta um pouco e me deixa fazer isso com você.” Ele respirou fundo. “Me deixa te beijar, te abraçar e sentir seu corpo. Prometo que serei gentil. Você merece.” Akane não disse mais nada; apenas se aproximou de Taishou e o beijou, ambos entregando-se a um beijo intenso. Taishou então se posicionou sobre ela, envolvendo seus braços em volta da cabeça de Akane, enquanto continuava a beijá-la com fervor. O beijo se tornava cada vez mais quente e urgente, e logo as roupas de ambos começaram a ser despidas, até que ficaram completamente nus um diante do outro. Taishou sentiu o desejo e a excitação. Ele estava focado apenas em Akane, sentindo seus toques nas costas, acariciando sua pele, aumentando ainda mais sua excitação. As mãos dele navegavam pelo corpo de Akane, explorando suas curvas.
“Tai…” Akane gemeu baixinho. “Akane,” ele respondeu com o mesmo desejo, suas mãos dançando pelo corpo dela, aproveitando cada segundo daquela paixão. As mãos de Taishou desceram até a coxa de Akane, abrindo suas pernas com um movimento suave. Sem resistência, ela permitiu que ele se encaixasse sobre seu corpo. Uma vez conectados, Akane soltou um suspiro de prazer. O som do gemido de sua amada deixou Taishou ainda mais excitado. Ele estava completamente tomado pelo desejo, esquecendo qualquer racionalidade. A única coisa que importava agora era tocá-la, sentir e amar. Ele começou a se mover lentamente sobre ela, enquanto Akane fechava os olhos, entrelaçando seus dedos nos dele. “Ah… Tai…” ela gemeu mais uma vez. Ao ouvir seus gemidos, Taishou perdeu-se em uma onda de desejo. Seu ritmo se intensificou, buscando os pontos que causavam mais prazer. Akane continuou a gemer, suas murmurações de paixão transformando-se em gritos apaixonados, aumentando em volume com os movimentos de Taishou, que tornavam-se cada vez mais intensos. Ele segurava a cintura dela com mais força, aumentando o ritmo e a profundidade. A situação apenas melhorava, e ambos começaram a perder o controle. “Ahh… Tai… Eu te amo tanto,” Akane exclamou entre os gemidos, sua respiração descontrolada. Taishou sorriu ao ouvir aquelas palavras, sentindo-se feliz e completo. Era como se estivesse em uma montanha-russa de emoções, subindo ao céu e sendo puxado para o inferno ao mesmo tempo. Ele aumentou ainda mais a velocidade, cada vez mais rápido e profundo, perdendo também o controle sobre seus próprios gemidos. “Ah… Akane… eu também te amo.”
Os movimentos tornaram-se frenéticos, uma sensação tão intensa que não poderia ser descrita em palavras. As mãos de Taishou continuavam a explorar cada parte do corpo de Akane. Ele sentiu sua cabeça girar. Os gemidos dela eram agora os dele. Akane agarrou os cabelos de Taishou, puxando-o para mais perto, enquanto beijava seu pescoço e chupava seu peito com fervor, arranhando suas costas. Quando sentiu os arranhões, Taishou soltou um grito de prazer, uma deliciosa tortura. A dor era intensa, mas ele não queria que parasse. Seu prazer tornava-se indescritível enquanto ele beijava-a no pescoço, descendo até os seios e chupando-os com vontade, arrancando mais gritos de prazer dela. Logo, Taishou percebeu o aperto de Akane ao seu redor, uma sensação quente que umedecia seu membro. As mãos dela quase estraçalhavam suas costas e peito; sua mulher havia atingido o clímax. Agora era a vez dele. Ele acelerou o ritmo, impulsionando sua vontade cada vez mais em direção à borda, até chegar ao ponto de não retorno.
“AH! Akane, estou quase lá…” Ele gemeu com urgência. “Você pode gozar dentro de mim, Tai.” Ela respondeu, cruzando as pernas em torno de sua cintura e segurando-o com mais força. A essa altura, o raciocínio de Taishou começou a se confundir. Ele não se lembrava se Akane estava em um “dia seguro” e, sinceramente, não se importava. Sua mente estava completamente imersa no prazer, uma excitação quase insuportável. A voz de Taishou tremulava, perdendo o tom de convicção, enquanto seu corpo se movia com dificuldade. Finalmente, ele parou, soltando um grito de liberação, seu corpo fazendo o último esforço. Suas pernas começaram a ceder e ele ficou sem fôlego. Por fim, atingiu seu clímax, sentindo-se fraco ao cair sobre ela, envolvendo-a em um abraço apertado. Sua respiração tremia, e a sensação quente de seus corpos tão próximos era avassaladora. “Tai… não sai de cima de mim… vamos dormir assim…” Akane disse, a voz rouca e suave. Taishou apenas concordou em silêncio com a cabeça. Seu corpo ainda pulsava devido ao pós-orgasmo, e a ideia de dormir ali, agarrados um ao outro, era deliciosa. Os olhos de ambos se fecharam lentamente, enquanto a respiração se estabilizava. Em poucos momentos, entregaram-se nos braços do sono, juntos e em paz.